{"id":10427,"date":"2026-07-08T07:30:07","date_gmt":"2026-07-08T07:30:07","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10427"},"modified":"2026-07-01T13:06:41","modified_gmt":"2026-07-01T13:06:41","slug":"a-ciencia-que-nasce-nas-periferias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10427","title":{"rendered":"A ci\u00eancia que nasce nas periferias"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto muitos ainda associam a ci\u00eancia a laborat\u00f3rios sofisticados, equipamentos de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o e universidades distantes da realidade cotidiana, uma revolu\u00e7\u00e3o silenciosa acontece em vielas, centros comunit\u00e1rios, escolas p\u00fablicas e espa\u00e7os culturais das periferias brasileiras. Nesses territ\u00f3rios, moradores transformam problemas concretos em perguntas de pesquisa, desenvolvem solu\u00e7\u00f5es para desafios locais e constroem novas formas de produzir conhecimento. \u00c9 a ci\u00eancia que nasce das urg\u00eancias da vida real \u2014 e que, justamente por isso, tem o potencial de transformar comunidades inteiras.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"ciencia-alem-dos-muros\">Ci\u00eancia al\u00e9m dos muros<\/h4>\n<p>Durante muito tempo, a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica foi vista como uma atividade concentrada em institui\u00e7\u00f5es formais de ensino e pesquisa. Nos \u00faltimos anos, por\u00e9m, iniciativas comunit\u00e1rias t\u00eam demonstrado que o conhecimento tamb\u00e9m pode surgir em territ\u00f3rios historicamente marginalizados. Mais do que ampliar o acesso \u00e0 ci\u00eancia, esses movimentos questionam quem produz conhecimento, para quem ele serve e quais problemas merece investigar.<\/p>\n<p>A chamada ci\u00eancia perif\u00e9rica n\u00e3o representa apenas a presen\u00e7a da ci\u00eancia nas periferias. Trata-se de um movimento pol\u00edtico, cultural e pedag\u00f3gico que descentraliza a produ\u00e7\u00e3o do conhecimento, valoriza saberes locais e transforma moradores em protagonistas dos processos de investiga\u00e7\u00e3o. Nesse contexto, a periferia deixa de ser apenas objeto de estudo e passa a ocupar o papel de sujeito ativo da pesquisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-periferia-deixa-de-ser-apenas-objeto-de-estudo-e-passa-a-ocupar-o-papel-de-sujeito-ativo-da-pesquisa\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA periferia deixa de ser apenas objeto de estudo e passa a ocupar o papel de sujeito ativo da pesquisa.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa mudan\u00e7a de perspectiva tem inspirado iniciativas que unem educa\u00e7\u00e3o, tecnologia, participa\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 e inova\u00e7\u00e3o social. Coletivos comunit\u00e1rios, cursinhos populares, <em>makerspaces<\/em> e projetos de ci\u00eancia cidad\u00e3 v\u00eam mostrando que o conhecimento cient\u00edfico pode ser uma ferramenta poderosa para enfrentar desigualdades e ampliar oportunidades.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"territorios-de-conhecimento-e-transformacao\">Territ\u00f3rios de conhecimento e transforma\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>Na literatura internacional, especialmente a partir da d\u00e9cada de 1980, ganhou for\u00e7a o conceito de educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica urbana (<em>urban science education<\/em>). O campo busca compreender como ensinar e produzir ci\u00eancia em regi\u00f5es marcadas por desigualdades sociais, escassez de recursos e exclus\u00e3o hist\u00f3rica.<\/p>\n<p>Nessa abordagem, a periferia n\u00e3o \u00e9 definida apenas por sua localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, mas por condi\u00e7\u00f5es sociais que limitam o acesso a direitos, servi\u00e7os e oportunidades. Ao mesmo tempo, esses territ\u00f3rios s\u00e3o reconhecidos como espa\u00e7os de criatividade, resist\u00eancia e produ\u00e7\u00e3o cultural. A quest\u00e3o central passa a ser como integrar esses saberes e experi\u00eancias aos processos educativos e cient\u00edficos.<\/p>\n<p>No Brasil, entretanto, esse debate ainda ocupa espa\u00e7o reduzido na produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica. Pesquisadores apontam que s\u00e3o necess\u00e1rios mais estudos capazes de documentar experi\u00eancias realizadas em escolas e espa\u00e7os comunit\u00e1rios das periferias, al\u00e9m de desenvolver pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas \u00e0 democratiza\u00e7\u00e3o do acesso ao conhecimento cient\u00edfico.