{"id":10324,"date":"2026-06-29T08:00:28","date_gmt":"2026-06-29T08:00:28","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10324"},"modified":"2026-06-15T12:20:19","modified_gmt":"2026-06-15T12:20:19","slug":"entre-jargoes-e-o-encantamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10324","title":{"rendered":"Entre jarg\u00f5es e o encantamento"},"content":{"rendered":"<p>Crian\u00e7as n\u00e3o esperam explica\u00e7\u00f5es para investigar o mundo: observam, levantam hip\u00f3teses, testam ideias e transformam o dia a dia em perguntas. Para elas, a vida \u00e9 um campo aberto para descobertas, no qual fen\u00f4menos cotidianos podem se tornar quest\u00f5es cient\u00edficas. Transformar essa disposi\u00e7\u00e3o em uma estrat\u00e9gia de aprendizagem \u00e9 uma das maiores pot\u00eancias, mas tamb\u00e9m um dos principais desafios, da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica voltada ao p\u00fablico infantil. Mais do que simplificar conte\u00fados, esse campo busca comunicar conceitos complexos de forma acess\u00edvel e sem esvaziar seu significado. Em um cen\u00e1rio marcado pela disputa por aten\u00e7\u00e3o e pelo excesso de est\u00edmulos, o equil\u00edbrio se torna delicado: como manter o encantamento e adaptar a ci\u00eancia ao universo das crian\u00e7as sem reduzi-la a um mero espet\u00e1culo?<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 f\u00f3rmulas m\u00e1gicas. \u201c\u00c9 preciso pensar caso a caso: entender qual \u00e9 o assunto, quanto dinheiro eu tenho, quais ferramentas est\u00e3o dispon\u00edveis e quem \u00e9 o meu p\u00fablico\u201d, frisa Luisa Massarani, jornalista de ci\u00eancias e pesquisadora do N\u00facleo de Estudos da Divulga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.museudavida.fiocruz.br\/index.php\/pt-br\/\"><strong>Museu da Vida Fiocruz<\/strong><\/a><\/span>. Mesmo quando o p\u00fablico \u00e9 definido como infantil, as diferen\u00e7as de faixa et\u00e1ria, contexto sociocultural e repert\u00f3rio podem exigir estrat\u00e9gias distintas. Para o soci\u00f3logo Yurij Castelfranchi, que atuou na concep\u00e7\u00e3o e coordena\u00e7\u00e3o do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/serrapilheira.org\/projetos\/amrek\/\"><strong>Curso de Especializa\u00e7\u00e3o em Divulga\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica Amerek<\/strong><\/a><\/span>, da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufmg.br\/\"><strong>Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)<\/strong><\/a><\/span>, essa reflex\u00e3o \u00e9 fundamental. \u201c\u00c9 preciso se atentar n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 adequa\u00e7\u00e3o da linguagem, mas tamb\u00e9m \u00e0 narrativa, ao estilo e ao pr\u00f3prio conte\u00fado\u201d, avalia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-crianca-como-protagonista\">A crian\u00e7a como protagonista<\/h4>\n<p>Ainda que n\u00e3o exista uma receita \u00fanica, a pr\u00e1tica acumulada na \u00e1rea oferece pistas importantes. Yurij Castelfranchi defende que estrat\u00e9gias que colocam a crian\u00e7a no centro do processo tendem a favorecer o engajamento. \u201cA crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um p\u00fablico passivo, que est\u00e1 ali apenas para receber informa\u00e7\u00f5es, mas se envolve com facilidade com aquilo que faz, escuta e v\u00ea\u201d, observa. Ele ressalta que iniciativas que estimulam o p\u00fablico infantil a formular perguntas e construir respostas, participando ativamente da produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o do conhecimento, costumam ser mais eficazes na comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica voltada a esse p\u00fablico.