{"id":10367,"date":"2026-06-29T08:00:15","date_gmt":"2026-06-29T08:00:15","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10367"},"modified":"2026-06-23T10:58:36","modified_gmt":"2026-06-23T10:58:36","slug":"labirinto-advindo-do-falso-abismo-entre-ciencia-e-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10367","title":{"rendered":"Labirinto advindo do falso abismo entre ci\u00eancia e arte"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"introducao\">Introdu\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>Desde o Iluminismo, consolidou-se no imagin\u00e1rio ocidental uma distin\u00e7\u00e3o entre dois modos de conhecer: de um lado, a ci\u00eancia, tida como territ\u00f3rio exclusivo da raz\u00e3o l\u00f3gica, do empirismo frio e da objetividade; de outro, a arte, associada \u00e0 subjetividade, \u00e0 inspira\u00e7\u00e3o po\u00e9tica e \u00e0 liberdade criativa, sem amarras metodol\u00f3gicas. Essa dicotomia \u2013 que tamb\u00e9m se expressa na tens\u00e3o entre raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o \u2013 foi \u00fatil em um determinado contexto hist\u00f3rico para a afirma\u00e7\u00e3o do pensamento cient\u00edfico frente \u00e0 teologia e \u00e0 filosofia especulativa, mas sua perman\u00eancia e amplia\u00e7\u00e3o criaram um falso abismo que nos compromete na atualidade. \u00c9 falso porque, de um lado, n\u00e3o resiste \u00e0 an\u00e1lise rigorosa da pr\u00e1tica cient\u00edfica real e, de outro, porque n\u00e3o abarca a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica concreta em sua diversidade. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-figura-produzida-pela-ia-generativa-gemini-duas-cabecas-um-mesmo-labirinto-escheriano-a-escada-que-sobe-pela-logica-encontra-as-asas-da-arte-e-vice-versa-a-saida-e-o-degrau-onde-cienci\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10320\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-opinia\u0303o-Labirinto-advindo-do-falso-abismo-entre-cie\u0302ncia-e-arte-figura1-300x162.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-opinia\u0303o-Labirinto-advindo-do-falso-abismo-entre-cie\u0302ncia-e-arte-figura1-300x160.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-opinia\u0303o-Labirinto-advindo-do-falso-abismo-entre-cie\u0302ncia-e-arte-figura1-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-opinia\u0303o-Labirinto-advindo-do-falso-abismo-entre-cie\u0302ncia-e-arte-figura1-260x140.jpg 260w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-opinia\u0303o-Labirinto-advindo-do-falso-abismo-entre-cie\u0302ncia-e-arte-figura1-560x300.jpg 560w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-opinia\u0303o-Labirinto-advindo-do-falso-abismo-entre-cie\u0302ncia-e-arte-figura1.jpg 767w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Figura produzida pela IA generativa Gemini. Duas cabe\u00e7as, um mesmo labirinto escheriano. A escada que sobe pela l\u00f3gica, encontra as asas da arte, e vice-versa. A sa\u00edda \u00e9 o degrau onde ci\u00eancia e arte se fecundam.<br \/>\n<\/strong>(Imagem: Gemini. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse contexto, surgem reflex\u00f5es de autores que trabalham com esses dois sistemas de conhecimento. Bachelard (2008),<sup>[1] <\/sup>por exemplo, escreveu sobre a epistemologia da ci\u00eancia e, tamb\u00e9m, sobre a imagina\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, ainda que tenha mantido esses dois dom\u00ednios separados, sem propor pontes entre eles. Da mesma forma, meus amigos Jerson Lima \u2013 bioqu\u00edmico, poeta e romancista \u2013 e J\u00falio Scharfstein \u2013 imunologista e artista pl\u00e1stico \u2013 realizam magistralmente, cada um a seu modo, ci\u00eancia e arte. Para Jerson Lima, \u201carte e ci\u00eancia s\u00f3 se encontram de verdade quando n\u00e3o se reduzem uma \u00e0 fun\u00e7\u00e3o decorativa da outra\u201d.<sup>[2]<\/sup> No campo filos\u00f3fico, Stengers (2018) <sup>[3]<\/sup> tamb\u00e9m mant\u00e9m os dom\u00ednios da ci\u00eancia e da arte separados, mas sugere que eles se polinizam mutuamente<strong>. <\/strong>Uma reportagem recente da revista <em>Nature<\/em> mostra que a rela\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e poesia n\u00e3o \u00e9 de oposi\u00e7\u00e3o, mas de complementaridade fecunda. M\u00e9dicos utilizam o fazer po\u00e9tico para acompanhar pacientes, enquanto matem\u00e1ticos recorrem ao verso para comunicar fen\u00f4menos complexos a p\u00fablicos leigos. Em todos esses casos, a poesia n\u00e3o substitui o rigor cient\u00edfico, mas o enriquece ao reintroduzir admira\u00e7\u00e3o e encantamento diante de um mundo que se aproxima, a passos largos, para a barb\u00e1rie.