{"id":10925,"date":"2026-10-01T07:30:14","date_gmt":"2026-10-01T07:30:14","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10925"},"modified":"2026-09-17T12:13:22","modified_gmt":"2026-09-17T12:13:22","slug":"quero-fazer-pesquisa-com-as-pessoas-que-estao-aqui-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=10925","title":{"rendered":"\u201cQuero fazer pesquisa com as pessoas que est\u00e3o aqui na Amaz\u00f4nia\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Do Norte e para o Norte. Essa frase sintetiza a trajet\u00f3ria de Nadya Helena Alves dos Santos, doutora em Ci\u00eancias Nutricionais, professora da <\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufpa.br\/\"><strong><em>Universidade Federal do Par\u00e1 (UFPA)<\/em><\/strong><\/a><\/span><em>, vice-coordenadora do <\/em><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ppgnam.propesp.ufpa.br\/\"><strong><em>Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Nutri\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia (PPGNAM\/UFPA)<\/em><\/strong><\/a><\/span><em> e refer\u00eancia em diferentes espa\u00e7os de lideran\u00e7a nas \u00e1reas de Sa\u00fade e Nutri\u00e7\u00e3o. Ao longo de sua carreira, tanto durante a forma\u00e7\u00e3o realizada fora da Regi\u00e3o Norte quanto no retorno \u00e0 Amaz\u00f4nia como professora universit\u00e1ria, esteve sempre presente a convic\u00e7\u00e3o de que \u00e9 necess\u00e1rio produzir uma ci\u00eancia contextualizada e constru\u00edda em di\u00e1logo com quem vive a regi\u00e3o. \u201cA gente precisa, primeiro, respeitar a cultura da nossa regi\u00e3o e, depois, tentar melhorar a partir disso\u201d, afirma. Nesta entrevista \u00e0 <strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong>, Nadya dos Santos revisita os desafios, as escolhas e as conquistas de quase tr\u00eas d\u00e9cadas de hist\u00f3ria, com destaque para sua participa\u00e7\u00e3o na cria\u00e7\u00e3o do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Nutri\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia &#8211; o primeiro da \u00e1rea na Regi\u00e3o Norte.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura &#8211; Como a Nadya que come\u00e7ou a estudar nutri\u00e7\u00e3o h\u00e1 quase 30 anos se tornou a pesquisadora que \u00e9 hoje?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Nadya Helena Alves dos Santos &#8211;<\/strong> Eu me graduei em nutri\u00e7\u00e3o e fiz uma especializa\u00e7\u00e3o em Nutri\u00e7\u00e3o Cl\u00ednica na Universidade Federal do Par\u00e1, a UFPA. Trabalhei por 12 anos em uma empresa privada e, depois, fui fazer mestrado na Universidade Federal da Bahia em Nutri\u00e7\u00e3o, Alimentos e Sa\u00fade. Sempre quis fazer mestrado, mas n\u00e3o tinha essa op\u00e7\u00e3o em nutri\u00e7\u00e3o aqui no Par\u00e1. Fiquei um ano como professora substituta na UFPA e fui fazer o doutorado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ.<\/p>\n<p>Eu considero o mestrado e doutorado como um divisor de \u00e1guas nessa minha trajet\u00f3ria cient\u00edfica. Foi durante o mestrado que eu entendi e comecei a gostar, especificamente, de fazer pesquisa, de trabalhar nessa \u00e1rea da epidemiologia. No doutorado, tive a oportunidade de colaborar com alguns projetos na \u00e1rea da nutri\u00e7\u00e3o que fizeram o meu desenvolvimento enquanto pesquisadora aumentar bastante. O doutorado foi o momento em que eu pensei que queria ser pesquisadora, queria ser professora, e a\u00ed tudo ficou mais claro.<\/p>\n<p>Quando eu penso na minha trajet\u00f3ria cient\u00edfica, eu n\u00e3o vejo apenas os t\u00edtulos e diplomas. O mais importante s\u00e3o todos os desafios e as escolhas que eu fiz. Acima de tudo, tive muita persist\u00eancia e resili\u00eancia para chegar at\u00e9 aqui, ocupando espa\u00e7os que sempre foram, na maioria das vezes, ocupados por homens.