{"id":11035,"date":"2026-10-21T07:30:20","date_gmt":"2026-10-21T07:30:20","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=11035"},"modified":"2026-10-07T13:54:51","modified_gmt":"2026-10-07T13:54:51","slug":"irene-joliot-curie-ciencia-em-movimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=11035","title":{"rendered":"Ir\u00e8ne Joliot-Curie: ci\u00eancia em movimento"},"content":{"rendered":"<p>Aos 18 anos, Ir\u00e8ne Joliot-Curie j\u00e1 havia trocado os livros da universidade pelos hospitais improvisados da Primeira Guerra Mundial. Ao lado da m\u00e3e, Marie Curie, ela aprendeu a operar equipamentos de raios X e passou a utiliz\u00e1-los para localizar fragmentos de proj\u00e9teis nos corpos de soldados feridos. Anos depois, em um laborat\u00f3rio de Paris, ajudaria a produzir algo que at\u00e9 ent\u00e3o parecia imposs\u00edvel: \u00e1tomos radioativos que n\u00e3o existiam naturalmente. Entre uma experi\u00eancia e outra, construiu uma trajet\u00f3ria que atravessou ci\u00eancia, medicina, pol\u00edtica e defesa da paz \u2014 e que lhe renderia, em 1935, o Pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria de Ir\u00e8ne Joliot-Curie, por\u00e9m, come\u00e7ou cercada por uma fam\u00edlia que j\u00e1 ocupava um lugar excepcional na ci\u00eancia. Nascida em Paris, em 1897, ela era a filha mais velha de Marie e Pierre Curie. Os pais trabalhavam longas horas em pesquisas sobre radioatividade e, durante parte de sua inf\u00e2ncia, foi o av\u00f4 paterno, Eug\u00e8ne Curie, m\u00e9dico aposentado, quem teve papel importante em sua forma\u00e7\u00e3o. Ele estimulou na menina o interesse pela natureza, pela poesia e tamb\u00e9m pela pol\u00edtica. (<strong>Figura 1<\/strong>)<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11038\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Irene-Joliot-Curie-fig1-300x201.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Irene-Joliot-Curie-fig1-300x201.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Irene-Joliot-Curie-fig1-1024x687.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Irene-Joliot-Curie-fig1-768x515.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Irene-Joliot-Curie-fig1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Irene-Joliot-Curie-fig1-800x537.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Irene-Joliot-Curie-fig1.jpg 1073w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-1-marie-curie-e-irene-joliot-curie-no-radium-institute-1922-foto-association-curie-joliot-curie-reproducao\" style=\"text-align: center;\">Figura 1. Marie Curie e Ir\u00e8ne Joliot-Curie no Radium Institute, 1922. (Foto: \u00a9Association Curie Joliot-Curie. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o de Ir\u00e8ne Joliot-Curie tamb\u00e9m fugiu aos padr\u00f5es de sua \u00e9poca. Durante dois anos, ela frequentou uma esp\u00e9cie de escola cooperativa organizada por Marie Curie e outros cientistas para seus filhos. Em vez de uma sala de aula convencional, as crian\u00e7as recebiam aulas de diferentes \u00e1reas ministradas pelos pr\u00f3prios pesquisadores, incluindo matem\u00e1tica, f\u00edsica, l\u00ednguas e artes. Mais tarde, retomaria a educa\u00e7\u00e3o formal e ingressaria na Universidade de Paris para estudar ci\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"da-guerra-ao-laboratorio\">Da guerra ao laborat\u00f3rio<\/h4>\n<p>A Primeira Guerra Mundial interrompeu seus estudos. Em 1914, quando Ir\u00e8ne Joliot-Curie tinha 17 anos, o conflito levou milhares de soldados aos hospitais com ferimentos provocados por armas de fogo e estilha\u00e7os. Marie Curie percebeu que a radiografia poderia ajudar os m\u00e9dicos a localizar objetos met\u00e1licos dentro do corpo dos combatentes e se empenhou em levar aparelhos de raios X para unidades pr\u00f3ximas \u00e0s frentes de batalha.