{"id":11026,"date":"2026-10-15T07:30:11","date_gmt":"2026-10-15T07:30:11","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=11026"},"modified":"2026-10-07T13:55:22","modified_gmt":"2026-10-07T13:55:22","slug":"desatar-os-nos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=11026","title":{"rendered":"Desatar os n\u00f3s"},"content":{"rendered":"<p>Talvez uma exposi\u00e7\u00e3o sobre mulheres comece justamente por aquilo que n\u00e3o est\u00e1 l\u00e1. Pelo nome que n\u00e3o aparece na legenda, pela descoberta atribu\u00edda a outro, pela pesquisa que sobreviveu sem a assinatura de quem a realizou. Comece pelo sil\u00eancio. \u00c9 a partir desse territ\u00f3rio de aus\u00eancias que \u201c<span style=\"color: #800000;\"><strong><em><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.sescsp.org.br\/editorial\/conheca-a-exposicao-nos-em-cartaz-no-sesc-casa-verde\">N\u00f3s \u2013 Arte e Ci\u00eancia por Mulheres<\/a><\/em><\/strong><\/span><em>\u201d<\/em>, exposi\u00e7\u00e3o realizada pelo Sesc, constr\u00f3i seu percurso: n\u00e3o apenas para acrescentar mulheres a uma hist\u00f3ria j\u00e1 conhecida, mas para perguntar por que elas foram tantas vezes retiradas dela. Entre obras de arte, documentos, imagens, objetos e refer\u00eancias cient\u00edficas, a mostra transforma a pr\u00f3pria ideia de mem\u00f3ria em mat\u00e9ria de investiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"uma-palavra-que-amarra-e-aproxima\">Uma palavra que amarra e aproxima<\/h4>\n<p>O t\u00edtulo \u00e9, desde o in\u00edcio, uma esp\u00e9cie de chave de leitura. \u201cN\u00f3s\u201d \u00e9 aquilo que aperta, prende, entrela\u00e7a fios e dificulta a passagem \u2014 uma imagem poss\u00edvel para as estruturas hist\u00f3ricas de desigualdade que atravessaram g\u00eanero, ra\u00e7a, classe e colonialismo. Mas \u201cn\u00f3s\u201d tamb\u00e9m \u00e9 pronome: fala de um coletivo, de uma experi\u00eancia compartilhada, de uma hist\u00f3ria que n\u00e3o pertence a uma \u00fanica mulher. A exposi\u00e7\u00e3o trabalha justamente nessa ambiguidade. H\u00e1 os n\u00f3s que precisam ser desfeitos e h\u00e1 os n\u00f3s que precisam ser fortalecidos: redes de conhecimento, mem\u00f3ria, solidariedade e cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa escolha impede que a mostra seja apenas uma galeria de hero\u00ednas. H\u00e1, evidentemente, mulheres cujos nomes j\u00e1 atravessaram os livros \u2014 Marie Curie, Ada Lovelace, Hip\u00e1tia, Bertha Lutz, Nise da Silveira, Margaret Hamilton. Mas elas aparecem ao lado de outras trajet\u00f3rias menos conhecidas, de diferentes \u00e9pocas, territ\u00f3rios e matrizes culturais. O efeito \u00e9 importante: em vez de apresentar a presen\u00e7a feminina na ci\u00eancia como uma exce\u00e7\u00e3o produzida por algumas personagens extraordin\u00e1rias, \u201c<em>N\u00f3s\u201d<\/em> sugere uma hist\u00f3ria muito mais extensa, feita tamb\u00e9m de trabalhos an\u00f4nimos, conhecimentos comunit\u00e1rios, observa\u00e7\u00f5es, cuidados, experimenta\u00e7\u00f5es e formas de produzir saber que nem sempre couberam nos modelos institucionais de ci\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"quando-conhecimento-tambem-e-territorio\">Quando conhecimento tamb\u00e9m \u00e9 territ\u00f3rio<\/h4>\n<p>Um dos aspectos mais potentes da curadoria est\u00e1 justamente em ampliar a pergunta sobre o que conta como conhecimento. A paj\u00e9 Patax\u00f3 Mestra Japira, por exemplo, aparece como guardi\u00e3 e educadora de hist\u00f3rias, rituais, tecnologias, pr\u00e1ticas de cura e saberes sobre as plantas. O conhecimento, nesse caso, n\u00e3o est\u00e1 separado da comunidade, da ancestralidade ou da rela\u00e7\u00e3o com o territ\u00f3rio. A exposi\u00e7\u00e3o coloca esse saber em di\u00e1logo com a trajet\u00f3ria de naturalistas, bot\u00e2nicas, arque\u00f3logas e cientistas, criando uma fric\u00e7\u00e3o produtiva entre diferentes maneiras de observar e interpretar o mundo. