{"id":10235,"date":"2026-06-11T07:30:40","date_gmt":"2026-06-11T07:30:40","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10235"},"modified":"2026-06-11T10:07:08","modified_gmt":"2026-06-11T10:07:08","slug":"o-conhecimento-nunca-e-neutro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10235","title":{"rendered":"\u201cO conhecimento nunca \u00e9 neutro.\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Poucas artistas e pesquisadoras transitam com tanta naturalidade entre cria\u00e7\u00e3o musical, pesquisa acad\u00eamica, performance experimental e milit\u00e2ncia feminista quanto Isabel Porto Nogueira. Professora titular da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufrgs.br\/\">Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)<\/a><\/strong><\/span>, bolsista de produtividade do CNPq, compositora, performer e pesquisadora, Isabel Nogueira construiu uma trajet\u00f3ria marcada pela investiga\u00e7\u00e3o sobre g\u00eanero, mem\u00f3ria, escuta e experimenta\u00e7\u00e3o sonora. Ao longo de mais de duas d\u00e9cadas, tornou-se uma das principais refer\u00eancias brasileiras nos estudos de g\u00eanero e m\u00fasica, articulando produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica, doc\u00eancia, ativismo e pesquisa em uma atua\u00e7\u00e3o profundamente conectada \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es sociais e culturais do pa\u00eds. \u201cCriar, al\u00e9m do que nos foi dado ou permitido usufruir, me parece uma coisa importante\u201d, diz a pesquisadora. Nesta entrevista \u00e0 <strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong>, Isabel reflete sobre a descoberta de que os silenciamentos vividos por mulheres na m\u00fasica n\u00e3o eram experi\u00eancias individuais, mas parte de estruturas hist\u00f3ricas e sist\u00eamicas. A pesquisadora tamb\u00e9m discute a import\u00e2ncia das redes femininas de apoio, da educa\u00e7\u00e3o sonora, da cria\u00e7\u00e3o de comunidades de escuta e da necessidade de romper com modelos tradicionais que ainda invisibilizam mulheres na composi\u00e7\u00e3o, na m\u00fasica experimental e na academia \u201cQuando tu percebe outra pessoa com quem tu pode te identificar fazendo aquilo, teu corpo inteiro reage como uma forma de dizer: \u2018puxa, eu tamb\u00e9m posso\u2019\u201d, afirma. <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura \u2014 Ao longo da sua trajet\u00f3ria, voc\u00ea transita entre cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, pesquisa acad\u00eamica e ativismo feminista. Em que momento esses campos deixaram de ser caminhos paralelos e passaram a se alimentar mutuamente no seu trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Isabel Porto Nogueira \u2014<\/strong> Acho que n\u00e3o houve exatamente um momento espec\u00edfico, mas v\u00e1rios momentos em que fui percebendo que essas \u00e1reas estavam profundamente ligadas. Minha rela\u00e7\u00e3o com a m\u00fasica come\u00e7ou muito cedo: comecei a estudar piano cl\u00e1ssico aos oito anos, ao mesmo tempo em que escrevia poesias e di\u00e1rios. Tamb\u00e9m desde muito nova me interessava pela experimenta\u00e7\u00e3o sonora e pela m\u00fasica eletr\u00f4nica, embora, naquele per\u00edodo, esses universos parecessem separados.<\/p>\n<p>Quando fui para a Espanha fazer doutorado em musicologia, entrei em contato com os estudos de g\u00eanero e comecei a compreender algo que transformou profundamente minha vis\u00e3o: as dificuldades que eu havia vivido n\u00e3o eram apenas experi\u00eancias pessoais, mas parte de uma estrutura maior. Eu j\u00e1 compunha desde os 13 anos, mas ouvia constantemente que o mais importante para mim seria tocar piano e interpretar compositores consagrados \u2014 quase sempre homens europeus.<\/p>\n<p>Ao ler autoras feministas e pesquisadoras como Lucy Green, fui entendendo que as mulheres historicamente foram desencorajadas a ocupar espa\u00e7os ligados \u00e0 tecnologia, \u00e0 composi\u00e7\u00e3o e \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o musical. Percebi que existiam lugares considerados \u201cadequados\u201d para mulheres, como o de cantora, professora ou educadora, fun\u00e7\u00f5es associadas ao cuidado.