{"id":10834,"date":"2026-09-23T07:30:32","date_gmt":"2026-09-23T07:30:32","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10834"},"modified":"2026-09-15T12:24:17","modified_gmt":"2026-09-15T12:24:17","slug":"engenharia-para-transformar-cidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10834","title":{"rendered":"Engenharia para transformar cidades"},"content":{"rendered":"<p>Durante d\u00e9cadas, as cidades brasileiras foram planejadas quase sempre por homens e para uma sociedade que reservava \u00e0s mulheres um papel predominantemente dom\u00e9stico. Foi nesse cen\u00e1rio que Carmen Velasco Portinho escolheu a engenharia \u2014 e, a partir dela, ajudou a transformar a maneira de pensar a cidade, a moradia e o papel das mulheres na sociedade. Engenheira civil, urbanista, educadora e feminista, Carmen Portinho esteve \u00e0 frente de projetos que aproximaram habita\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os p\u00fablicos e qualidade de vida, ao mesmo tempo em que enfrentava o preconceito de uma profiss\u00e3o ainda praticamente fechada \u00e0s mulheres.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"uma-pioneira-entre-engenheiros\">Uma pioneira entre engenheiros<\/h4>\n<p>Nascida em Corumb\u00e1, em Mato Grosso do Sul, em 26 de janeiro de 1903, Carmen mudou-se ainda crian\u00e7a com a fam\u00edlia para o Rio de Janeiro, ent\u00e3o capital federal. Em 1920, ingressou na Escola Polit\u00e9cnica da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e concluiu o curso de Engenharia Civil em 1925. Foi a terceira mulher a se formar em engenharia no pa\u00eds e a \u00fanica mulher de sua turma. A escolha pela profiss\u00e3o tinha tamb\u00e9m uma dimens\u00e3o pr\u00e1tica: como filha mais velha entre nove irm\u00e3os, buscava independ\u00eancia financeira.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10836\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CB-Carmem-Portinho-fig1-300x216.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CB-Carmem-Portinho-fig1-300x216.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CB-Carmem-Portinho-fig1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CB-Carmem-Portinho-fig1.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-1-carmen-portinho-foto-acervo-do-npd-fau-ufrj-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 1. Carmen Portinho.<\/strong> (Foto: Acervo do NPD\/ FAU\/UFRJ. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sua trajet\u00f3ria profissional come\u00e7ou em 1926, quando foi nomeada engenheira-auxiliar pelo prefeito do Distrito Federal, Alaor Prata, e passou a integrar o quadro de engenheiros da Diretoria de Obras e Via\u00e7\u00e3o da Prefeitura da Capital Federal. A entrada no servi\u00e7o p\u00fablico, por\u00e9m, n\u00e3o significou o fim dos obst\u00e1culos. Pelo contr\u00e1rio: Carmen Portinho precisaria demonstrar repetidamente que uma mulher era capaz de exercer uma profiss\u00e3o considerada masculina. Uma de suas primeiras tarefas foi vistoriar um para-raios instalado no alto do antigo edif\u00edcio da prefeitura. Para chegar ao local, precisaria subir ao telhado \u2014 justamente o tipo de desafio que seu superior imaginava que ela n\u00e3o conseguiria enfrentar. A engenheira, entretanto, tinha treinamento em alpinismo e j\u00e1 havia escalado os morros do Rio.<\/p>\n<p>O epis\u00f3dio revela uma caracter\u00edstica que acompanharia toda sua carreira: a capacidade de transformar desafios em oportunidades para afirmar sua compet\u00eancia. Quando percebeu que poderia ser preterida em uma promo\u00e7\u00e3o por n\u00e3o possuir os contatos pol\u00edticos conhecidos como \u201cpistol\u00e3o\u201d, decidiu procurar diretamente o presidente Washington Luiz durante uma de suas audi\u00eancias p\u00fablicas. Explicou sua situa\u00e7\u00e3o e pediu que seu trabalho fosse considerado. O presidente determinou que o caso fosse encaminhado, e Carmen Portinho acabou promovida a engenheira de segunda classe. O epis\u00f3dio tamb\u00e9m mostra que sua luta pela autonomia n\u00e3o acontecia apenas no campo profissional.