<\/p>\n<p>Eu sempre tive \u00e0 vontade, a certeza de que eu queria voltar para a Regi\u00e3o Norte. Quando voltei, fiquei por quase 3 anos na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unifesspa.edu.br\/\"><strong>Universidade Federal do Sul e Sudeste do Par\u00e1, a Unifesspa<\/strong><\/a><\/span> e depois passei a atuar na UFPA, a maior universidade do Norte, no curso de Nutri\u00e7\u00e3o. Eu cheguei exatamente no momento em que estava sendo implementado o Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Nutri\u00e7\u00e3o na Amaz\u00f4nia, o primeiro da regi\u00e3o norte. Acho que a gente est\u00e1 muito atrasado. Era um programa que j\u00e1 deveria existir h\u00e1 muito mais tempo, mas nasceu somente em 2025. Mesmo assim, apesar de ser muito esperado e aguardado, nasceu sem recursos.<\/p>\n<p>A ci\u00eancia vai acontecendo em v\u00e1rias etapas, mas o que a gente entendeu aqui \u00e9 que n\u00e3o precisamos somente produzir conhecimento. A gente precisa contribuir de alguma forma para o nicho onde a gente est\u00e1. A gente est\u00e1 dentro da Amaz\u00f4nia. N\u00f3s somos amaz\u00f4nidas, ent\u00e3o eu n\u00e3o quero produzir ci\u00eancia sendo personagem de pesquisa. Eu quero fazer pesquisa com as pessoas que est\u00e3o aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"nunca-me-deixei-ser-silenciada-pelo-fato-de-ser-mulher\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cNunca me deixei ser silenciada pelo fato de ser mulher.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Foi essa vontade de fazer ci\u00eancia contextualizada junto com as pessoas que te fez ter essa certeza de que voc\u00ea queria voltar para o Norte?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NHAS &#8211;<\/strong> Com certeza! Minha certeza de voltar era uma consci\u00eancia de que aqui a gente tamb\u00e9m precisa ter profissionais qualificados, porque o que eu mais ouvia quando fiz doutorado fora era que no Norte n\u00e3o tem nada, que eu n\u00e3o deveria voltar. Eu nunca pensei desse jeito. Eu acho que a nossa universidade precisa ter pessoas que t\u00eam doutorado e, hoje, a maioria dos nossos professores t\u00eam doutorado.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do voltar, acho que, depois que eu fui fazer doutorado na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufrj.br\/\"><strong>UFRJ<\/strong><\/a><\/span>, eu pude dar tamb\u00e9m oportunidade para outras mulheres, pessoas daqui da minha regi\u00e3o, que achavam que n\u00e3o tinham a op\u00e7\u00e3o de ir para l\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2013 Voc\u00ea sente que, em algum momento, o fato de ser mulher influenciou na sua trajet\u00f3ria e te trouxe desafios que homens n\u00e3o teriam?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NHAS &#8211;<\/strong> Acho que esses desafios inerentes ao fato de ser mulher est\u00e3o em todas as \u00e1reas. Na ci\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 diferente. O que eu senti muito foi que, quando fui l\u00edder de projeto do <a href=\"https:\/\/enani.nutricao.ufrj.br\/\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Estudo Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o e Nutri\u00e7\u00e3o Infantil, o ENANI<\/span>,<\/strong><\/a> as pessoas confundiam muito a minha posi\u00e7\u00e3o com a do meu orientador. Ele n\u00e3o era mais meu orientador, era meu colega de trabalho. Eu j\u00e1 tinha terminado o doutorado e era uma pesquisadora desenvolvendo um projeto de pesquisa.