{"id":10380,"date":"2026-07-13T08:00:39","date_gmt":"2026-07-13T08:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10380"},"modified":"2026-07-13T10:35:06","modified_gmt":"2026-07-13T10:35:06","slug":"a-ciencia-por-tras-das-brincadeiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10380","title":{"rendered":"A ci\u00eancia por tr\u00e1s das brincadeiras"},"content":{"rendered":"<p>Brincar est\u00e1 longe de ser apenas uma forma de entretenimento infantil. Estudos nas \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o e neuroci\u00eancia mostram que jogos, brincadeiras e atividades imaginativas mobilizam processos essenciais para a aprendizagem, como mem\u00f3ria, aten\u00e7\u00e3o, criatividade e resolu\u00e7\u00e3o de problemas. Mais do que um recurso pedag\u00f3gico para tornar as aulas mais agrad\u00e1veis, o l\u00fadico pode ser compreendido como uma forma estruturante de aprender e de construir conhecimento. \u201cO brincar n\u00e3o s\u00f3 um brincar: ele \u00e9 uma porta aberta para m\u00faltiplas experi\u00eancias e m\u00faltiplas aprendizagens\u201d, afirma Fabiane Maia Garcia, professora do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Amazonas (UFAM).<\/p>\n<p>Quando uma crian\u00e7a brinca, diferentes regi\u00f5es do c\u00e9rebro s\u00e3o ativadas simultaneamente. \u00c1reas ligadas \u00e0 aten\u00e7\u00e3o, \u00e0 mem\u00f3ria, \u00e0 linguagem, ao planejamento e \u00e0s emo\u00e7\u00f5es trabalham em conjunto, fortalecendo conex\u00f5es neurais e favorecendo a reten\u00e7\u00e3o do conhecimento. Para Francine de Paulo Martins Lima, professora da Gradua\u00e7\u00e3o e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o do Departamento de Gest\u00e3o Educacional, Teorias e Pr\u00e1ticas de Ensino (DPE) da Universidade Federal de Lavras (UFLA), o brincar ocupa um lugar central no desenvolvimento infantil. \u201cO brincar n\u00e3o tem um objetivo \u2014 ele \u00e9 a atividade principal. \u00c9 como a crian\u00e7a se comunica, \u00e9 como a crian\u00e7a se coloca, \u00e9 como a crian\u00e7a vibra na sua exist\u00eancia\u201d, explica.<\/p>\n<p>A brincadeira tamb\u00e9m cria um ambiente seguro para a experimenta\u00e7\u00e3o. Diferentemente de situa\u00e7\u00f5es formais de avalia\u00e7\u00e3o, o erro n\u00e3o \u00e9 visto como fracasso, mas como parte natural do processo de descoberta. Ao jogar, a crian\u00e7a formula hip\u00f3teses, testa possibilidades, observa resultados e ajusta estrat\u00e9gias, em um movimento muito semelhante ao m\u00e9todo cient\u00edfico. Essa din\u00e2mica estimula a curiosidade, a autonomia e o pensamento cr\u00edtico, compet\u00eancias fundamentais para a aprendizagem ao longo da vida.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante \u00e9 o papel da imagina\u00e7\u00e3o. Ao transformar uma caixa em uma nave espacial ou inventar hist\u00f3rias e personagens, a crian\u00e7a desenvolve a capacidade de abstra\u00e7\u00e3o, habilidade indispens\u00e1vel para compreender conceitos cient\u00edficos mais complexos no futuro. Por\u00e9m, o potencial educativo do l\u00fadico depende de uma utiliza\u00e7\u00e3o significativa. Quando jogos e brincadeiras s\u00e3o empregados apenas para tornar conte\u00fados mais atrativos, sem promover reflex\u00e3o, investiga\u00e7\u00e3o ou participa\u00e7\u00e3o ativa, seus benef\u00edcios para a aprendizagem tendem a ser reduzidos. \u201cO jogo \u00e9 uma experi\u00eancia de autonomia, de direito de falar, de pensar, de explorar, de criar nos limites dos seus interesses, dos seus recursos, das suas possibilidades, da sua cultura\u201d, destaca Lino de Macedo, professor em\u00e9rito do Instituto de Psicologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e membro do Comit\u00ea Cient\u00edfico do N\u00facleo Ci\u00eancia pela Inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p><strong>Assista ao v\u00eddeo completo:<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Aprender brincando\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/xJeN0bKGvRU?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Brincar est\u00e1 longe de ser apenas uma forma de entretenimento infantil. 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