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"cursinhos-populares-portas-de-entrada-para-a-universidade\">Cursinhos populares: portas de entrada para a universidade<\/h4>\n<p>Entre as iniciativas mais consolidadas desse movimento est\u00e3o os cursinhos populares. Criados para ampliar as oportunidades de estudantes de escolas p\u00fablicas, esses espa\u00e7os combinam prepara\u00e7\u00e3o para vestibulares com forma\u00e7\u00e3o cidad\u00e3 e consci\u00eancia coletiva.<\/p>\n<p>Diferentemente dos cursinhos comerciais, as atividades costumam ocorrer em hor\u00e1rios compat\u00edveis com a rotina de jovens que estudam e trabalham. O ambiente privilegia a coopera\u00e7\u00e3o em vez da competi\u00e7\u00e3o, fortalecendo a ideia de que o acesso \u00e0 universidade \u00e9 uma conquista coletiva e um direito social.<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-cursinho-popular-professora-clarice-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10431\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CD-A-ciencia-que-nasce-nas-periferias-300x211.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"352\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CD-A-ciencia-que-nasce-nas-periferias-300x211.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CD-A-ciencia-que-nasce-nas-periferias-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CD-A-ciencia-que-nasce-nas-periferias.jpg 549w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\nFigura 1. Cursinho Popular Professora Clarice. Divulga\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os resultados t\u00eam sido expressivos. Cursinhos populares v\u00eam ampliando o n\u00famero de estudantes aprovados em universidades p\u00fablicas, como o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cujaunifesp.com\/\">CUJA (Unifesp)<\/a><\/strong>, <strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/cursinhodapoli.com.br\/\">Cursinho da Poli<\/a><\/strong>, <strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cursinhofeausp.com.br\/\">Cursinho da FEAUSP<\/a><\/strong>, <strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cursinhozilda.com\/\">Cursinho Popular Zilda Arns (Unicamp)<\/a><\/strong>, <strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/cursinhoprofessoraclarice\/\">Cursinho Popular Professora Clarice (Salvador &#8211; BA)<\/a><\/strong>, <strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DTu6yC2Dut2\/\">Cursinho Popular Viva a Palavra (Fortaleza &#8211; CE)<\/a><\/strong><\/span> e o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/articulacoes.unifesp.br\/projetos-da-unifesp\/articula-cursinhos\/cursinhoarticulaperifa\">Articula Perifa<\/a><u> (Unifesp &#8211; SP)<\/u><\/strong><\/span>. <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/agenciamural.org.br\/cursinhos-populares-alunos-das-periferias-no-ensino-superior\/\">Levantamento da Ag\u00eancia Mural<\/a><\/strong><\/span> com oito cursinhos populares de sete cidades da Grande S\u00e3o Paulo mostrou que centenas de alunos perif\u00e9ricos conseguem ingressar no ensino superior anualmente gra\u00e7as a esse suporte complementar (mais de 200 penas em 2024). Al\u00e9m deles, o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o (MEC) investe na <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/mec\/pt-br\/cpop\">Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP)<\/a><\/strong><\/span>, fornecendo suporte t\u00e9cnico e financeiro para mais de 1.200 iniciativas em todo o pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"makerspaces-laboratorios-para-todos\"><em>Makerspaces<\/em>: laborat\u00f3rios para todos<\/h4>\n<p>Outro fen\u00f4meno em expans\u00e3o \u00e9 o surgimento de <em>makerspaces<\/em> comunit\u00e1rios e escolares. Inspirados pela cultura maker e pelo movimento hacker, esses espa\u00e7os democratizam o acesso a ferramentas de programa\u00e7\u00e3o, eletr\u00f4nica, rob\u00f3tica e prototipagem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"quando-a-ciencia-conversa-com-o-cotidiano-ela-deixa-de-parecer-distante-e-passa-a-funcionar-como-instrumento-de-leitura-critica-e-transformacao-da-realidade\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cQuando a ci\u00eancia conversa com o cotidiano, ela deixa de parecer distante e passa a funcionar como instrumento de leitura cr\u00edtica e transforma\u00e7\u00e3o da realidade.