{"id":11041,"date":"2026-10-22T07:30:08","date_gmt":"2026-10-22T07:30:08","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=11041"},"modified":"2026-10-07T13:54:33","modified_gmt":"2026-10-07T13:54:33","slug":"ciencia-nunca-e-uma-atividade-solitaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=11041","title":{"rendered":"\u201cCi\u00eancia nunca \u00e9 uma atividade solit\u00e1ria.\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Quando Giovanna Machado fala sobre ci\u00eancia, a escala pode mudar radicalmente. No laborat\u00f3rio, ela trabalha com materiais t\u00e3o pequenos que precisam ser observados em escala nanom\u00e9trica para revelar propriedades capazes de produzir efeitos em dimens\u00f5es muito maiores. Mas sua atua\u00e7\u00e3o cient\u00edfica tamb\u00e9m se volta para desafios concretos \u2014 energia, \u00e1gua, sa\u00fade e sustentabilidade \u2014 e para uma quest\u00e3o igualmente urgente: quem tem a oportunidade de participar da constru\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia brasileira.<\/em><\/p>\n<p><em>Em 2026, ela se tornou a primeira pesquisadora n\u00edvel 1A do CNPq no Centro de Tecnologias Estrat\u00e9gicas do Nordeste (CETENE), onde \u00e9 pesquisadora titular e atualmente ocupa o cargo de diretora. A conquista representa o reconhecimento de uma trajet\u00f3ria dedicada \u00e0 Ci\u00eancia dos Materiais e \u00e0 Qu\u00edmica, mas tamb\u00e9m ganha significado especial por acontecer em uma institui\u00e7\u00e3o de pesquisa localizada no Nordeste. \u201cVisibilidade cient\u00edfica n\u00e3o deve ser confundida com qualidade, mas a aus\u00eancia de visibilidade pode limitar oportunidades, colabora\u00e7\u00f5es e recursos\u201d, afirma.<\/em><\/p>\n<p><em>Essa preocupa\u00e7\u00e3o em abrir caminhos est\u00e1 presente tamb\u00e9m em uma das iniciativas que criou: o Programa Futuras Cientistas, lan\u00e7ado em 2012 para aproximar alunas e professoras do Ensino M\u00e9dio da pesquisa cient\u00edfica e das \u00e1reas de STEM. Vencedora do Pr\u00eamio LED \u2013 Luz na Educa\u00e7\u00e3o, em 2022, a vit\u00f3ria traduz uma convic\u00e7\u00e3o que atravessa sua trajet\u00f3ria: n\u00e3o basta dizer a uma menina que ela pode ser cientista; \u00e9 preciso criar condi\u00e7\u00f5es para que ela conhe\u00e7a esse universo e consiga se imaginar pertencendo a ele. \u201cHoje, a lideran\u00e7a acrescentou outra dimens\u00e3o: a possibilidade de criar condi\u00e7\u00f5es para que outras pessoas tamb\u00e9m possam descobrir\u201d, diz<\/em><\/p>\n<p><em>Nesta entrevista \u00e0 Ci\u00eancia &amp; Cultura, Giovanna Machado fala sobre o fasc\u00ednio pelos nanomateriais, os desafios de transformar descobertas de laborat\u00f3rio em tecnologias aplic\u00e1veis, as barreiras ainda enfrentadas pelas mulheres na ci\u00eancia, a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Nordeste e a import\u00e2ncia de formar pesquisadores capazes de fazer suas pr\u00f3prias perguntas.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura \u2014 Nanomateriais parecem coisa de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mas j\u00e1 est\u00e3o sendo usados para resolver problemas muito concretos. O que mais te fascina nesse universo da qu\u00edmica em escala t\u00e3o pequena?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Giovanna Machado \u2014<\/strong> O que mais me fascina \u00e9 justamente o fato de que, quando diminu\u00edmos a mat\u00e9ria para a escala nanom\u00e9trica, n\u00e3o estamos apenas tornando um material menor: podemos modificar profundamente suas propriedades. A rela\u00e7\u00e3o entre estrutura, superf\u00edcie e propriedade passa a ser determinante. Um mesmo material pode apresentar comportamento \u00f3ptico, eletr\u00f4nico, catal\u00edtico ou eletroqu\u00edmico muito diferente quando controlamos sua dimens\u00e3o, morfologia, interfaces e defeitos.<\/p>\n<p>Para mim, o mais interessante \u00e9 transformar esse conhecimento fundamental em solu\u00e7\u00f5es. No nosso grupo, trabalhamos com nanomateriais para produ\u00e7\u00e3o fotoeletroqu\u00edmica de hidrog\u00eanio verde, tratamento de efluentes, sensores e biomateriais. Estudamos, por exemplo, nanotubos de TiO\u2082, heteroestruturas de \u00f3xidos, materiais \u00e0 base de carbono e eletrodos produzidos por laser. Em todos esses casos, a escala nanom\u00e9trica nos permite controlar interfaces e caminhos de transfer\u00eancia de carga que seriam muito mais dif\u00edceis de manipular em materiais convencionais.