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11031\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/RES-mostra-nos-fig2-231x300.png\" alt=\"\" width=\"308\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/RES-mostra-nos-fig2-231x300.png 231w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/RES-mostra-nos-fig2-9x12.png 9w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/RES-mostra-nos-fig2.png 407w\" sizes=\"(max-width: 308px) 100vw, 308px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-1-divulgacao\" style=\"text-align: center;\">Figura 1. Divulga\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O calend\u00e1rio dos povos do rio Tiqui\u00e9 \u00e9 outro exemplo dessa amplia\u00e7\u00e3o. Suas constela\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o apenas desenhos no c\u00e9u: articulam ciclos ambientais, pesca, agricultura, \u00e1guas, animais e pr\u00e1ticas comunit\u00e1rias. Ao aproxim\u00e1-lo das observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas realizadas por mulheres como Maria Clara Eimmart, a exposi\u00e7\u00e3o desloca a astronomia de uma narrativa exclusivamente institucional. O c\u00e9u continua sendo o mesmo, mas as perguntas feitas a ele podem ser muito diferentes. E talvez seja justamente a\u00ed que a ci\u00eancia se torne mais interessante: quando percebemos que observar nunca \u00e9 um gesto neutro, porque depende tamb\u00e9m de onde se olha e de quais perguntas se considera leg\u00edtimas.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-ciencia-que-foi-deixada-de-fora\">A ci\u00eancia que foi deixada de fora<\/h4>\n<p><em>\u201cN\u00f3s\u201d<\/em> tamb\u00e9m percorre os mecanismos mais expl\u00edcitos de apagamento. Rosalind Franklin surge como exemplo conhecido de uma contribui\u00e7\u00e3o decisiva para a compreens\u00e3o da estrutura do DNA que durante muito tempo permaneceu \u00e0 margem da narrativa consagrada. Maria Lavoisier aparece como cientista, ilustradora e tradutora, revelando uma participa\u00e7\u00e3o que ultrapassa a imagem da \u201ccolaboradora\u201d de Antoine Lavoisier. Graziela Maciel Barroso, pioneira da bot\u00e2nica brasileira, e Emilie Snethlage, naturalista dedicada \u00e0 fauna amaz\u00f4nica, lembram que produzir ci\u00eancia tamb\u00e9m significava percorrer territ\u00f3rios, coletar, classificar, desenhar, registrar e construir acervos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-ceu-continua-sendo-o-mesmo-mas-as-perguntas-feitas-a-ele-podem-ser-muito-diferentes\" style=\"margin-bottom: 5pt; text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><i><span style=\"font-family: 'Calibri',sans-serif;\">\u201cO c\u00e9u continua sendo o mesmo, mas as perguntas feitas a ele podem ser muito diferentes.\u201d<\/span><\/i><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas a exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o se limita a corrigir nomes nas placas da hist\u00f3ria. Seu movimento mais interessante \u00e9 perguntar o que acontece quando se muda o sujeito que produz conhecimento. A pergunta deixa de ser apenas \u201cquais mulheres fizeram ci\u00eancia?\u201d e passa a ser \u201cque ci\u00eancia foi produzida quando mulheres puderam \u2014 ou precisaram \u2014 olhar para problemas que os modelos dominantes n\u00e3o enxergavam?\u201d. \u00c9 nesse ponto que a exposi\u00e7\u00e3o se aproxima de debates contempor\u00e2neos sobre ci\u00eancia inclusiva, vieses e produ\u00e7\u00e3o de conhecimento. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11030\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/RES-mostra-nos-fig3-222x300.png\" alt=\"\" width=\"296\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/RES-mostra-nos-fig3-222x300.png 222w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/RES-mostra-nos-fig3-9x12.png 9w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/RES-mostra-nos-fig3.png 402w\" sizes=\"(max-width: 296px) 100vw, 296px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-2-divulgacao\" style=\"text-align: center;\">Figura 2. Divulga\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de Londa Schiebinger ajuda a explicitar essa passagem. Ao abordar os efeitos dos vieses de g\u00eanero e ra\u00e7a em \u00e1reas como o reconhecimento facial, a exposi\u00e7\u00e3o mostra que a aus\u00eancia n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de justi\u00e7a hist\u00f3rica. Ela pode produzir conhecimento pior e tecnologias menos adequadas \u00e0 diversidade humana. O problema deixa de ser somente quem teve o direito de entrar no laborat\u00f3rio e passa a envolver tamb\u00e9m quais perguntas foram feitas, quais corpos foram considerados padr\u00e3o e quais experi\u00eancias permaneceram fora dos dados.