{"id":10563,"date":"2026-07-26T08:00:40","date_gmt":"2026-07-26T08:00:40","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10563"},"modified":"2026-07-28T14:02:10","modified_gmt":"2026-07-28T14:02:10","slug":"a-nova-geografia-da-ciencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10563","title":{"rendered":"A nova geografia da ci\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Durante d\u00e9cadas, o avan\u00e7o da ci\u00eancia dependeu principalmente dos investimentos de governos e empresas, respons\u00e1veis por viabilizar conquistas como a explora\u00e7\u00e3o espacial, o sequenciamento do genoma humano e in\u00fameras inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. Ainda assim, projetos de longo prazo, pesquisas de alto risco e ideias sem aplica\u00e7\u00e3o imediata frequentemente encontravam dificuldades para obter financiamento.<\/p>\n<p>Mas esse cen\u00e1rio come\u00e7ou a mudar nos \u00faltimos anos. Funda\u00e7\u00f5es, fundos patrimoniais (<em>endowments<\/em>), organiza\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas e grandes doadores passaram a investir bilh\u00f5es de d\u00f3lares em pesquisa, fortalecendo \u00e1reas como intelig\u00eancia artificial, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, biodiversidade, sa\u00fade global e ci\u00eancia b\u00e1sica. Conhecida como filantropia cient\u00edfica, essa modalidade direciona recursos privados para pesquisa, infraestrutura, forma\u00e7\u00e3o de pesquisadores e inova\u00e7\u00e3o. Seu principal diferencial \u00e9 a flexibilidade para apoiar projetos explorat\u00f3rios e de longo prazo, muitas vezes fora do alcance dos modelos tradicionais de financiamento.<\/p>\n<p>Para Marie-Anne Van Sluys, professora do Departamento de Bot\u00e2nica da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\"><strong>Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/strong><\/a> <\/span>e integrante do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/portal.sbpcnet.org.br\/grupos-de-trabalho\/grupo-de-trabalho-filantropia\/\"><strong>Grupo de Trabalho de Filantropia da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC)<\/strong><\/a><\/span>, o Brasil come\u00e7a a estruturar esse ecossistema, embora ainda enfrente desafios culturais e institucionais. &#8220;Temos iniciativas importantes, como o<span style=\"color: #800000;\"> <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/serrapilheira.org\/\"><strong>Instituto Serrapilheira<\/strong><\/a>, <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/cienciapioneira.org\/\"><strong>Ci\u00eancia Pioneira<\/strong><\/a>, <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.google.com\/aclk?sa=L&amp;pf=1&amp;ai=DChsSEwj7nMiu4uiVAxUrX0gAHd-WLdIYACICCAEQABoCY2U&amp;co=1&amp;ase=2&amp;gclid=Cj0KCQjw94bTBhDQARIsAN3vv0xCtkwvLoFrT5zVpUCn6aqewCGLTL4M0mncHeNZQ87Ec3N9ZB7Eh68aAo09EALw_wcB&amp;cid=CAASuwHkaCxNhSzU5EYr-XNzaH8WSMKaauWdjkdEzp55BL3ONX1O9rrR4ACRKQkTnqMcnNSIi02D7LdJmziHLSGNLfU2nT2SSwjanlnEiYvxNAb6e7nGcv9xMbwkN4LkFK-Xf7-GHbCesrVIkT4RyGWzsZ-cF81p-sYnPxZt7X21MbktsJ9zxACOcaOPQnH01kW7uDYPqcHmnTH1W9zB7bvwq2Va6SWSZ5FndFCzn2rQH_BuLVl6lhwE5fv6N7Yb&amp;cce=2&amp;category=acrcp_v1_32&amp;sig=AOD64_1Ydw9WoWKyGzi3LEC0bILF7_86VA&amp;q&amp;nis=4&amp;adurl=https:\/\/www.idis.org.br\/avaliacao-de-impacto-e-sroi\/?gad_source%3D1%26gad_campaignid%3D23623719762%26gbraid%3D0AAAAACsOReqFrQgRi3G8KrWRCHwVNEvdj%26gclid%3DCj0KCQjw94bTBhDQARIsAN3vv0xCtkwvLoFrT5zVpUCn6aqewCGLTL4M0mncHeNZQ87Ec3N9ZB7Eh68aAo09EALw_wcB&amp;ved=2ahUKEwiSwMKu4uiVAxU6JrkGHVF5A3EQ0Qx6BAgJEAE\"><strong>IDIS<\/strong><\/a><\/span> e <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/gife.org.br\/\"><strong>GIFE<\/strong><\/a><\/span>, mas o investimento filantr\u00f3pico estrat\u00e9gico ainda \u00e9 pouco comum entre as institui\u00e7\u00f5es de pesquisa&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Segundo a pesquisadora, compreender a pr\u00f3pria din\u00e2mica da ci\u00eancia \u00e9 fundamental para consolidar essa cultura. &#8220;Os estudos cient\u00edficos n\u00e3o s\u00e3o lineares. Quanto maior o desafio, mais dif\u00edcil prever exatamente o caminho da pesquisa. Descobertas feitas em qualquer parte do mundo ou o surgimento de novas tecnologias podem alterar completamente um projeto em andamento.