<\/p>\n<p>\u00c9 essa possibilidade de ir da compreens\u00e3o de fen\u00f4menos muito pequenos a respostas para problemas muito grandes. Neste caso, posso destacar os temas que trabalhamos no laborat\u00f3rio, como energia, \u00e1gua, sa\u00fade e sustentabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"e-isso-que-transforma-a-ciencia-de-profissao-em-projeto-de-vida\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201c\u00c9 isso que transforma a ci\u00eancia de profiss\u00e3o em projeto de vida.\u201d<\/span> <\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2014 Voc\u00ea est\u00e1 construindo sua carreira em uma \u00e1rea de pesquisa bastante especializada. Em que momento voc\u00ea percebeu que queria fazer da ci\u00eancia n\u00e3o apenas uma profiss\u00e3o, mas um caminho para a vida?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GM \u2014<\/strong> Eu diria que essa percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o aconteceu em um \u00fanico momento. Foi sendo constru\u00edda \u00e0 medida que percebi que a ci\u00eancia reunia coisas que sempre me mobilizaram: curiosidade, desafio intelectual, liberdade para criar e possibilidade de produzir algo que ultrapassa o indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>Ao longo da forma\u00e7\u00e3o, e especialmente durante o doutorado e o p\u00f3s-doutorado, ficou claro para mim que eu n\u00e3o queria apenas trabalhar com ci\u00eancia; eu queria construir e entender perguntas, formar pessoas, criar laborat\u00f3rios e participar da constru\u00e7\u00e3o de ambientes onde outras pessoas tamb\u00e9m pudessem fazer ci\u00eancia. Minha experi\u00eancia internacional, no MIT, ampliou muito minha percep\u00e7\u00e3o sobre o que significa estar inserida em redes cient\u00edficas de excel\u00eancia, mas tamb\u00e9m refor\u00e7ou a convic\u00e7\u00e3o de que era poss\u00edvel e necess\u00e1rio contribuir para construir ci\u00eancia competitiva no Brasil.<\/p>\n<p>Hoje, depois de muitos anos de carreira, continuo sentindo entusiasmo quando um resultado experimental aparece, quando uma hip\u00f3tese come\u00e7a a fazer sentido ou quando um estudante passa a formular suas pr\u00f3prias perguntas. \u00c9 isso que transforma a ci\u00eancia de profiss\u00e3o em projeto de vida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2014 O que significa ser uma jovem mulher construindo uma carreira na qu\u00edmica hoje? Voc\u00ea percebe que algumas das barreiras enfrentadas pelas pesquisadoras permanecem?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GM \u2014<\/strong> Houve avan\u00e7os importantes. Hoje vemos muito mais mulheres ingressando na universidade, na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e ocupando espa\u00e7os de destaque cient\u00edfico. Mas presen\u00e7a num\u00e9rica n\u00e3o significa, automaticamente, igualdade de oportunidades. \u00c0 medida que avan\u00e7amos na carreira, especialmente nos n\u00edveis mais altos de lideran\u00e7a, produtividade e tomada de decis\u00e3o, a participa\u00e7\u00e3o feminina ainda \u00e9 pequena.<\/p>\n<p>Ao longo da minha trajet\u00f3ria, percebi que muitas barreiras se tornaram menos expl\u00edcitas, mas n\u00e3o necessariamente desapareceram. Elas podem aparecer na forma de menor reconhecimento, de diferentes expectativas sobre lideran\u00e7a, de redes de colabora\u00e7\u00e3o \u00e0s quais nem todos t\u00eam o mesmo acesso ou da necessidade de provar compet\u00eancia repetidas vezes. Por isso, considero fundamental n\u00e3o apenas discutir representatividade, mas criar condi\u00e7\u00f5es concretas para que meninas e mulheres permane\u00e7am na ci\u00eancia e possam chegar aos espa\u00e7os de decis\u00e3o.