\u00a0(<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-criancas-visitam-museu-da-fiocruz-foto-guilherme-moraes-fiocruz-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10326\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-reportagem-Entre-jargoes-e-o-encantamento-figura-1-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-reportagem-Entre-jargoes-e-o-encantamento-figura-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-reportagem-Entre-jargoes-e-o-encantamento-figura-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-reportagem-Entre-jargoes-e-o-encantamento-figura-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-reportagem-Entre-jargoes-e-o-encantamento-figura-1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-reportagem-Entre-jargoes-e-o-encantamento-figura-1-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-reportagem-Entre-jargoes-e-o-encantamento-figura-1-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-reportagem-Entre-jargoes-e-o-encantamento-figura-1.jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Crian\u00e7as visitam museu da Fiocruz.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Guilherme Moraes\/ Fiocruz. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tatiana Sim\u00f5es, coordenadora do projeto \u201c<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/cienciaecriancaufpr.blogspot.com\/\"><strong>Ci\u00eancia &amp; Crian\u00e7a<\/strong><\/a><\/span>\u201d e professora do Departamento de Qu\u00edmica da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufpr.br\/\"><strong>Universidade Federal do Paran\u00e1 (UFPR)<\/strong><\/a><\/span>, refor\u00e7a essa perspectiva e aponta que o protagonismo infantil tem sido pe\u00e7a-chave para o sucesso do projeto. \u201cPriorizamos um processo investigativo que come\u00e7a com uma roda de conversa em que, al\u00e9m de questionar, ouvimos as perguntas das crian\u00e7as. \u00c9 fascinante notar como elas conectam naturalmente a ci\u00eancia ao cotidiano\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A pesquisadora explica que, para estimular interesse, autonomia e imagina\u00e7\u00e3o, a equipe busca envolver o p\u00fablico em todas as etapas do processo cient\u00edfico. \u201cNas atividades experimentais, partimos de uma situa\u00e7\u00e3o-problema, constru\u00edmos hip\u00f3teses junto com as crian\u00e7as e testamos sempre que poss\u00edvel\u201d, diz. O mesmo ocorre na produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados: \u201cem materiais como livros impressos e <em>e-books<\/em>, usamos <em>storytelling <\/em>e criamos narrativas baseadas nas d\u00favidas reais que elas trazem\u201d, complementa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"cientistas-renomados-tambem-ja-foram-criancas\">Cientistas renomados tamb\u00e9m j\u00e1 foram crian\u00e7as<\/h4>\n<p>Quando a crian\u00e7a se v\u00ea no centro do processo de descoberta, a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica passa a se apoiar justamente em sua natureza explorat\u00f3ria. \u201cCrian\u00e7as s\u00e3o cientistas natas: elas n\u00e3o t\u00eam medo do erro e possuem um interesse genu\u00edno em entender o porqu\u00ea das coisas\u201d, descreve Tatiana Sim\u00f5es. Ela argumenta que a ideia de que a ci\u00eancia \u00e9 algo \u201cdif\u00edcil\u201d ou restrito a poucos, ainda bastante presente no imagin\u00e1rio social, n\u00e3o \u00e9 algo inerente ao conhecimento cient\u00edfico, mas socialmente constru\u00eddo &#8211; e a divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica pode atuar no sentido oposto, criando experi\u00eancias que contribuam para desmontar essas barreiras desde cedo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-crianca-nao-e-um-publico-passivo-que-esta-ali-apenas-para-receber-informacoes-mas-se-envolve-com-facilidade-com-aquilo-que-faz-escuta-e-ve\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA crian\u00e7a n\u00e3o \u00e9 um p\u00fablico passivo, que est\u00e1 ali apenas para receber informa\u00e7\u00f5es, mas se envolve com facilidade com aquilo que faz, escuta e v\u00ea.