{"id":10128,"date":"2026-06-18T07:30:56","date_gmt":"2026-06-18T07:30:56","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10128"},"modified":"2026-06-08T13:52:52","modified_gmt":"2026-06-08T13:52:52","slug":"herdeiros-do-fim-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10128","title":{"rendered":"Herdeiros do fim do mundo"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 livros que envelhecem como documentos hist\u00f3ricos; outros permanecem vivos porque continuam fazendo perguntas desconfort\u00e1veis ao presente. Publicado originalmente em 1960, \u201cEles Herdar\u00e3o a Terra\u201d, de Dinah Silveira de Queiroz, pertence claramente ao segundo grupo. Parte de uma colet\u00e2nea de mesmo nome que re\u00fane contos que transitam entre invas\u00f5es extraterrestres, distopias, s\u00e1tiras pol\u00edticas e estranhamentos fant\u00e1sticos, o conto prova que a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brasileira sempre foi mais ousada, pol\u00edtica e sofisticada do que costuma aparecer nos c\u00e2nones liter\u00e1rios.<\/p>\n<p>Mas reduzir o livro a uma reuni\u00e3o de hist\u00f3rias \u201csobre ETs\u201d seria ignorar justamente aquilo que faz Dinah de Queiroz t\u00e3o singular: sua capacidade de utilizar o ins\u00f3lito para falar de tens\u00f5es profundamente humanas. Em suas narrativas, o espa\u00e7o sideral nunca est\u00e1 t\u00e3o distante assim da realidade brasileira. O conto que d\u00e1 nome ao livro talvez seja o melhor exemplo disso. Em \u201cEles Herdar\u00e3o a Terra\u201d, Dinah de Queiroz apresenta uma invas\u00e3o alien\u00edgena que foge completamente da l\u00f3gica militar cl\u00e1ssica da fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. N\u00e3o h\u00e1 raios destruindo cidades nem batalhas \u00e9picas contra naves interplanet\u00e1rias. Os alien\u00edgenas da autora compreendem algo perturbador: a humanidade j\u00e1 est\u00e1 plenamente empenhada em sua pr\u00f3pria destrui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A genialidade da narrativa est\u00e1 justamente nessa invers\u00e3o. Enquanto obras tradicionais do g\u00eanero imaginavam amea\u00e7as externas devastando a civiliza\u00e7\u00e3o humana, Dinah de Queiroz desloca o horror para dentro da pr\u00f3pria sociedade terrestre. Guerras, viol\u00eancia, destrui\u00e7\u00e3o ambiental, desigualdade e brutalidade masculina tornam-se mais eficientes do que qualquer tecnologia alien\u00edgena. Os invasores apenas observam \u2014 e aguardam.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o conto adquire hoje uma for\u00e7a quase prof\u00e9tica. Em tempos marcados por guerras cont\u00ednuas, crise clim\u00e1tica, discursos extremistas e colapso ambiental, a pergunta proposta pela autora continua ecoando com desconfort\u00e1vel atualidade: quem herdar\u00e1 a Terra depois da exaust\u00e3o humana? A fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de Dinah de Queiroz n\u00e3o se limita ao futurismo; ela opera como alerta ecol\u00f3gico, pol\u00edtico e civilizat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Mas talvez o aspecto mais radical do conto esteja em sua discuss\u00e3o sobre g\u00eanero. Dinah de Queiroz subverte um elemento recorrente das narrativas de invas\u00e3o alien\u00edgena: o dom\u00ednio territorial. Aqui, o verdadeiro territ\u00f3rio disputado n\u00e3o \u00e9 apenas o planeta, mas tamb\u00e9m o corpo feminino. As mulheres surgem simultaneamente como s\u00edmbolo de fertilidade, continuidade e resist\u00eancia \u2014 desejadas pelos alien\u00edgenas e negligenciadas pelos pr\u00f3prios homens da Terra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"pra-que-mobilizar-esforcos-de-guerra-para-exterminar-o-ser-humano-se-ja-estamos-fazendo-isso-muito-bem-sozinhos-obrigada\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cPra qu\u00ea mobilizar esfor\u00e7os de guerra para exterminar o ser humano se j\u00e1 estamos fazendo isso muito bem sozinhos, obrigada?