{"id":10841,"date":"2026-09-24T07:30:01","date_gmt":"2026-09-24T07:30:01","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10841"},"modified":"2026-09-15T12:24:33","modified_gmt":"2026-09-15T12:24:33","slug":"quando-a-tecnologia-salva-a-memoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10841","title":{"rendered":"Quando a tecnologia salva a mem\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p>Quando um edif\u00edcio hist\u00f3rico desaparece, uma pintura se deteriora ou documentos s\u00e3o destru\u00eddos por um inc\u00eandio, n\u00e3o se perde apenas um objeto: desaparecem tamb\u00e9m informa\u00e7\u00f5es sobre uma \u00e9poca, uma sociedade e suas formas de criar e viver. \u00c9 nesse ponto que tecnologias como intelig\u00eancia artificial (IA), escaneamento tridimensional, fotogrametria, LiDAR e an\u00e1lise de grandes volumes de dados come\u00e7am a assumir um papel estrat\u00e9gico. Ao transformar partes do patrim\u00f4nio em informa\u00e7\u00e3o digital, essas ferramentas ajudam a construir uma esp\u00e9cie de mem\u00f3ria que pode ser consultada, analisada e compartilhada mesmo quando o original j\u00e1 n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>Toda cidade carrega em si uma hist\u00f3ria. Monumentos, edif\u00edcios, objetos, documentos, rituais, festas e saberes formam uma heran\u00e7a coletiva que contribui para a identidade de seus habitantes. O patrim\u00f4nio pode ser material, como constru\u00e7\u00f5es, obras de arte e objetos, ou imaterial e simb\u00f3lico, como pr\u00e1ticas culturais, mitos e conhecimentos transmitidos entre gera\u00e7\u00f5es. Preserv\u00e1-lo, portanto, significa tamb\u00e9m registrar e transmitir conhecimentos que ajudam a explicar quem somos e de onde viemos.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia dessa preserva\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m da mem\u00f3ria. O patrim\u00f4nio cultural tamb\u00e9m pode contribuir para a educa\u00e7\u00e3o, a pesquisa, o turismo e o desenvolvimento econ\u00f4mico das cidades. A conserva\u00e7\u00e3o de edif\u00edcios e acervos hist\u00f3ricos pode atrair visitantes, estimular atividades culturais e criar oportunidades de trabalho. Mas essa heran\u00e7a est\u00e1 permanentemente sujeita a amea\u00e7as: inc\u00eandios, enchentes, deslizamentos, vandalismo, falta de manuten\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00f5es que descaracterizam constru\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>No Brasil, alguns epis\u00f3dios recentes evidenciam a dimens\u00e3o dessas perdas. O inc\u00eandio ocorrido na Cinemateca Brasileira, em S\u00e3o Paulo, destruiu parte de um acervo relacionado \u00e0 hist\u00f3ria do cinema brasileiro. Em 2018, o inc\u00eandio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, provocou uma das maiores perdas da hist\u00f3ria recente da ci\u00eancia e da cultura brasileira. J\u00e1 em 2024, as fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul afetaram acervos de pelo menos 50 museus. Em situa\u00e7\u00f5es como essas, a exist\u00eancia de registros digitais anteriores pode fazer uma diferen\u00e7a decisiva.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10845\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-quando-a-tecnologia-salva-a-memoria-fig1-300x158.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"263\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-quando-a-tecnologia-salva-a-memoria-fig1-300x158.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-quando-a-tecnologia-salva-a-memoria-fig1-768x403.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-quando-a-tecnologia-salva-a-memoria-fig1-18x9.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-quando-a-tecnologia-salva-a-memoria-fig1-380x200.jpg 380w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-quando-a-tecnologia-salva-a-memoria-fig1.