{"id":10892,"date":"2026-09-21T08:00:17","date_gmt":"2026-09-21T08:00:17","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10892"},"modified":"2026-09-16T12:08:52","modified_gmt":"2026-09-16T12:08:52","slug":"alem-da-comunicacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10892","title":{"rendered":"Al\u00e9m da comunica\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Seres interplanet\u00e1rios chegam \u00e0 Terra e apresentam \u00e0 humanidade uma linguagem desconhecida. Com esse novo sistema de comunica\u00e7\u00e3o, revelam uma forma diferente de perceber o mundo, mostrando que cada idioma pode refletir uma maneira particular de organizar a realidade. Embora a premissa do filme \u201cA Chegada\u201d, lan\u00e7ado em 2016 e dirigido por Denis Villeneuve, traga uma atmosfera de mist\u00e9rio e fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio deixar os limites do nosso planeta para perceber um cen\u00e1rio semelhante. Entre as mais de 6 mil l\u00ednguas faladas por mais de 8 bilh\u00f5es de pessoas ao redor do globo, passado, presente e futuro convivem de formas diversas e mostram que a rela\u00e7\u00e3o entre comunica\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o de mundo \u00e9 muito mais \u00edntima do que os dicion\u00e1rios podem registrar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-que-cabe-em-uma-lingua\">O que cabe em uma l\u00edngua?<\/h4>\n<p>Diferentes sociedades desenvolveram sistemas pr\u00f3prios para interpretar e transmitir informa\u00e7\u00f5es sobre o cotidiano. Nesse processo, os valores, conhecimentos e vis\u00f5es de cada povo influenciaram a escolha dos sons e s\u00edmbolos usados para representar ideias. \u201cUma l\u00edngua \u00e9 um conjunto de palavras e regras que, quando observadas com mais aten\u00e7\u00e3o, revelam quem s\u00e3o as pessoas que fazem ou fizeram parte da sua constitui\u00e7\u00e3o\u201d, explica Raquel Freitag, linguista e professora da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufs.br\/\"><strong>Universidade Federal de Sergipe (UFS)<\/strong><\/a><\/span>. Ela diz que os grupos imprimem seu modo de vida no idioma que utilizam: \u201cdeixam marcas de como pensam, vivem, do que t\u00eam medo e o que valorizam\u201d, esclarece.<\/p>\n<p>Eduardo Navarro, fil\u00f3logo, lexic\u00f3grafo e professor da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.fflch.usp.br\/\"><strong>Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/strong><\/a><\/span>, defende que a l\u00edngua \u00e9 a mais alta express\u00e3o de uma cultura. \u201cAtravessando os s\u00e9culos, uma l\u00edngua revela o passado de uma sociedade, as influ\u00eancias externas que esta recebeu, as formas de relacionamento dela com a natureza e dos seus componentes entre si\u201d, diz. Nesse contexto, ele destaca que a diversidade de idiomas est\u00e1 diretamente relacionada com a identidade dos povos e \u00e0 diversidade cultural. \u201cCada l\u00edngua manifesta uma vis\u00e3o de mundo que somente se expressa nela\u201d, aponta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"uma-lingua-revela-o-passado-de-uma-sociedade-as-influencias-externas-que-esta-recebeu-as-formas-de-relacionamento-dela-com-a-natureza-e-dos-seus-componentes-entre-si\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cUma l\u00edngua revela o passado de uma sociedade, as influ\u00eancias externas que esta recebeu, as formas de relacionamento dela com a natureza e dos seus componentes entre si.