<\/p>\n<p>A partir disso, comecei a pesquisar compositoras, int\u00e9rpretes e os apagamentos hist\u00f3ricos presentes nos arquivos musicais. Mais tarde, percebi que esses silenciamentos n\u00e3o pertenciam apenas ao passado: continuam acontecendo no presente. Isso me levou a entender que minha pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica tamb\u00e9m precisava ocupar espa\u00e7o e dialogar com outras mulheres.<\/p>\n<p>Com o tempo, esses caminhos passaram a se retroalimentar. Minha cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica fortalece minha atua\u00e7\u00e3o docente e minha pesquisa, enquanto a escuta \u2014 da m\u00fasica, do mundo e das outras pessoas \u2014 atravessa todos esses processos. Hoje percebo tudo isso como algo em permanente transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"eu-fui-percebendo-que-nao-era-so-pessoal-era-sistemico\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEu fui percebendo que n\u00e3o era s\u00f3 pessoal, era sist\u00eamico.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2014 Seu trabalho em musicologia dialoga com mem\u00f3ria, acervos e institui\u00e7\u00f5es musicais, mas tamb\u00e9m com experimenta\u00e7\u00e3o sonora. Como voc\u00ea equilibra a investiga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com a cria\u00e7\u00e3o contempor\u00e2nea?<\/strong><\/p>\n<p><strong>IPN \u2014<\/strong> Entender os mecanismos que constru\u00edram o chamado sistema da m\u00fasica \u00e9 fundamental para compreender como nossas ideias sobre arte e legitimidade foram formadas. Quando observamos os repert\u00f3rios das orquestras, os artistas mais tocados nas plataformas de streaming ou os compositores mais estudados, ainda vemos uma predomin\u00e2ncia muito grande de homens brancos europeus.<\/p>\n<p>Isso revela um problema hist\u00f3rico: faltaram modelos femininos vis\u00edveis para que outras mulheres pudessem se reconhecer nesses espa\u00e7os. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que apenas homens tenham produzido m\u00fasica relevante ao longo da hist\u00f3ria. O que aconteceu foi um processo de invisibiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A experimenta\u00e7\u00e3o sonora aparece, ent\u00e3o, como uma forma de imaginar outros mundos poss\u00edveis. Muitas mulheres cresceram sem espa\u00e7o para desenvolver plenamente sua criatividade, porque lhes foi atribu\u00eddo um papel ligado ao cuidado, \u00e0 produtividade e \u00e0 aten\u00e7\u00e3o aos outros. Imaginar, criar e experimentar muitas vezes eram vistos como algo secund\u00e1rio.<\/p>\n<p>Por isso, para mim, a experimenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 apenas est\u00e9tica: ela \u00e9 pol\u00edtica. Ela permite buscar novas vozes, novos modos de existir e novos espa\u00e7os de atua\u00e7\u00e3o. Os estudos sobre mem\u00f3ria, arquivos e institui\u00e7\u00f5es mostram justamente como certos modelos foram naturalizados ao longo do tempo, tornando-se quase invis\u00edveis no nosso imagin\u00e1rio. Criar, experimentar e imaginar outras possibilidades se torna, assim, uma forma de resist\u00eancia e transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2014 Voc\u00ea atua h\u00e1 mais de duas d\u00e9cadas na constru\u00e7\u00e3o do campo de g\u00eanero e m\u00fasica no Brasil. Que mudan\u00e7as mais chamam sua aten\u00e7\u00e3o nesse per\u00edodo?<\/strong><\/p>\n<p><strong>IPN \u2014<\/strong> Uma das transforma\u00e7\u00f5es mais importantes foi o aumento da circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es e da capacidade das pessoas jovens de identificar e nomear viol\u00eancias de g\u00eanero e desigualdades dentro da m\u00fasica e da academia. No in\u00edcio dos anos 2000, ainda est\u00e1vamos tentando formar redes e descobrir quem pesquisava g\u00eanero e m\u00fasica no Brasil. Hoje, essas redes se fortaleceram muito e isso \u00e9 fundamental. Buscar apoio em outras mulheres, construir projetos coletivos e desenvolver pesquisas de forma colaborativa se tornou uma estrat\u00e9gia importante de resist\u00eancia.