<sup>[4]<\/sup><\/p>\n<p>No campo da experiviv\u00eancia terap\u00eautica (em prepara\u00e7\u00e3o), transcrevo aqui o poema da m\u00e9dica Danielle Chammas que, ao chegar em casa, depois da triste despedida de uma paciente com c\u00e2ncer, escreveu: \u201cCom a fam\u00edlia \u00e0 beira do leito, \/ e o viol\u00e3o do namorado \/ preenchendo o quarto, \/ a folha soltou a \u00e1rvore, \/ e ela soube, \/ por um brev\u00edssimo instante, \/ o que significava voar\u201d. <sup>[5]<\/sup><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"desenvolvimento-do-argumento\">Desenvolvimento do argumento<\/h4>\n<p>Assumindo a conflu\u00eancia entre ci\u00eancia e arte em uma \u00fanica paisagem conceitual,<sup>[6]<\/sup> deparamo-nos com um emaranhado de trajet\u00f3rias, curvas e retornos interpretativos e discursivos que, metaforicamente, denomino aqui de labirinto. Embora a met\u00e1fora seja apropriada para visualizar esse emaranhado discursivo e interpretativo, o labirinto, por defini\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 um beco sem sa\u00edda. Assim, a proposta central deste texto \u00e9 mostrar que ci\u00eancia e arte compartilham do mesmo terreno f\u00e9rtil no qual as emo\u00e7\u00f5es \u2013 como sensibilidade, curiosidade e criatividade, afeitas ao que chamamos de viv\u00eancia(s) \u2013 coabitam com fazeres concatenados, m\u00e9tricas, compara\u00e7\u00f5es e dedu\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas, afeitas ao que chamamos de experi\u00eancia(s).<sup>[7]<\/sup> Deste modo, a pr\u00e1tica da ci\u00eancia n\u00e3o deveria ser apresentada como uma receita de produ\u00e7\u00e3o de verdades, como geralmente ocorre em certos manuais escolares.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-relacao-entre-ciencia-e-poesia-nao-e-de-oposicao-mas-de-complementaridade-fecunda\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA rela\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e poesia n\u00e3o \u00e9 de oposi\u00e7\u00e3o, mas de complementaridade fecunda.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda que a rela\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e arte venha sendo pensada em sua riqueza epistemol\u00f3gica no campo filos\u00f3fico <sup>[4]<\/sup> e no educacional <sup>[8]<\/sup> n\u00e3o podemos ampliar essa discuss\u00e3o aqui. Gostaria, no entanto, de tecer alguns coment\u00e1rios sobre essa rela\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito da biologia do conhecer, desenvolvida por Humberto Maturana e Francisco Varela (2001).<sup>[9]<\/sup> Para esses autores, conhecer n\u00e3o \u00e9 representar mentalmente uma realidade externa, mas atuar efetivamente no mundo por meio de condutas corporificadas, emocionadas e situadas.<sup>[10]<\/sup> Como afirmam: \u201cTodo fazer \u00e9 conhecer, e todo conhecer \u00e9 fazer\u201d.<sup>[9]<\/sup> Se conhecer \u00e9 uma conduta adequada do organismo em face do mundo, e se as condutas s\u00e3o tanto desencadeadas quanto desencadeadoras de emo\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o a dicotomia raz\u00e3o\/emo\u00e7\u00e3o se fragiliza, enquanto realidades biol\u00f3gicas. Maturana afirma que as nossas escolhas s\u00e3o, essencialmente, emocionais, ainda que usemos argumentos racionais, a <em>posteriori, <\/em>para justific\u00e1-las.<\/p>\n<p>A partir dessa perspectiva, podemos avan\u00e7ar para compreender que o fazer da ci\u00eancia envolve, al\u00e9m das m\u00e9tricas, m\u00e9todos e dedu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, a intui\u00e7\u00e3o, criatividade e est\u00e9tica \u2013 ou seja, o fazer cient\u00edfico \u00e9 carregado de viv\u00eancias. Da mesma forma, a arte, al\u00e9m da criatividade, est\u00e9tica e inspira\u00e7\u00e3o subjetiva, tamb\u00e9m faz uso de m\u00e9tricas, racionalidade e t\u00e9cnicas metodol\u00f3gicas \u2013 ou seja, o seu fazer \u00e9 tamb\u00e9m carregado de experi\u00eancias. Uma s\u00edntese conceitual entre esses dois termos \u2013 viv\u00eancia e experi\u00eancia &#8211; foi proposta recentemente no campo da educa\u00e7\u00e3o com a express\u00e3o <em>experiviv\u00eancia<\/em> pedag\u00f3gica.