{"id":10070,"date":"2026-05-06T07:30:22","date_gmt":"2026-05-06T07:30:22","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10070"},"modified":"2026-05-04T12:27:50","modified_gmt":"2026-05-04T12:27:50","slug":"marilda-de-souza-goncalves-a-cientista-que-transformou-genetica-em-cuidado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10070","title":{"rendered":"Marilda de Souza Gon\u00e7alves, a cientista que transformou gen\u00e9tica em cuidado"},"content":{"rendered":"<p>Um pequeno furo no calcanhar de um rec\u00e9m-nascido pode mudar uma vida inteira. O teste do pezinho, realizado nos primeiros dias ap\u00f3s o nascimento, tornou-se uma das ferramentas mais importantes da sa\u00fade p\u00fablica brasileira ao permitir o diagn\u00f3stico precoce de diversas doen\u00e7as. Entre as cientistas que contribu\u00edram para transformar esse exame em instrumento decisivo no combate \u00e0 doen\u00e7a falciforme est\u00e1 Marilda de Souza Gon\u00e7alves, biom\u00e9dica, geneticista e pesquisadora da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.bahia.fiocruz.br\/\"><strong>Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz) Bahia<\/strong><\/a>.<\/span><\/p>\n<p>Sua trajet\u00f3ria re\u00fane ci\u00eancia de excel\u00eancia, compromisso social e pioneirismo institucional. Primeira mulher negra a dirigir a Fiocruz Bahia, Marilda Gon\u00e7alves construiu uma carreira marcada por pesquisas sobre gen\u00e9tica humana, hemoglobinopatias e sa\u00fade materno-fetal, al\u00e9m de d\u00e9cadas dedicadas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de novos pesquisadores.<\/p>\n<p>Mais do que ocupar espa\u00e7os, ela ajudou a redefini-los. Em um ambiente acad\u00eamico historicamente desigual, sua presen\u00e7a tornou-se s\u00edmbolo de compet\u00eancia, resist\u00eancia e transforma\u00e7\u00e3o. Ao longo de sua vida profissional, mostrou que laborat\u00f3rios tamb\u00e9m s\u00e3o territ\u00f3rios de justi\u00e7a social.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-genetica-a-servico-da-populacao\">A gen\u00e9tica a servi\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>Ao longo da carreira, Marilda Gon\u00e7alves concentrou seus estudos em hematologia e gen\u00e9tica, com \u00eanfase em biologia molecular. Investigou a intera\u00e7\u00e3o entre fatores gen\u00e9ticos e marcadores hematol\u00f3gicos, bioqu\u00edmicos e imunol\u00f3gicos relacionados a anemias, leucemias e outras condi\u00e7\u00f5es sist\u00eamicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"laboratorios-tambem-sao-territorios-de-justica-social\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cLaborat\u00f3rios tamb\u00e9m s\u00e3o territ\u00f3rios de justi\u00e7a social.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas foi no campo da doen\u00e7a falciforme que sua atua\u00e7\u00e3o ganhou especial relev\u00e2ncia. Trata-se de uma condi\u00e7\u00e3o heredit\u00e1ria que altera o formato das hem\u00e1cias, dificultando a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea e podendo causar dores intensas, infec\u00e7\u00f5es, anemia cr\u00f4nica e complica\u00e7\u00f5es graves em diferentes \u00f3rg\u00e3os. No Brasil, a enfermidade tem grande impacto social e epidemiol\u00f3gico, especialmente na popula\u00e7\u00e3o negra.<\/p>\n<p>Nesse contexto, a identifica\u00e7\u00e3o precoce \u00e9 decisiva. Marilda Gon\u00e7alves participou de iniciativas cient\u00edficas voltadas ao desenvolvimento e consolida\u00e7\u00e3o do teste do pezinho para reconhecer a doen\u00e7a falciforme ainda nos primeiros dias de vida. O diagn\u00f3stico antecipado permite acompanhamento m\u00e9dico imediato, vacina\u00e7\u00e3o adequada, preven\u00e7\u00e3o de infec\u00e7\u00f5es e melhora significativa na qualidade de vida das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10071\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/CB-Marilda-de-Souza-Goncalves-fig-1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/CB-Marilda-de-Souza-Goncalves-fig-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/CB-Marilda-de-Souza-Goncalves-fig-1-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/CB-Marilda-de-Souza-Goncalves-fig-1.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\nFigura 1. Divulga\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seu trabalho ajudou a demonstrar que gen\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 apenas um campo laboratorial sofisticado: \u00e9 tamb\u00e9m ferramenta concreta de cuidado, preven\u00e7\u00e3o e equidade em sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"lideranca-feminina-e-negra-na-ciencia\">Lideran\u00e7a feminina e negra na ci\u00eancia<\/h4>\n<p>Em 2017, Marilda Gon\u00e7alves foi nomeada diretora da Fiocruz Bahia, tornando-se a primeira mulher a comandar a institui\u00e7\u00e3o. Mais tarde, teve o mandato renovado. O feito possui peso simb\u00f3lico e hist\u00f3rico em um pa\u00eds onde mulheres negras seguem sub-representadas em cargos de lideran\u00e7a cient\u00edfica.