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-1-incendio-no-museu-nacional-no-rio-de-janeiro-em-2018-foto-marcelo-sayao-agencia-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 1. Inc\u00eandio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018 <\/strong>(Foto: Marcelo Say\u00e3o\/ Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<h4 id=\"\"><\/h4>\n<h4 id=\"do-patrimonio-fisico-ao-patrimonio-digital\">Do patrim\u00f4nio f\u00edsico ao patrim\u00f4nio digital<\/h4>\n<p>Uma das tecnologias mais promissoras \u00e9 a digitaliza\u00e7\u00e3o tridimensional. Por meio de equipamentos como o Laser Scanner Terrestre (TLS), \u00e9 poss\u00edvel realizar uma varredura detalhada de uma constru\u00e7\u00e3o ou objeto e obter milh\u00f5es de pontos que representam sua geometria. O resultado \u00e9 chamado de nuvem de pontos: uma representa\u00e7\u00e3o digital capaz de registrar dimens\u00f5es, formas, superf\u00edcies e detalhes construtivos com elevada precis\u00e3o.<\/p>\n<p>A fotogrametria amplia essas possibilidades ao utilizar imagens para produzir modelos tridimensionais e produtos cartogr\u00e1ficos. Em \u00e1reas extensas ou de dif\u00edcil acesso, drones equipados com sensores podem realizar levantamentos a\u00e9reos, enquanto tecnologias como o LiDAR permitem mapear superf\u00edcies e estruturas com grande quantidade de informa\u00e7\u00f5es espaciais. A combina\u00e7\u00e3o dessas t\u00e9cnicas possibilita documentar monumentos, s\u00edtios arqueol\u00f3gicos e constru\u00e7\u00f5es sem a necessidade de procedimentos invasivos.<\/p>\n<p>O grande diferencial \u00e9 que esse modelo digital n\u00e3o precisa ser apenas uma imagem tridimensional. Uma nuvem de pontos pode funcionar como uma verdadeira base de dados espacial do patrim\u00f4nio. A partir dela, profissionais podem realizar medi\u00e7\u00f5es, comparar diferentes per\u00edodos, identificar altera\u00e7\u00f5es geom\u00e9tricas, acompanhar processos de deteriora\u00e7\u00e3o e produzir diagn\u00f3sticos que orientem interven\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa documenta\u00e7\u00e3o ganha ainda mais import\u00e2ncia diante de situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia. Se uma edifica\u00e7\u00e3o for parcialmente destru\u00edda por um inc\u00eandio, enchente ou deslizamento, por exemplo, um levantamento tridimensional realizado anteriormente permite comparar o estado original com a situa\u00e7\u00e3o posterior. O registro n\u00e3o recupera aquilo que foi perdido, mas pode preservar informa\u00e7\u00f5es fundamentais para avaliar os danos e orientar projetos de recupera\u00e7\u00e3o ou reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o existe uma \u00fanica tecnologia capaz de atender a todos os projetos de preserva\u00e7\u00e3o. Um monumento pode exigir um levantamento terrestre extremamente detalhado, enquanto um s\u00edtio arqueol\u00f3gico de grandes dimens\u00f5es pode se beneficiar da combina\u00e7\u00e3o entre LiDAR e fotogrametria a\u00e9rea. Estruturas que possuem ambientes internos e externos tamb\u00e9m podem exigir diferentes equipamentos e m\u00e9todos de captura. Antes de qualquer levantamento, \u00e9 necess\u00e1rio considerar as caracter\u00edsticas do patrim\u00f4nio, as condi\u00e7\u00f5es de acesso, o grau de precis\u00e3o desejado e a finalidade dos dados.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"inteligencia-artificial-para-organizar-o-passado\">Intelig\u00eancia artificial para organizar o passado<\/h4>\n<p>Se o escaneamento 3D ajuda a preservar a dimens\u00e3o f\u00edsica dos objetos, a intelig\u00eancia artificial pode contribuir para organizar e interpretar grandes volumes de informa\u00e7\u00f5es. Uma pesquisa conduzida junto \u00e0 <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.fee.unicamp.br\/\">Faculdade de Engenharia El\u00e9trica e de Computa\u00e7\u00e3o (Feec) da Unicamp<\/a><\/strong> <\/span>desenvolveu um m\u00e9todo para catalogar digitalmente, de maneira automatizada e precisa, objetos presentes em museus brasileiros. O trabalho utilizou algoritmos de IA para extrair informa\u00e7\u00f5es de imagens e descrever caracter\u00edsticas dos itens. A metodologia pode melhorar a cataloga\u00e7\u00e3o digital e contribuir tanto para a preserva\u00e7\u00e3o quanto para a acessibilidade do patrim\u00f4nio cultural. A pesquisa tamb\u00e9m resultou em uma base de dados com imagens de pe\u00e7as do patrim\u00f4nio cultural brasileiro, destinada ao treinamento de modelos de vis\u00e3o computacional baseados em t\u00e9cnicas de <em>Deep Learning<\/em>.