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em muitas escolas p\u00fablicas e institui\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, estudantes t\u00eam a oportunidade de construir projetos pr\u00f3prios, desenvolver solu\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e experimentar processos de inova\u00e7\u00e3o que antes pareciam restritos a ambientes especializados. A proposta n\u00e3o \u00e9 apenas ensinar tecnologia, mas estimular criatividade, autonomia e resolu\u00e7\u00e3o de problemas. Projetos como o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/makerspaceiot.febrace.org.br\/\">Maker Space IoT<\/a><\/strong><\/span>, desenvolvido em escolas p\u00fablicas paulistas, mostram como essas iniciativas podem aproximar jovens das compet\u00eancias exigidas pela transforma\u00e7\u00e3o digital. Ao permitir que estudantes criem, testem e compartilhem ideias, os makerspaces ajudam a formar uma gera\u00e7\u00e3o mais preparada para participar ativamente da produ\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"ciencia-cidada-e-inovacao-comunitaria\">Ci\u00eancia cidad\u00e3 e inova\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria<\/h4>\n<p>Se os <em>makerspaces<\/em> ampliam o acesso \u00e0s tecnologias, os projetos de ci\u00eancia cidad\u00e3 ampliam a participa\u00e7\u00e3o social na pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o do conhecimento. Nessas iniciativas, moradores colaboram diretamente na coleta de dados, monitoramento ambiental e desenvolvimento de solu\u00e7\u00f5es para desafios locais.<\/p>\n<p>Em diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, comunidades participam de a\u00e7\u00f5es voltadas ao acompanhamento das condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, \u00e0 observa\u00e7\u00e3o da biodiversidade, ao monitoramento da qualidade da \u00e1gua e \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de riscos ambientais. Os dados gerados contribuem tanto para pesquisas acad\u00eamicas quanto para decis\u00f5es pr\u00e1ticas dentro dos pr\u00f3prios territ\u00f3rios.<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-instituto-decodifica-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10430\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CD-A-ciencia-que-nasce-nas-periferias-fig2-300x173.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"289\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CD-A-ciencia-que-nasce-nas-periferias-fig2-300x173.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CD-A-ciencia-que-nasce-nas-periferias-fig2-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/CD-A-ciencia-que-nasce-nas-periferias-fig2.jpg 547w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\nFigura 2. Instituto Decodifica. Divulga\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre os exemplos brasileiros de ci\u00eancia cidad\u00e3 est\u00e3o o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/educacao.cemaden.gov.br\/projeto\/projeto-ciencia-cidada-na-escola\/\">Cemaden Educa\u00e7\u00e3o (Ci\u00eancia Cidad\u00e3 na Escola)<\/a><\/strong><\/span>, desenvolvido em escolas p\u00fablicas de diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds, onde estudantes e professores utilizam pluvi\u00f4metros artesanais para monitorar chuvas e riscos de desastres socioambientais. O <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/humanamente.fiocruz.br\/agora\/projeto-de-ciencia-cidada-promove-monitoramento-participativos-de-praias-do-nordeste\/\">CoastSnap NE<\/a><\/strong><\/span>, coordenado pela Universidade Estadual do Cear\u00e1 (<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.uece.br\/\">UECE<\/a><\/strong><\/span>), instala suportes para smartphones em praias do Nordeste, permitindo que moradores e turistas registrem imagens que auxiliam no monitoramento da eros\u00e3o costeira e do ac\u00famulo de res\u00edduos. J\u00e1 o projeto <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ecopore.org.br\/projeto-de-ciencia-cidada-com-jovens-ribeirinhos-inicia-novo-ciclo-de-atividades-no-rio-madeira\/\">Pesquisa em Escolas Ribeirinhas (Rio Madeira)<\/a><\/strong><\/span>, desenvolvido em Rond\u00f4nia por institui\u00e7\u00f5es como