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando um grupo de pessoas se apropria de um idioma e o incorpora como parte de sua cultura, cria uma rela\u00e7\u00e3o de evolu\u00e7\u00e3o m\u00fatua, em que transforma\u00e7\u00f5es na pr\u00f3pria sociedade podem ser refletidas na forma de se comunicar. \u201cSe as pessoas mudam, a l\u00edngua muda; se a sociedade muda, a l\u00edngua muda\u201d, diz Raquel Freitag. Ela acrescenta que isso pode sofrer efeitos, inclusive, de eventos cr\u00edticos pontuais. \u201cPor exemplo, a pandemia deixou marcas na nossa l\u00edngua: palavras novas, como Covid e covid\u00e1rio, estruturas sint\u00e1ticas, como \u2018testar positivo\u2019&#8230; Tudo isso faz parte da mem\u00f3ria hist\u00f3rica da l\u00edngua\u201d, destaca.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-que-se-perde-quando-uma-lingua-desaparece\">O que se perde quando uma l\u00edngua desaparece?<\/h4>\n<p>Embora mudan\u00e7as fa\u00e7am parte da hist\u00f3ria natural das l\u00ednguas e das sociedades, nem todas acontecem de forma espont\u00e2nea. Fatores hist\u00f3ricos, pol\u00edticos e sociais podem causar altera\u00e7\u00f5es profundas ou mesmo interromper a transmiss\u00e3o de um idioma entre gera\u00e7\u00f5es, levando ao seu desaparecimento. \u201cUm exemplo \u00e9 o glotoc\u00eddio no Brasil, em que o portugu\u00eas substituiu as l\u00ednguas dos povos origin\u00e1rios\u201d, lembra Raquel Freitag.<\/p>\n<p>Eduardo Navarro explica que esse processo costuma acontecer em etapas. \u201cSabemos que uma l\u00edngua est\u00e1 desaparecendo quando os mais jovens somente a compreendem, mas n\u00e3o a falam mais\u201d, diz. \u201cSegue-se a isso que tal l\u00edngua sequer ser\u00e1 compreendida pela gera\u00e7\u00e3o posterior\u201d, complementa.<\/p>\n<p>De acordo com <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/brasil.un.org\/pt-br\/61939-metade-das-l%C3%ADnguas-faladas-hoje-corre-risco-de-desparecer-neste-s%C3%A9culo-diz-especialista-da\"><strong>estimativas da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (UNESCO)<\/strong><\/a><\/span>, at\u00e9 o fim do s\u00e9culo 21, cerca de metade das l\u00ednguas faladas atualmente deixar\u00e3o de ser usadas. Com elas, desaparecer\u00e3o tamb\u00e9m as mem\u00f3rias e formas particulares de compreender o mundo que carregam. &#8220;O que se perde \u00e9 a for\u00e7a e o vigor de uma cultura que teve aquela l\u00edngua como suporte; \u00e9 a experi\u00eancia humana no planeta que se empobrece&#8221;, argumenta Eduardo Navarro. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10894\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-reportagem-Alem-da-comunicacao-figura-1.png-300x196.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"327\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-reportagem-Alem-da-comunicacao-figura-1.png-300x196.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-reportagem-Alem-da-comunicacao-figura-1.png-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-reportagem-Alem-da-comunicacao-figura-1.png.jpg 667w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-1-o-atlas-da-unesco-destaca-casos-como-a-lingua-akuntsu-como-criticamente-ameacada-com-pouquissimos-falantes-ativos-foto-adelino-de-lucena-mendes-instituto-socioambiental-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 1. O Atlas da UNESCO destaca casos como a l\u00edngua Akuntsu como criticamente amea\u00e7ada, com pouqu\u00edssimos falantes ativos.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Adelino de Lucena Mendes\/ Instituto Socioambiental. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o desaparecimento de uma l\u00edngua tamb\u00e9m pode apagar conhecimentos acumulados ao longo de gera\u00e7\u00f5es. Um<span style=\"color: #800000;\"> <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/pmc.ncbi.nlm.nih.gov\/articles\/PMC8214696\/?utm_source=chatgpt.com#abstract2\"><strong>estudo da Universidade de Zurique (UZH)<\/strong><\/a><\/span>, por exemplo, analisou mais de 12 mil registros sobre o uso de plantas medicinais em idiomas de povos ind\u00edgenas da Am\u00e9rica do Norte, da Amaz\u00f4nia e da Nova Guin\u00e9. Os pesquisadores constataram que mais de 