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"corpos-memoria-e-resistencia\">Corpos, mem\u00f3ria e resist\u00eancia<\/h4>\n<p>\u00c9 nesse ponto que arte e ci\u00eancia deixam de parecer dois campos simplesmente colocados lado a lado. As obras das artistas contempor\u00e2neas funcionam como outras formas de investiga\u00e7\u00e3o. Berna Reale, Camila Soato, Thatiana Cardoso, Yacun\u00e3 Tux\u00e1, Paty Wolff, M\u00f4nica Ventura e tantas outras n\u00e3o ilustram necessariamente os conte\u00fados cient\u00edficos apresentados pela mostra. Elas tensionam esses conte\u00fados, devolvem-lhes corpo, mem\u00f3ria, experi\u00eancia e conflito.<\/p>\n<p>A escolha de reunir mulheres ind\u00edgenas, negras, brancas, brasileiras e estrangeiras, de diferentes gera\u00e7\u00f5es e linguagens, tamb\u00e9m impede que \u201cmulher\u201d apare\u00e7a como uma categoria homog\u00eanea. A exposi\u00e7\u00e3o incorpora discuss\u00f5es sobre feminismo negro, colonialidade, racialidade, sexualidade e identidade de g\u00eanero. L\u00e9lia Gonzalez, Sueli Carneiro, Beatriz Nascimento, bell hooks e Grada Kilomba ajudam a deslocar a discuss\u00e3o: n\u00e3o existe uma \u00fanica experi\u00eancia feminina, assim como n\u00e3o existe uma \u00fanica forma de exclus\u00e3o. Os n\u00f3s se cruzam. E justamente por isso n\u00e3o podem ser desatados um de cada vez.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"o-trabalho-que-nao-aparece\">O trabalho que n\u00e3o aparece<\/h4>\n<p>Talvez um dos n\u00facleos mais atuais seja aquele dedicado \u00e0 economia do cuidado. A exposi\u00e7\u00e3o lembra que cozinhar, limpar, criar filhos, cuidar de doentes e sustentar emocionalmente uma fam\u00edlia n\u00e3o s\u00e3o atividades que simplesmente acontecem fora da economia. S\u00e3o trabalho \u2014 embora historicamente tenham sido tratados como uma extens\u00e3o \u201cnatural\u201d da condi\u00e7\u00e3o feminina e, portanto, frequentemente n\u00e3o remunerados nem reconhecidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-problema-deixa-de-ser-somente-quem-teve-o-direito-de-entrar-no-laboratorio-e-passa-a-envolver-tambem-quais-perguntas-foram-feitas-quais-corpos-foram-considerados-padrao-e-quais-experiencia\" style=\"margin-bottom: 5pt; text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><i><span style=\"font-family: 'Calibri',sans-serif;\">\u201cO problema deixa de ser somente quem teve o direito de entrar no laborat\u00f3rio e passa a envolver tamb\u00e9m quais perguntas foram feitas, quais corpos foram considerados padr\u00e3o e quais experi\u00eancias permaneceram fora dos dados.\u201d<\/span><\/i><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa discuss\u00e3o produz uma passagem especialmente interessante entre ci\u00eancia, sociedade e vida cotidiana. Ao colocar o cuidado dentro da hist\u00f3ria da produ\u00e7\u00e3o, \u201c<em>N\u00f3s\u201d<\/em> questiona uma divis\u00e3o antiga entre aquilo que seria considerado conhecimento e aquilo que seria apenas reprodu\u00e7\u00e3o da vida. A mulher que observa plantas, a que pesquisa doen\u00e7as, a que desenha f\u00f3sseis, a que calcula \u00f3rbitas e a que sustenta uma casa aparecem, assim, dentro de uma mesma pergunta: quem produz as condi\u00e7\u00f5es para que uma sociedade exista e quem recebe o reconhecimento por isso?<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"desfazer-sem-apagar\">Desfazer sem apagar<\/h4>\n<p>H\u00e1, portanto, uma tens\u00e3o importante na exposi\u00e7\u00e3o. Ao recuperar mulheres historicamente invisibilizadas, ela n\u00e3o pretende simplesmente substituir uma narrativa masculina por uma narrativa feminina. Seu projeto parece mais ambicioso: ampliar o pr\u00f3prio campo da mem\u00f3ria. Isso significa reconhecer que a hist\u00f3ria da ci\u00eancia foi constru\u00edda por disputas de poder, institui\u00e7\u00f5es, crit\u00e9rios de legitimidade e formas espec\u00edficas de selecionar aquilo que merece ser preservado.