a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ecopore.org.br\/\">Ecopor\u00e9<\/a><\/strong><\/span>, transforma estudantes em pesquisadores da pesca artesanal, que coletam dados sobre peixes e acompanham os impactos ambientais na bacia do rio Madeira. O <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/icmbio\/pt-br\/assuntos\/monitoramento\/conteudo\/artigos-Monitora\/Cinciacidad_conceitoseprticasRevista.pdf\">Instituto Decodifica<\/a><\/strong><\/span>, desdobramento do coletivo <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/decodifica.org\/2024\/08\/02\/labjaca-agora-e-decodifica\/\">LabJaca<\/a><\/strong><\/span>, utiliza ci\u00eancia de dados cidad\u00e3 para mapear, nas favelas do Rio de Janeiro, os efeitos da falta de saneamento, da viol\u00eancia e das desigualdades clim\u00e1ticas sobre a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o. Outro destaque \u00e9 o <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/estudo-mostra-desafio-de-ampliar-ciencia-cidada-na-prevencao-de-desastres-provocados-por-enchentes\/39503\">Dados \u00e0 Prova d&#8217;\u00c1gua (Waterproofing Data)<\/a><\/strong><\/span>, realizado em comunidades vulner\u00e1veis a alagamentos em S\u00e3o Paulo, onde moradores registram, por meio de um aplicativo e de pluvi\u00f4metros artesanais, o volume de chuvas e os pontos de inunda\u00e7\u00e3o, gerando alertas locais e fortalecendo a cobran\u00e7a por a\u00e7\u00f5es do poder p\u00fablico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ciencia-identidade-e-justica-social\">Ci\u00eancia, identidade e justi\u00e7a social<\/h4>\n<p>Mais do que transmitir conte\u00fados, a educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica nas periferias busca fortalecer identidades cient\u00edficas. Isso significa criar condi\u00e7\u00f5es para que estudantes e moradores se reconhe\u00e7am como pessoas capazes de produzir conhecimento, formular perguntas e participar dos debates sobre o futuro de suas comunidades.<\/p>\n<p>Essa perspectiva tamb\u00e9m exige considerar quest\u00f5es de g\u00eanero, ra\u00e7a, linguagem e multiculturalismo. Diversos estudos mostram que o interesse pela ci\u00eancia est\u00e1 menos relacionado \u00e0s caracter\u00edsticas individuais dos estudantes e mais \u00e0s oportunidades que encontram ao longo de suas trajet\u00f3rias educacionais.<\/p>\n<p>Por isso, pesquisadores defendem curr\u00edculos mais conectados \u00e0 realidade dos territ\u00f3rios, capazes de dialogar com as experi\u00eancias dos alunos e valorizar suas formas de express\u00e3o. Quando a ci\u00eancia conversa com o cotidiano, ela deixa de parecer distante e passa a funcionar como instrumento de leitura cr\u00edtica e transforma\u00e7\u00e3o da realidade.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o da ci\u00eancia produzida nas periferias revela que inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende apenas de grandes investimentos ou infraestrutura sofisticada. Muitas vezes, ela nasce da capacidade de observar problemas concretos, mobilizar conhecimentos diversos e construir solu\u00e7\u00f5es coletivas.<\/p>\n<p>Ao transformar escolas, centros comunit\u00e1rios e espa\u00e7os culturais em ambientes de investiga\u00e7\u00e3o, esses movimentos ampliam o acesso ao conhecimento e fortalecem a cidadania cient\u00edfica. Mais do que formar futuros pesquisadores, ajudam a construir comunidades capazes de compreender seus desafios e atuar sobre eles.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-ana-maria-silva-fiocruz-reproducao\">Capa. Ana Maria Silva\/ Fiocruz. Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Enquanto muitos ainda associam a ci\u00eancia a laborat\u00f3rios sofisticados, equipamentos de \u00faltima&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":10432,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2,866],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10427"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10427"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10427\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10479,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10427\/revisions\/10479"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10432"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10427"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10427"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10427"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}