&#8221;<\/p>\n<p>Embora ainda represente uma parcela relativamente pequena do financiamento cient\u00edfico, a filantropia vem ampliando seu impacto ao incentivar pesquisas interdisciplinares, apoiar jovens cientistas e fortalecer universidades, centros de pesquisa e infraestrutura cient\u00edfica. A consolida\u00e7\u00e3o desse movimento tamb\u00e9m depende das novas gera\u00e7\u00f5es. Em entrevista \u00e0 GloboNews, Paula Fabiani, CEO do IDIS e \u00fanica brasileira inclu\u00edda na lista das 100 pessoas mais influentes da filantropia pela revista <em>TIME<\/em>, destaca que jovens lideran\u00e7as e herdeiros demonstram maior compromisso com responsabilidade social e impacto coletivo. &#8220;A grande not\u00edcia positiva \u00e9 que as novas gera\u00e7\u00f5es j\u00e1 t\u00eam mais consci\u00eancia, j\u00e1 v\u00eam com essa quest\u00e3o mais endere\u00e7ada&#8221;, afirma. Para ela, a grande transfer\u00eancia de riqueza prevista para as pr\u00f3ximas d\u00e9cadas representa uma oportunidade para fortalecer a cultura filantr\u00f3pica tamb\u00e9m no Brasil.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"muito-alem-do-financiamento-um-novo-modelo-para-impulsionar-a-ciencia\">Muito al\u00e9m do financiamento: um novo modelo para impulsionar a ci\u00eancia<\/h4>\n<p>O impacto da filantropia cient\u00edfica vai al\u00e9m do volume de recursos investidos. Seu diferencial est\u00e1 na liberdade para apoiar projetos que dificilmente encontrariam espa\u00e7o nos modelos tradicionais de financiamento, permitindo explorar ideias ainda incertas e pesquisas potencialmente transformadoras.<\/p>\n<p>Para Regina Pekelmann Markus, professora em\u00e9rita do Instituto de Bioci\u00eancias da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\"><strong>USP<\/strong><\/a><\/span> e vice-presidente da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.amigosdoweizmann.org.br\/stage\/\"><strong>Associa\u00e7\u00e3o Amigos do Instituto Weizmann<\/strong><\/a><\/span>, esse \u00e9 um dos maiores m\u00e9ritos da filantropia cient\u00edfica. &#8220;Enquanto alguns chamam essa modalidade de &#8216;toler\u00e2ncia ao fracasso&#8217;, prefiro enxerg\u00e1-la como abertura para novas possibilidades. Cada resultado inesperado pode revelar um caminho completamente novo para a pesquisa&#8221;, afirma. Segundo a pesquisadora, a aus\u00eancia da press\u00e3o por retorno financeiro imediato favorece descobertas capazes de gerar impactos cient\u00edficos, econ\u00f4micos e sociais no futuro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"quando-olhamos-para-regioes-que-investem-em-ciencia-disruptiva-e-para-paises-onde-a-filantropia-ja-faz-parte-da-cultura-cientifica-percebemos-que-estamos-diante-de-uma-mudanca-global\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cQuando olhamos para regi\u00f5es que investem em ci\u00eancia disruptiva e para pa\u00edses onde a filantropia j\u00e1 faz parte da cultura cient\u00edfica, percebemos que estamos diante de uma mudan\u00e7a global.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse modelo tamb\u00e9m fortalece \u00e1reas historicamente pouco contempladas por outras fontes de financiamento, como pesquisa b\u00e1sica, doen\u00e7as raras, biodiversidade, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e sa\u00fade de popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis, al\u00e9m de investir em infraestrutura, ci\u00eancia aberta e forma\u00e7\u00e3o de pesquisadores.