{"id":10687,"date":"2026-09-02T08:00:57","date_gmt":"2026-09-02T08:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10687"},"modified":"2026-08-31T10:16:56","modified_gmt":"2026-08-31T10:16:56","slug":"crise-climatica-ameaca-o-patrimonio-cultural-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10687","title":{"rendered":"Crise clim\u00e1tica amea\u00e7a o patrim\u00f4nio cultural brasileiro"},"content":{"rendered":"<p>No dia 2 de janeiro de 2002, o prefeito Boadyr Veloso, da cidade de Goi\u00e1s, a 130 quil\u00f4metros de Goi\u00e2nia, decretava estado de calamidade ap\u00f3s 15 horas de chuva intensa devastarem o centro hist\u00f3rico da cidade. Menos de um m\u00eas antes, o munic\u00edpio havia sido declarado patrim\u00f4nio hist\u00f3rico da humanidade. Entre as edifica\u00e7\u00f5es danificadas estava a Casa Velha da Ponte, onde viveu a poetisa Cora Coralina, que teve a estrutura comprometida e parte do acervo destru\u00eddo. O evento, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 um caso isolado. O avan\u00e7o da emerg\u00eancia clim\u00e1tica torna eventos clim\u00e1ticos extremos cada vez mais frequentes e severos, colocando em risco o patrim\u00f4nio natural, hist\u00f3rico e cultural brasileiro.<\/p>\n<p>Os diferentes biomas brasileiros est\u00e3o sendo afetados pelas mudan\u00e7as do clima de forma distinta, mas todos eles est\u00e3o passando por transforma\u00e7\u00f5es causadas por a\u00e7\u00f5es humanas que p\u00f5em em risco nosso patrim\u00f4nio. O sul do pa\u00eds, dominado pelos Pampas, tem sido palco de tempestades, como ciclones extratropicais, vendavais e tornados cada vez mais intensos, como o tornado que atingiu o Museu das Miss\u00f5es, no munic\u00edpio de S\u00e3o Miguel das Miss\u00f5es, em abril de 2016. Os campos dos Pampas tamb\u00e9m est\u00e3o se tornando palco de enchentes mais frequentes, como a que atingiu o estado do Rio Grande do Sul em 2024 e causou uma perda de patrim\u00f4nio hist\u00f3rico incalcul\u00e1vel. Apenas no acervo arqueol\u00f3gico do Museu Joaquim Felizardo foram 300 mil pe\u00e7as afetadas. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10691\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/CC-3E26-reportagem-Crise-climatica-ameaca-o-patrimonio-cultural-brasileiro-figura-1-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/CC-3E26-reportagem-Crise-climatica-ameaca-o-patrimonio-cultural-brasileiro-figura-1-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/CC-3E26-reportagem-Crise-climatica-ameaca-o-patrimonio-cultural-brasileiro-figura-1-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/CC-3E26-reportagem-Crise-climatica-ameaca-o-patrimonio-cultural-brasileiro-figura-1.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-1-danos-no-sitio-historico-de-sao-miguel-das-missoes-causados-por-temporal-foto-iphan-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 1. Danos no S\u00edtio Hist\u00f3rico de S\u00e3o Miguel das Miss\u00f5es causados por temporal.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Iphan. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Pantanal passa por uma situa\u00e7\u00e3o inversa: as regi\u00f5es naturalmente alagadas do bioma est\u00e3o diminuindo. \u201cResultados recentes do MAPBiomas mostram que a \u00e1rea alagada do Pantanal foi decrescida em 30% nos \u00faltimos 20 anos. A tend\u00eancia do futuro \u00e9 ela deixar basicamente de ser uma plan\u00edcie alag\u00e1vel, deixar de ser um pantanal\u201d, afirma Paulo Eduardo Artaxo Netto, professor do Departamento de F\u00edsica Aplicada do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/portal.if.usp.br\/\"><strong>Instituto de F\u00edsica da USP<\/strong><\/a><\/span> e membro do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/antigo.mctic.gov.br\/mctic\/opencms\/ciencia\/SEPED\/clima\/ciencia_do_clima\/painel_intergovernamental_sobre_mudanca_do_clima.html\"><strong>Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC)<\/strong><\/a>.