<\/p>\n<p>Essa \u00e9 tamb\u00e9m uma das raz\u00f5es pelas quais iniciativas como o Futuras Cientistas s\u00e3o t\u00e3o importantes para mim. N\u00e3o basta dizer a uma menina que ela pode ser cientista; \u00e9 preciso permitir que ela entre em um laborat\u00f3rio, conhe\u00e7a pesquisadoras, fa\u00e7a experimentos e consiga se imaginar pertencendo \u00e0quele lugar. O futuro da ci\u00eancia depende tamb\u00e9m de quem tem oportunidade de participar da sua constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Acredito que uma pol\u00edtica p\u00fablica de g\u00eanero iria contribuir significativamente para diminuir essas barreiras que ainda enfrentamos, principalmente em cargos e em \u00e1reas ainda de dom\u00ednio masculino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"nao-basta-dizer-a-uma-menina-que-ela-pode-ser-cientista-e-preciso-permitir-que-ela-entre-em-um-laboratorio-conheca-pesquisadoras-faca-experimentos-e-consiga-se-imaginar-pertencendo-aquele\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cN\u00e3o basta dizer a uma menina que ela pode ser cientista; \u00e9 preciso permitir que ela entre em um laborat\u00f3rio, conhe\u00e7a pesquisadoras, fa\u00e7a experimentos e consiga se imaginar pertencendo \u00e0quele lugar.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2014 Voc\u00ea acaba de se tornar a primeira pesquisadora 1A do CNPq no CETENE. O que essa conquista representa para voc\u00ea \u2014 e para a ci\u00eancia feita no Nordeste?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GM \u2014<\/strong> \u00c9 uma conquista que me emociona porque representa muitos anos de trabalho, mas eu n\u00e3o a vejo apenas como uma distin\u00e7\u00e3o individual. Chegar ao n\u00edvel 1A do CNPq significa o reconhecimento de uma trajet\u00f3ria cient\u00edfica constru\u00edda com estudantes, pesquisadores, t\u00e9cnicos, colaboradores e institui\u00e7\u00f5es. Ci\u00eancia nunca \u00e9 uma atividade solit\u00e1ria.<\/p>\n<p>Ser a primeira pesquisadora 1A do CETENE tem, para mim, um significado institucional muito especial. Mostra que \u00e9 poss\u00edvel desenvolver pesquisa de alto n\u00edvel e com reconhecimento nacional a partir de uma unidade de pesquisa localizada no Nordeste. Isso ajuda a romper uma vis\u00e3o ainda muito concentrada geograficamente sobre onde a ci\u00eancia de excel\u00eancia \u00e9 produzida no Brasil. Mas tamb\u00e9m traz muita responsabilidade. Quero que essa conquista ajude a abrir caminhos para outros pesquisadores, especialmente jovens cientistas e mulheres. O melhor significado de chegar a determinado lugar \u00e9 contribuir para que ele deixe de ser excepcional e passe a ser acess\u00edvel a muitas outras pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2014 Sua pesquisa transforma conhecimento em materiais e tecnologias para problemas muito concretos, como energia. O que muda quando a ci\u00eancia sai do laborat\u00f3rio e precisa responder a desafios do mundo real?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GM \u2014<\/strong> Muda quase tudo, e isso \u00e9 muito estimulante e desafiador. No laborat\u00f3rio conseguimos controlar in\u00fameras vari\u00e1veis. Quando pensamos em aplica\u00e7\u00e3o, aparecem quest\u00f5es de estabilidade, escala, custo, reprodutibilidade, disponibilidade de mat\u00e9rias-primas, seguran\u00e7a, impacto ambiental e integra\u00e7\u00e3o com sistemas reais. E estes s\u00e3o desafios de outro n\u00edvel. Um fotoeletrodo que funciona muito bem em uma \u00e1rea pequena, por exemplo, n\u00e3o necessariamente mant\u00e9m o mesmo desempenho quando aumentamos sua \u00e1rea. Surgem perdas relacionadas ao transporte de carga e massa, \u00e0 resist\u00eancia, \u00e0 uniformidade do material e \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o. Da mesma forma, tratar uma solu\u00e7\u00e3o-modelo de um poluente \u00e9 muito diferente de trabalhar com um efluente industrial real, que cont\u00e9m sais, corantes e in\u00fameros compostos interferentes.<\/p>\n<p>Por isso, tenho procurado aproximar cada vez mais a ci\u00eancia fundamental e o desenvolvimento tecnol\u00f3gico. N\u00e3o significa abandonar a pergunta cient\u00edfica; significa torn\u00e1-la mais completa. Quando a tecnologia encontra o mundo real, o pr\u00f3prio problema nos devolve novas perguntas cient\u00edficas. A ci\u00eancia precisa se aproximar da sociedade, e isto significa entender as necessidades da sociedade e desenvolver tecnologias para melhorar a qualidade de vida dela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-melhor-significado-de-chegar-a-determinado-lugar-e-contribuir-para-que-ele-deixe-de-ser-excepcional-e-passe-a-ser-acessivel-a-muitas-outras-pessoas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO melhor significado de chegar a determinado lugar \u00e9 contribuir para que ele deixe de ser excepcional e passe a ser acess\u00edvel a muitas outras pessoas.