<\/p>\n<p>Outro ponto central trazido pelas epistemologias feministas \u00e9 a compreens\u00e3o de que o conhecimento n\u00e3o \u00e9 neutro. Durante muito tempo, a m\u00fasica foi tratada como se existisse separada das experi\u00eancias humanas, como se apenas a estrutura musical importasse. Mas fazemos arte a partir de quem somos, das nossas mem\u00f3rias, dos nossos corpos e das nossas hist\u00f3rias.<\/p>\n<p>Apesar dos avan\u00e7os, ainda existe uma forte resist\u00eancia dentro da academia. Os curr\u00edculos continuam profundamente marcados por uma l\u00f3gica euroc\u00eantrica e colonial. Conhecer a tradi\u00e7\u00e3o europeia \u00e9 importante, mas tamb\u00e9m precisamos estudar a m\u00fasica produzida no Brasil e reconhecer as m\u00faltiplas vozes que nos constituem culturalmente. Essa transforma\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 em curso e enfrenta muitas disputas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"as-mulheres-em-geral-nao-sao-incentivadas-a-lidar-com-a-tecnologia-nem-com-a-experimentacao-nem-com-a-composicao\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAs mulheres em geral n\u00e3o s\u00e3o incentivadas a lidar com a tecnologia, nem com a experimenta\u00e7\u00e3o, nem com a composi\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2014 Projetos como o S\u00f4nicas e o <em>Girls Rock Camp<\/em> mostram uma dimens\u00e3o formativa e pol\u00edtica da m\u00fasica. Que papel a educa\u00e7\u00e3o sonora pode ter na amplia\u00e7\u00e3o da presen\u00e7a de meninas e mulheres na ci\u00eancia e na cria\u00e7\u00e3o musical?<\/strong><\/p>\n<p><strong>IPN \u2014<\/strong> A educa\u00e7\u00e3o sonora tem um papel transformador porque come\u00e7a pelos modelos de identifica\u00e7\u00e3o. Quando meninas e mulheres veem outras pessoas parecidas com elas criando, compondo, pesquisando e ocupando espa\u00e7os, algo muda profundamente. Surge a sensa\u00e7\u00e3o de que \u201ceu tamb\u00e9m posso\u201d.<\/p>\n<p>Esses espa\u00e7os funcionam tamb\u00e9m como redes de incentivo. Muitas mulheres convivem com a sensa\u00e7\u00e3o de nunca saberem o suficiente ou de n\u00e3o estarem preparadas o bastante para criar. Em ambientes colaborativos, elas podem experimentar, compartilhar ideias e desenvolver confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o de comunidades de pr\u00e1tica e de escuta. N\u00e3o se trata apenas de aprender t\u00e9cnicas musicais, mas de compartilhar conhecimentos sobre produ\u00e7\u00e3o, circula\u00e7\u00e3o, composi\u00e7\u00e3o e inser\u00e7\u00e3o no mercado musical. \u00c9 criar espa\u00e7os em que mulheres possam apoiar umas \u00e0s outras.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m buscamos desenvolver a escrita cotidiana e a escuta atenta como formas de fortalecer a pr\u00f3pria voz. A curiosidade, a confian\u00e7a e o acolhimento das diferen\u00e7as s\u00e3o fundamentais para que mais mulheres participem da ci\u00eancia e da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, tentamos construir ambientes que n\u00e3o reproduzam l\u00f3gicas patriarcais r\u00edgidas de produtividade. Cada pessoa possui ritmos, necessidades e formas diferentes de criar. Escutar essas diferen\u00e7as tamb\u00e9m faz parte da constru\u00e7\u00e3o coletiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura \u2014 Mesmo com avan\u00e7os recentes, a presen\u00e7a feminina na m\u00fasica ainda \u00e9 marcada por desigualdades. Quais mecanismos mais sutis continuam invisibilizando mulheres nesses espa\u00e7os?<\/strong><\/p>\n<p><strong>IPN<\/strong> \u2014 Existe ainda uma disputa muito forte por autoridade e reconhecimento. Quem pode falar? Quem \u00e9 legitimado como algu\u00e9m importante? Quem \u00e9 citado, estudado e lembrado?