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No mesmo sentido, o soci\u00f3logo Yurij Castelfranchi afirma que inf\u00e2ncia \u00e9 uma fase crucial de socializa\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 nesse per\u00edodo que se constroem as primeiras representa\u00e7\u00f5es sobre a ci\u00eancia e sobre quem pode faz\u00ea-la\u201d, completa. Sendo assim, o contato precoce com a ci\u00eancia pode ter impactos duradouros. \u201cSe voc\u00ea olhar a autobiografia de muitos cientistas, ver\u00e1 que eles frequentemente lembram de experi\u00eancias marcantes ainda na inf\u00e2ncia\u201d, diz. Ele cita exemplos como o paleont\u00f3logo Stephen Jay Gould, que relata a primeira vez que viu um f\u00f3ssil em um museu, e Albert Einstein, que menciona o fasc\u00ednio por uma b\u00fassola que ganhou de presente e por seus primeiros livros de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. \u201cPara algumas pessoas, esse pode ser o ponto de partida para o surgimento de uma voca\u00e7\u00e3o e, sobretudo, para perceber que a ci\u00eancia \u00e9 uma atividade poss\u00edvel\u201d, argumenta.<\/p>\n<p>Permitir que o p\u00fablico se identifique com as refer\u00eancias que constr\u00f3i tamb\u00e9m \u00e9 fundamental para a efetividade da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. \u201cMuitas vezes, nos museus, nos materiais did\u00e1ticos e em outros espa\u00e7os de divulga\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um foco excessivo nos resultados finais, como se eles surgissem prontos, ou na figura de grandes g\u00eanios isolados\u201d, observa. \u201cIsso pode afastar o p\u00fablico, que n\u00e3o se v\u00ea nesse lugar.\u201d Para o pesquisador, \u00e9 preciso mostrar n\u00e3o apenas os resultados, mas tamb\u00e9m os processos, as trajet\u00f3rias e a diversidade de pessoas envolvidas na produ\u00e7\u00e3o do conhecimento. \u201cAmpliar o leque de vozes, hist\u00f3rias e representa\u00e7\u00f5es \u00e9 fundamental para que mais crian\u00e7as se reconhe\u00e7am nesse universo\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>Tatiana Sim\u00f5es acrescenta que, al\u00e9m de despertar voca\u00e7\u00f5es, o papel da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para crian\u00e7as tamb\u00e9m \u00e9 social. \u201cN\u00e3o queremos apenas incentivar carreiras cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas, mas formar cidad\u00e3os que compreendam que a ci\u00eancia est\u00e1 em todo lugar: da cozinha de casa \u00e0s grandes decis\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas que moldam a sociedade\u201d, pontua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"criancas-tambem-querem-aprender-conceitos-complexos\">Crian\u00e7as tamb\u00e9m querem aprender conceitos complexos<\/h4>\n<p>O desafio de comunicar ci\u00eancia para crian\u00e7as tamb\u00e9m atravessa a forma como o conhecimento \u00e9 tradicionalmente produzido e disseminado em ambientes institucionais, entre especialistas e em materiais como artigos cient\u00edficos. Em uma tentativa de \u201ctraduzir\u201d a linguagem acad\u00eamica, a simplifica\u00e7\u00e3o de termos e conceitos pode ser escolhida como estrat\u00e9gia para tornar o conte\u00fado mais acess\u00edvel. No entanto, simplificar, por si s\u00f3, nem sempre garante compreens\u00e3o. \u201cAs crian\u00e7as adoram aprender uma nova palavra dif\u00edcil, voltar para casa e contar para a fam\u00edlia o nome cient\u00edfico de um r\u00e9ptil ou de um cogumelo\u201d, observa Yurij Castelfranchi. \u201cA quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9, necessariamente, o l\u00e9xico, mas a estrutura da narrativa e os ganchos que utilizamos\u201d, completa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"criancas-sao-cientistas-natas-elas-nao-tem-medo-do-erro-e-possuem-um-interesse-genuino-em-entender-o-porque-das-coisas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cCrian\u00e7as s\u00e3o cientistas natas: elas n\u00e3o t\u00eam medo do erro e possuem um interesse genu\u00edno