<sup>[11]<\/sup> O neologismo experiviv\u00eancia \u00e9 mais do que uma simples jun\u00e7\u00e3o ou fus\u00e3o dos referidos termos.<sup>[11]<\/sup> Em nossa concep\u00e7\u00e3o, a referida s\u00edntese se configura como uma verdadeira am\u00e1lgama heur\u00edstica. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-experivivencia-cientifica-como-mediacao-entre-ciencia-e-arte-imagem-elaboracao-do-autor\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10321\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-opinia\u0303o-Labirinto-advindo-do-falso-abismo-entre-cie\u0302ncia-e-arte-figura2-300x142.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"236\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-opinia\u0303o-Labirinto-advindo-do-falso-abismo-entre-cie\u0302ncia-e-arte-figura2-300x142.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-opinia\u0303o-Labirinto-advindo-do-falso-abismo-entre-cie\u0302ncia-e-arte-figura2-18x8.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CC-2E26-opinia\u0303o-Labirinto-advindo-do-falso-abismo-entre-cie\u0302ncia-e-arte-figura2.jpg 629w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Experiviv\u00eancia cient\u00edfica como media\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e arte.<br \/>\n<\/strong>(Imagem: Elabora\u00e7\u00e3o do autor)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar da imagem popular do cientista ainda ser a caricatura produzida pela filosofia positivista do s\u00e9culo XIX, ou seja, um indiv\u00edduo que segue um m\u00e9todo universal, registra dados neutros e evita qualquer contamina\u00e7\u00e3o afetiva, diferentemente, a hist\u00f3ria da ci\u00eancia nos revela um panorama muito mais diverso, com grandes descobertas que se deram a partir de intui\u00e7\u00f5es, hip\u00f3teses est\u00e9ticas, met\u00e1foras, saltos n\u00e3o dedutivos e, at\u00e9 mesmo, sonho. <sup>[12]<\/sup> Aqui, a experiviv\u00eancia cient\u00edfica se manifesta em sua pot\u00eancia, pois n\u00e3o h\u00e1 como separar o insight imaginativo advindo de uma viv\u00eancia da sua subsequente formaliza\u00e7\u00e3o, no campo da experi\u00eancia, posto que ambos participam intrinsecamente do mesmo processo. Maturana (2002) <sup>[13]<\/sup> distingue esses dois momentos como \u201cpoesia\u201d e \u201cengenharia\u201d do fazer cient\u00edfico.<\/p>\n<p>Nesta perspectiva, a curiosidade n\u00e3o \u00e9 um acidente de percurso, mas uma disposi\u00e7\u00e3o corporal que orienta a a\u00e7\u00e3o e o prazer do observador ao formular perguntas e hip\u00f3teses explicativas. Vale ressaltar que \u00e9 precisamente este prazer, n\u00e3o outra coisa, que garante a perseveran\u00e7a do cientista na busca de respostas que podem levar anos a fio de trabalho ininterrupto. Como afirma Stengers (2018):<sup> [3]<\/sup> jamais teria existido ci\u00eancia experimental se os pesquisadores no laborat\u00f3rio n\u00e3o estivessem apaixonadamente interessados pela diferen\u00e7a entre aquilo que funciona e produz um saber que importa.<\/p>\n<p>Sobre as respostas, alguns cientistas as descrevem como belas e elegantes. Considerando que beleza \u00e9 experi\u00eancia vivenciada, a ci\u00eancia n\u00e3o pode ser aclamada como o reino da objetividade pura, mas, sim, como um campo f\u00e9rtil onde raz\u00e3o e emo\u00e7\u00e3o se entrela\u00e7am a cada curva do labirinto. Se a ci\u00eancia \u00e9 mais emocional do que se sup\u00f5e a lenda positivista, enquanto a arte \u00e9 mais racional e met\u00f3dica do que sugere a imagem rom\u00e2ntica do g\u00eanio inspirado, ambas exigem emo\u00e7\u00e3o e raz\u00e3o em suas respectivas <em>poiesis<\/em>. Assim, n\u00e3o \u00e9 por acaso, mas por experiviv\u00eancia cient\u00edfica, ou experiviv\u00eancia art\u00edstica, se me permitem criar mais esta express\u00e3o, que a sequ\u00eancia mel\u00f3dica de um Pixinguinha, a arquitetura de um Niemeyer e o cinema de Glauber Rocha nos emocionam tanto, ainda que, como espectadores, n\u00e3o possamos estimar as dimens\u00f5es t\u00e9cnicas e emocionais que fizeram parte das experiviv\u00eancias dos respectivos autores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-fazer-da-ciencia-envolve-alem-das-metricas-metodos-e-deducao-logica-a-intuicao-criatividade-e-estetica-ou-seja-o-fazer-cientifico-e-carregado-de-vivencias\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO fazer da ci\u00eancia envolve, al\u00e9m das m\u00e9tricas, m\u00e9todos e dedu\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, a intui\u00e7\u00e3o, criatividade e est\u00e9tica \u2013 ou seja, o fazer cient\u00edfico \u00e9 carregado de viv\u00eancias.