{"id":10792,"date":"2026-09-21T08:00:03","date_gmt":"2026-09-21T08:00:03","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10792"},"modified":"2026-09-16T13:01:31","modified_gmt":"2026-09-16T13:01:31","slug":"bom-de-brincar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10792","title":{"rendered":"Bom de brincar"},"content":{"rendered":"<p>Para os bois Garantido e Caprichoso, de Parintins (AM), os QGs s\u00e3o o equivalente aos barrac\u00f5es das escolas de samba. Quem entra em um deles nas v\u00e9speras de suas apresenta\u00e7\u00f5es principais, realizadas no &#8220;bumb\u00f3dromo&#8221; da cidade a cada final de junho, logo se impressiona com a quantidade de gente jovem no comando das atividades fren\u00e9ticas de confec\u00e7\u00e3o de fantasias e alegorias gigantescas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m chama a aten\u00e7\u00e3o a maneira como essa atividade autodenominada folcl\u00f3rica se mistura com novas tecnologias. Ali s\u00e3o desenvolvidos usos extremamente originais para intelig\u00eancia artificial, impressoras 3D, hardwares e softwares livres, blockchain e tudo mais que surgir de experimental.<\/p>\n<p>J\u00e1 escutei a express\u00e3o &#8220;rob\u00f3tica cabocla&#8221; para designar o trabalho que acontece naquelas f\u00e1bricas art\u00edsticas situadas em plena floresta amaz\u00f4nica, a cerca de vinte horas de barco da Zona Franca de Manaus. Tudo com solu\u00e7\u00f5es criativas para baratear custos, reciclar materiais e com inven\u00e7\u00f5es c\u00eanicas que nunca foram utilizadas na Broadway, em Las Vegas ou numa abertura de olimp\u00edada.<\/p>\n<p>Apropria\u00e7\u00e3o? Antropofagia cultural? Tem de tudo isso um pouco. Mas o que quero salientar mesmo \u00e9 que essas experi\u00eancias de tecnofolclore ganharam fama nacional \u2014 e os servi\u00e7os da garotada que produz tudo aquilo s\u00e3o requisitados em muitas outras festividades, incluindo o carnaval carioca. O que acompanhamos em Parintins \u00e9 o desenvolvimento de um mercado de trabalho in\u00e9dito, de uma nova economia da festa, em que antes havia poucas oportunidades de &#8220;exporta\u00e7\u00e3o cultural&#8221;.<\/p>\n<p>Tudo isso \u00e9 recente. Nos anos 1970, o boi-bumb\u00e1 de Parintins seguia as li\u00e7\u00f5es de imigrantes nordestinos, sobretudo maranhenses, com poucas inova\u00e7\u00f5es locais. Havia grupos de dan\u00e7a com fantasias &#8220;ind\u00edgenas&#8221;, mas eram c\u00f3pias do que se via em filmes de Hollywood, tanto que integrantes eram chamados de &#8220;tontos&#8221;, em homenagem ao parceiro do Zorro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"devemos-pensar-e-fortalecer-nosso-patrimonio-cultural-imaterial-como-algo-que-esta-sempre-em-constante-mutacao\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cDevemos pensar e fortalecer nosso patrim\u00f4nio cultural imaterial como algo que est\u00e1 sempre em constante muta\u00e7\u00e3o.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que uma turma adolescente, da qual participava Ito (A\u00edlton Carvalho Teixeira) e seu primo Amarildo, resolveu se inspirar na cultura visual dos povos origin\u00e1rios que viviam bem pr\u00f3ximos da cidade. A repercuss\u00e3o \u2014 do que parecia ser uma decis\u00e3o quase individual \u2014 foi enorme e mudou a cultura de toda a Regi\u00e3o Norte brasileira.<\/p>\n<p>O festival folcl\u00f3rico de Parintins come\u00e7ou a atrair cada vez maior p\u00fablico, exigindo a constru\u00e7\u00e3o do bumb\u00f3dromo e cobertura dos principais meios de comunica\u00e7\u00e3o nacional. Foi uma redefini\u00e7\u00e3o do lugar da Amaz\u00f4nia no imagin\u00e1rio cultural brasileiro. E o sucesso se espalhou r\u00e1pido por todos aqueles rios. Outras cidades foram criando suas pr\u00f3prias festas, que se tornaram tamb\u00e9m famosas, como no cirand\u00f3dromo de Manacapuru ou no piab\u00f3dromo de Barcelos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Conto todos esses detalhes para exemplificar a viabilidade de sugest\u00f5es que pretendo defender no restante deste depoimento:<\/p>\n<p>A primeira delas \u00e9 que devemos pensar e fortalecer nosso patrim\u00f4nio cultural imaterial como algo que est\u00e1 sempre em constante muta\u00e7\u00e3o. A grandiosidade e relev\u00e2ncia das festividades do boi-bumb\u00e1 de Parintins foram produtos de muitas mudan\u00e7as. Come\u00e7ando pela imigra\u00e7\u00e3o de trabalhadores nordestinos para a floresta amaz\u00f4nica durante o per\u00edodo de exporta\u00e7\u00e3o da borracha, quando trouxeram tamb\u00e9m seus folguedos populares, incluindo v\u00e1rios tipos de celebra\u00e7\u00f5es do boi. Depois, m\u00fasicas, dan\u00e7as e fantasias incorporaram elementos locais, com a atitude ousada de turmas juvenis de Parintins para se inspirar nas culturas dos povos origin\u00e1rios dos arredores.