em entender o porqu\u00ea das coisas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rita de C\u00e1ssia Caf\u00e9 Ferreira, pesquisadora do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/cepidb3.iq.usp.br\/\"><strong>Centro de Pesquisa em Biologia de Bact\u00e9rias e Bacteri\u00f3fagos (CEPID B3)<\/strong><\/a><\/span>, sediado na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e vinculado \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (FAPESP), e coordenadora do \u201c<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/microbiologia.icb.usp.br\/projeto-adote\/\"><strong>Projeto #Adote<\/strong><\/a><\/span>\u201d, concorda que, mais do que apenas dar a defini\u00e7\u00e3o de dicion\u00e1rio para palavras \u201cdif\u00edceis\u201d, \u00e9 necess\u00e1rio explicar o que est\u00e1 por tr\u00e1s desses jarg\u00f5es e o motivo pelo qual \u00e9 importante que essas palavras existam. \u201cAncorar essas informa\u00e7\u00f5es nas experi\u00eancias e conhecimentos pr\u00e9vios do p\u00fablico-alvo, al\u00e9m de facilitar o entendimento do conte\u00fado, tamb\u00e9m transforma informa\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas em algo palp\u00e1vel\u201d, diz.<\/p>\n<p>Quando o tema \u00e9 facilitar a compreens\u00e3o de assuntos desafiadores, a aproxima\u00e7\u00e3o com o cotidiano ajuda a romper barreiras. \u201cPor exemplo, falar sobre seres imposs\u00edveis de serem vistos a olho nu \u00e9 algo abstrato, mas pensar sobre como as caracter\u00edsticas desses seres influenciam os medicamentos que os m\u00e9dicos receitam torna isso mais concreto\u201d, exemplifica a pesquisadora. O uso de analogias e outras compara\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m \u00e9 citado por Luisa Massarani e Tatiana Sim\u00f5es como uma ferramenta estrat\u00e9gica para alcan\u00e7ar o p\u00fablico infantil. \u201cAs crian\u00e7as compreendem mais assuntos complexos do que imaginamos\u201d, ressalta Luisa Massarani. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-todos-os-temas-podem-ser-trabalhados-com-as-criancas-de-mudancas-climaticas-a-fisica-quantica-foto-jardel-rodrigues-sbpc-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10327\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-reportagem-Entre-jargoes-e-o-encantamento-figura-2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-reportagem-Entre-jargoes-e-o-encantamento-figura-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-reportagem-Entre-jargoes-e-o-encantamento-figura-2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-reportagem-Entre-jargoes-e-o-encantamento-figura-2.jpg 620w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Todos os temas podem ser trabalhados com as crian\u00e7as, de mudan\u00e7as clim\u00e1ticas \u00e0 f\u00edsica qu\u00e2ntica.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Jardel Rodrigues\/ SBPC. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"iniciativas-brasileiras-de-divulgacao-cientifica-engajam-criancas\">Iniciativas brasileiras de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica engajam crian\u00e7as<\/h4>\n<p>Diante desses desafios, algumas iniciativas brasileiras t\u00eam buscado levar \u00e0 pr\u00e1tica os princ\u00edpios da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica voltada ao p\u00fablico infantil. No Paran\u00e1, Tatiana Sim\u00f5es coordena o projeto de extens\u00e3o \u201cCi\u00eancia &amp; Crian\u00e7a\u201d, criado em 2020 com o objetivo de estimular a curiosidade e o esp\u00edrito investigativo de crian\u00e7as, al\u00e9m de aproximar pais e educadores desse universo. \u201cA ideia \u00e9 despertar o interesse pela ci\u00eancia como um todo, fomentar sua valoriza\u00e7\u00e3o e mostrar que a universidade tamb\u00e9m \u00e9 um espa\u00e7o que pertence a elas\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Com foco na dissemina\u00e7\u00e3o de conte\u00fados de qu\u00edmica, o projeto combina a\u00e7\u00f5es