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10844\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-quando-a-tecnologia-salva-a-memoria-fig2-300x274.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"457\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-quando-a-tecnologia-salva-a-memoria-fig2-300x274.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-quando-a-tecnologia-salva-a-memoria-fig2-13x12.jpg 13w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-quando-a-tecnologia-salva-a-memoria-fig2.jpg 438w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-2-escaneamento-e-modelagem-do-museu-imperial-de-petropolis-fotos-autodesk-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 2. Escaneamento e modelagem do Museu Imperial de Petr\u00f3polis<\/strong> ( Fotos: Autodesk. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A intelig\u00eancia artificial, nesse contexto, n\u00e3o substitui o trabalho de historiadores, muse\u00f3logos, arquivistas, restauradores ou outros especialistas. Seu potencial est\u00e1 em auxiliar tarefas repetitivas e lidar com grandes quantidades de dados, permitindo que os profissionais tenham ferramentas para localizar, classificar e relacionar informa\u00e7\u00f5es com maior rapidez. Textos antigos, imagens, documentos digitalizados e cat\u00e1logos podem, por exemplo, ser analisados por sistemas computacionais em busca de padr\u00f5es que seriam dif\u00edceis de identificar manualmente.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"dados-que-ajudam-a-conservar\">Dados que ajudam a conservar<\/h4>\n<p>Outra frente tecnol\u00f3gica est\u00e1 relacionada ao monitoramento cont\u00ednuo das condi\u00e7\u00f5es dos acervos. Sensores podem acompanhar temperatura, luminosidade, radia\u00e7\u00e3o ultravioleta, condensa\u00e7\u00e3o, qualidade do ar e riscos de inc\u00eandio em museus e edif\u00edcios hist\u00f3ricos. Conectados em rede, esses dispositivos podem gerar dados continuamente e utilizar recursos da Internet das Coisas para armazenamento e an\u00e1lise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"essa-documentacao-ganha-ainda-mais-importancia-diante-de-situacoes-de-emergencia\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">&#8220;Essa documenta\u00e7\u00e3o ganha ainda mais import\u00e2ncia diante de situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia.&#8221;<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa abordagem muda a l\u00f3gica da conserva\u00e7\u00e3o: em vez de agir somente depois que um problema aparece, institui\u00e7\u00f5es podem monitorar as condi\u00e7\u00f5es do patrim\u00f4nio e identificar sinais de risco antecipadamente. Sistemas de informa\u00e7\u00e3o e modelos como o <em>Building Information Modeling<\/em> (BIM) tamb\u00e9m podem reunir dados sobre uma edifica\u00e7\u00e3o desde seu planejamento at\u00e9 sua manuten\u00e7\u00e3o e restaura\u00e7\u00e3o, auxiliando na elabora\u00e7\u00e3o de mapas de danos e diagn\u00f3sticos do estado de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"tecnologia-tambem-e-acesso\">Tecnologia tamb\u00e9m \u00e9 acesso<\/h4>\n<p>A digitaliza\u00e7\u00e3o pode ainda transformar a rela\u00e7\u00e3o entre patrim\u00f4nio e sociedade. Cole\u00e7\u00f5es virtuais, museus digitais, aplicativos, QR Codes e experi\u00eancias de realidade aumentada ou virtual permitem que pessoas conhe\u00e7am obras e lugares mesmo quando o acesso f\u00edsico \u00e9 limitado. Aplicativos baseados em <em>crowdsourcing<\/em> podem, por sua vez, estimular a participa\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios cidad\u00e3os, que passam a contribuir com informa\u00e7\u00f5es e alertas sobre as condi\u00e7\u00f5es de monumentos e espa\u00e7os culturais.