75% desses conhecimentos s\u00e3o linguisticamente \u00fanicos, ou seja, est\u00e3o registrados em apenas uma l\u00edngua. Embora a maioria das esp\u00e9cies vegetais associadas a esses saberes n\u00e3o esteja amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o, as l\u00ednguas que os preservam est\u00e3o. Para os autores, o desaparecimento dessas l\u00ednguas pode representar um risco ainda maior para a perda desse patrim\u00f4nio do que a pr\u00f3pria redu\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"quem-decide-quais-linguas-sobrevivem\">Quem decide quais l\u00ednguas sobrevivem?<\/h4>\n<p>L\u00ednguas n\u00e3o desaparecem porque s\u00e3o mais complexas, menos eficientes ou menos capazes de expressar ideias do que outras. &#8220;A sobreviv\u00eancia de uma l\u00edngua depende menos de fatores lingu\u00edsticos e mais de decis\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e tecnol\u00f3gicas: quem financia documenta\u00e7\u00e3o, quem constr\u00f3i bancos de dados e quem tem poder para dizer o que \u00e9 &#8216;l\u00edngua de verdade&#8217; e o que \u00e9 &#8216;erro'&#8221;, afirma Raquel Freitag. A posi\u00e7\u00e3o \u00e9 defendida por estudiosos do Departamento de Lingu\u00edstica da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, que publicaram uma <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/lsa.umich.edu\/linguistics\/about-us\/values-statement\/standard-language-ideology-statement.html?utm_source=chatgpt.com\"><strong>declara\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a><\/span> afirmando que as no\u00e7\u00f5es de prest\u00edgio e estigmatiza\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica est\u00e3o enraizadas no contexto s\u00f3cio-hist\u00f3rico e nas estruturas de poder em que as l\u00ednguas s\u00e3o usadas e desenvolvidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"se-as-pessoas-mudam-a-lingua-muda-se-a-sociedade-muda-a-lingua-muda\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cSe as pessoas mudam, a l\u00edngua muda; se a sociedade muda, a l\u00edngua muda.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Brasil, esse processo tamb\u00e9m pode ser observado na legisla\u00e7\u00e3o. &#8220;A Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 reconhece o portugu\u00eas como l\u00edngua oficial, o que alimenta a ideia de que &#8216;aqui todos falam portugu\u00eas'&#8221;, explica a pesquisadora. &#8220;Isso apaga a exist\u00eancia de mais de 250 outras l\u00ednguas, mesmo que sejam legalmente reconhecidas&#8221;. Ela enfatiza que esse apagamento repercute em diversas \u00e1reas, deixando comunidades ind\u00edgenas, quilombolas, de imigra\u00e7\u00e3o e falantes de variedades n\u00e3o hegem\u00f4nicas do portugu\u00eas \u00e0 margem de pol\u00edticas p\u00fablicas, materiais did\u00e1ticos e, mais recentemente, das tecnologias de intelig\u00eancia artificial (IA).<\/p>\n<p>Quando o c\u00edrculo se torna vicioso, a amea\u00e7a \u00e9 ainda maior. \u201cModelos de intelig\u00eancia artificial s\u00e3o treinados, principalmente, com dados abundantes de l\u00ednguas e variedades de um idioma que j\u00e1 s\u00e3o dominantes e bem documentadas\u201d, diz Raquel Freitag. \u201cAssim, l\u00ednguas com mais dados ficam mais presentes na IA e l\u00ednguas com pouca documenta\u00e7\u00e3o, como ind\u00edgenas, de imigra\u00e7\u00e3o e variedades populares, ficam ainda mais invisibilizadas\u201d, alerta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"e-possivel-preservar-idiomas-ameacados\">\u00c9 poss\u00edvel preservar idiomas amea\u00e7ados?