{"id":11014,"date":"2026-10-14T07:30:44","date_gmt":"2026-10-14T07:30:44","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=11014"},"modified":"2026-10-06T19:51:40","modified_gmt":"2026-10-06T19:51:40","slug":"maria-conceicao-tavares-pensar-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=11014","title":{"rendered":"Maria Concei\u00e7\u00e3o Tavares: pensar o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Quando Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares chegou ao Brasil, em fevereiro de 1954, trazia na bagagem uma forma\u00e7\u00e3o em Matem\u00e1tica, uma filha ainda pequena e a experi\u00eancia de ter crescido em Portugal sob a ditadura de Ant\u00f3nio de Oliveira Salazar. Tinha vindo em busca de um pa\u00eds democr\u00e1tico. Encontrou, por\u00e9m, uma sociedade que poucos anos depois tamb\u00e9m mergulharia em uma ditadura. No intervalo entre esses dois regimes, construiu uma das trajet\u00f3rias intelectuais mais marcantes da economia brasileira \u2014 entre universidades, institui\u00e7\u00f5es de planejamento, debates pol\u00edticos e salas de aula.<\/p>\n<p>Nascida em Anadia, Portugal, em 1930, Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares inicialmente estudou Engenharia e depois Ci\u00eancias Matem\u00e1ticas na Universidade de Lisboa, onde se licenciou em 1953. No Brasil, diante da impossibilidade inicial de obter a equival\u00eancia de seu diploma para lecionar em universidades, come\u00e7ou trabalhando como estat\u00edstica no Instituto Nacional de Imigra\u00e7\u00e3o e Coloniza\u00e7\u00e3o. Em 1957, naturalizou-se brasileira e iniciou o curso de Economia na ent\u00e3o Universidade do Brasil, atual <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufrj.br\/\">Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)<\/a><\/strong><\/span>. No ano seguinte, passou a trabalhar como analista matem\u00e1tica no ent\u00e3o Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico (BNDE), atual <strong><a href=\"http:\/\/www.bndes.gov.br\/wps\/portal\/site\/home\"><span style=\"color: #800000;\">BNDES<\/span><\/a><\/strong>.<\/p>\n<p>Foi no BNDE que matem\u00e1tica e economia come\u00e7aram a se encontrar de maneira decisiva. Entre 1958 e 1960, Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares participou de grupos ligados ao planejamento econ\u00f4mico do governo Juscelino Kubitschek e ao esfor\u00e7o de implanta\u00e7\u00e3o do Plano de Metas. A experi\u00eancia aproximou-a de quest\u00f5es que marcariam sua obra: industrializa\u00e7\u00e3o, acumula\u00e7\u00e3o de capital, financiamento, infla\u00e7\u00e3o e o papel do Estado no desenvolvimento. Seu percurso tamb\u00e9m foi influenciado por economistas como Celso Furtado, Caio Prado Jr. e Ign\u00e1cio Rangel. Este \u00faltimo, segundo a pr\u00f3pria pesquisadora, insistiu que os economistas precisavam compreender tamb\u00e9m moeda, bancos e finan\u00e7as \u2014 uma preocupa\u00e7\u00e3o que ela incorporaria \u00e0 sua an\u00e1lise da economia brasileira.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"uma-economia-com-historia-e-territorio\">Uma economia com hist\u00f3ria e territ\u00f3rio<\/h4>\n<p>A aproxima\u00e7\u00e3o com a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.cepal.org\/pt-br\">Comiss\u00e3o Econ\u00f4mica para a Am\u00e9rica Latina e o Caribe (CEPAL)<\/a><\/strong> <\/span>ampliou esse horizonte. Criada pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas em 1948, a institui\u00e7\u00e3o desenvolveu uma tradi\u00e7\u00e3o de pensamento que procurava compreender o desenvolvimento latino-americano a partir das condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e estruturais da pr\u00f3pria regi\u00e3o. Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares tornou-se uma das importantes expoentes dessa tradi\u00e7\u00e3o e participou de seus debates no Brasil, no Chile e no M\u00e9xico. Para ela, compreender a economia n\u00e3o significava apenas acompanhar indicadores: era preciso investigar como a industrializa\u00e7\u00e3o, as rela\u00e7\u00f5es de poder, o capital e a inser\u00e7\u00e3o internacional produziam determinadas estruturas econ\u00f4micas e sociais. A pr\u00f3pria CEPAL a reconheceu, ap\u00f3s sua morte, como uma das fundadoras e expoentes do pensamento cepalino e neoestruturalista latino-americano. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11016\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/CB-Maria-da-Conceicao-Tavares-fig1-300x205.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"341\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/CB-Maria-da-Conceicao-Tavares-fig1-300x205.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/CB-Maria-da-Conceicao-Tavares-fig1-1024x698.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/CB-Maria-da-Conceicao-Tavares-fig1-768x524.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/CB-Maria-da-Conceicao-Tavares-fig1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/CB-Maria-da-Conceicao-Tavares-fig1-800x545.