<\/p>\n<p>Ir\u00e8ne Joliot-Curie, ent\u00e3o com 18 anos, acompanhou a m\u00e3e nessa tarefa. Aprendeu a operar os equipamentos, ajudou a instalar e administrar unidades m\u00f3veis de radiologia e tamb\u00e9m ensinou outras pessoas a utiliz\u00e1-los. A experi\u00eancia mostrou \u00e0 jovem pesquisadora uma dimens\u00e3o que acompanharia sua carreira: a ci\u00eancia n\u00e3o era apenas uma atividade realizada em laborat\u00f3rios, mas tamb\u00e9m uma ferramenta capaz de responder a problemas concretos e urgentes da sociedade. (<strong>Figura 2<\/strong>)<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11037\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Irene-Joliot-Curie-fig2-300x219.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"365\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Irene-Joliot-Curie-fig2-300x219.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Irene-Joliot-Curie-fig2-768x560.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Irene-Joliot-Curie-fig2-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Irene-Joliot-Curie-fig2-800x584.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Irene-Joliot-Curie-fig2.jpg 987w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-2-irene-joliot-curie-descendo-de-um-carro-radiologico-1916-foto-association-curie-joliot-curie-reproducao\" style=\"text-align: center;\">Figura 2. Ir\u00e8ne Joliot-Curie descendo de um &#8220;carro radiol\u00f3gico&#8221;, 1916. (Foto: \u00a9 Association Curie Joliot-Curie. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois da guerra, retomou sua forma\u00e7\u00e3o em f\u00edsica, qu\u00edmica e matem\u00e1tica e passou a trabalhar no Instituto do R\u00e1dio, em Paris, criado por Marie e Pierre Curie. Foi ali que conheceu Fr\u00e9d\u00e9ric Joliot, engenheiro qu\u00edmico que ingressou no laborat\u00f3rio como pesquisador. Marie Curie pediu \u00e0 filha que o orientasse nas t\u00e9cnicas de trabalho com materiais radioativos. A parceria cient\u00edfica logo se transformou em parceria pessoal, e os dois se casaram em 1926. A partir de 1928, passaram a assinar conjuntamente seus trabalhos cient\u00edficos.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"quando-o-atomo-se-torna-laboratorio\" style=\"text-align: left;\">Quando o \u00e1tomo se torna laborat\u00f3rio<\/h4>\n<p>Os Joliot-Curie dedicaram-se a investigar o n\u00facleo at\u00f4mico e a intera\u00e7\u00e3o entre diferentes elementos e part\u00edculas. Seus experimentos utilizavam part\u00edculas alfa \u2014 n\u00facleos de h\u00e9lio \u2014 para bombardear materiais. O objetivo era observar o que acontecia quando essas part\u00edculas atingiam os n\u00facleos dos \u00e1tomos.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1930, o casal chegou perto de interpretar corretamente alguns resultados importantes, mas n\u00e3o percebeu que seus experimentos continham pistas para fen\u00f4menos que seriam identificados por outros pesquisadores. A hist\u00f3ria da ci\u00eancia \u00e9 tamb\u00e9m feita desses momentos em que uma observa\u00e7\u00e3o correta pode receber uma interpreta\u00e7\u00e3o equivocada. O avan\u00e7o, muitas vezes, depende de uma nova pergunta feita sobre um resultado j\u00e1 conhecido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-ciencia-nao-era-apenas-uma-atividade-realizada-em-laboratorios-mas-tambem-uma-ferramenta-capaz-de-responder-a-problemas-concretos-e-urgentes-da-sociedade\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA ci\u00eancia n\u00e3o era apenas uma atividade realizada em laborat\u00f3rios, mas tamb\u00e9m uma ferramenta capaz de responder a problemas concretos e urgentes da sociedade.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1934, entretanto, Ir\u00e8ne e Fr\u00e9d\u00e9ric encontraram a pista decisiva. Ao bombardear uma amostra de alum\u00ednio com part\u00edculas alfa, observaram que ela continuava emitindo p\u00f3sitrons mesmo depois que o bombardeamento havia terminado. O fen\u00f4meno indicava que algo novo havia sido produzido durante a experi\u00eancia: \u00e1tomos radioativos de um elemento que, em sua forma natural, era est\u00e1vel.