{"id":10351,"date":"2026-06-29T08:00:29","date_gmt":"2026-06-29T08:00:29","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10351"},"modified":"2026-06-23T13:11:47","modified_gmt":"2026-06-23T13:11:47","slug":"quem-ensina-ciencia-alem-da-escola","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10351","title":{"rendered":"Quem ensina ci\u00eancia al\u00e9m da escola?"},"content":{"rendered":"<p>Quando se fala em educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, a imagem mais comum ainda \u00e9 a da sala de aula, do professor diante dos alunos e dos conte\u00fados organizados em disciplinas. No entanto, a aprendizagem da ci\u00eancia acontece em muitos outros lugares. Museus, bibliotecas, centros culturais, zool\u00f3gicos, jardins bot\u00e2nicos, parques ecol\u00f3gicos e at\u00e9 as intera\u00e7\u00f5es cotidianas em fam\u00edlia desempenham um papel importante na constru\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Essa amplia\u00e7\u00e3o do conceito de educa\u00e7\u00e3o tem levado pesquisadores a discutir quem ensina ci\u00eancia al\u00e9m do professor e como diferentes espa\u00e7os educativos contribuem para aproximar crian\u00e7as, jovens e adultos da cultura cient\u00edfica. Mais do que uma simples extens\u00e3o da escola, esses ambientes possuem caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, linguagens espec\u00edficas e profissionais especializados que atuam na media\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/p>\n<p>Para Marta Marandino, professora da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e uma das principais pesquisadoras brasileiras nas \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, \u00e9 importante reconhecer que a educa\u00e7\u00e3o ocorre em diferentes contextos sociais. A pesquisadora destaca que aprendemos n\u00e3o apenas na escola, mas tamb\u00e9m nas rela\u00e7\u00f5es familiares, nas comunidades, nos grupos sociais e nas experi\u00eancias vividas em espa\u00e7os culturais e cient\u00edficos. Nesse cen\u00e1rio, conceitos como educa\u00e7\u00e3o formal, n\u00e3o formal e informal ajudam a compreender a diversidade de processos educativos presentes na sociedade.<\/p>\n<p>Entre os profissionais que atuam fora do ambiente escolar est\u00e3o educadores museais, mediadores, educadores sociais, educadores culturais, guias e animadores. Embora desempenhem fun\u00e7\u00f5es semelhantes de aproxima\u00e7\u00e3o entre p\u00fablico e conhecimento, os diferentes nomes refletem concep\u00e7\u00f5es distintas sobre o papel exercido por esses profissionais.<\/p>\n<p>Museus ocupam posi\u00e7\u00e3o de destaque nesse debate. Longe de serem apenas locais destinados \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o de cole\u00e7\u00f5es, eles v\u00eam se consolidando como importantes espa\u00e7os de aprendizagem. O pr\u00f3prio conceito de museu tornou-se mais amplo e diverso, abrangendo desde institui\u00e7\u00f5es tradicionais at\u00e9 centros interativos voltados \u00e0 divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Um exemplo citado por Marta Marandino \u00e9 o Museu Catavento, em S\u00e3o Paulo. Diferentemente dos museus baseados em cole\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas ou cient\u00edficas, o espa\u00e7o foi concebido para promover experi\u00eancias interativas e estimular a curiosidade do p\u00fablico por meio da experimenta\u00e7\u00e3o e do contato direto com fen\u00f4menos cient\u00edficos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos museus de ci\u00eancia, existem institui\u00e7\u00f5es dedicadas \u00e0 arte, hist\u00f3ria, antropologia e etnologia, cada uma contribuindo de maneira espec\u00edfica para a forma\u00e7\u00e3o cultural e cient\u00edfica da popula\u00e7\u00e3o. Apesar das diferen\u00e7as, esses espa\u00e7os compartilham uma intencionalidade educativa que os aproxima da escola. \u201cA sala de aula se transforma, esses alunos se transformam, quando as ci\u00eancias s\u00e3o aprendidas nesses espa\u00e7os, como os professores tornam-se aliados desses educadores, esses educadores tornam-se aliados desses professores\u201d, afirma Marta Marandino.<\/p>\n<p>A pesquisadora ressalta que n\u00e3o faz sentido compreender a rela\u00e7\u00e3o entre escola e museu como uma disputa ou substitui\u00e7\u00e3o. Embora frequentemente se diga que os museus complementam a escola, ela prefere falar em parceria. Para ela, cada espa\u00e7o possui formas pr\u00f3prias de produzir, compartilhar e ensinar conhecimentos. \u201cE, na verdade, eu acho que \u00e9 mais uma ideia de parceria no sentido de que cada um desses espa\u00e7os tem uma forma de produzir conhecimento e de divulgar conhecimento e de ensinar que \u00e9 diferente e que s\u00e3o importantes, ambos\u201d, finaliza.<\/p>\n<p>A escola, inclusive, continua sendo a principal porta de entrada para muitos brasileiros no universo dos museus e da cultura cient\u00edfica. Diversas pesquisas mostram que grande parte das pessoas visita um museu pela primeira vez em uma atividade escolar. Em muitos casos, essa experi\u00eancia desperta o interesse dos estudantes e incentiva novas visitas com familiares e amigos.<\/p>\n<p>Ao reconhecer que a ci\u00eancia \u00e9 aprendida em m\u00faltiplos contextos, amplia-se tamb\u00e9m a compreens\u00e3o sobre quem ensina. Professores continuam sendo figuras centrais nesse processo, mas dividem esse papel com educadores de museus, bibliotec\u00e1rios, mediadores culturais e muitos outros profissionais que ajudam a transformar a curiosidade em conhecimento. Em conjunto, esses espa\u00e7os e atores contribuem para construir uma educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica mais rica, diversa e conectada com a realidade dos estudantes.<\/p>\n<p><strong>Ou\u00e7a ao epis\u00f3dio completo:<\/strong><\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: Quem ensina ci\u00eancia al\u00e9m da escola?\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6z1K1s5RlGkfJCUiJwOkqM?si=9115ede1a33c40a0&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando se fala em educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, a imagem mais comum ainda \u00e9&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":10353,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10351"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10351"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10351\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10386,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10351\/revisions\/10386"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10353"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}