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"engenharia-e-emancipacao-feminina\">Engenharia e emancipa\u00e7\u00e3o feminina<\/h4>\n<p>Antes mesmo de se consolidar como engenheira, Carmen Portinho j\u00e1 participava ativamente do movimento feminista. Ao lado de Bertha Lutz e outras pioneiras, defendeu o direito das mulheres ao voto, a educa\u00e7\u00e3o feminina e a valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho das mulheres fora do ambiente dom\u00e9stico. Em 1922, participou da funda\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Federa%C3%A7%C3%A3o_Brasileira_pelo_Progresso_Feminino\">Federa\u00e7\u00e3o Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF)<\/a><\/strong>.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-moradia-deveria-estar-articulada-aos-servicos-necessarios-a-vida-cotidiana-e-ser-tratada-como-uma-responsabilidade-do-poder-publico\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA moradia deveria estar articulada aos servi\u00e7os necess\u00e1rios \u00e0 vida cotidiana e ser tratada como uma responsabilidade do poder p\u00fablico.\u201d <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e profissional se entrela\u00e7ava de maneira incomum para a \u00e9poca. Em 1929, ela participou da funda\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/rieb\/a\/B6sFmZb8FPDXxRjhpKgRwTb\/?lang=pt\">Uni\u00e3o Universit\u00e1ria Feminina<\/a> (UFF)<\/strong><\/span> e, em 1937, da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.instagram.com\/abea_nacional\/\">Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenheiras e Arquitetas (ABEA)<\/a><\/strong><\/span>. Em 1931, ao lado de Bertha Lutz, participou do II Congresso Internacional Feminista e ajudou a elaborar um documento encaminhado ao governo de Get\u00falio Vargas reivindicando direitos para as mulheres. A mobiliza\u00e7\u00e3o contribuiu para o processo que culminaria, em 1932, na institui\u00e7\u00e3o do voto feminino no Brasil, posteriormente ratificado pela Constitui\u00e7\u00e3o de 1934.<\/p>\n<p>Enquanto ampliava os espa\u00e7os para as mulheres, Carmen Portinho tamb\u00e9m avan\u00e7ava em sua forma\u00e7\u00e3o e carreira. Fez o primeiro curso de urbanismo do pa\u00eds e, posteriormente, recebeu uma bolsa do Conselho Brit\u00e2nico para estudar experi\u00eancias de reconstru\u00e7\u00e3o e remodela\u00e7\u00e3o de cidades inglesas atingidas pela Segunda Guerra Mundial. A viagem permitiu que acompanhasse de perto os problemas provocados pela falta de moradia e as estrat\u00e9gias desenvolvidas para enfrent\u00e1-los. De volta ao Brasil, levou essa experi\u00eancia para uma quest\u00e3o que tamb\u00e9m se tornava urgente no Rio de Janeiro: a necessidade de oferecer moradia adequada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de baixa renda.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"habitacao-como-politica-publica\">Habita\u00e7\u00e3o como pol\u00edtica p\u00fablica<\/h4>\n<p>Carmen prop\u00f4s ao prefeito do Rio de Janeiro a cria\u00e7\u00e3o de um Departamento de Habita\u00e7\u00e3o Popular. A proposta foi aceita, e ela assumiu a dire\u00e7\u00e3o do novo \u00f3rg\u00e3o. A iniciativa ajudou a introduzir no Brasil uma concep\u00e7\u00e3o de habita\u00e7\u00e3o que ia al\u00e9m da simples constru\u00e7\u00e3o de casas: a moradia deveria estar articulada aos servi\u00e7os necess\u00e1rios \u00e0 vida cotidiana e ser tratada como uma responsabilidade do poder p\u00fablico. Foi nesse contexto que surgiu o projeto do Conjunto Residencial do Pedregulho, em S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o, concebido arquitetonicamente por Affonso Eduardo Reidy, seu companheiro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10835\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CB-Carmem-Portinho-fig2-300x213.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"354\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CB-Carmem-Portinho-fig2-300x213.