{"id":10740,"date":"2026-09-03T17:51:42","date_gmt":"2026-09-03T17:51:42","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10740"},"modified":"2026-09-03T17:51:42","modified_gmt":"2026-09-03T17:51:42","slug":"patrimonio-afro-brasileiro-preservar-e-reconhecer-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10740","title":{"rendered":"Patrim\u00f4nio afro-brasileiro: preservar \u00e9 reconhecer o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>A preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio afro-brasileiro \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de reconhecer a pr\u00f3pria identidade do Brasil. Quilombos, terreiros de candombl\u00e9, rodas de capoeira, samba, acaraj\u00e9 e festejos populares s\u00e3o parte de uma heran\u00e7a cultural constru\u00edda ao longo de s\u00e9culos e que re\u00fane dimens\u00f5es materiais e imateriais. Para Carlos Moura, advogado, ativista de direitos humanos e fundador e primeiro presidente da Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares, reconhecer e proteger esses bens \u00e9 fundamental para enfrentar o racismo estrutural e valorizar a contribui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o negra para a forma\u00e7\u00e3o da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>Criada como \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico federal voltado \u00e0 promo\u00e7\u00e3o e \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da cultura e da hist\u00f3ria afro-brasileiras, a Funda\u00e7\u00e3o Cultural Palmares tem entre seus objetivos o desenvolvimento de uma pol\u00edtica cultural igualit\u00e1ria e inclusiva, contribuindo para a valoriza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria, das manifesta\u00e7\u00f5es culturais e art\u00edsticas negras como patrim\u00f4nios nacionais.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Carlos Moura, a demora hist\u00f3rica no reconhecimento desse patrim\u00f4nio est\u00e1 relacionada ao legado da escravid\u00e3o e \u00e0 perman\u00eancia do racismo estrutural. A aus\u00eancia de pol\u00edticas sistem\u00e1ticas de identifica\u00e7\u00e3o, preserva\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o contribuiu para invisibilizar parte importante da mem\u00f3ria e da cultura negras no pa\u00eds.<\/p>\n<p>Para o fundador da Funda\u00e7\u00e3o Palmares, o reconhecimento formal do patrim\u00f4nio precisa estar acompanhado de a\u00e7\u00f5es concretas de preserva\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 preciso que o patrim\u00f4nio, por interm\u00e9dio do IPHAN, abra na sua programa\u00e7\u00e3o de trabalho uma linha espec\u00edfica de preserva\u00e7\u00e3o de s\u00edtios hist\u00f3ricos, de preserva\u00e7\u00e3o material e imaterial ligados \u00e0 presen\u00e7a negra no Brasil\u201d, enfatiza Carlos Moura.<\/p>\n<p>O patrim\u00f4nio afro-brasileiro est\u00e1 presente em diferentes dimens\u00f5es da vida nacional. Na culin\u00e1ria, na m\u00fasica, na dan\u00e7a e nas religi\u00f5es, a influ\u00eancia dos povos africanos se mistura a outras matrizes culturais e revela a diversidade que caracteriza o pa\u00eds. Preservar essas manifesta\u00e7\u00f5es significa, portanto, reconhecer que a cultura brasileira n\u00e3o pode ser compreendida a partir de uma perspectiva exclusivamente euroc\u00eantrica.<\/p>\n<p>Essa valoriza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 relacionada \u00e0 justi\u00e7a e ao respeito. Para Moura, reconhecer a hist\u00f3ria e as contribui\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o negra \u00e9 uma maneira de combater o preconceito e enfrentar desigualdades que permanecem na sociedade. O respeito \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es e aos espa\u00e7os de express\u00e3o cultural negra contribui ainda para ampliar a inclus\u00e3o e garantir que diferentes grupos tenham espa\u00e7o e voz na constru\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria nacional.<\/p>\n<p>A preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio tamb\u00e9m desempenha um papel importante na educa\u00e7\u00e3o. Conhecer a hist\u00f3ria da resist\u00eancia negra, das lutas contra a escravid\u00e3o e das formas de organiza\u00e7\u00e3o e express\u00e3o desenvolvidas pela popula\u00e7\u00e3o negra permite confrontar vers\u00f5es do passado que durante muito tempo minimizaram ou ocultaram essa participa\u00e7\u00e3o. Nesse sentido, iniciativas educacionais, como as previstas pela Lei 10.639, que estabelece o ensino de hist\u00f3ria e cultura afro-brasileira e africana, podem contribuir para formar novas gera\u00e7\u00f5es mais conscientes sobre a diversidade e a hist\u00f3ria do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Moura defende ainda que o reconhecimento do patrim\u00f4nio afro-brasileiro seja resultado da articula\u00e7\u00e3o entre institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, universidades, movimentos sociais e organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil. Para ele, a tarefa de enfrentar o racismo e valorizar a presen\u00e7a negra na forma\u00e7\u00e3o do Brasil n\u00e3o pode ser atribu\u00edda apenas \u00e0 popula\u00e7\u00e3o negra ou aos \u00f3rg\u00e3os diretamente ligados \u00e0 quest\u00e3o racial.<\/p>\n<p>\u201cN\u00f3s precisamos de aliados. Negros, brancos, ind\u00edgenas. Porque \u00e9 uma tarefa de todas as pessoas: despertar consci\u00eancias e trabalhar um processo de repensar o Brasil a partir dessa contribui\u00e7\u00e3o, dessa participa\u00e7\u00e3o negra \u2013 a contribui\u00e7\u00e3o e participa\u00e7\u00e3o que houve no passado est\u00e1 havendo no presente e que se prolongar\u00e1. al\u00e9m do tempo, por aqueles que nos seguir\u00e3o, por aqueles que vir\u00e3o depois de n\u00f3s\u201d, conclui Carlos Moura.<\/p>\n<p><strong>Ou\u00e7a ao epis\u00f3dio completo:<\/strong><\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: Patrim\u00f4nio afro-brasileiro: preservar \u00e9 reconhecer o Brasil\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/5qWvnw1zEn4bnJFg5mdUO2?si=647617128c874bfd&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio afro-brasileiro \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de reconhecer a&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":10741,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10740"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10740"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10740\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10742,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10740\/revisions\/10742"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10741"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10740"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10740"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10740"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}