<\/p>\n<p>Essas novidades t\u00eam lugar onde e quando menos se espera. S\u00e3o imprevis\u00edveis. Algumas dessas surpresas podem fazer sucesso, outras s\u00e3o esquecidas. Tudo depende de in\u00fameros fatores, inclusive de rea\u00e7\u00f5es mais ou menos tradicionalistas, que querem ou n\u00e3o manter as festas como eram antes. Os poderes p\u00fablicos de Parintins abra\u00e7aram as inova\u00e7\u00f5es e incentivaram seu crescimento in\u00e9dito, inclusive construindo o est\u00e1dio em forma de ferradura que ficou conhecido como bumb\u00f3dromo. Se as rea\u00e7\u00f5es interna e\/ou externa tivessem sido um pouco diferentes, Garantido e Caprichoso poderiam continuar um fen\u00f4meno apenas circunscrito a um bairro daquela pequena cidade, sem a proje\u00e7\u00e3o nacional de hoje.<\/p>\n<p>Isso tem acontecido em v\u00e1rios momentos importantes da nossa hist\u00f3ria festiva. Um caso eloquente foi o de imigrantes que vieram da Bahia, como Hil\u00e1rio Jovino Ferreira, trazendo para o Rio de Janeiro seus reisados. A mudan\u00e7a da data do cortejo pelas ruas, do dia de Reis para o carnaval, foi elemento fundamental para o nascimento das escolas de samba cariocas, com porta-bandeiras, mestres-salas, alas etc.<\/p>\n<p>A li\u00e7\u00e3o parece clara: \u00e9 imposs\u00edvel isolar cada festa, cada uma mantendo sua &#8220;autenticidade&#8221; pelo tempo afora, sem mudan\u00e7as e misturas. As institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que cuidam de nosso patrim\u00f4nio cultural devem, sim, fortalecer a totalidade da rede festiva, n\u00e3o estabelecendo de antem\u00e3o a &#8220;verdade&#8221; de cada folguedo, mas sim preservando seus &#8220;links&#8221; e facilitando tanto o estudo das diversas tradi\u00e7\u00f5es (por pessoas de dentro e de fora das diversas brincadeiras) quanto a circula\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es interbrincadeiras.<\/p>\n<p>Essa pode ser a conquista maior de iniciativas como a Rede Nacional de Mestras e Mestres das Culturas Tradicionais e Populares, pol\u00edtica do Minist\u00e9rio da Cultura, ou do Invent\u00e1rio Nacional de Refer\u00eancias Culturais, a\u00e7\u00e3o de Patrim\u00f4nio Imaterial do Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (IPHAN).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Percebi, de forma muito concreta e clara, a exist\u00eancia dessa rede festiva nacional quando, de maio de 1998, na festa do Divino de Macap\u00e1, a fevereiro de 1999, no carnaval dos arredores de Cuiab\u00e1, percorri todo o Brasil documentando manifesta\u00e7\u00f5es tradicionais (implico um tanto com essa classifica\u00e7\u00e3o, sei que tamb\u00e9m s\u00e3o modernas) e populares: marabaixo, siriri, cururu, oilarai, mo\u00e7ambique, dan\u00e7a do lel\u00ea, samba de parelha, tambor de taboca, fandango, marujada, bois de todos os batuques e muito mais, gerando uma s\u00e9rie de televis\u00e3o, exibida na MTV e apresentada por Gilberto Gil (v\u00e1rios epis\u00f3dios podem ser vistos a partir de uma busca no Youtube), um livro com fotografias e textos, e uma caixa de quatro CDs, sempre com o t\u00edtulo M\u00fasica do Brasil. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10793\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-opiniao-bom-de-brincar-figura-1-300x200.jpeg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"334\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-opiniao-bom-de-brincar-figura-1-300x200.jpeg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-opiniao-bom-de-brincar-figura-1-768x512.jpeg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-opiniao-bom-de-brincar-figura-1-18x12.jpeg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-opiniao-bom-de-brincar-figura-1-800x534.jpeg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-opiniao-bom-de-brincar-figura-1.jpeg 880w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-1-marabaixofonte-iphan-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 1. Marabaixo<br \/>\n<\/strong>(Fonte: Iphan. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A oportunidade e privil\u00e9gio de ter contato pr\u00f3ximo com tantos folguedos, mais conhecidos como brincadeiras, em menos de um ano permitiram identificar mais os pontos de contato do que as diferen\u00e7as entre elas.<\/p>\n<p>Essas brincadeiras funcionam como uma teia cultural descentralizada, trocando sem parar versos, peda\u00e7os de melodias, instrumentos, passos de dan\u00e7a, ousadias r\u00edtmicas, umas com as outras, inclusive com a m\u00fasica pop das gravadoras. (Um paralelo talvez interessante: fiz minha disserta\u00e7\u00e3o de mestrado a partir de trabalho de campo nos bailes do funk carioca. Quando o Rio de Janeiro come\u00e7ou a produzir sua m\u00fasica local para baile funk, tudo apenas copiava o hip hop de Miami ou Nova York. Ap\u00f3s dez anos, ritmos do candombl\u00e9 se misturam com as batidas eletr\u00f4nicas e hoje o resultado \u00e9 reconhecido \u2014 em pistas de dan\u00e7a do mundo inteiro \u2014 como algo que nasceu no Rio).<\/p>\n<p>A pol\u00edtica p\u00fablica n\u00e3o deve nunca ser intervencionista, impondo sua vis\u00e3o do que deve ser cada brincadeira. Seu objetivo, repito, precisa ser fortalecer a rede, documentar sua hist\u00f3ria, atribuir poder para a gente brincante decidir, por din\u00e2micas internas e n\u00e3o por imposi\u00e7\u00f5es de fora, qual deve ser o futuro de seu folguedo, sua celebra\u00e7\u00e3o, seu carnaval.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Minha segunda sugest\u00e3o \u00e9 colaborar com as brincadeiras para aproveitar de verdade seu potencial econ\u00f4mico, entendendo que brincar \u00e9 uma maneira s\u00e9ria de desenvolver o pa\u00eds, desenvolvimento alegre, sustent\u00e1vel (ou regenerativo \u2014 regenera\u00e7\u00e3o ritual de corpo e de alma), promotor de igualdade.<\/p>\n<p>A riqueza cultural tem efeitos transformadores e muito concretos para suas comunidades. Cada festa pode ser pensada como ativo criador de empregos, renda e crescimento local, que pode virar fatia importante do PIB. Utopia aqui: o Brasil visto como territ\u00f3rio produtor de alegria, atraindo turismo do planeta inteiro.<\/p>\n<p>\u00c9 triste perceber que ainda n\u00e3o existe calend\u00e1rio unificado das grandes festas realizadas em praticamente todos os nossos munic\u00edpios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"essas-brincadeiras-funcionam-como-uma-teia-cultural-descentralizada\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cEssas brincadeiras funcionam como uma teia cultural descentralizada.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o seria tarefa imposs\u00edvel. E certamente revelaria um Brasil festivo que muita gente aqui n\u00e3o tem consci\u00eancia de que existe nessa propor\u00e7\u00e3o exuberante. Acredito que haveria grandes festas (e pequenas festas muito \u00fanicas e vibrantes) praticamente todos os dias do ano. Com grande variedade: festas religiosas, festas de culin\u00e1ria, festas para diferentes folguedos, \u00e0s vezes acontecendo no mesmo dia, numa mesma cidade.<\/p>\n<p>Da festa do carneiro ao vinho em Peabiru (PR) \u00e0 coreografia complexa dos festejos do Boi-de-Reis potiguar, ao C\u00edrio de Nazar\u00e9 paraense. Se algu\u00e9m tiver energia suficiente, pode festejar sem parar, sem repetir nenhuma festa por anos seguidos. Como n\u00e3o perceber o potencial econ\u00f4mico de um calend\u00e1rio festivo t\u00e3o diverso, que envolve trabalho (e brincadeira, e novas ideias art\u00edsticas) de parcela mais que consider\u00e1vel de nossa popula\u00e7\u00e3o? (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10795\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-opiniao-bom-de-brincar-figura-2-300x245.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"408\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-opiniao-bom-de-brincar-figura-2-300x245.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-opiniao-bom-de-brincar-figura-2-1024x836.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-opiniao-bom-de-brincar-figura-2-768x627.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-opiniao-bom-de-brincar-figura-2-1536x1255.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-opiniao-bom-de-brincar-figura-2-15x12.jpg 15w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-opiniao-bom-de-brincar-figura-2-800x653.