<\/p>\n<p>Sua chegada \u00e0 dire\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m refletiu uma vis\u00e3o ampla de ci\u00eancia: pesquisa articulada com ensino, inova\u00e7\u00e3o e compromisso com o Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS). Sob sua lideran\u00e7a, a Fiocruz Bahia fortaleceu programas de investiga\u00e7\u00e3o biom\u00e9dica e forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, sua trajet\u00f3ria inspira jovens pesquisadoras e estudantes que por d\u00e9cadas pouco se viram representadas em universidades e centros de pesquisa. Quando uma cientista negra ocupa espa\u00e7os estrat\u00e9gicos, amplia-se o horizonte de possibilidades para toda uma gera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-professora-que-forma-cientistas\">A professora que forma cientistas<\/h4>\n<p>Al\u00e9m da pesquisa, Marilda Gon\u00e7alves construiu longa carreira docente. Tornou-se professora titular da Faculdade de Farm\u00e1cia da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufba.br\/\">Universidade Federal da Bahia (UFBA)<\/a><\/strong><\/span> e atuou em programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em patologia, imunologia, biotecnologia e medicina investigativa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-fiocruz-bahia-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10072\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/CB-Marilda-de-Souza-Goncalves-fig1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/CB-Marilda-de-Souza-Goncalves-fig1-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/CB-Marilda-de-Souza-Goncalves-fig1-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/CB-Marilda-de-Souza-Goncalves-fig1-768x576.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/CB-Marilda-de-Souza-Goncalves-fig1-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/CB-Marilda-de-Souza-Goncalves-fig1-800x600.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/CB-Marilda-de-Souza-Goncalves-fig1-1160x870.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/CB-Marilda-de-Souza-Goncalves-fig1.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/>Figura 2. Fiocruz Bahia. Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Orientou dezenas de estudantes, participou da forma\u00e7\u00e3o de mestres e doutores e ajudou a consolidar redes cient\u00edficas no Brasil. Em entrevistas, costuma destacar a import\u00e2ncia do educador como aquele que ajuda pessoas a descobrir suas potencialidades.<\/p>\n<p>Seu legado, portanto, n\u00e3o se mede apenas em artigos cient\u00edficos ou cargos ocupados, mas tamb\u00e9m nas carreiras que ajudou a lan\u00e7ar e nas voca\u00e7\u00f5es que estimulou dentro e fora do laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-ciencia-como-projeto-de-futuro\">A ci\u00eancia como projeto de futuro<\/h4>\n<p>Em tempos de desinforma\u00e7\u00e3o e ataques ao conhecimento cient\u00edfico, Marilda tornou-se tamb\u00e9m voz p\u00fablica em defesa da pesquisa. Para ela, a ci\u00eancia \u00e9 elemento indispens\u00e1vel ao desenvolvimento humano, \u00e0 sa\u00fade coletiva e \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de sociedades mais justas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"investigar-genes-pode-significar-salvar-vidas-reduzir-desigualdades-e-abrir-caminhos-para-o-futuro\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cInvestigar genes pode significar salvar vidas, reduzir desigualdades e abrir caminhos para o futuro.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sua pr\u00f3pria trajet\u00f3ria confirma essa convic\u00e7\u00e3o. Da sala de aula ao laborat\u00f3rio, da bancada molecular \u00e0 gest\u00e3o institucional, ela mostrou que investigar genes pode significar salvar vidas, reduzir desigualdades e abrir caminhos para o futuro.<\/p>\n<p>Marilda de Souza Gon\u00e7alves representa uma gera\u00e7\u00e3o de cientistas brasileiras que transformaram excel\u00eancia acad\u00eamica em compromisso social. E lembra, todos os dias, que a ci\u00eancia come\u00e7a com curiosidade \u2014 mas alcan\u00e7a seu sentido pleno quando chega \u00e0s pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-fiocruz-reproducao\">Capa. Fiocruz. Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Um pequeno furo no calcanhar de um rec\u00e9m-nascido pode mudar uma vida&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":10074,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10070"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10070"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10070\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10075,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10070\/revisions\/10075"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10074"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10070"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10070"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10070"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}