<\/p>\n<p>Eu fazia quest\u00e3o de corrigir isso, primeiro para n\u00e3o ter confus\u00e3o de CPF, como eu brincava, mas tamb\u00e9m para marcar a minha posi\u00e7\u00e3o: eu n\u00e3o era uma mulher sem forma\u00e7\u00e3o, era uma mulher com forma\u00e7\u00e3o, j\u00e1 doutora, desenvolvendo um projeto de pesquisa. Acho que isso \u00e9 importante. \u00c0s vezes existe um ru\u00eddo na forma como as pessoas enxergam voc\u00ea, e eu nunca deixei isso passar.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nunca me deixei ser silenciada pelo fato de ser mulher.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Ser\u00e1 que essa confus\u00e3o tinha a ver com isso? De achar que tem um homem por tr\u00e1s te orientando mesmo voc\u00ea sendo a l\u00edder?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NHAS &#8211;<\/strong> Acho que pode ser, mas tamb\u00e9m tem uma rela\u00e7\u00e3o com o fato de que as pessoas n\u00e3o me conheciam. Eu estava no processo de assumir esse papel, enquanto elas j\u00e1 conheciam o orientador, que era o coordenador do projeto. Acho que, algumas vezes, ser mulher at\u00e9 me abriu portas por ter mais facilidade de me comunicar, de estar \u00e0 frente do planejamento e por ter o senso de organiza\u00e7\u00e3o, que sempre foi a minha melhor qualidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-cultura-da-nossa-populacao-e-importante-a-gente-pode-respeitar-os-habitos-e-melhorar-a-forma-de-preparo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA cultura da nossa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 importante, a gente pode respeitar os h\u00e1bitos e melhorar a forma de preparo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Acredita que a nutri\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como uma \u00e1rea feminina?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NHAS &#8211;<\/strong> Eu acho que j\u00e1 foi uma \u00e1rea dominada por mulheres, mas n\u00e3o \u00e9 mais. Na minha \u00e9poca, a gente via muito isso no curso de gradua\u00e7\u00e3o: as turmas eram majoritariamente compostas por mulheres. Hoje, acho que est\u00e1 bem dividido, at\u00e9 mesmo pelas \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o. Temos \u00e1reas de atua\u00e7\u00e3o que chamam mais aten\u00e7\u00e3o de homens e outras, de mulheres. Acho que isso aconteceu de forma natural com o tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Quando percebeu que a nutri\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 biologia, mas tamb\u00e9m tem a ver com cultura e desigualdade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NHAS &#8211;<\/strong> Essa consci\u00eancia, de respeitar o cultural, sempre me acompanhou. A cultura da nossa popula\u00e7\u00e3o \u00e9 importante, a gente pode respeitar os h\u00e1bitos e melhorar a forma de preparo, por exemplo.<\/p>\n<p>Desde os primeiros est\u00e1gios que eu fiz, observei que n\u00e3o adianta atender aqui no Norte e falar para a pessoa n\u00e3o tomar a\u00e7a\u00ed, n\u00e3o comer farinha, n\u00e3o comer peixe frito ou algo do tipo. Faz parte da cultura, a gente tem que tentar adequar o mais perto poss\u00edvel do h\u00e1bito saud\u00e1vel, mas sem perder de vista a cultura.<\/p>\n<p>A gente tem uma diversidade enorme de alimentos que s\u00e3o consumidos aqui na nossa regi\u00e3o de forma n\u00e3o adequada. Mas n\u00e3o s\u00e3o alimentos inadequados. A gente precisa, primeiro, respeitar a cultura da nossa regi\u00e3o e, depois, tentar melhorar a partir disso, ensinando essas pessoas a consumir esses alimentos de forma adequada, saud\u00e1vel e aproveitando a diversidade que a gente tem aqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Melhorar a alimenta\u00e7\u00e3o sem perder de vista a cultura pode ser considerado um dos maiores desafios que voc\u00eas t\u00eam hoje na \u00e1rea de pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NHAS &#8211;<\/strong> Acho que o principal desafio \u00e9 produzir pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas para a realidade da nossa regi\u00e3o, respeitando os nossos h\u00e1bitos culturais. Os alimentos que a gente tem aqui s\u00e3o muito diferentes dos alimentos das outras regi\u00f5es. As pol\u00edticas mais gerais que a gente tem hoje, principalmente essas voltadas para alimenta\u00e7\u00e3o e nutri\u00e7\u00e3o, n\u00e3o colocam essa lupa.