\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa disputa simb\u00f3lica torna a leitura especialmente potente. O alien\u00edgena de Dinah de Queiroz acusa a incompet\u00eancia masculina, a viol\u00eancia das guerras e a incapacidade dos homens de preservarem aquilo que possuem. Em determinado momento, a narrativa sugere que algumas mulheres prefeririam acompanhar os extraterrestres a permanecer ao lado dos homens terr\u00e1queos. O efeito \u00e9 profundamente perturbador, especialmente considerando o contexto hist\u00f3rico da publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"desbravando-caminhos-literarios\">Desbravando caminhos liter\u00e1rios<\/h4>\n<p>Escrevendo no in\u00edcio dos anos 1960, Dinah de Queiroz antecipa debates que s\u00f3 ganhariam maior centralidade d\u00e9cadas depois: autonomia do corpo feminino, viol\u00eancia estrutural, rela\u00e7\u00f5es de poder e colonialismo. Seu texto parece estabelecer uma liga\u00e7\u00e3o entre a explora\u00e7\u00e3o da Terra e a explora\u00e7\u00e3o da mulher, como se ambas fossem tratadas historicamente como territ\u00f3rios de conquista, dom\u00ednio e exaust\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-dinah-silveira-de-queiroz-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10131\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/RES-eles-herdarao-a-terra-fig1-229x300.jpg\" alt=\"\" width=\"382\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/RES-eles-herdarao-a-terra-fig1-229x300.jpg 229w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/RES-eles-herdarao-a-terra-fig1-768x1004.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/RES-eles-herdarao-a-terra-fig1-9x12.jpg 9w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/RES-eles-herdarao-a-terra-fig1.jpg 783w\" sizes=\"(max-width: 382px) 100vw, 382px\" \/><br \/>\nFigura 1. Dinah Silveira de Queiroz. Divulga\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ambiguidade tamb\u00e9m \u00e9 uma das maiores for\u00e7as da autora. Dinah n\u00e3o oferece respostas f\u00e1ceis nem moralismos simplificadores. N\u00e3o sabemos exatamente quais s\u00e3o as inten\u00e7\u00f5es definitivas dos alien\u00edgenas, tampouco compreendemos plenamente os desejos das personagens femininas. O sil\u00eancio, a d\u00favida e a sugest\u00e3o tornam-se ferramentas narrativas fundamentais.<\/p>\n<p>\u00c9 justamente essa abertura interpretativa que mant\u00e9m o conto vivo. Diferentes gera\u00e7\u00f5es podem reencontrar na narrativa novas camadas de sentido: uma cr\u00edtica ao colonialismo, uma alegoria sobre a Guerra Fria, um coment\u00e1rio feminista, um alerta ambiental ou at\u00e9 uma reflex\u00e3o filos\u00f3fica sobre o fracasso humano. Dinah compreendia que a boa fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica n\u00e3o prev\u00ea o futuro; ela ilumina o presente.<\/p>\n<p>Sua relev\u00e2ncia hist\u00f3rica para a literatura brasileira tamb\u00e9m impressiona. Integrante da chamada Primeira Onda da Fic\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica Brasileira, Dinah ajudou a consolidar um g\u00eanero frequentemente tratado como menor pela cr\u00edtica liter\u00e1ria nacional. E fez isso ocupando um espa\u00e7o ainda mais improv\u00e1vel: o de mulher escrevendo fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em um meio amplamente masculino.<\/p>\n<p>Embora hoje seu nome seja menos lembrado do que deveria, Dinah de Queiroz foi uma autora extremamente popular e influente. Seu romance \u201cFloradas na Serra\u201d esgotou rapidamente a primeira edi\u00e7\u00e3o e ganhou adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica. \u201cA Muralha\u201d tornou-se um cl\u00e1ssico da televis\u00e3o brasileira. Escreveu cr\u00f4nicas, romances hist\u00f3ricos, literatura infantil, pe\u00e7as teatrais e textos radiof\u00f4nicos, transitando entre formatos com rara naturalidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-campo-de-batalha-e-o-corpo-da-mulher\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u00a0\u201cO campo de batalha \u00e9 o corpo da mulher.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa versatilidade talvez explique parcialmente por que sua produ\u00e7\u00e3o permaneceu durante tanto tempo subestimada pela cr\u00edtica acad\u00eamica. Dinah escrevia para p\u00fablicos amplos, dialogava com jornais, r\u00e1dio e televis\u00e3o, apostava em linguagem acess\u00edvel e valorizava a comunica\u00e7\u00e3o direta com o leitor. Em um ambiente liter\u00e1rio frequentemente marcado pelo elitismo, sua popularidade acabou sendo vista com desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p>Ainda assim, sua trajet\u00f3ria \u00e9 profundamente pioneira. Dinah esteve entre as principais vozes femininas que pressionaram pela entrada de mulheres na Academia Brasileira de Letras. Depois de candidaturas recusadas, tornou-se a segunda mulher a ingressar na institui\u00e7\u00e3o, logo ap\u00f3s