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/CB-Maria-da-Conceicao-Tavares-fig1-1160x791.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/CB-Maria-da-Conceicao-Tavares-fig1.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-1-ufrj-reproducao\" style=\"text-align: center;\">Figura 1. UFRJ. Reprodu\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa perspectiva aparece em um de seus trabalhos mais conhecidos, <span style=\"color: #800000;\"><strong><em><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/repositorio.cepal.org\/entities\/publication\/79a5d18f-d094-42b4-99ca-3c7788b5008c\">Auge e decl\u00ednio do processo de substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es no Brasil<\/a><\/em><\/strong><\/span>, posteriormente incorporado ao livro <span style=\"color: #800000;\"><strong><em><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Substitui%C3%A7%C3%A3o-Importa%C3%A7%C3%B5es-Capitalismo-Financeiro\/dp\/B08DN968V8\">Da substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es ao capitalismo financeiro<\/a><\/em><\/strong>,<\/span> publicado em 1972. O estudo analisava o processo de industrializa\u00e7\u00e3o brasileiro e seus limites, mostrando que o crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o eliminava automaticamente as desigualdades nem rompia com as caracter\u00edsticas estruturais do capitalismo dependente. Em textos posteriores, Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares aprofundaria a an\u00e1lise da acumula\u00e7\u00e3o de capital, da industrializa\u00e7\u00e3o e dos ciclos e crises da economia brasileira. Sua produ\u00e7\u00e3o passou a ocupar lugar importante no pensamento econ\u00f4mico latino-americano.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria acad\u00eamica, entretanto, foi atravessada pela hist\u00f3ria pol\u00edtica do pa\u00eds. Durante a ditadura militar brasileira, a pesquisadora manteve sua atua\u00e7\u00e3o intelectual e pol\u00edtica, circulando tamb\u00e9m por outros pa\u00edses latino-americanos. Em 1974, foi presa por \u00f3rg\u00e3os da repress\u00e3o brasileira e permaneceu detida durante alguns dias, sendo posteriormente libertada. Depois disso, voltou \u00e0 atividade acad\u00eamica e dividiu sua carreira entre a UFRJ e a <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/\">Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)<\/a><\/strong><\/span>. Na Unicamp, participou da constru\u00e7\u00e3o institucional do Instituto de Economia e da forma\u00e7\u00e3o de seus cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, contribuindo para consolidar uma tradi\u00e7\u00e3o de pesquisa em economia pol\u00edtica e desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-professora-que-ultrapassou-a-sala-de-aula\">A professora que ultrapassou a sala de aula<\/h4>\n<p>A universidade foi, durante d\u00e9cadas, um dos principais espa\u00e7os de atua\u00e7\u00e3o de Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares. Professora titular da Unicamp e professora em\u00e9rita da UFRJ, ela formou gera\u00e7\u00f5es de economistas que posteriormente ocupariam posi\u00e7\u00f5es na academia, em institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e no debate pol\u00edtico brasileiro. Entre seus ex-alunos e interlocutores estiveram nomes como Jos\u00e9 Serra, Luiz Gonzaga Belluzzo e Luciano Coutinho. Suas aulas gravadas, produzidas d\u00e9cadas atr\u00e1s, voltariam a circular amplamente nas redes sociais no s\u00e9culo XXI, alcan\u00e7ando p\u00fablicos muito al\u00e9m das universidades.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-expansao-da-producao-poderia-coexistir-com-concentracao-de-renda-desigualdade-e-exclusao\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o poderia coexistir com concentra\u00e7\u00e3o de renda, desigualdade e exclus\u00e3o.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa passagem da universidade para o debate p\u00fablico tamb\u00e9m ocorreu por meio da imprensa e da pol\u00edtica. Entre 1993 e 2004, Concei\u00e7\u00e3o escreveu a coluna <em>Li\u00e7\u00f5es Contempor\u00e2neas<\/em>, na <em>Folha de S.Paulo<\/em>, discutindo temas econ\u00f4micos que afetavam diretamente a vida cotidiana. Em 1994, foi eleita deputada federal pelo Rio de Janeiro pelo Partido dos Trabalhadores, exercendo mandato entre 1995 e 1999. No Congresso, participou dos debates econ\u00f4micos do per\u00edodo e se posicionou criticamente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s pol\u00edticas adotadas pelo governo Fernando Henrique Cardoso, incluindo o Plano Real. Suas posi\u00e7\u00f5es pertenciam a uma tradi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica heterodoxa e desenvolvimentista e eram objeto de controv\u00e9rsia no pr\u00f3prio debate econ\u00f4mico brasileiro.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a p\u00fablica de Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares tornou-se particularmente conhecida durante o Plano Cruzado, lan\u00e7ado em 1986 para enfrentar a hiperinfla\u00e7\u00e3o. Ao assistir ao an\u00fancio do programa, ela se emocionou diante da expectativa de que a pol\u00edtica pudesse proteger os trabalhadores dos efeitos da infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"o-que-significa-desenvolver-um-pais\">O que significa desenvolver um pa\u00eds?