{"id":11104,"date":"2026-11-04T07:30:19","date_gmt":"2026-11-04T07:30:19","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=11104"},"modified":"2026-10-28T13:04:13","modified_gmt":"2026-10-28T13:04:13","slug":"antibioticos-a-revolucao-que-mudou-a-medicina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=11104","title":{"rendered":"Antibi\u00f3ticos: a revolu\u00e7\u00e3o que mudou a medicina"},"content":{"rendered":"<p>Durante boa parte da hist\u00f3ria, uma infec\u00e7\u00e3o podia transformar um pequeno ferimento em uma amea\u00e7a \u00e0 vida. Uma pneumonia, uma infec\u00e7\u00e3o ap\u00f3s o parto ou uma bact\u00e9ria que entrasse no organismo por um corte na pele podiam ter consequ\u00eancias devastadoras. Antes da chegada dos antibi\u00f3ticos, os recursos para combater muitas infec\u00e7\u00f5es bacterianas eram limitados, e procedimentos m\u00e9dicos hoje considerados rotineiros envolviam riscos muito maiores.<\/p>\n<p>Muito antes de conhecerem os microrganismos ou compreenderem como as infec\u00e7\u00f5es se desenvolviam, diferentes sociedades j\u00e1 recorriam a subst\u00e2ncias naturais para tratar feridas e doen\u00e7as. Prepara\u00e7\u00f5es vegetais, materiais fermentados e outros produtos de origem biol\u00f3gica eram utilizados em pr\u00e1ticas tradicionais. Algumas dessas subst\u00e2ncias podiam conter compostos com atividade antimicrobiana, mas seu uso se baseava na experi\u00eancia, e n\u00e3o na identifica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dos agentes respons\u00e1veis por seus efeitos.<\/p>\n<p>A transforma\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ganhar impulso no s\u00e9culo XIX, quando a microbiologia avan\u00e7ou e os pesquisadores passaram a relacionar microrganismos espec\u00edficos a determinadas doen\u00e7as. Em 1889, o m\u00e9dico franc\u00eas Paul Vuillemin empregou o termo <em>antibiose<\/em> para descrever uma rela\u00e7\u00e3o em que um organismo prejudica outro. A ideia ajudaria a fundamentar um princ\u00edpio central da pesquisa antimicrobiana: encontrar subst\u00e2ncias capazes de combater agentes infecciosos sem provocar danos inaceit\u00e1veis ao organismo tratado.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"da-quimica-a-penicilina\">Da qu\u00edmica \u00e0 penicilina<\/h4>\n<p>No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, a busca por tratamentos espec\u00edficos ganhou for\u00e7a com o trabalho do m\u00e9dico e pesquisador alem\u00e3o Paul Ehrlich. Em 1909, sua equipe identificou um composto \u00e0 base de ars\u00eanico que se mostrou eficaz contra a s\u00edfilis. Comercializado a partir de 1910 como Salvarsan, o medicamento representou um marco da chamada quimioterapia antimicrobiana: a tentativa de atingir o agente causador de uma doen\u00e7a por meio de uma subst\u00e2ncia qu\u00edmica. Embora t\u00f3xico e posteriormente substitu\u00eddo por tratamentos mais seguros, o composto ajudou a estabelecer uma nova maneira de pensar a terap\u00eautica.<\/p>\n<p>A descoberta que mudaria a hist\u00f3ria da medicina, por\u00e9m, surgiu de uma observa\u00e7\u00e3o inesperada. Em 1928, o m\u00e9dico e bacteriologista escoc\u00eas Alexander Fleming examinava culturas de bact\u00e9rias do g\u00eanero <em>Staphylococcus<\/em> em seu laborat\u00f3rio, no Hospital St. Mary\u2019s, em Londres. Uma das placas havia sido contaminada por um bolor, e Fleming percebeu que as bact\u00e9rias n\u00e3o cresciam ao redor do fungo. A zona sem crescimento indicava que o microrganismo produzia alguma subst\u00e2ncia capaz de inibir as bact\u00e9rias.<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11105\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Antibioticos-a-revolucao-que-mudou-a-medicina-fig1-300x226.webp\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"376\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Antibioticos-a-revolucao-que-mudou-a-medicina-fig1-300x225.webp 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Antibioticos-a-revolucao-que-mudou-a-medicina-fig1-768x578.webp 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Antibioticos-a-revolucao-que-mudou-a-medicina-fig1-800x602.webp 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Antibioticos-a-revolucao-que-mudou-a-medicina-fig1.webp 984w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-1-alexander-fleming-foto-calibuon-wikimedia-commons-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 1. Alexander Fleming.