<\/p>\n<p>A gente v\u00ea o guia alimentar para a popula\u00e7\u00e3o brasileira, que, apesar de ser um material excelente, n\u00e3o foi pensado para a nossa regi\u00e3o. Por exemplo, n\u00e3o se v\u00ea nesses materiais o a\u00e7a\u00ed da forma como \u00e9 consumido aqui, o jambu\u2026 Vemos o br\u00f3colis, a couve-flor, que n\u00e3o s\u00e3o do nosso h\u00e1bito di\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que \u00e9 importante produzir ci\u00eancia aqui. Porque a gente precisa entender que realidade \u00e9 essa para que possamos produzir pol\u00edticas que sejam voltadas para essa realidade, n\u00e3o apenas pol\u00edticas gerais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; O programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o \u00e9 bem recente, mas voc\u00eas j\u00e1 t\u00eam isso em mente, essa conex\u00e3o com as pol\u00edticas p\u00fablicas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NHAS &#8211;<\/strong> A gente tem tentado trabalhar com consumo dentro da nossa regi\u00e3o e isso est\u00e1 entre os nossos objetivos, ter dados que subsidiem pol\u00edticas p\u00fablicas focadas nos nossos h\u00e1bitos, nos nossos saberes e na nossa cultura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2013 Voc\u00ea foi l\u00edder de projeto no ENANI 2019. Em 2024, houve uma nova edi\u00e7\u00e3o desse estudo. A senhora est\u00e1 na equipe?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NHAS<\/strong> &#8211; Sim. Eu coordeno, junto com uma professora da UFRJ, o eixo de antropometria, de avalia\u00e7\u00e3o nutricional antropom\u00e9trica de crian\u00e7as e m\u00e3es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; A nova edi\u00e7\u00e3o do ENANI \u00e9 diferente da anterior?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NHAS &#8211;<\/strong> O ENANI \u00e9 composto de tr\u00eas eixos: o eixo bioqu\u00edmico, antropom\u00e9trico e de consumo de alimentos. A principal diferen\u00e7a entre o ENANI 2019 e o ENANI 2024, \u00e9 que, nessa \u00faltima edi\u00e7\u00e3o, a gente tamb\u00e9m fez a coleta de sangue das m\u00e3es, o que n\u00e3o aconteceu em 2019.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, aumentamos a faixa et\u00e1ria das crian\u00e7as avaliadas em 1 ano, incluindo as crian\u00e7as com at\u00e9 6 anos completos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Essa avalia\u00e7\u00e3o das m\u00e3es pretende ajudar a avaliar fatores gen\u00e9ticos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NHAS<\/strong> &#8211; \u00c9 algo que est\u00e1 no nosso radar, mas, por enquanto, n\u00e3o temos recursos para fazer.<\/p>\n<p>As amostras de sangue foram guardadas em um biobanco.<\/p>\n<p>Pretendemos estudar a metabol\u00f4mica e ver qual \u00e9 o impacto da gen\u00e9tica da m\u00e3e na crian\u00e7a, tanto para crescimento e desenvolvimento infantil quanto para h\u00e1bitos e para a microbiota.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"ser-resistente-e-resiliente-faz-parte-e-uma-qualidade-que-todo-pesquisador-ou-pesquisadora-precisa-ter\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cSer resistente e resiliente faz parte. \u00c9 uma qualidade que todo pesquisador ou pesquisadora precisa ter.