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto educador e divulgador da ci\u00eancia, trabalhamos na produ\u00e7\u00e3o de filmes educativos para a juventude e para o p\u00fablico, em geral (<strong>labaciencias.com.br<\/strong>). Em uma destas experiviv\u00eancias com estudantes do ensino fundamental II, pudemos constatar como as crian\u00e7as reagiram racional e emocionalmente a um de nossos filmes e se posicionaram, por meio de uma vintena de cartas endere\u00e7adas ao Diretor, com quest\u00f5es de biologia, epidemiologia, sociologia e, at\u00e9 mesmo, de natureza \u00e9tica e bio\u00e9tica<sup>[14]<\/sup>. Em algumas destas cartas havia o convite expl\u00edcito para nos deslocarmos de Niter\u00f3i (RJ), at\u00e9 a Escola, localizada no munic\u00edpio de Nova Friburgo (RJ). Aceito o convite, o encontro na escola foi de experivivencias de parte a parte, m\u00fatuo encantamento e grande celebra\u00e7\u00e3o, com a produ\u00e7\u00e3o de roteiro e filmagem do teatro de fantoches<sup>[14]<\/sup>.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"conclusao\">Conclus\u00e3o<\/h4>\n<p>Para conclus\u00e3o deste breve ensaio, apontamos a experiviv\u00eancia cient\u00edfica como uma poss\u00edvel porta de sa\u00edda do labirinto advindo do falso abismo entre ci\u00eancia e arte, convidando docentes, gestores e respons\u00e1veis pelas pol\u00edticas p\u00fablicas para criarem mais espa\u00e7os de criatividade e de conflu\u00eancia entre ci\u00eancia e arte, ensejando com isso o que se denomina de forma\u00e7\u00e3o integral. N\u00e3o se trata, com essa proposi\u00e7\u00e3o, da oferta de um mapa da sa\u00edda, nem, tampouco, de uma peti\u00e7\u00e3o de obedi\u00eancia. Ela \u00e9 apenas um convite para refletir sobre o que desejamos para a nossa juventude nos campos educacional e social, tanto no agora quanto no futuro do pa\u00eds. Coerente com essa reflex\u00e3o e com os posicionamentos que dela decorrem, priorizamos, na presente edi\u00e7\u00e3o da SBPC Jovem 2026, os espa\u00e7os l\u00fadicos e interativos de conflu\u00eancia entre Ci\u00eancia e Arte, al\u00e9m, dos princ\u00edpios \u00e9ticos de inclus\u00e3o e de uma ci\u00eancia para todos, tema central da 78\u00aa Reuni\u00e3o Anual da SBPC-UFF, de 2026.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-ciencia-nao-pode-ser-aclamada-como-o-reino-da-objetividade-pura\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA ci\u00eancia n\u00e3o pode ser aclamada como o reino da objetividade pura.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong><em>Agradecimentos<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><em>O autor agradece ao amigo Edson Pereira da Silva, epistem\u00f3logo-poeta, pelas cr\u00edticas aceitas (consenso) e mesmo por aquelas n\u00e3o aceitas, que permaneceram como um dissenso respeitoso entre autor e o cr\u00edtico, especialmente no que tange ao papel da poesia. Tamb\u00e9m agradece aos amigos Roosevelt Soares e Sidney Augusto Vieira Filho pelas imagens da Figura 1 e 2, respectivamente.<\/em><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-astronomia-ecologia-e-meteorologia-sao-transformadas-em-esculturas-de-tecido-foto-changing-waters-de-nathalie-miebach-divulgacao\"><strong>Capa. Astronomia, ecologia e meteorologia s\u00e3o transformadas em esculturas de tecido.<br \/>\n<\/strong>(Foto: \u201cChanging Waters\u201d, de Nathalie Miebach. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h5 id=\"referencias\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong><\/span><\/h5>\n<h5 id=\"1-bachelard-g-2008-a-poetica-do-espaco-sao-paulo-martins-fontes-2-lima-j-2026-depoimento-especial-ciencia-e-literatura-um-emaranhamento-possivel-the-conversation-newsletters-em-ht\"><span style=\"color: #808080;\">[1] Bachelard, G. (2008) A po\u00e9tica do espa\u00e7o. S\u00e3o Paulo: Martins Fontes.