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CB-Carmem-Portinho-fig2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CB-Carmem-Portinho-fig2.jpg 529w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-2-conjunto-residencial-pedregulho-fonte-acervo-do-npd-fau-ufrj-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 2. Conjunto Residencial Pedregulho<\/strong> (Fonte: Acervo do NPD\/ FAU\/UFRJ. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Pedregulho tornou-se uma das experi\u00eancias mais importantes da arquitetura e do urbanismo modernos no Brasil. O conjunto buscava oferecer moradia aos trabalhadores, mas tamb\u00e9m incorporar equipamentos e servi\u00e7os capazes de melhorar a vida dos moradores. O projeto inclu\u00eda escola, \u00e1reas esportivas, espa\u00e7os de conviv\u00eancia e servi\u00e7os coletivos. Entre eles estava uma lavanderia comunit\u00e1ria equipada com m\u00e1quinas industriais, uma solu\u00e7\u00e3o que revela como Carmen Portinho associava planejamento urbano e emancipa\u00e7\u00e3o feminina. Ao reduzir o tempo dedicado \u00e0s tarefas dom\u00e9sticas, a estrutura poderia liberar as mulheres para outras atividades, inclusive o trabalho remunerado.<\/p>\n<p>A experi\u00eancia n\u00e3o ficou restrita ao Pedregulho. Carmen esteve relacionada \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de outros conjuntos habitacionais, como os da G\u00e1vea, Vila Isabel e Paquet\u00e1. Seu trabalho ajudou a consolidar uma vis\u00e3o segundo a qual habita\u00e7\u00e3o popular n\u00e3o deveria ser entendida apenas como constru\u00e7\u00e3o de unidades residenciais, mas como parte de uma pol\u00edtica urbana mais ampla.<\/p>\n<p>Carmen Portinho defendia a habita\u00e7\u00e3o popular como servi\u00e7o p\u00fablico e teve papel pioneiro na introdu\u00e7\u00e3o dos ideais modernos no planejamento urbano do Rio. Sua atua\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m n\u00e3o se limitava \u00e0 influ\u00eancia de Le Corbusier: ela acompanhava publica\u00e7\u00f5es especializadas e estudava planos urban\u00edsticos e textos te\u00f3ricos de diferentes autores.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"do-pedregulho-ao-mam\">Do Pedregulho ao MAM<\/h4>\n<p>A parceria profissional entre Carmen Portinho e Eduardo Reidy produziu outras obras marcantes. Entre elas est\u00e1 o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), cuja constru\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em 1954. Depois que Reidy deixou a obra inacabada, Carmen assumiu a responsabilidade pela constru\u00e7\u00e3o e comandou as decis\u00f5es relacionadas ao empreendimento. Em um ambiente com mais de 450 trabalhadores, ela era a \u00fanica mulher.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ao-defender-que-a-moradia-deveria-oferecer-mais-do-que-paredes-e-teto-ela-aproximou-engenharia-urbanismo-e-politicas-sociais\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cAo defender que a moradia deveria oferecer mais do que paredes e teto, ela aproximou engenharia, urbanismo e pol\u00edticas sociais.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A engenheira tamb\u00e9m teve participa\u00e7\u00e3o decisiva na cria\u00e7\u00e3o da Escola Superior de Desenho Industrial, fundada em meados da d\u00e9cada de 1960. A institui\u00e7\u00e3o representava uma experi\u00eancia pioneira em um per\u00edodo em que ainda eram poucas as escolas de desenho industrial existentes no mundo. Carmen Portinho dirigiu a escola por mais de duas d\u00e9cadas, de 1967 a 1988, antes de sua incorpora\u00e7\u00e3o \u00e0 <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.uerj.br\/\">Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)<\/a><\/strong><\/span>. Sua atua\u00e7\u00e3o ampliava, assim, um percurso que come\u00e7ara na engenharia civil e passara pelo urbanismo, pela habita\u00e7\u00e3o, pela arquitetura e pelo ensino.