<\/p>\n<p>Essa dimens\u00e3o participativa \u00e9 especialmente importante porque preservar n\u00e3o significa apenas armazenar arquivos digitais. O objetivo final \u00e9 manter vivos os significados associados ao patrim\u00f4nio e permitir que novas gera\u00e7\u00f5es tenham acesso a eles. Tecnologias digitais podem aproximar pesquisadores, institui\u00e7\u00f5es, estudantes, comunidades e visitantes, transformando bases de dados e modelos tridimensionais em ferramentas de educa\u00e7\u00e3o patrimonial e produ\u00e7\u00e3o de conhecimento.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"uma-memoria-para-o-futuro\">Uma mem\u00f3ria para o futuro<\/h4>\n<p>Preservar digitalmente n\u00e3o significa congelar o patrim\u00f4nio nem substituir o objeto f\u00edsico por uma c\u00f3pia virtual. Um modelo tridimensional n\u00e3o possui a mesma materialidade, hist\u00f3ria ou experi\u00eancia sensorial de uma constru\u00e7\u00e3o, uma escultura ou um documento original. Seu valor est\u00e1 em outro lugar: registrar informa\u00e7\u00f5es que poderiam desaparecer e criar novas possibilidades para pesquisa, conserva\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e acesso p\u00fablico. Nesse sentido, a tecnologia funciona como uma aliada da preserva\u00e7\u00e3o \u2014 uma ferramenta para garantir que, mesmo diante das transforma\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis do tempo, parte da mem\u00f3ria possa continuar sendo consultada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-grande-diferencial-esta-justamente-na-possibilidade-de-combinar-diferentes-tecnologias-de-acordo-com-as-caracteristicas-de-cada-projeto\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO grande diferencial est\u00e1 justamente na possibilidade de combinar diferentes tecnologias de acordo com as caracter\u00edsticas de cada projeto.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O desafio, agora, \u00e9 transformar esses recursos tecnol\u00f3gicos em pol\u00edticas permanentes de preserva\u00e7\u00e3o. Digitalizar acervos, produzir modelos tridimensionais, criar bancos de dados e aplicar intelig\u00eancia artificial exige equipamentos, profissionais capacitados, infraestrutura, protocolos de seguran\u00e7a e investimentos de longo prazo. Tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio garantir que os arquivos continuem acess\u00edveis e leg\u00edveis no futuro, evitando que a chamada mem\u00f3ria digital se torne v\u00edtima da obsolesc\u00eancia tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>No fim, talvez a maior contribui\u00e7\u00e3o da tecnologia para o patrim\u00f4nio seja justamente tornar vis\u00edvel aquilo que poderia ser esquecido. Cada nuvem de pontos, imagem catalogada, documento digitalizado ou conjunto de dados representa uma tentativa de registrar o presente para que ele possa ser compreendido no futuro. Quando ci\u00eancia, engenharia, computa\u00e7\u00e3o, museologia, hist\u00f3ria e participa\u00e7\u00e3o social trabalham juntas, preservar a mem\u00f3ria deixa de significar apenas proteger coisas antigas: passa a ser tamb\u00e9m construir conhecimento para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h6 id=\"capa-foto-de-ste-deb-na-unsplash\">Capa: Foto de <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/pt-br\/@stedeb?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">ste deb<\/a> na <a href=\"https:\/\/unsplash.com\/pt-br\/fotografias\/uma-mulher-sentada-em-uma-mesa-trabalhando-em-uma-obra-de-arte-ZiKhLS1Y7d4?utm_source=unsplash&amp;utm_medium=referral&amp;utm_content=creditCopyText\">Unsplash<\/a><\/h6>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando um edif\u00edcio hist\u00f3rico desaparece, uma pintura se deteriora ou documentos s\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":10843,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10841"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10841"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10841\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10849,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10841\/revisions\/10849"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10843"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10841"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10841"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10841"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}