<\/p>\n<p>No <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/accamargo.org.br\/\"><strong>A.C.Camargo Cancer Center<\/strong><\/a><\/span>, essa l\u00f3gica j\u00e1 faz parte da estrat\u00e9gia institucional. Segundo o diretor-geral, Victor Andrade, a pesquisa passou a ser organizada de forma mais integrada e alinhada \u00e0s necessidades da sociedade. &#8220;Hoje nossas linhas de pesquisa dialogam muito mais com aquilo que a sociedade espera de uma institui\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica&#8221;, afirma. Os projetos s\u00e3o avaliados por comit\u00eas especializados, reduzindo sobreposi\u00e7\u00f5es e estimulando a colabora\u00e7\u00e3o entre pesquisadores brasileiros e internacionais. &#8220;Os doadores conseguem acompanhar esse percurso e compreender que nem toda pesquisa resulta imediatamente em um produto. Ainda assim, cada estudo representa um passo importante na constru\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es que poder\u00e3o chegar aos pacientes no futuro.&#8221;<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, a filantropia cient\u00edfica desempenha um papel fundamental no financiamento da pesquisa h\u00e1 d\u00e9cadas. J\u00e1 na primeira metade do s\u00e9culo XX, esse modelo de apoio contribuiu para avan\u00e7os importantes em diversas \u00e1reas do conhecimento. &#8220;Um dos principais motores desse crescimento, e algo central para a miss\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Sloan, \u00e9 a convic\u00e7\u00e3o de que podemos promover o bem-estar de toda a sociedade ao investir no progresso cient\u00edfico&#8221;, afirma Stacie Bloom, presidente e CEO da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/sloan.org\/\">Alfred P. Sloan Foundation<\/a><\/strong><\/span>, organiza\u00e7\u00e3o filantr\u00f3pica norte-americana sem fins lucrativos. Segundo ela, a filantropia cient\u00edfica exerce um impacto t\u00e3o significativo porque ocupa um espa\u00e7o que outros financiadores raramente conseguem preencher: o apoio a pesquisas em est\u00e1gio inicial e de alto risco, mas com potencial para gerar benef\u00edcios transformadores. &#8220;Ela tamb\u00e9m pode fortalecer \u00e1reas emergentes do conhecimento, oferecendo os recursos necess\u00e1rios para que se consolidem e construam bases s\u00f3lidas para seu desenvolvimento&#8221;, destaca.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"o-novo-mapa-da-ciencia\">O novo mapa da ci\u00eancia<\/h4>\n<p>Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a filantropia passou a influenciar n\u00e3o apenas o financiamento, mas tamb\u00e9m as prioridades da pesquisa cient\u00edfica. Com maior liberdade para investir no longo prazo, funda\u00e7\u00f5es e grandes doadores conseguem apoiar estudos ainda embrion\u00e1rios, muitas vezes antes de despertarem o interesse de governos ou empresas. Em vez de distribuir recursos de forma homog\u00eanea, concentram investimentos em \u00e1reas estrat\u00e9gicas para enfrentar alguns dos principais desafios do s\u00e9culo XXI.<\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial \u00e9 um dos exemplos mais evidentes dessa mudan\u00e7a. Muito antes da atual corrida tecnol\u00f3gica, organiza\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas j\u00e1 financiavam pesquisas em aprendizado de m\u00e1quina, \u00e9tica, governan\u00e7a e impactos sociais da IA. Hoje, esses investimentos abrangem aplica\u00e7\u00f5es em sa\u00fade, meio ambiente e desenvolvimento de novos materiais.<\/p>\n<p>Na sa\u00fade, a filantropia continua impulsionando pesquisas sobre c\u00e2ncer, doen\u00e7as infecciosas, doen\u00e7as raras e prepara\u00e7\u00e3o para futuras pandemias, al\u00e9m do desenvolvimento de novas terapias e m\u00e9todos diagn\u00f3sticos.<\/p>\n<p>Essa estrat\u00e9gia pode ser observada no<span style=\"color: #800000;\"> <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/accamargo.org.br\/\"><strong>A.C.Camargo Cancer Center<\/strong><\/a><\/span>. Segundo Victor Andrade, pesquisa, assist\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o passaram a atuar de forma integrada, com linhas de investiga\u00e7\u00e3o definidas pelas necessidades de cada tipo de tumor. &#8220;Nossa pesquisa busca mover a fronteira da oncologia, seja aumentando a efic\u00e1cia dos tratamentos, reduzindo custos ou melhorando a qualidade de vida dos pacientes&#8221;, afirma. Para isso, o centro re\u00fane especialistas de diferentes \u00e1reas e incorpora intelig\u00eancia artificial, ci\u00eancia de dados, engenharia e biologia molecular. &#8220;Hoje conseguimos enxergar a pesquisa percorrendo todo o pipeline de inova\u00e7\u00e3o at\u00e9 chegar aos pacientes.