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[2] Lima, J. (2026) Depoimento especial: Ci\u00eancia e literatura, um emaranhamento poss\u00edvel. The conversation, Newsletters. em: https:\/\/theconversation.com\/depoimento-especial-ciencia-e-literatura-um-emaranhamento-possivel-281400. <\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[3] Stengers, I (2018). A proposi\u00e7\u00e3o cosmopol\u00edtica. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, Brasil, n. 69, p. 442-464.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[4] Stengers, I. (2015) No tempo das cat\u00e1strofes: Resistir \u00e0 barb\u00e1rie que se aproxima. S\u00e3o Paulo: Cosac Naify.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[5] Glausiusz, J. (2026) Engaging the head and the heart: why scientists turn to poetry, Nature, 652, 527-528, dispon\u00edvel em https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-026-01028-3.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[6] Andrade, L.A.B (2019) Paisagem Conceitual: constru\u00e7\u00e3o te\u00f3rica e sua utiliza\u00e7\u00e3o na educa\u00e7\u00e3o. RevistALEPH V. N\u00ba 32, p.178-199, ISSN 1807-6211, 2019. Home page: https:\/\/periodicos.uff.br\/revistaleph\/article\/view\/39313\/22750<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[7] Dewey, J. (1958) Experience and nature. New York: Dover Publications, Inc., 443p.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[8] Colombo, A. A. (2022). Inter-rela\u00e7\u00f5es entre Filosofia, Ci\u00eancia e Arte: proposta did\u00e1tica para o ensino de filosofia no ensino m\u00e9dio integrado. Revista Digital De Ensino De Filosofia &#8211; REFilo, 8, e13\/1\u201322. https:\/\/doi.org\/10.5902\/2448065770348<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[9] Maturana, H. &amp; Varela, F. (2001) A \u00e1rvore do conhecimento: as bases biol\u00f3gicas da compreens\u00e3o humana. S\u00e3o Paulo: Palas Athena.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[10] Varela, F. J.; Thompson, E.; Rosch, E. (2003) A mente incorporada: ci\u00eancia cognitiva e experi\u00eancia humana. Tradu\u00e7\u00e3o: Marcelo Brand\u00e3o Cipolla. Porto Alegre, Artmed.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[11] Ferreira, J.; Souza, R. C. &amp; Andrade, L.A.B. (2026) Vivenciando a Biologia do Conhecer: Experiviv\u00eancia Pedag\u00f3gica. Revista Caderno Pedag\u00f3gico \u2013 Studies Publica\u00e7\u00f5es Ltda. v.23, n.1, p. 01-18. ISSN: 1983-0882.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[12] Kekul\u00e9, F. A. (1890, 2000). Discurso com o relato do sonho com a cobra que inspirou a estrutura do anel benz\u00eanico. In: Usberco, J.; Salvador, E. Qu\u00edmica Geral. 8. ed. S\u00e3o Paulo: Saraiva.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[13] Maturana, H (2002) Emo\u00e7\u00f5es e linguagem na educa\u00e7\u00e3o e na pol\u00edtica. Editora UFMG, Belo Horizonte.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">[14] Rosa, K.; Xavier, F.; Andrade, L. A. B. A arte cinematogr\u00e1fica e o ensino de ci\u00eancias para estudantes do Fundamental II: relato de experi\u00eancia. Revista Ibero-Americana de Estudos em Educa\u00e7\u00e3o, Araraquara, v. 19, n. esp.2, p. e024085, 2024. DOI: 10.21723\/riaee.v19iesp.2.18827. Dispon\u00edvel em: https:\/\/periodicos.fclar.unesp.br\/iberoamericana\/article\/view\/18827. Acesso em: 28 maio. 2026.<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Introdu\u00e7\u00e3o Desde o Iluminismo, consolidou-se no imagin\u00e1rio ocidental uma distin\u00e7\u00e3o entre dois&hellip;\n","protected":false},"author":368,"featured_media":10319,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10367"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/368"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10367"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10367\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10374,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10367\/revisions\/10374"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10319"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10367"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10367"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10367"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}