<\/h4>\n<p>Se usadas com o prop\u00f3sito de preserva\u00e7\u00e3o, as tecnologias de IA tamb\u00e9m podem se tornar aliadas. Um exemplo \u00e9 a <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/preprints.scielo.org\/index.php\/scielo\/preprint\/view\/11957\"><strong>Plataforma da Diversidade Lingu\u00edstica Brasileira<\/strong><\/a><\/span>, iniciativa de pesquisadores do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/anpoll.org.br\/gt\/sociolinguistica\/\"><strong>Grupo de Trabalho de Sociolingu\u00edstica da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o e Pesquisa em Letras e Lingu\u00edstica (ANPOLL)<\/strong><\/a> <\/span>e da <strong>Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Lingu\u00edstica (ABRALIN)<\/strong>. O projeto busca construir um reposit\u00f3rio digital p\u00fablico e gratuito para documentar, catalogar e disponibilizar o patrim\u00f4nio lingu\u00edstico brasileiro, reunindo registros do portugu\u00eas e de suas variedades, de l\u00ednguas ind\u00edgenas, de imigra\u00e7\u00e3o e de sinais, muitas delas amea\u00e7adas de desaparecer. &#8220;Sem dados estruturados, essas variedades do portugu\u00eas simplesmente n\u00e3o existem para a IA&#8221;, afirma Raquel Freitag. &#8220;\u00c9 essa lacuna que tentamos preencher com a plataforma&#8221;, declara.<\/p>\n<p>As ferramentas atuais tamb\u00e9m ampliaram as possibilidades de documenta\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas. &#8220;A tecnologia favorece a coleta de dados em \u00e1udio, v\u00eddeo e transcri\u00e7\u00f5es, acompanhados de informa\u00e7\u00f5es como quem fala, onde, em que contexto e em quais condi\u00e7\u00f5es a grava\u00e7\u00e3o foi realizada&#8221;, explica.<\/p>\n<p>Depois da coleta, os registros passam por um processo de tratamento e anota\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica. O conte\u00fado \u00e9 transcrito e classificado em diferentes n\u00edveis de an\u00e1lise, como o fon\u00e9tico, o morfol\u00f3gico e o sint\u00e1tico, seguindo protocolos padronizados que permitem comparar dados produzidos em diferentes regi\u00f5es e por diferentes grupos de pesquisa. &#8220;O Brasil j\u00e1 possui importantes acervos sociolingu\u00edsticos, alguns iniciados na d\u00e9cada de 1960, como o Atlas Lingu\u00edstico do Brasil&#8221;, destaca Raquel Freitag.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"linguas-perdidas-podem-ser-recuperadas\">L\u00ednguas perdidas podem ser recuperadas<\/h4>\n<p>Quando h\u00e1 apoio pol\u00edtico e mobiliza\u00e7\u00e3o das comunidades, o desaparecimento de uma l\u00edngua pode ser interrompido e at\u00e9 revertido. \u201cO exemplo mais importante disso no s\u00e9culo 20 \u00e9 a ressurrei\u00e7\u00e3o do hebraico em Israel\u201d, recorda Eduardo Navarro. Ele explica que o principal respons\u00e1vel por esse movimento foi Eliezer Ben Yehuda, linguista e ativista judeu que se mudou para a Terra Santa antes da cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel e liderou os esfor\u00e7os para recuperar o hebraico como uma l\u00edngua de uso cotidiano. Com a atua\u00e7\u00e3o de educadores, comunidades judaicas e, posteriormente, o apoio institucional do Estado israelense, o idioma voltou a ser transmitido como l\u00edngua materna e hoje \u00e9 falado por milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>No Brasil, o pesquisador cita o caso do Tupi cl\u00e1ssico, que deixou de ser transmitido como l\u00edngua materna no s\u00e9culo 18 e, recentemente, voltou a ser ensinado nas escolas da reserva Potiguara, na Para\u00edba. \u201cJ\u00e1 conta com bons falantes e conhecedores, muito embora o processo de sua revitaliza\u00e7\u00e3o ainda esteja no come\u00e7o e tenha avan\u00e7ado mais lentamente, uma vez que o apoio do Estado brasileiro n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o intenso como ocorreu em Israel\u201d, destaca o pesquisador.