&#8221;<\/p>\n<p>Para Stacie Bloom, esse tipo de iniciativa ilustra uma das principais contribui\u00e7\u00f5es da filantropia cient\u00edfica: criar condi\u00e7\u00f5es para que \u00e1reas ainda pouco consolidadas possam se desenvolver. Segundo ela, financiadores p\u00fablicos nem sempre disp\u00f5em da flexibilidade necess\u00e1ria para investir em campos de pesquisa ainda imaturos ou cujos resultados s\u00e3o incertos. &#8220;Na d\u00e9cada de 1970, por exemplo, a Funda\u00e7\u00e3o Sloan apoiou o que mais tarde se tornaria a ci\u00eancia cognitiva. Esse campo re\u00fane conhecimentos da neuroci\u00eancia, ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o, psicologia, filosofia, lingu\u00edstica e antropologia. Fora da filantropia privada, costuma ser muito dif\u00edcil encontrar financiadores dispostos a investir em pesquisas t\u00e3o originais, interdisciplinares e, justamente por isso, mais arriscadas&#8221;, explica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"pesquisadores-nao-desistem-e-buscam-formas-alternativas-de-financiamento-ao-mesmo-tempo-em-que-cresce-o-interesse-de-filantropos-em-investir-em-ciencia\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cPesquisadores n\u00e3o desistem e buscam formas alternativas de financiamento, ao mesmo tempo em que cresce o interesse de filantropos em investir em ci\u00eancia.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outra prioridade crescente \u00e9 a pesquisa b\u00e1sica. Tecnologias hoje presentes no cotidiano \u2014 como o GPS, as vacinas de RNA mensageiro (mRNA), a edi\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica por CRISPR e parte dos avan\u00e7os em intelig\u00eancia artificial \u2014 nasceram de investiga\u00e7\u00f5es motivadas pela curiosidade cient\u00edfica, sem aplica\u00e7\u00f5es imediatas. Ao financiar esse tipo de pesquisa, a filantropia oferece aos cientistas um recurso cada vez mais escasso: tempo para explorar perguntas cujas respostas ainda s\u00e3o desconhecidas.<\/p>\n<p>Os investimentos tamb\u00e9m passaram a contemplar programas voltados a jovens pesquisadores, mulheres, grupos historicamente sub-representados e equipes interdisciplinares, fortalecendo um sistema cient\u00edfico mais diverso e colaborativo. Para Regina Pekelmann Markus, essa transforma\u00e7\u00e3o reflete uma reorganiza\u00e7\u00e3o mais ampla da ci\u00eancia mundial. &#8220;As mudan\u00e7as recentes mostram uma ruptura importante com o modelo tradicional de desenvolvimento cient\u00edfico. Quando olhamos para regi\u00f5es que investem em ci\u00eancia disruptiva e para pa\u00edses onde a filantropia j\u00e1 faz parte da cultura cient\u00edfica, percebemos que estamos diante de uma mudan\u00e7a global.&#8221;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Stacie Bloom, um dos principais diferenciais da filantropia cient\u00edfica \u00e9 justamente sua capacidade de assumir riscos que outros financiadores dificilmente assumiriam. &#8220;Na Funda\u00e7\u00e3o Sloan, temos uma longa tradi\u00e7\u00e3o de apoiar pesquisas que outros n\u00e3o podem ou n\u00e3o querem financiar. O surgimento de \u00e1reas como ci\u00eancia cognitiva, economia comportamental e ecologia microbiana de ambientes internos mostra que investir em ideias inovadoras, ainda em est\u00e1gio inicial, pode gerar impactos duradouros&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Stacie Bloom ressalta ainda que ampliar o acesso ao financiamento \u00e9 fundamental para renovar a ci\u00eancia. Embora a maior parte dos recursos da Funda\u00e7\u00e3o Sloan seja destinada a pesquisadores dos Estados Unidos e do Canad\u00e1, a institui\u00e7\u00e3o parte do princ\u00edpio de que descobertas transformadoras podem surgir de qualquer pessoa, desde que ela tenha oportunidades para desenvolver seu trabalho. Em 2025, 70% dos pesquisadores apoiados pela funda\u00e7\u00e3o receberam financiamento da Sloan pela primeira vez, e 40% eram cientistas em in\u00edcio de carreira.