<\/p>\n<p>Na m\u00fasica, embora muitas mulheres produzam pesquisa e cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica, os nomes mais referenciados continuam sendo majoritariamente masculinos. Isso aparece nos curr\u00edculos, nas programa\u00e7\u00f5es, nos concursos e nas refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas.<\/p>\n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m mecanismos institucionais que se perpetuam. Muitas vezes, homens ocupam os espa\u00e7os de decis\u00e3o dentro da academia e acabam reproduzindo modelos semelhantes aos seus pr\u00f3prios trajetos. Isso cria um ciclo cont\u00ednuo de valida\u00e7\u00e3o masculina.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as mulheres ainda enfrentam sobrecarga de trabalho, jornadas m\u00faltiplas e impactos da maternidade sobre a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e art\u00edstica. Algumas pol\u00edticas recentes tentam corrigir essas desigualdades, mas os obst\u00e1culos permanecem bastante fortes. S\u00e3o mecanismos sutis porque muitas vezes n\u00e3o aparecem de forma expl\u00edcita, mas seus efeitos se tornam vis\u00edveis quando observamos quem ocupa os espa\u00e7os de maior prest\u00edgio e poder.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2014 Como voc\u00ea enxerga a constru\u00e7\u00e3o de uma est\u00e9tica feminista na m\u00fasica? Ela necessariamente implica ruptura com tradi\u00e7\u00f5es estabelecidas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>IPN \u2014<\/strong> Se as tradi\u00e7\u00f5es musicais invisibilizaram sistematicamente mulheres durante s\u00e9culos, me parece inevit\u00e1vel que seja necess\u00e1ria alguma forma de ruptura. Isso n\u00e3o significa abandonar completamente tudo o que foi produzido antes, mas compreender que linguagem, est\u00e9tica e crit\u00e9rios de valor nunca s\u00e3o neutros.<\/p>\n<p>A music\u00f3loga Susan McClary, por exemplo, mostra como certos elementos da teoria musical ocidental carregam associa\u00e7\u00f5es de g\u00eanero profundamente enraizadas. Isso nos faz perceber que at\u00e9 mesmo a estrutura da linguagem musical foi constru\u00edda dentro de rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas de poder. Uma cria\u00e7\u00e3o feminista busca questionar esses modelos e construir outros espa\u00e7os poss\u00edveis. Ela olha para as produ\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas, para as redes locais, para as vozes que foram silenciadas e para os mundos que desejamos criar.<\/p>\n<p>Na m\u00fasica experimental, muitas mulheres trabalham com escuta profunda, paisagens sonoras, grava\u00e7\u00f5es de campo e recupera\u00e7\u00e3o de vozes historicamente apagadas. Existe uma preocupa\u00e7\u00e3o em desenvolver outras formas de escutar e existir. Para mim, uma est\u00e9tica feminista tamb\u00e9m envolve diversidade, sustentabilidade e redu\u00e7\u00e3o das desigualdades. A cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica transforma o mundo, mesmo quando parece pequena. Toda m\u00fasica produz efeitos sobre a maneira como percebemos as pessoas, os corpos e as possibilidades de exist\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"importa-principalmente-que-mundo-a-gente-quer-criar\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cImporta principalmente que mundo a gente quer criar.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Poucas artistas e pesquisadoras transitam com tanta naturalidade entre cria\u00e7\u00e3o musical, pesquisa&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":10236,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,864],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10235"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10235"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10235\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10283,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10235\/revisions\/10283"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10236"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10235"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10235"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10235"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}