<\/span><\/p>\n<p>Al\u00e9m da perda do patrim\u00f4nio natural representada por essa transforma\u00e7\u00e3o, a diminui\u00e7\u00e3o dos alagamentos tamb\u00e9m leva \u00e0 perda de patrim\u00f4nio cultural ao inviabilizar o modo de vida de povos origin\u00e1rios que habitam a regi\u00e3o, como o Guat\u00f3. \u201cToda a forma de ser e estar dos povos guat\u00f3s est\u00e1 relacionada \u00e0 din\u00e2mica das \u00e1guas. A forma com que ele pesca, a forma como ele se alimenta\u2026\u201d, explica Luana Cristina da Silva Campos, professora-adjunta na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufms.br\/\"><strong>Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)<\/strong><\/a><\/span> e no mestrado profissional do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/pt-br\/orgaos\/instituto-do-patrimonio-historico-e-artistico-nacional\"><strong>Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN)<\/strong><\/a>.<\/span><\/p>\n<p>Al\u00e9m da altera\u00e7\u00e3o no modo de vida, os danos ambientais tamb\u00e9m impactam o patrim\u00f4nio cultural ao destruir a mat\u00e9ria-prima necess\u00e1ria para sua execu\u00e7\u00e3o. Isso pode ser visto na produ\u00e7\u00e3o de violas cocho. \u201cA viola de cocho demanda uma mat\u00e9ria-prima espec\u00edfica para ser feita: uma \u00e1rvore que precisa ter um tamanho espec\u00edfico, porque ela \u00e9 escavada e n\u00e3o colada. As \u00e1rvores no Pantanal n\u00e3o t\u00eam chegado ao tamanho m\u00ednimo para produzir o instrumento. Os ciclos de seca t\u00eam ficado cada vez mais curtos. Atrela isso aos inc\u00eandios criminosos dos fazendeiros que v\u00e3o fazer a limpeza do seu territ\u00f3rio e as \u00e1rvores n\u00e3o chegam ao tamanho necess\u00e1rio\u201d, diz Luana Campos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"precisamos-nos-adaptar-nao-so-para-o-clima-de-agora-mas-tambem-pensar-em-como-fazer-as-coisas-de-uma-forma-que-seja-apropriada-para-o-clima-daqui-a-10-15-20-ou-30-anos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cPrecisamos nos adaptar n\u00e3o s\u00f3 para o clima de agora, mas tamb\u00e9m pensar em como fazer as coisas de uma forma que seja apropriada para o clima daqui a 10, 15, 20 ou 30 anos.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma situa\u00e7\u00e3o similar ocorre na Mata Atl\u00e2ntica, em que as chuvas mais intensas tornaram mais comuns os deslizamentos. \u201cN\u00f3s temos um trabalho com a comunidade quilombola do Camburi, no litoral de Ubatuba. Nesses quilombos, a quantidade de desmoronamentos tem aumentado e as suas agroflorestas est\u00e3o sendo devastadas. Isso impacta diretamente a forma desse grupo se alimentar e criar o seu artesanato\u201d, exemplifica Luana Campos. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10688\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/CC-3E26-reportagem-Crise-climatica-ameaca-o-patrimonio-cultural-brasileiro-figura-2-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/CC-3E26-reportagem-Crise-climatica-ameaca-o-patrimonio-cultural-brasileiro-figura-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/CC-3E26-reportagem-Crise-climatica-ameaca-o-patrimonio-cultural-brasileiro-figura-2-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/CC-3E26-reportagem-Crise-climatica-ameaca-o-patrimonio-cultural-brasileiro-figura-2.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-2-deslizamento-de-terra-na-estrada-que-leva-a-comunidade-quilombola-e-caicara-do-camburi-em-ubatuba-spfoto-facebook-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 2.<\/strong> <strong>Deslizamento de terra na estrada que leva \u00e0 comunidade quilombola e cai\u00e7ara do Camburi, em Ubatuba (SP)<br \/>\n<\/strong>(Foto: Facebook. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos casos mais extremos, algumas regi\u00f5es podem ser tornadas praticamente inabit\u00e1veis, como na Caatinga. \u201cExistem regi\u00f5es do semi\u00e1rido do Nordeste em que h\u00e1 30 ou 40 anos chovia pouco, mas a economia local era adaptada \u00e0quela pouca chuva que existia. Essa pouca chuva diminuiu em muitas regi\u00f5es a ponto de tornar invi\u00e1vel qualquer atividade de agricultura, mesmo a agricultura de subsist\u00eancia. Com isso, aquela popula\u00e7\u00e3o vai ter que abandonar a regi\u00e3o\u201d, explica Paulo Artaxo.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo os turistas s\u00e3o colocados em risco pela crise clim\u00e1tica. Um exemplo assustador disso ocorreu em 2021, quando mais de 100 turistas ficaram isolados e precisaram ser resgatados por bombeiros durante um inc\u00eandio no Vale da Lua, no Cerrado goiano.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"modelagem-climatica-para-a-protecao\">Modelagem clim\u00e1tica para a prote\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>Os modelos clim\u00e1ticos utilizados pelos climatologistas para estimar as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas futuras podem ser utilizados para planejar a\u00e7\u00f5es de preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural. Com eles, \u00e9 poss\u00edvel mapear os riscos aos quais cada regi\u00e3o do pa\u00eds est\u00e1 exposta e criar estrat\u00e9gias de adapta\u00e7\u00e3o. \u201cPrecisamos nos adaptar n\u00e3o s\u00f3 ao clima atual, que j\u00e1 \u00e9 um clima diferente de 30 anos atr\u00e1s, mas tamb\u00e9m pensar em como fazer as coisas de uma forma que seja apropriada para o clima daqui a 10, 15, 20 ou 30 anos\u201d, explica Karina Bruno Lima, pesquisadora visitante na\u00a0<a href=\"https:\/\/www.fau.de\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Universidade de Erlangen-Nuremberg<\/span><\/strong><\/a>, na Alemanha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"para-proteger-um-parque-especifico-e-necessario-cruzar-os-modelos-globais-com-modelos-com-o-downscaling-modelos-topograficos-hidrologicos-e-de-microclima-local\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cPara proteger um parque espec\u00edfico \u00e9 necess\u00e1rio cruzar os modelos globais com modelos com o downscaling, modelos topogr\u00e1ficos, hidrol\u00f3gicos e de microclima local.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m das modelagens clim\u00e1ticas cl\u00e1ssicas, hoje \u00e9 poss\u00edvel fazer modelagens de ecossistemas, que avaliam n\u00e3o apenas altera\u00e7\u00f5es no regime de chuvas e temperaturas, mas tamb\u00e9m a resposta que diferentes ecossistemas dar\u00e3o a essas altera\u00e7\u00f5es, permitindo respostas mais adequadas \u00e0s especificidades de cada bioma.<\/p>\n<p>Apesar disso, esses modelos ainda possuem limita\u00e7\u00f5es. Uma delas \u00e9 o fato de que eles geralmente se referem a \u00e1reas muito amplas, tendo menor precis\u00e3o ao n\u00edvel de pequenas regi\u00f5es, como estados ou munic\u00edpios. Para se obter modelos regionais, \u00e9 necess\u00e1rio realizar um processo chamado de\u00a0<em>downscaling<\/em>, algo que ainda n\u00e3o foi realizado na maior parte de nosso pa\u00eds. \u201cOs modelos regionais acertam bem mais a quantidade de chuva do que os modelos globais, mas esse\u00a0<em>downscaling<\/em>\u00a0\u00e9 muito desafiador. Ent\u00e3o, para proteger, vamos supor, um parque espec\u00edfico, \u00e9 necess\u00e1rio cruzar os modelos globais com modelos com o downscaling, modelos topogr\u00e1ficos, hidrol\u00f3gicos e de microclima local\u201d, diz Karina Lima.<\/p>\n<p>Outro desafio \u00e9 garantir que as informa\u00e7\u00f5es obtidas pelos modelos clim\u00e1ticos e previs\u00f5es meteorol\u00f3gicas cheguem aos povos isolados que est\u00e3o vulner\u00e1veis. \u201cN\u00f3s estamos falando sobre grupos culturais que \u00e0s vezes n\u00e3o sabem ligar o telefone. Ent\u00e3o, eles n\u00e3o t\u00eam acesso a essa tecnologia\u201d, diz Luana Campos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"estamos-preparados\">Estamos preparados?