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Voc\u00ea comentou algumas vezes sobre a necessidade de ter resili\u00eancia. Houve momentos em que a resili\u00eancia foi determinante na sua carreira?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NHAS &#8211;<\/strong> Muitos momentos. Ser resistente e resiliente faz parte. \u00c9 uma qualidade que todo pesquisador ou pesquisadora precisa ter. Se n\u00e3o, a gente desiste no meio do caminho por falta de tudo, de infraestrutura, por falta de entendimento da import\u00e2ncia da ci\u00eancia, da pesquisa\u2026<\/p>\n<p>A gente viveu um momento recente na hist\u00f3ria do Brasil em que n\u00f3s, pesquisadores, fomos desacreditados. Acho que isso faz parte da forma\u00e7\u00e3o, mesmo. A minha forma\u00e7\u00e3o enquanto pesquisadora foi pautada sempre nisso, ser sempre resistente, resiliente, sem perder de vista o que eu queria conquistar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Com tantos anos de carreira, ocupando tantas posi\u00e7\u00f5es de destaque, voc\u00ea se sente uma inspira\u00e7\u00e3o para outras mulheres?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NHAS &#8211;<\/strong> Acho que sim. Durante a minha trajet\u00f3ria acad\u00eamica, eu ajudei a formar pessoas, orientei e continuo orientando, formando pesquisadores.<\/p>\n<p>Acho que posso ser uma inspira\u00e7\u00e3o para pessoas, mulheres ou homens, independente do sexo, que queiram trabalhar e desenvolver sua trajet\u00f3ria da forma como eu fiz, sem perder de vista meus valores, minha forma\u00e7\u00e3o, as coisas que eu acredito, o quanto \u00e9 importante chegar e ver conquistas, responsabilidades, resili\u00eancia, desafios enormes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Isso \u00e9 uma coisa que te inspira a continuar ou acaba sendo uma responsabilidade extra? Como a senhora se sente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NHAS &#8211;<\/strong> Isso me inspira a continuar, a incentivar ou ser inspira\u00e7\u00e3o para outras mulheres, outros cientistas. Me incentiva a continuar trilhando a minha trajet\u00f3ria, porque eu tenho muito orgulho da forma como eu constru\u00ed a minha vida acad\u00eamica e cheguei at\u00e9 aqui.<\/p>\n<p>Nada na vida acontece por acaso. Todas as etapas e todos os caminhos e processos que aconteceram, lugares por onde passei, foram importantes para a minha forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Continuar seguindo na carreira cient\u00edfica \u00e9 algo que certamente vai me permitir ser essa pessoa que pode estar como uma inspira\u00e7\u00e3o na vida de outras mulheres cientistas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C &#8211; Qual marca ou mensagem a senhora gostaria de deixar na ci\u00eancia para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es de pesquisadoras?<\/strong><\/p>\n<p><strong>NHAS &#8211;<\/strong> As pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es precisam ter orgulho do lugar de onde elas s\u00e3o e tentar sempre buscar o melhor, ser o melhor dentro da sua \u00e1rea. Foi isso que eu sempre busquei.<\/p>\n<p>Eu sempre quis ser a melhor. N\u00e3o no sentido de soberba, mas no sentido de poder fazer melhor aquilo que eu estava fazendo. Se eu escolhi estar aqui, \u00e9 porque eu quero, ent\u00e3o eu vou fazer o meu melhor. \u00c9 por isso que eu me orgulho da minha hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Eu nunca fiz nada por acaso. Eu sempre quis fazer, sempre quis estar. Acho que a mensagem \u00e9 essa: fa\u00e7a sempre o seu melhor naquilo que voc\u00ea estiver fazendo. O resto vem como consequ\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Do Norte e para o Norte. 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