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-opiniao-bom-de-brincar-figura-2-1160x947.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-opiniao-bom-de-brincar-figura-2.jpg 2030w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-2-cirio-de-nazarefoto-divulgacao\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 2. C\u00edrio de Nazar\u00e9<br \/>\n<\/strong>(Foto: Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Minha terceira sugest\u00e3o \u00e9 igualmente inspirada pela minha viagem com o projeto M\u00fasica do Brasil. Muitas mestras e mestres com os quais tive contato nesse projeto j\u00e1 morreram (como Mestre Vieira, das guitarradas paraenses; Mestre Jos\u00e9 Francisco, do samba de aboio sergipano; Mestra Militana Salustiana, [que gostava de ser chamada de Maria Jos\u00e9], dos romances \u201cmedievais\u201d do Rio Grande do Norte, e tanta gente s\u00e1bia mais), levando consigo, muitas vezes, conhecimentos art\u00edsticos que n\u00e3o ficaram registrados em sua totalidade.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m morreu uma gera\u00e7\u00e3o de folcloristas que me ajudou pelo caminho e n\u00e3o deixou seguidores (at\u00e9 porque outras disciplinas, como a antropologia ou a etnomusicologia, agora estudam aquilo que antes era conhecido como folclore). Muitas dessas pessoas registraram festas populares em v\u00e1rias m\u00eddias, algumas que j\u00e1 se tornaram obsoletas. \u00c9 urgente mapear esse material e cuidar de sua preserva\u00e7\u00e3o, digitalizando e tornando tudo dispon\u00edvel para novas pesquisas, e para os pr\u00f3prios grupos de brincantes relembrarem sua hist\u00f3ria. Seria uma bela e necess\u00e1ria iniciativa para ser coordenada pelo IPHAN.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-riqueza-cultural-tem-efeitos-transformadores-e-muito-concretos-para-suas-comunidades\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA riqueza cultural tem efeitos transformadores e muito concretos para suas comunidades.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse acervo pode ser complementado com registros feitos por grupos e coletivos musicais, como o paulista A Barca e o paranaense Mundar\u00e9u, que viajaram pelo Brasil coletando informa\u00e7\u00f5es festivas que j\u00e1 foram incorporadas em seus importantes trabalhos. Muitos dos discos e document\u00e1rios audiovisuais assim produzidos tamb\u00e9m mostram a quebra de fronteiras entre a tradi\u00e7\u00e3o e a vanguarda, como comprovam os cantos de Ju\u00e7ara Mar\u00e7al e Sandra Ximenes, formadas tamb\u00e9m n&#8217;A Barca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">***<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Poderia, por horas e horas, continuar fazendo outras sugest\u00f5es na mesma linha. Mas quero ficar apenas com essas tr\u00eas, que considero mais urgentes e complexas, trabalho para muitos anos a seguir, conectando passado, presente e futuro, preserva\u00e7\u00e3o e inova\u00e7\u00e3o, divers\u00e3o e atividade econ\u00f4mica, que n\u00e3o podem ser deixadas de lado em qualquer vis\u00e3o de Brasil soberano e alegre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-festival-de-parintins-foto-gabriel-retondano-secretaria-de-administracao-e-gestao-do-amazonas-sead-reproducao\"><strong>Capa. Festival de Parintins.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Gabriel Retondano\/Secretaria de Administra\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o do Amazonas \u2013 SEAD. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Para os bois Garantido e Caprichoso, de Parintins (AM), os QGs s\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":384,"featured_media":10794,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10792"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/384"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10792"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10792\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10912,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10792\/revisions\/10912"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10794"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10792"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10792"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10792"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}