<\/p>\n<p>A conclus\u00e3o representava uma mudan\u00e7a fundamental. At\u00e9 ent\u00e3o, os elementos radioativos dispon\u00edveis para os pesquisadores precisavam ser extra\u00eddos de min\u00e9rios naturais, em processos trabalhosos, caros e limitados pela quantidade existente na natureza. Os Joliot-Curie demonstraram que era poss\u00edvel produzir artificialmente radiois\u00f3topos, transformando elementos est\u00e1veis em formas radioativas por meio de rea\u00e7\u00f5es nucleares.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"do-laboratorio-para-a-medicina\">Do laborat\u00f3rio para a medicina<\/h4>\n<p>A descoberta abriu um novo campo de investiga\u00e7\u00e3o. Se radiois\u00f3topos podiam ser produzidos artificialmente, eles poderiam tamb\u00e9m ser utilizados de maneira mais ampla para acompanhar processos f\u00edsicos, qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos. A radioatividade deixava de ser apenas uma propriedade observada em materiais encontrados na natureza e passava a ser uma ferramenta que os cientistas podiam produzir sob condi\u00e7\u00f5es controladas.<\/p>\n<p>As consequ\u00eancias para a medicina e para a pesquisa biom\u00e9dica foram profundas. Radiois\u00f3topos passaram a ser empregados como marcadores para acompanhar processos no organismo e estudar o funcionamento de \u00f3rg\u00e3os e tecidos. Entre suas aplica\u00e7\u00f5es est\u00e1 o uso de radiois\u00f3topos de iodo para investigar a atividade da tireoide. A mesma l\u00f3gica contribuiu para o desenvolvimento da medicina nuclear e de aplica\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas da radia\u00e7\u00e3o, inclusive no tratamento de diferentes tipos de c\u00e2ncer.<\/p>\n<p>A descoberta tamb\u00e9m teve consequ\u00eancias para a pr\u00f3pria f\u00edsica nuclear. O trabalho desenvolvido pelos Joliot-Curie contribuiu para a expans\u00e3o das pesquisas sobre o n\u00facleo at\u00f4mico, em um per\u00edodo de r\u00e1pidas transforma\u00e7\u00f5es na \u00e1rea. Estudos posteriores sobre rea\u00e7\u00f5es nucleares ajudariam a construir o conhecimento que levou \u00e0 descoberta da fiss\u00e3o nuclear, fen\u00f4meno no qual o n\u00facleo de determinados \u00e1tomos se divide e libera grande quantidade de energia.<\/p>\n<p>Em 1935, Ir\u00e8ne e Fr\u00e9d\u00e9ric Joliot-Curie receberam conjuntamente o Pr\u00eamio Nobel de Qu\u00edmica pela produ\u00e7\u00e3o artificial de novos elementos radioativos. O reconhecimento colocou Ir\u00e8ne Joliot-Curie ao lado da m\u00e3e na hist\u00f3ria da premia\u00e7\u00e3o: Marie Curie havia recebido o Nobel de F\u00edsica, em 1903, e o de Qu\u00edmica, em 1911. Ela tornou-se, assim, parte de uma das mais not\u00e1veis fam\u00edlias cient\u00edficas do s\u00e9culo XX \u2014 mas sua contribui\u00e7\u00e3o ao conhecimento tinha identidade pr\u00f3pria.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-cientista-alem-do-laboratorio\">A cientista al\u00e9m do laborat\u00f3rio<\/h4>\n<p>O Nobel n\u00e3o encerrou a trajet\u00f3ria de Ir\u00e8ne Joliot-Curie. Em 1936, ela assumiu o cargo de subsecret\u00e1ria de Estado para a Pesquisa Cient\u00edfica no governo franc\u00eas, tornando-se uma das primeiras mulheres a ocupar uma posi\u00e7\u00e3o ministerial no pa\u00eds. Sua passagem pela pol\u00edtica foi breve, mas reveladora de uma convic\u00e7\u00e3o que apareceria repetidamente em sua trajet\u00f3ria: a ci\u00eancia deveria ter participa\u00e7\u00e3o ativa na sociedade e precisava contar com pol\u00edticas p\u00fablicas e financiamento estatal.<\/p>\n<p>Ir\u00e8ne Joliot-Curie tamb\u00e9m se envolveu com movimentos antifascistas, com a defesa da educa\u00e7\u00e3o das mulheres e com organiza\u00e7\u00f5es internacionais voltadas \u00e0 paz. Em um per\u00edodo de crescente tens\u00e3o pol\u00edtica na Europa, ela e Fr\u00e9d\u00e9ric se posicionaram contra o fascismo e o nazismo. A possibilidade de que os conhecimentos produzidos pela f\u00edsica nuclear fossem empregados para fins militares tamb\u00e9m passou a preocupar o casal. Em 1939, diante da aproxima\u00e7\u00e3o da Segunda Guerra Mundial, os dois protegeram sua documenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica relacionada \u00e0 pesquisa nuclear.