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"o-brasil-entra-no-mapa\">O Brasil entra no mapa<\/h4>\n<p>Embora ainda distante dos n\u00edveis de investimento observados em pa\u00edses como Estados Unidos, Reino Unido e Canad\u00e1, o Brasil come\u00e7a a consolidar seu ecossistema de filantropia cient\u00edfica. Organiza\u00e7\u00f5es privadas, fundos patrimoniais (<em>endowments<\/em>) e iniciativas da sociedade civil v\u00eam ampliando as possibilidades de financiamento para universidades, institutos de pesquisa e pesquisadores.<\/p>\n<p>Esse movimento n\u00e3o substitui o investimento p\u00fablico, historicamente sustentado por institui\u00e7\u00f5es como <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/cnpq\/pt-br\"><strong>CNPq<\/strong><\/a>, <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/capes\/pt-br\"><strong>Capes<\/strong><\/a>, <a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.finep.gov.br\/\"><strong>Finep<\/strong><\/a><\/span> e pelas funda\u00e7\u00f5es estaduais de amparo \u00e0 pesquisa. Ao contr\u00e1rio, amplia e diversifica as fontes de recursos, oferecendo maior flexibilidade para apoiar projetos inovadores e de longo prazo.<\/p>\n<p>Para Melissa A. Berman, fundadora e ex-presidente executiva da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.rockpa.org\/\"><strong>Rockefeller Philanthropy Advisors (RPA)<\/strong><\/a><\/span>, enfrentar desafios globais exigir\u00e1 a combina\u00e7\u00e3o de diferentes fontes de financiamento. Em entrevista \u00e0 <em>Leaders Online<\/em>, ela lembra que o d\u00e9ficit anual para alcan\u00e7ar os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS) da ONU \u00e9 estimado entre US$ 2 trilh\u00f5es e US$ 3 trilh\u00f5es. &#8220;Esse dinheiro n\u00e3o pode vir apenas da filantropia privada. N\u00e3o pode vir apenas do setor p\u00fablico. Provavelmente tamb\u00e9m n\u00e3o pode vir apenas do setor empresarial. Ele precisa vir de uma combina\u00e7\u00e3o de todos os setores, bem como de investimentos de impacto que aproveitem o poder e os recursos dos mercados de capitais.&#8221;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Marie-Anne Van Sluys, o Brasil re\u00fane condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para ampliar esse modelo. Ela cita institui\u00e7\u00f5es como o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.missouribotanicalgarden.org\/\"><strong>Missouri Botanical Garden<\/strong><\/a><\/span> e o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.kew.org\/home\"><strong>Royal Botanic Gardens, Kew<\/strong><\/a><\/span> \u2014 sustentadas em grande parte por recursos filantr\u00f3picos e atualmente dirigidas por pesquisadores brasileiros \u2014 como exemplos do potencial desse tipo de investimento. &#8220;S\u00e3o exemplos de como a filantropia estrat\u00e9gica pode fortalecer institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas de excel\u00eancia&#8221;, afirma. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-os-reais-jardins-botanicos-de-kew-royal-botanic-gardens-kew-no-reino-unido-sao-sustentados-em-grande-parte-por-recursos-filantropicos-foto-royal-botanic-gardens-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10565\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/fasciculo-filantropia-reportagem-figura-2-300x170.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"283\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/fasciculo-filantropia-reportagem-figura-2-300x170.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/fasciculo-filantropia-reportagem-figura-2-768x434.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/fasciculo-filantropia-reportagem-figura-2-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/fasciculo-filantropia-reportagem-figura-2-800x453.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/fasciculo-filantropia-reportagem-figura-2.jpg 960w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Os Reais Jardins Bot\u00e2nicos de Kew (Royal Botanic Gardens, Kew) no Reino Unido, s\u00e3o sustentados em grande parte por recursos filantr\u00f3picos.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Royal Botanic Gardens. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No pa\u00eds, organiza\u00e7\u00f5es como o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/serrapilheira.org\/\"><strong>Instituto Serrapilheira<\/strong><\/a>, <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/cienciapioneira.org\/\"><strong>Ci\u00eancia Pioneira<\/strong><\/a>, <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/fundacaogrupoboticario.org.br\/\"><strong>Funda\u00e7\u00e3o Grupo Botic\u00e1rio<\/strong><\/a>, <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/alana.org.br\/\"><strong>Instituto Alana<\/strong><\/a><\/span> e fundos patrimoniais ligados \u00e0s universidades v\u00eam ampliando o apoio \u00e0 ci\u00eancia b\u00e1sica, \u00e0 pesquisa ambiental, biom\u00e9dica e tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Para Victor Andrade, a busca por novas fontes de financiamento tornou-se uma resposta \u00e0s dificuldades enfrentadas pela pesquisa brasileira. &#8220;Pesquisadores n\u00e3o desistem e buscam formas alternativas de financiamento, ao mesmo tempo em que cresce o interesse de filantropos em investir em ci\u00eancia.&#8221; Segundo ele, a pandemia de covid-19 tamb\u00e9m aproximou a sociedade da pesquisa cient\u00edfica, refor\u00e7ando a necessidade de comunicar melhor seus resultados. \u201cTamb\u00e9m aprendemos que \u00e9 preciso comunicar melhor a ci\u00eancia, traduzindo os resultados para uma linguagem acess\u00edvel e utilizando as redes sociais para aproximar pesquisadores e sociedade.&#8221; (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-laboratorio-da-fiocruz-no-rio-de-janeiro-durante-desenvolvimento-da-vacina-contra-a-covid-19foto-fiocruz-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10564\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/fasciculo-filantropia-reportagem-figura-1-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/fasciculo-filantropia-reportagem-figura-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/fasciculo-filantropia-reportagem-figura-1-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/07\/fasciculo-filantropia-reportagem-figura-1.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Laborat\u00f3rio da Fiocruz no Rio de Janeiro durante desenvolvimento da vacina contra a Covid-19<br \/>\n<\/strong>(Foto: Fiocruz. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro avan\u00e7o importante \u00e9 o fortalecimento dos fundos patrimoniais, que criam fontes permanentes de recursos para universidades e centros de pesquisa, reduzindo a depend\u00eancia exclusiva do or\u00e7amento p\u00fablico.<\/p>\n<p>Apesar desses avan\u00e7os, a cultura de doa\u00e7\u00e3o para a ci\u00eancia ainda \u00e9 limitada no pa\u00eds. Para Regina Pekelmann Markus, o Brasil possui grande capacidade de inova\u00e7\u00e3o, mas precisa reconhecer e valorizar quem investe em pesquisa. &#8220;O pa\u00eds sempre produziu conhecimento altamente inovador. Precisamos valorizar essa capacidade criativa e dar maior visibilidade aos grupos e institui\u00e7\u00f5es que investem em ci\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>Ainda em consolida\u00e7\u00e3o, a filantropia cient\u00edfica brasileira demonstra que a combina\u00e7\u00e3o entre investimento p\u00fablico, doa\u00e7\u00f5es privadas e coopera\u00e7\u00e3o institucional pode ampliar as oportunidades para a pesquisa e fortalecer um sistema cient\u00edfico mais resiliente.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"uma-nova-alianca-para-a-ciencia\">Uma nova alian\u00e7a para a ci\u00eancia<\/h4>\n<p>A expans\u00e3o da filantropia cient\u00edfica reflete uma mudan\u00e7a na forma como o conhecimento \u00e9 produzido. Em um cen\u00e1rio marcado por desafios globais, governos, empresas e organiza\u00e7\u00f5es filantr\u00f3picas passam a atuar de forma cada vez mais complementar, reunindo recursos, compet\u00eancias e diferentes perspectivas para acelerar a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-pais-sempre-produziu-conhecimento-altamente-inovador-precisamos-valorizar-essa-capacidade-criativa-e-dar-maior-visibilidade-aos-grupos-e-instituicoes-que-investem-em-ciencia\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO pa\u00eds sempre produziu conhecimento altamente inovador. Precisamos valorizar essa capacidade criativa e dar maior visibilidade aos grupos e institui\u00e7\u00f5es que investem em ci\u00eancia.