<\/h4>\n<p>Apesar de todo o dano j\u00e1 causado pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ao patrim\u00f4nio hist\u00f3rico e cultural brasileiro, a resposta a elas ainda \u00e9 incipiente. Um passo recente dado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o de uma resposta foi a publica\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/publ.icomos.org\/publicomos\/jlbSai?html=Bur&amp;base=technica&amp;ref=45275&amp;file=4149.pdf&amp;path=2025_brazilian_charter_cultural_heritage_climate_change_PT_EN_ES.pdf\"><strong>Carta Brasileira do Patrim\u00f4nio Cultural e Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/strong><\/a> <\/span>em 2025, que se prop\u00f5e a ser um documento de refer\u00eancia para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio brasileiro diante da crise clim\u00e1tica. O documento destaca que, al\u00e9m do planejamento baseado no diagn\u00f3stico clim\u00e1tico regional, a preserva\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m exige educa\u00e7\u00e3o e o di\u00e1logo com a popula\u00e7\u00e3o e os povos dos locais afetados. Tamb\u00e9m cobra do Estado brasileiro a cria\u00e7\u00e3o de um arcabou\u00e7o legal e de um fundo de prote\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio cultural sob risco clim\u00e1tico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"enquanto-sociedade-perder-a-nossa-memoria-a-nossa-historia-ainda-nao-consideramos-uma-patologia\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEnquanto sociedade, perder a nossa mem\u00f3ria, a nossa hist\u00f3ria, ainda n\u00e3o consideramos uma patologia.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Existem tamb\u00e9m iniciativas de articula\u00e7\u00e3o internacional. Na 30.\u00aa Confer\u00eancia da ONU sobre Mudan\u00e7a do Clima (COP 30), realizada em 2025 na cidade de Bel\u00e9m, no Par\u00e1, houve a tentativa de se aprovar um fundo para garantir a execu\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es de prote\u00e7\u00e3o ao patrim\u00f4nio cultural. \u201cA ideia era que se conseguisse dentro da COP parte desse fundo, mas n\u00e3o foi aceito. O \u00fanico avan\u00e7o que conseguimos foi incluir o conceito de adapta\u00e7\u00e3o atrelado aos povos tradicionais e aos conhecimentos tradicionais\u201d, conta Luana Campos.<\/p>\n<p>Um dos maiores desafios enfrentados na luta pela preserva\u00e7\u00e3o do nosso patrim\u00f4nio est\u00e1 na falta da conscientiza\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia dessa empreitada. Luana Campos destaca essa import\u00e2ncia comparando o patrim\u00f4nio cultural de uma sociedade \u00e0 mem\u00f3ria humana. \u201cQual a import\u00e2ncia de voc\u00ea manter a sua mem\u00f3ria? Se voc\u00ea perder a sua mem\u00f3ria, vai ter algum problema? A gente chama isso de Alzheimer, a gente chama isso de dem\u00eancia. Mas, enquanto sociedade, perder a nossa mem\u00f3ria, a nossa hist\u00f3ria, ainda n\u00e3o consideramos uma patologia\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-chuvas-atingem-acervo-do-museu-casa-do-pontal-rjfoto-reproducao\"><strong>Capa. Chuvas atingem acervo do Museu Casa do Pontal (RJ)<br \/>\n<\/strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"No dia 2 de janeiro de 2002, o prefeito Boadyr Veloso, da&hellip;\n","protected":false},"author":356,"featured_media":10689,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10687"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/356"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10687"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10687\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10704,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10687\/revisions\/10704"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10689"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10687"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10687"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10687"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}