<\/p>\n<p>Por isso, \u201c<em>N\u00f3s \u2013 Arte e Ci\u00eancia por Mulheres\u201d<\/em> funciona melhor quando n\u00e3o \u00e9 vista apenas como uma exposi\u00e7\u00e3o sobre mulheres. Ela \u00e9 tamb\u00e9m uma exposi\u00e7\u00e3o sobre a pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o do conhecimento. Sobre quem pode falar, quem pode ser ouvido, quem ganha uma assinatura, quem vira refer\u00eancia, quem permanece nos arquivos e quem desaparece deles. Ao fazer essas perguntas, a mostra transforma o apagamento em objeto de investiga\u00e7\u00e3o \u2014 e a mem\u00f3ria, em territ\u00f3rio de disputa. (<strong>Figura 3<\/strong>)<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11029\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/RES-mostra-nos-fig4-226x300.png\" alt=\"\" width=\"301\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/RES-mostra-nos-fig4-226x300.png 226w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/RES-mostra-nos-fig4-9x12.png 9w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/RES-mostra-nos-fig4.png 400w\" sizes=\"(max-width: 301px) 100vw, 301px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-3-divulgacao\" style=\"text-align: center;\">Figura 3. Divulga\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No fim, talvez seja esse o principal m\u00e9rito de <em>N\u00f3s<\/em>: n\u00e3o oferecer uma hist\u00f3ria definitiva das mulheres na arte e na ci\u00eancia \u2014 tarefa imposs\u00edvel, como reconhece a pr\u00f3pria curadoria \u2014, mas abrir frestas para que outras hist\u00f3rias possam entrar. A exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o desfaz todos os n\u00f3s. Nem poderia. Alguns s\u00e3o antigos demais, outros continuam sendo refeitos no presente. Mas, ao aproximar ci\u00eancia, arte, mem\u00f3ria, territ\u00f3rio, g\u00eanero e ra\u00e7a, ela mostra que produzir conhecimento tamb\u00e9m pode ser um gesto de repara\u00e7\u00e3o: olhar novamente para aquilo que parecia conhecido e descobrir, ali, outras presen\u00e7as.<\/p>\n<p>E talvez seja justamente essa a experi\u00eancia mais duradoura que uma exposi\u00e7\u00e3o como essa pode provocar. Depois de passar por suas mulheres, seus arquivos, suas obras e seus sil\u00eancios, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil olhar para uma hist\u00f3ria da ci\u00eancia como se ela tivesse sido escrita por poucos. O passado permanece o mesmo, mas a pergunta mudou. E, quando muda a pergunta, tamb\u00e9m pode mudar aquilo que somos capazes de enxergar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 id=\"onde-visitar-agora\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Onde visitar agora<\/strong><\/span><\/h5>\n<h5 id=\"local-atual-sesc-casa-verde-sao-paulo-sp\"><span style=\"color: #808080;\">Local atual: Sesc Casa Verde (S\u00e3o Paulo &#8211; SP).<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"periodo-de-12-de-setembro-de-2026-a-31-de-janeiro-de-2027\"><span style=\"color: #808080;\">Per\u00edodo: De 12 de setembro de 2026 a 31 de janeiro de 2027.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"horarios-terca-a-sexta-feira-das-10h30-as-18h30-sabados-domingos-e-feriados-em-horario-regular-de-funcionamento-da-unidade\"><span style=\"color: #808080;\">Hor\u00e1rios: Ter\u00e7a a sexta-feira, das 10h30 \u00e0s 18h30; s\u00e1bados, domingos e feriados em hor\u00e1rio regular de funcionamento da unidade.<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Talvez uma exposi\u00e7\u00e3o sobre mulheres comece justamente por aquilo que n\u00e3o est\u00e1&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":11027,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1,2,865],"tags":[],"coauthors":[31],"class_list":["post-11026","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-blog","category-blog-2","category-resenha"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11026","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11026"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11026\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11064,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11026\/revisions\/11064"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11027"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11026"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11026"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11026"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=11026"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}