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais do que financiar projetos, a filantropia fortalece todo o ecossistema da pesquisa ao investir na forma\u00e7\u00e3o de cientistas, em infraestrutura, divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e redes de colabora\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es e pa\u00edses.<\/p>\n<p>Para Stacie Bloom, n\u00e3o existe um modelo \u00fanico para o financiamento da ci\u00eancia. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, recursos p\u00fablicos e filantr\u00f3picos cumprem pap\u00e9is distintos e complementares. &#8220;Os governos podem investir grandes volumes de recursos em \u00e1reas estrat\u00e9gicas, como a intelig\u00eancia artificial, enquanto a filantropia pode preencher lacunas de financiamento e apoiar iniciativas que, de outra forma, dificilmente sairiam do papel&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Ela ainda diz que, em outras situa\u00e7\u00f5es a filantropia vai al\u00e9m de complementar investimentos e ajuda a criar novas abordagens de pesquisa, aproximando especialistas de diferentes \u00e1reas do conhecimento. &#8220;Os grandes desafios da humanidade n\u00e3o v\u00e3o desaparecer; ao contr\u00e1rio, tendem a se tornar cada vez mais urgentes. Pela sua flexibilidade e disposi\u00e7\u00e3o para assumir riscos, a filantropia cient\u00edfica est\u00e1 em uma posi\u00e7\u00e3o \u00fanica para mobilizar recursos, reunir especialistas e impulsionar solu\u00e7\u00f5es inovadoras&#8221;, destaca.<\/p>\n<p>Victor Andrade pontua que esse movimento acompanha uma ci\u00eancia cada vez mais conectada. &#8220;A informa\u00e7\u00e3o circula com muito mais facilidade, os dados est\u00e3o mais acess\u00edveis e os m\u00e9todos cient\u00edficos s\u00e3o amplamente compartilhados. As dist\u00e2ncias entre grandes centros de pesquisa e institui\u00e7\u00f5es emergentes diminu\u00edram, tornando as colabora\u00e7\u00f5es internacionais muito mais vi\u00e1veis.&#8221;<\/p>\n<p>No Brasil, esse ecossistema ainda est\u00e1 em consolida\u00e7\u00e3o, mas j\u00e1 demonstra seu potencial. Marie-Anne Van Sluys aponta que a diversidade cient\u00edfica e cultural do pa\u00eds pode se tornar uma das principais alavancas para fortalecer a filantropia cient\u00edfica. &#8220;A diversidade brasileira abre espa\u00e7o para a criatividade e para novas solu\u00e7\u00f5es. Precisamos ampliar o di\u00e1logo entre diferentes atores e valorizar essa riqueza para fortalecer o investimento participativo em ci\u00eancia tamb\u00e9m por meio da filantropia.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-fundacoes-e-grandes-doadores-ampliam-investimentos-em-ciencia-impulsionando-pesquisas-em-areas-estrategicas-como-saude-inteligencia-artificial-clima-e-biodiversidade-foto-instituto-serrapi\"><strong>Capa. Funda\u00e7\u00f5es e grandes doadores ampliam investimentos em ci\u00eancia, impulsionando pesquisas em \u00e1reas estrat\u00e9gicas como sa\u00fade, intelig\u00eancia artificial, clima e biodiversidade.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Instituto Serrapilheira. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante d\u00e9cadas, o avan\u00e7o da ci\u00eancia dependeu principalmente dos investimentos de governos&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":10566,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10563"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10563"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10563\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10577,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10563\/revisions\/10577"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10566"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10563"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}