{"id":10355,"date":"2026-06-29T08:00:02","date_gmt":"2026-06-29T08:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10355"},"modified":"2026-06-29T10:35:55","modified_gmt":"2026-06-29T10:35:55","slug":"ciencia-nas-redes-sociais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10355","title":{"rendered":"Ci\u00eancia nas redes sociais"},"content":{"rendered":"<p>Os v\u00eddeos curtos se tornaram parte do cotidiano de milh\u00f5es de jovens e v\u00eam transformando tamb\u00e9m a forma como a ci\u00eancia \u00e9 consumida e compartilhada. Em plataformas digitais, conceitos complexos podem ser apresentados em poucos segundos por meio de anima\u00e7\u00f5es, experimentos r\u00e1pidos, imagens impactantes e uma linguagem acess\u00edvel. Essa capacidade de s\u00edntese tem ampliado o alcance da divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e despertado o interesse de novos p\u00fablicos, especialmente entre adolescentes e jovens adultos.<\/p>\n<p>A popularidade desses formatos revela uma caracter\u00edstica importante: eles conseguem traduzir temas cient\u00edficos de maneira r\u00e1pida, visual e envolvente, algo que nem sempre \u00e9 poss\u00edvel nos modelos tradicionais de ensino. Em vez de representar uma amea\u00e7a \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, especialistas apontam que essas plataformas podem se tornar importantes aliadas do processo de aprendizagem quando utilizadas de forma cr\u00edtica e contextualizada.<\/p>\n<p>Para Raquel Crosara Maia Leite, professora do Departamento de Teoria e Pr\u00e1tica do Ensino da Universidade Federal do Cear\u00e1 (UFC) e uma das l\u00edderes do Grupo de Estudos e Pesquisa em Ensino de Ci\u00eancias (GEPENCI), os v\u00eddeos podem funcionar como ponto de partida para reflex\u00f5es mais aprofundadas em sala de aula. \u201cA problematiza\u00e7\u00e3o \u00e9 um elemento importante para a gente do ensino de ci\u00eancias, ent\u00e3o acho que pode apresentar o v\u00eddeo, utiliz\u00e1-los a nosso favor, justamente porque eles utilizam a imagem, utilizam m\u00fasica, e muitas vezes a gente n\u00e3o tem esse recurso, mas problematizar esse conhecimento. Levar a questionar, apresentar um contraponto para ele, para que eles questionem a partir disso\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ao mesmo tempo, a velocidade que torna esses conte\u00fados atraentes tamb\u00e9m pode trazer limita\u00e7\u00f5es. Ao condensar assuntos cient\u00edficos em poucos segundos, parte da complexidade inerente \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do conhecimento acaba ficando de fora. Contextos hist\u00f3ricos, incertezas, limita\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas e debates cient\u00edficos muitas vezes s\u00e3o simplificados ou omitidos, o que pode gerar interpreta\u00e7\u00f5es incompletas sobre como a ci\u00eancia realmente funciona.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante envolve o papel dos algoritmos. Nas plataformas digitais, a circula\u00e7\u00e3o de conte\u00fados n\u00e3o depende apenas de sua qualidade ou relev\u00e2ncia cient\u00edfica. Em muitos casos, sistemas automatizados privilegiam aquilo que gera mais engajamento, reten\u00e7\u00e3o e compartilhamento, favorecendo conte\u00fados mais emocionais, chamativos ou virais.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, a alfabetiza\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica e cient\u00edfica torna-se fundamental. Para Iza Helena Travassos Ferraz de Araujo, do Instituto de Ci\u00eancias da Educa\u00e7\u00e3o (ICED) da Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA) e representante do Par\u00e1 na Comiss\u00e3o Permanente Nacional de Feiras de Matem\u00e1tica, o desafio n\u00e3o \u00e9 afastar os jovens dessas plataformas, mas ajud\u00e1-los a consumir esse material de forma mais consciente. \u201cFortalecer essas propostas ajuda as pessoas a obterem esses conte\u00fados por meio de v\u00eddeos curtos, na internet, mas obter de forma cr\u00edtica\u201d, destaca.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o central, portanto, n\u00e3o est\u00e1 na presen\u00e7a das redes sociais ou dos v\u00eddeos curtos, mas em como esses recursos s\u00e3o incorporados \u2014 ou ignorados \u2014 pelos processos educativos. Popularizar ci\u00eancia exige simplificar a linguagem para torn\u00e1-la acess\u00edvel, mas isso n\u00e3o significa abandonar o rigor cient\u00edfico. O desafio \u00e9 encontrar um equil\u00edbrio entre clareza e profundidade, ampliando o acesso ao conhecimento sem transform\u00e1-lo em mero entretenimento.<\/p>\n<p>Nesse contexto, as escolas podem desempenhar um papel estrat\u00e9gico. Comparar diferentes v\u00eddeos sobre um mesmo tema, verificar fontes de informa\u00e7\u00e3o, discutir a credibilidade dos produtores de conte\u00fado e compreender o funcionamento dos algoritmos s\u00e3o atividades que ajudam os estudantes a desenvolver autonomia e pensamento cr\u00edtico diante das informa\u00e7\u00f5es que consomem diariamente.<\/p>\n<p>Segundo Simone Evangelista Cunha, professora e atual coordenadora do Departamento de Teoria de Comunica\u00e7\u00e3o da Faculdade de Comunica\u00e7\u00e3o Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), esses conte\u00fados podem funcionar como portas de entrada para aprendizagens mais amplas. \u201cEsses v\u00eddeos s\u00e3o muito \u00fateis para despertar essa vontade de aprender mais. Mas \u00e9 fundamental que o professor esteja, inclusive, capacitado para que eles sejam uma forma de manter o contato daquele aluno, manter o interesse daquele aluno, inclusive fora da sala de aula, para que dentro da sala ele possa utilizar outros materiais, enfim, construir ali uma hist\u00f3ria, inclusive, com a participa\u00e7\u00e3o daqueles alunos, para que aquele conte\u00fado n\u00e3o seja o final\u201d, enfatiza.<\/p>\n<p>Mais do que substituir livros, aulas ou outras fontes de informa\u00e7\u00e3o, os v\u00eddeos curtos podem complementar experi\u00eancias educativas e despertar a curiosidade cient\u00edfica. Quando associados \u00e0 media\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica e ao desenvolvimento do pensamento cr\u00edtico, eles t\u00eam potencial para aproximar a ci\u00eancia da realidade dos jovens e transformar alguns segundos de aten\u00e7\u00e3o em oportunidades duradouras de aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>Assista ao v\u00eddeo completo:<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Ci\u00eancia nas redes sociais\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/vuY4B39U8v0?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Os v\u00eddeos curtos se tornaram parte do cotidiano de milh\u00f5es de jovens&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":10356,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10355"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10355"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10355\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10393,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10355\/revisions\/10393"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10356"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10355"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10355"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10355"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}