\u00a0(<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-10895\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-reportagem-Alem-da-comunicacao-figura-2-300x295.png\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"491\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-reportagem-Alem-da-comunicacao-figura-2-300x295.png 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-reportagem-Alem-da-comunicacao-figura-2-12x12.png 12w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-reportagem-Alem-da-comunicacao-figura-2-80x80.png 80w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/CC-3E26-reportagem-Alem-da-comunicacao-figura-2.png 633w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-2-potiguaras-da-paraiba-aprendem-tupifoto-trilhas-dos-potiguaras-pb-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 2. Potiguaras da Para\u00edba aprendem Tupi<br \/>\n<\/strong>(Foto: Trilhas dos Potiguaras\/ PB. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para ele, recuperar uma l\u00edngua significa tamb\u00e9m recuperar parte da hist\u00f3ria e da identidade de seus povos. &#8220;No caso dos Potiguaras, voltar a falar sua l\u00edngua ancestral significa um fortalecimento da identidade ind\u00edgena desse povo, enfraquecida ao longo dos s\u00e9culos pela miscigena\u00e7\u00e3o e acultura\u00e7\u00e3o ocorridas em um contato multissecular com a sociedade brasileira&#8221;, aponta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"preservar-idiomas-e-preservar-o-mundo-sob-diferentes-olhares\">Preservar idiomas \u00e9 preservar o mundo sob diferentes olhares<\/h4>\n<p>No enredo de \u201cA Chegada\u201d, o maior desafio da humanidade era decifrar uma linguagem desconhecida que chegava \u00e0 Terra. Fora da fic\u00e7\u00e3o, no entanto, talvez o desafio seja outro: impedir que milhares de anos de hist\u00f3ria desapare\u00e7am junto com as l\u00ednguas que nasceram dentro dos limites do nosso planeta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"voltar-a-falar-sua-lingua-ancestral-significa-um-fortalecimento-da-identidade-indigena-desse-povo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cVoltar a falar sua l\u00edngua ancestral significa um fortalecimento da identidade ind\u00edgena desse povo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em um cen\u00e1rio em que a perda de idiomas ocorre de forma r\u00e1pida e politicamente determinada, preservar a diversidade lingu\u00edstica significa tamb\u00e9m preservar diferentes formas de produzir conhecimento, transmitir mem\u00f3rias, interpretar a natureza e compreender a experi\u00eancia humana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-manter-a-diversidade-linguistica-tambem-implica-preservar-variadas-maneiras-de-gerar-conhecimento-compartilhar-memorias-interpretar-a-natureza-e-entender-a-vivencia-humana-foto-secretaria-d\"><strong>Capa. Manter a diversidade lingu\u00edstica tamb\u00e9m implica preservar variadas maneiras de gerar conhecimento, compartilhar mem\u00f3rias, interpretar a natureza e entender a viv\u00eancia humana.<br \/>\n<\/strong>(Foto: Secretaria de Estado de Assist\u00eancia Social e Cidadania\/ Setasc. Reprodu\u00e7\u00e3o).<\/h6>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Seres interplanet\u00e1rios chegam \u00e0 Terra e apresentam \u00e0 humanidade uma linguagem desconhecida.&hellip;\n","protected":false},"author":124,"featured_media":10893,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10892"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/124"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10892"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10892\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10905,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10892\/revisions\/10905"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10893"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10892"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10892"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10892"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}