no ambiente digital e presencial, incluindo a produ\u00e7\u00e3o de livros, v\u00eddeos com experimentos e oficinas. Entre as abordagens adotadas, a conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias ocupa um lugar central. \u201cUma das nossas estrat\u00e9gias mais bem-sucedidas \u00e9 a conta\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias focada em trajet\u00f3rias de cientistas brasileiras durante nossas oficinas\u201d, destaca a pesquisadora. \u201cAo utilizar o livro \u2018<a href=\"https:\/\/cienciaecriancaufpr.blogspot.com\/2023\/06\/livro-as-cientistas-superpoderosas.html\"><strong><em><span style=\"color: #800000;\">As Cientistas Superpoderosas<\/span><\/em><\/strong><\/a><em>\u2019<\/em>, humanizamos a ci\u00eancia e mostramos que o cientista n\u00e3o \u00e9 um g\u00eanio isolado, mas algu\u00e9m que j\u00e1 foi crian\u00e7a, teve d\u00favidas e enfrentou desafios\u201d, avalia.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, uma das vertentes do \u201cProjeto #Adote\u201d navega entre escolas, museus e laborat\u00f3rios para divulgar conte\u00fados sobre microbiologia para crian\u00e7as. A iniciativa atua desde 2013 sob coordena\u00e7\u00e3o de Rita Caf\u00e9 de C\u00e1ssia Ferreira e engaja estudantes de gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o como agentes multiplicadores do conhecimento em atividades de extens\u00e3o. \u201cMiniexperimentos, contato com equipamentos de laborat\u00f3rio, jogos educativos e pe\u00e7as teatrais s\u00e3o exemplos de estrat\u00e9gias eficazes\u201d, aponta a pesquisadora. Ela acrescenta que a abertura para que os participantes fa\u00e7am perguntas, explorem o conte\u00fado e compartilhem conhecimentos pr\u00e9vios em rodas de conversa \u00e9 essencial, uma vez que transforma a exposi\u00e7\u00e3o de conte\u00fado em di\u00e1logo, fortalecendo o engajamento, a aten\u00e7\u00e3o e a motiva\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"seriedade-e-ludicidade-caminham-juntas-na-divulgacao-de-ciencias-para-criancas\">Seriedade e ludicidade caminham juntas na divulga\u00e7\u00e3o de ci\u00eancias para crian\u00e7as<\/h4>\n<p>Se, na pr\u00e1tica, iniciativas como o \u201cCi\u00eancia &amp; Crian\u00e7a\u201d e o \u201cProjeto #Adote\u201d mostram caminhos poss\u00edveis para engajar o p\u00fablico infantil, elas tamb\u00e9m evidenciam um dos pontos mais sens\u00edveis da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica: o equil\u00edbrio entre seriedade e ludicidade. Em atividades que envolvem experimentos, jogos, hist\u00f3rias e intera\u00e7\u00e3o, o desafio n\u00e3o est\u00e1 apenas em atrair a aten\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, mas em garantir que o conte\u00fado cient\u00edfico permane\u00e7a no centro da experi\u00eancia. \u201cA seriedade n\u00e3o \u00e9 contr\u00e1ria ao l\u00fadico, nem ao riso, nem \u00e0 divers\u00e3o, mas nenhum desses pode se sobrepor ao principal objetivo, que \u00e9 transmitir e falar de ci\u00eancia\u201d, defende Rita de C\u00e1ssia Caf\u00e9 Ferreira.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo Yurij Castelfranchi tamb\u00e9m acredita que o uso do entretenimento n\u00e3o entra em conflito com a seriedade, desde que o p\u00fablico infantil n\u00e3o seja subestimado. \u201c\u00c9 poss\u00edvel falar de temas como mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, medicina ou astronomia de forma leve e interessante, sem abrir m\u00e3o da profundidade. O objetivo n\u00e3o \u00e9 apenas entreter, mas construir, junto com o p\u00fablico, uma compreens\u00e3o sobre o que \u00e9 a ci\u00eancia e como ela funciona\u201d, pontua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ampliar-o-leque-de-vozes-historias-e-representacoes-e-fundamental-para-que-mais-criancas-se-reconhecam-nesse-universo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAmpliar o leque de vozes, hist\u00f3rias e representa\u00e7\u00f5es \u00e9 fundamental