<\/h4>\n<p>No centro de sua obra estava uma pergunta que continua atual: o que significa, afinal, desenvolver uma economia? Para a pesquisadora, crescimento econ\u00f4mico e desenvolvimento n\u00e3o eram sin\u00f4nimos. A expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o poderia coexistir com concentra\u00e7\u00e3o de renda, desigualdade e exclus\u00e3o. Por isso, compreender o desenvolvimento exigia observar n\u00e3o apenas quanto uma economia crescia, mas como esse crescimento era produzido, quem se beneficiava dele e quais estruturas permaneciam intocadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"mais-do-que-oferecer-respostas-prontas-conceicao-tavares-deixou-uma-forma-de-olhar-para-o-brasil-desconfiar-das-explicacoes-simples-investigar-as-estruturas-por-tras-dos-numeros-e-pergunta\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cMais do que oferecer respostas prontas, Concei\u00e7\u00e3o Tavares deixou uma forma de olhar para o Brasil: desconfiar das explica\u00e7\u00f5es simples, investigar as estruturas por tr\u00e1s dos n\u00fameros e perguntar, sempre, quem paga a conta.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa maneira de pensar ajudou a aproximar a economia de outras \u00e1reas das ci\u00eancias sociais. Em vez de tratar n\u00fameros e indicadores como fen\u00f4menos isolados, Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares procurava relacion\u00e1-los \u00e0 hist\u00f3ria, \u00e0 pol\u00edtica, \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sociais. Em suas aulas e entrevistas, frequentemente transformava conceitos econ\u00f4micos abstratos em perguntas sobre a vida concreta.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"um-legado-que-continua-em-construcao\">Um legado que continua em constru\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<p>Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares morreu em Nova Friburgo, em 8 de junho de 2024, aos 94 anos. Sua morte encerrou uma trajet\u00f3ria de sete d\u00e9cadas dedicada \u00e0 economia, mas n\u00e3o encerrou o debate provocado por sua obra. Em 17 de junho daquele ano, suas cinzas foram depositadas no bosque do Instituto de Economia da Unicamp, onde foi uma das fundadoras e onde atuou por mais de uma d\u00e9cada. No local, foi plantada uma muda de ip\u00ea-branco, em uma cerim\u00f4nia que reuniu familiares, colegas, ex-alunos e estudantes. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11015\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/CB-Maria-da-Conceicao-Tavares-fig2-197x300.jpg\" alt=\"\" width=\"328\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/CB-Maria-da-Conceicao-Tavares-fig2-197x300.jpg 197w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/CB-Maria-da-Conceicao-Tavares-fig2-8x12.jpg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/CB-Maria-da-Conceicao-Tavares-fig2.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 328px) 100vw, 328px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-2-agencia-brasil-reproducao\" style=\"text-align: center;\">Figura 2. Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Seu legado permanece, portanto, em dois lugares ao mesmo tempo: nos conceitos e an\u00e1lises que ajudaram a interpretar a economia brasileira e nas institui\u00e7\u00f5es e pessoas que continuam produzindo conhecimento a partir deles. Em 1998, recebeu o Pr\u00eamio Jabuti na categoria Economia. Em 2024, a CEPAL voltou a destacar sua contribui\u00e7\u00e3o para o pensamento econ\u00f4mico latino-americano; na Unicamp, sua mem\u00f3ria passou a integrar tamb\u00e9m a hist\u00f3ria do Instituto de Economia e de suas pesquisas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-fernando-frazao-agencia-brasil-reproducao\">Capa. Fernando Fraz\u00e3o\/Ag\u00eancia Brasil. Reprodu\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares chegou ao Brasil, em fevereiro de 1954,&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":11017,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1,2],"tags":[],"coauthors":[77],"class_list":["post-11014","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-blog","category-blog-2"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11014","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11014"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11014\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11022,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11014\/revisions\/11022"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11017"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11014"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11014"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11014"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=11014"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}