<\/p>\n<p>A carreira de Carmen Portinho atravessou praticamente todo o s\u00e9culo XX, sempre marcada pela combina\u00e7\u00e3o entre conhecimento t\u00e9cnico e compromisso social. Ela enfrentou resist\u00eancias por ser mulher na universidade, na administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e nos canteiros de obras, mas tamb\u00e9m ocupou espa\u00e7os de lideran\u00e7a em institui\u00e7\u00f5es profissionais. Foi a primeira presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Engenheiras e Arquitetas (ABEA) e participou da funda\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/seaerj.org.br\/\">Sociedade dos Engenheiros e Arquitetos do Rio de Janeiro (SEAERJ)<\/a><\/strong>,<\/span> da qual foi a primeira mulher a presidir, entre 1947 e 1949.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"um-legado-que-permanece\">Um legado que permanece<\/h4>\n<p>A defesa dos direitos das mulheres acompanhou Carmen Portinho at\u00e9 a velhice. Em 1987, aos 84 anos, participou da mobiliza\u00e7\u00e3o que levou ao Congresso Nacional a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www2.camara.leg.br\/atividade-legislativa\/legislacao\/Constituicoes_Brasileiras\/constituicao-cidada\/a-constituinte-e-as-mulheres\/Constituinte%201987-1988-Carta%20das%20Mulheres%20aos%20Constituintes.pdf\">Carta das Mulheres aos Constituintes<\/a><\/strong><\/span>, documento com reivindica\u00e7\u00f5es femininas para a nova Constitui\u00e7\u00e3o. A participa\u00e7\u00e3o mostrava que, d\u00e9cadas depois da conquista do voto, a pesquisadora ainda considerava necess\u00e1rio lutar pela igualdade. Sua trajet\u00f3ria revela, portanto, uma ideia particularmente moderna: transformar a sociedade exige n\u00e3o apenas criar novas leis, mas tamb\u00e9m modificar os espa\u00e7os onde as pessoas vivem, trabalham e constroem suas vidas.<\/p>\n<p>Em 2022, o Senado aprovou projeto que propunha reconhecer Carmen Velasco Portinho como patrona do urbanismo no Brasil. Na justificativa, o projeto destacou sua atua\u00e7\u00e3o na engenharia, no urbanismo e na defesa dos direitos das mulheres, al\u00e9m de seu trabalho pela habita\u00e7\u00e3o popular articulada aos servi\u00e7os sociais.<\/p>\n<p>A pr\u00f3pria trajet\u00f3ria de Carmen Portinho ajuda a compreender por que sua contribui\u00e7\u00e3o ultrapassa a dimens\u00e3o de suas obras. Ao defender que a moradia deveria oferecer mais do que paredes e teto, ela aproximou engenharia, urbanismo e pol\u00edticas sociais. Ao criar equipamentos que diminu\u00edam o peso do trabalho dom\u00e9stico, incorporou a perspectiva de g\u00eanero ao planejamento urbano. E, ao ocupar espa\u00e7os profissionais antes reservados aos homens, transformou sua pr\u00f3pria presen\u00e7a em uma forma de abrir caminho para outras mulheres.<\/p>\n<p>Carmen morreu no Rio de Janeiro em 25 de junho de 2001, aos 98 anos, depois de atravessar quase todo o s\u00e9culo XX. Seu legado permanece em obras, institui\u00e7\u00f5es e ideias que ajudaram a redefinir o papel da engenharia na sociedade brasileira. Mais do que construir edif\u00edcios, Carmen Portinho ajudou a construir uma concep\u00e7\u00e3o de cidade na qual moradia, servi\u00e7os p\u00fablicos, autonomia e qualidade de vida deveriam fazer parte de um mesmo projeto. Sua hist\u00f3ria mostra que a engenharia tamb\u00e9m pode ser uma ferramenta de transforma\u00e7\u00e3o social \u2014 e que, muitas vezes, mudar uma cidade come\u00e7a por reconhecer quem tem o direito de habit\u00e1-la com dignidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-arquivo-nacional-reproducao\">Capa. Arquivo Nacional. Reprodu\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante d\u00e9cadas, as cidades brasileiras foram planejadas quase sempre por homens e&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":10837,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10834"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10834"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10834\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10848,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10834\/revisions\/10848"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10837"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10834"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10834"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10834"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}