Rachel de Queiroz. Sua presen\u00e7a ali representava n\u00e3o apenas reconhecimento liter\u00e1rio, mas tamb\u00e9m ruptura simb\u00f3lica em um espa\u00e7o historicamente masculino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-ficcao-da-realidade-brasileira\">A fic\u00e7\u00e3o da realidade brasileira<\/h4>\n<p>Seu olhar para a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tamb\u00e9m estava diretamente conectado ao contexto hist\u00f3rico que viveu. Dinah testemunhou a Guerra Fria, a corrida espacial e as transforma\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas do s\u00e9culo XX. Enquanto o mundo acompanhava sat\u00e9lites, amea\u00e7as nucleares e especula\u00e7\u00f5es sobre vida extraterrestre, ela percebeu que o verdadeiro drama humano talvez n\u00e3o estivesse nas estrelas, mas na pr\u00f3pria Terra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-coletanea-de-contos-eles-herdarao-a-terra-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10130\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/RES-eles-herdarao-a-terra-fig2-198x300.jpg\" alt=\"\" width=\"329\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/RES-eles-herdarao-a-terra-fig2-198x300.jpg 198w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/RES-eles-herdarao-a-terra-fig2-674x1024.jpg 674w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/RES-eles-herdarao-a-terra-fig2-768x1166.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/RES-eles-herdarao-a-terra-fig2-8x12.jpg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/RES-eles-herdarao-a-terra-fig2-800x1215.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/RES-eles-herdarao-a-terra-fig2.jpg 988w\" sizes=\"(max-width: 329px) 100vw, 329px\" \/><br \/>\nFigura 2. Colet\u00e2nea de Contos \u201cEles Herdar\u00e3o a Terra\u201d. Divulga\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por isso, sua fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica permanece t\u00e3o contempor\u00e2nea. Seus contos falam sobre persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, intoler\u00e2ncia, colonialismo, misoginia, destrui\u00e7\u00e3o ambiental e desigualdade social sem jamais perder a dimens\u00e3o fant\u00e1stica. H\u00e1 ironia, tens\u00e3o, lirismo e desconforto convivendo simultaneamente em suas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m impressiona a maneira como Dinah de Queiroz articula som, oralidade e ritmo em sua escrita. Acostumada ao r\u00e1dio e \u00e0s cr\u00f4nicas jornal\u00edsticas, desenvolveu uma prosa extremamente fluida, sonora e imag\u00e9tica. Seus textos parecem feitos para serem narrados em voz alta, carregando musicalidade mesmo nos momentos mais sombrios.<\/p>\n<p>Reler \u201cEles Herdar\u00e3o a Terra\u201d hoje \u00e9 tamb\u00e9m perceber como a literatura brasileira produziu, muito antes do reconhecimento recente do g\u00eanero, uma fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica sofisticada e profundamente cr\u00edtica. Dinah de Queiroz compreendeu cedo que imaginar futuros era uma forma poderosa de discutir viol\u00eancias do presente.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n<p id=\"title\" class=\"a-spacing-none a-text-normal\"><span id=\"productTitle\" class=\"a-size-large celwidget\" data-csa-c-id=\"sd2j20-w7biv4-fwdb4p-6bnyhm\">Dinah Fant\u00e1stica: Contos de Fic\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica Reunidos \u2015 Eles Herdar\u00e3o a Terra e Comba Malina. Editora Instante. 2022.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-divulgacao\">Capa. Divulga\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"H\u00e1 livros que envelhecem como documentos hist\u00f3ricos; outros permanecem vivos porque continuam&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":10129,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,865],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10128"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10128"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10128\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10133,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10128\/revisions\/10133"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10129"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10128"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10128"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10128"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}