para que mais crian\u00e7as se reconhe\u00e7am nesse universo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Tatiana Sim\u00f5es, equil\u00edbrio est\u00e1 na intencionalidade. \u201cUm experimento visualmente bonito, se apresentado sem contexto, vira apenas um truque de m\u00e1gica\u201d, observa. Segundo ela, o mesmo ocorre quando descobertas cient\u00edficas s\u00e3o tratadas de forma sensacionalista. \u201cA ci\u00eancia que realmente engaja \u00e9 aquela que mostra o processo, n\u00e3o apenas o resultado. Quando destacamos como o conhecimento \u00e9 constru\u00eddo, evitamos o espet\u00e1culo vazio e promovemos um encantamento mais duradouro\u201d, explica. Para ela, o caminho \u00e9 mostrar que a ci\u00eancia \u00e9 coletiva, sistem\u00e1tica e, acima de tudo, humana, a fim de promover o encantamento real pelo saber e a valoriza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia.<\/p>\n<p>Entre diferentes estrat\u00e9gias, linguagens e contextos, encontrar pontes para uma divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica eficaz para crian\u00e7as faz parte de uma constru\u00e7\u00e3o que dialoga com a pr\u00f3pria ci\u00eancia. \u201cNa ci\u00eancia, n\u00e3o h\u00e1 uma magia que te permite puxar da cartola imediatamente a solu\u00e7\u00e3o para cada problema, n\u00e3o h\u00e1 uma lei eterna\u201d, diz Yurij Castelfranchi. Esse tamb\u00e9m parece ser o caso da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para crian\u00e7as &#8211; e, de forma mais ampla, da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em si.<\/p>\n<p>Diante de diferentes p\u00fablicos e abordagens, Luisa Massarani alerta que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para automatismos: \u00e9 preciso avaliar continuamente as estrat\u00e9gias utilizadas e seus efeitos. Para ela, a pr\u00e1tica se mostra como uma das principais aliadas. \u201cEu fiz mestrado, doutorado e p\u00f3s-doutorado em divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e isso me ajudou muito a aprofundar a reflex\u00e3o e a compreens\u00e3o na \u00e1rea, mas, como divulgadora cient\u00edfica para crian\u00e7as, minha principal escola foram os cinco anos em que fui editora da \u2018Ci\u00eancia Hoje das Crian\u00e7as\u2019\u201d, recorda. A experi\u00eancia refor\u00e7a a import\u00e2ncia de conhecer em profundidade e levar em conta quem se quer alcan\u00e7ar &#8211; um princ\u00edpio que n\u00e3o se restringe \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o voltada \u00e0s crian\u00e7as, mas atravessa qualquer iniciativa de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-divulgar-ciencia-para-criancas-exige-equilibrar-rigor-e-imaginacao-traduzindo-conceitos-complexos-sem-distorcaofoto-prefeitura-municipal-de-guarulhos-reproducao\"><strong>Capa. Divulgar ci\u00eancia para crian\u00e7as exige equilibrar rigor e imagina\u00e7\u00e3o, traduzindo conceitos complexos sem distor\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong>(Foto: Prefeitura Municipal de Guarulhos. Reprodu\u00e7\u00e3o.)<\/h6>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Crian\u00e7as n\u00e3o esperam explica\u00e7\u00f5es para investigar o mundo: observam, levantam hip\u00f3teses, testam&hellip;\n","protected":false},"author":124,"featured_media":10325,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10324"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/124"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10324"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10324\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10377,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10324\/revisions\/10377"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10325"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10324"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10324"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10324"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}