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"para-irene-joliot-curie-fazer-ciencia-nao-significava-afastar-se-dos-grandes-conflitos-de-seu-tempo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cPara Ir\u00e8ne Joliot-Curie, fazer ci\u00eancia n\u00e3o significava afastar-se dos grandes conflitos de seu tempo.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essa dimens\u00e3o pol\u00edtica ajuda a compreender uma caracter\u00edstica central de sua trajet\u00f3ria: para ela, fazer ci\u00eancia n\u00e3o significava afastar-se dos grandes conflitos de seu tempo. Ao contr\u00e1rio, pesquisa, educa\u00e7\u00e3o, pol\u00edtica, igualdade de g\u00eanero e paz estavam conectadas. Em 1946, assumiu a dire\u00e7\u00e3o do Instituto do R\u00e1dio e tamb\u00e9m participou da estrutura\u00e7\u00e3o das pesquisas nucleares francesas no per\u00edodo posterior \u00e0 guerra.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"o-legado-de-uma-cientista-cidada\" style=\"text-align: left;\">O legado de uma cientista-cidad\u00e3<\/h4>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre radioatividade e sa\u00fade, entretanto, tamb\u00e9m tinha um lado sombrio. Assim como sua m\u00e3e, Ir\u00e8ne Joliot-Curie esteve exposta durante anos \u00e0 radia\u00e7\u00e3o em um per\u00edodo em que os riscos biol\u00f3gicos ainda eram pouco compreendidos. Em 1946, um acidente envolvendo uma c\u00e1psula de pol\u00f4nio ocorreu no laborat\u00f3rio onde trabalhava. Ir\u00e8ne Joliot-Curie morreu em Paris, em 1956, aos 58 anos, em decorr\u00eancia de leucemia.<\/p>\n<p>Sua morte evidencia uma das grandes contradi\u00e7\u00f5es da hist\u00f3ria da radioatividade: a mesma \u00e1rea de conhecimento que abriu novas possibilidades para diagnosticar e tratar doen\u00e7as tamb\u00e9m exp\u00f4s seus primeiros pesquisadores a riscos que ainda n\u00e3o eram plenamente conhecidos. A trajet\u00f3ria de Ir\u00e8ne Joliot-Curie \u00e9, nesse sentido, insepar\u00e1vel da pr\u00f3pria hist\u00f3ria da constru\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre os benef\u00edcios e os perigos da radia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O legado de Ir\u00e8ne Joliot-Curie tamb\u00e9m atravessou gera\u00e7\u00f5es. Seus dois filhos seguiram carreiras cient\u00edficas: H\u00e9l\u00e8ne Joliot-Curie tornou-se f\u00edsica nuclear, enquanto Pierre Joliot dedicou-se \u00e0 bioqu\u00edmica. Mas talvez sua heran\u00e7a mais importante de esteja menos no sobrenome que compartilhou com a m\u00e3e e mais na maneira como articulou diferentes dimens\u00f5es da vida cient\u00edfica. Ela foi pesquisadora, professora, gestora, pol\u00edtica e ativista \u2014 e defendeu a ideia de que conhecimento cient\u00edfico n\u00e3o existe separado das escolhas feitas pela sociedade sobre seus usos.<\/p>\n<h6 id=\"capa-divulgacao\">Capa. Divulga\u00e7\u00e3o<\/h6>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Aos 18 anos, Ir\u00e8ne Joliot-Curie j\u00e1 havia trocado os livros da universidade&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":11036,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1,2],"tags":[],"coauthors":[77],"class_list":["post-11035","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-blog","category-blog-2"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11035","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11035"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11035\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11063,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11035\/revisions\/11063"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11036"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11035"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11035"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11035"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=11035"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}