{"id":10907,"date":"2026-09-21T08:00:12","date_gmt":"2026-09-21T08:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10907"},"modified":"2026-09-17T12:14:25","modified_gmt":"2026-09-17T12:14:25","slug":"natureza-tambem-e-patrimonio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10907","title":{"rendered":"Natureza tamb\u00e9m \u00e9 patrim\u00f4nio"},"content":{"rendered":"<p>Quando pensamos em patrim\u00f4nio, \u00e9 comum lembrarmos de monumentos, igrejas, centros hist\u00f3ricos ou festas populares. Mas o patrim\u00f4nio tamb\u00e9m est\u00e1 na natureza. Amaz\u00f4nia, Pantanal, Fernando de Noronha e Len\u00e7\u00f3is Maranhenses, entre tantos outros territ\u00f3rios, preservam n\u00e3o apenas paisagens e biodiversidade, mas tamb\u00e9m hist\u00f3rias evolutivas, conhecimentos ancestrais e modos de vida profundamente vinculados aos ambientes naturais. Alguns desses lugares s\u00e3o reconhecidos pela UNESCO como Patrim\u00f4nios da Humanidade por seu Valor Universal Excepcional \u2014 uma classifica\u00e7\u00e3o atribu\u00edda a bens cuja import\u00e2ncia ecol\u00f3gica, evolutiva, cient\u00edfica ou est\u00e9tica ultrapassa fronteiras nacionais. O Brasil re\u00fane diversos s\u00edtios de patrim\u00f4nio natural mundial reconhecidos pela organiza\u00e7\u00e3o. \u201cO Brasil, no que se refere ao patrim\u00f4nio natural, \u00e9 um pa\u00eds completamente singular, porque, biologicamente falando, ele \u00e9 o pa\u00eds mais rico do mundo\u201d, afirma Luiz Cesar Marques Filho, professor do Departamento de Hist\u00f3ria, Filosofia e Ci\u00eancias Humanas (IFCH) da Unicamp e coordenador do Projeto MARE &#8211; Museu de Arte para a Educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de seu valor intr\u00ednseco, os patrim\u00f4nios naturais s\u00e3o espa\u00e7os fundamentais para a produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. Grandes reservas ecol\u00f3gicas e diferentes ecossistemas funcionam como verdadeiros laborat\u00f3rios vivos, permitindo investigar processos evolutivos, rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e transforma\u00e7\u00f5es ambientais. Ao mesmo tempo, esses territ\u00f3rios aproximam a ci\u00eancia acad\u00eamica dos conhecimentos produzidos por comunidades que vivem h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es em contato com a natureza. \u201cOs conhecimentos dessas comunidades, que s\u00e3o milenares e j\u00e1 comprovaram ao longo do tempo que s\u00e3o utilizados para manuten\u00e7\u00e3o da floresta, \u00e9 a forma mais inteligente da gente continuar mantendo as florestas\u201d, pontua Sue Anne Regina Ferreira da Costa, Coordenadora de Comunica\u00e7\u00e3o e Extens\u00e3o do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi.<\/p>\n<p>Essa rela\u00e7\u00e3o entre natureza, cultura e sociedade tamb\u00e9m evidencia que a preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio natural n\u00e3o pode ser dissociada da prote\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es e dos modos de vida associados aos territ\u00f3rios. As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o entre os principais fatores de degrada\u00e7\u00e3o, agravando amea\u00e7as j\u00e1 existentes, alterando ecossistemas, afetando a biodiversidade e comprometendo paisagens e outros bens culturais. No Brasil, desmatamento, queimadas, expans\u00e3o agropecu\u00e1ria e minera\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria est\u00e3o entre as principais press\u00f5es sobre esses patrim\u00f4nios. Enfrentar essas amea\u00e7as, portanto, exige considerar simultaneamente a conserva\u00e7\u00e3o ambiental, a diversidade cultural e os conhecimentos das comunidades que historicamente contribuem para a manuten\u00e7\u00e3o desses territ\u00f3rios.<\/p>\n<p>Preservar o patrim\u00f4nio natural significa, assim, proteger muito mais do que paisagens. Significa conservar a biodiversidade, contribuir para a seguran\u00e7a h\u00eddrica e para o equil\u00edbrio clim\u00e1tico e manter processos ecol\u00f3gicos essenciais \u00e0 vida. \u201cNo campo do patrim\u00f4nio natural, ele n\u00e3o existe para pensar s\u00f3 a preserva\u00e7\u00e3o de biomas e ecossistemas. Ele existe para pensar a integra\u00e7\u00e3o. assim como paisagem cultural, est\u00e1 tanto no campo do cultural quanto do natural\u201d, explica Maria Tereza Duarte Paes, livre docente na \u00e1rea de Meio Ambiente Urbano pelo Departamento de Geografia (IG) da Unicamp. Para a pesquisadora, essa perspectiva tamb\u00e9m exige reconhecer que os territ\u00f3rios est\u00e3o em permanente transforma\u00e7\u00e3o: \u201ca vida \u00e9 din\u00e2mica, o patrim\u00f4nio \u00e9 din\u00e2mico tamb\u00e9m, embora a gente fale aqui em preserva\u00e7\u00e3o, mas ele \u00e9 constitu\u00eddo por uma din\u00e2mica da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>Assista ao v\u00eddeo completo:<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Natureza tamb\u00e9m \u00e9 patrim\u00f4nio\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/TjAAs4q87_c?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando pensamos em patrim\u00f4nio, \u00e9 comum lembrarmos de monumentos, igrejas, centros hist\u00f3ricos&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":10908,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10907"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=10907"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10907\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":10932,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/10907\/revisions\/10932"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/10908"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=10907"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=10907"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=10907"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}