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2014 O Nordeste ainda aparece pouco nas narrativas sobre produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica no Brasil. O que a sua trajet\u00f3ria mostra sobre a ci\u00eancia que \u00e9 produzida na regi\u00e3o \u2014 e sobre o que ainda precisa mudar para que ela tenha mais visibilidade e oportunidades?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GM \u2014<\/strong> O Nordeste produz ci\u00eancia de grande qualidade, muitas vezes enfrentando assimetrias hist\u00f3ricas de infraestrutura, financiamento e concentra\u00e7\u00e3o de redes cient\u00edficas. Minha trajet\u00f3ria no CETENE mostra que, quando existe investimento, equipes qualificadas, colabora\u00e7\u00e3o e continuidade, podemos desenvolver projetos competitivos nacional e internacionalmente. Hoje trabalhamos em redes com institui\u00e7\u00f5es brasileiras e grupos no exterior, em temas de fronteira como hidrog\u00eanio verde, materiais fotoeletroqu\u00edmicos, tratamento de efluentes, biomateriais e nanotecnologia.<\/p>\n<p>Isso demonstra que localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica n\u00e3o determina qualidade cient\u00edfica. Mas ainda precisamos avan\u00e7ar. \u00c9 necess\u00e1rio ampliar e dar continuidade ao financiamento, fortalecer infraestruturas de pesquisa, criar oportunidades para fixa\u00e7\u00e3o de jovens doutores e aumentar a participa\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es do Nordeste nas grandes redes e decis\u00f5es nacionais de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m precisamos comunicar melhor o que fazemos. Visibilidade cient\u00edfica n\u00e3o deve ser confundida com qualidade, mas a aus\u00eancia de visibilidade pode limitar oportunidades, colabora\u00e7\u00f5es e recursos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>C&amp;C \u2014 Voc\u00ea tamb\u00e9m ocupa hoje um lugar de lideran\u00e7a. Como conciliar a gest\u00e3o, a forma\u00e7\u00e3o de novos pesquisadores e a pr\u00f3pria pesquisa sem perder aquilo que te fez escolher a ci\u00eancia l\u00e1 atr\u00e1s?<\/strong><\/p>\n<p><strong>GM \u2014<\/strong> Essa talvez seja uma das tarefas mais dif\u00edceis da carreira. A lideran\u00e7a \u00e9 solit\u00e1ria, consome tempo e exige decis\u00f5es que muitas vezes est\u00e3o muito distantes da bancada. Ao mesmo tempo, aprendi que liderar seja uma institui\u00e7\u00e3o, uma sociedade cient\u00edfica ou um grupo de pesquisa tamb\u00e9m \u00e9 uma maneira de fazer ci\u00eancia acontecer.<\/p>\n<p>Procuro preservar alguns espa\u00e7os que considero essenciais: acompanhar meus estudantes. Tenho reuni\u00f5es semanais com meu grupo e procuro, junto a eles, discutir resultados, escrever projetos e artigos e continuar pensando cientificamente. A forma\u00e7\u00e3o de pessoas, para mim, n\u00e3o \u00e9 uma atividade paralela \u00e0 pesquisa; \u00e9 parte central dela. \u00c9 a forma\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os \u00e9ticos. Um dos maiores resultados que podemos produzir \u00e9 um pesquisador que se torna independente, cr\u00edtico e capaz de formular suas pr\u00f3prias perguntas.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m aprendi que lideran\u00e7a, apesar de solit\u00e1ria, n\u00e3o deve significar centralizar tudo. \u00c9 preciso formar equipes, delegar, confiar e criar oportunidades. O que me fez escolher a ci\u00eancia foi a curiosidade e a possibilidade de descobrir. Hoje, a lideran\u00e7a acrescentou outra dimens\u00e3o: a possibilidade de criar condi\u00e7\u00f5es para que outras pessoas tamb\u00e9m possam descobrir.<\/p>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quando Giovanna Machado fala sobre ci\u00eancia, a escala pode mudar radicalmente. 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