<\/strong> (Foto: Calibuon\/ Wikimedia Commons. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fleming identificou o bolor como pertencente ao g\u00eanero <em>Penicillium<\/em> e deu \u00e0 subst\u00e2ncia respons\u00e1vel pela atividade antibacteriana o nome de penicilina. Em 1929, publicou seus resultados, abrindo caminho para uma nova frente de investiga\u00e7\u00e3o. A observa\u00e7\u00e3o foi decisiva, mas ainda havia obst\u00e1culos importantes: a subst\u00e2ncia era inst\u00e1vel, dif\u00edcil de purificar e de obter em quantidades suficientes para o tratamento de pacientes. Descobrir que algo podia inibir bact\u00e9rias n\u00e3o significava, por si s\u00f3, conseguir transform\u00e1-lo em medicamento.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"da-descoberta-ao-medicamento\">Da descoberta ao medicamento<\/h4>\n<p>A passagem da observa\u00e7\u00e3o de Fleming para um tratamento eficaz exigiu o trabalho de uma equipe. No fim da d\u00e9cada de 1930, pesquisadores da Universidade de Oxford, entre eles o patologista Howard Florey, o bioqu\u00edmico Ernst Boris Chain e diversos colaboradores, retomaram o estudo da penicilina. O grupo desenvolveu m\u00e9todos para extra\u00ed-la, purific\u00e1-la e testar seus efeitos em animais e seres humanos. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1940, os resultados cl\u00ednicos demonstraram seu potencial contra infec\u00e7\u00f5es bacterianas graves.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-historia-do-medicamento-nao-se-resume-ao-acaso-de-uma-placa-contaminada-mas-envolve-observacao-experimentacao-desenvolvimento-tecnologico-ensaios-clinicos-e-capacidade-de-produzir-e-dis\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cA hist\u00f3ria do medicamento n\u00e3o se resume ao acaso de uma placa contaminada, mas envolve observa\u00e7\u00e3o, experimenta\u00e7\u00e3o, desenvolvimento tecnol\u00f3gico, ensaios cl\u00ednicos e capacidade de produzir e distribuir um tratamento em escala.\u201d<\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Segunda Guerra Mundial acelerou a produ\u00e7\u00e3o e a distribui\u00e7\u00e3o do medicamento. Com a participa\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios, institui\u00e7\u00f5es de pesquisa e empresas farmac\u00eauticas do Reino Unido e dos Estados Unidos, tornou-se poss\u00edvel ampliar a fabrica\u00e7\u00e3o da penicilina. O antibi\u00f3tico foi utilizado no tratamento de soldados e de outras pessoas com infec\u00e7\u00f5es, contribuindo para reduzir mortes em situa\u00e7\u00f5es nas quais as op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas eram escassas. A produ\u00e7\u00e3o em escala industrial marcou a passagem de uma descoberta laboratorial para uma interven\u00e7\u00e3o de grande alcance na sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-11107\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Antibioticos-a-revolucao-que-mudou-a-medicina-fig2-300x200.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Antibioticos-a-revolucao-que-mudou-a-medicina-fig2-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Antibioticos-a-revolucao-que-mudou-a-medicina-fig2-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Antibioticos-a-revolucao-que-mudou-a-medicina-fig2-768x511.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Antibioticos-a-revolucao-que-mudou-a-medicina-fig2-1536x1022.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Antibioticos-a-revolucao-que-mudou-a-medicina-fig2-2048x1363.jpg 2048w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Antibioticos-a-revolucao-que-mudou-a-medicina-fig2-800x532.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Antibioticos-a-revolucao-que-mudou-a-medicina-fig2-1160x772.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2026\/10\/HC-Antibioticos-a-revolucao-que-mudou-a-medicina-fig2-scaled.jpg 2560w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-2-penicilina-foto-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><strong>Figura 2. Penicilina. <\/strong>(Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em 1945, Fleming, Chain e Florey receberam o Pr\u00eamio Nobel de Fisiologia ou Medicina pelo trabalho relacionado \u00e0 descoberta da penicilina e aos seus efeitos terap\u00eauticos. O reconhecimento simbolizou uma conquista coletiva: a hist\u00f3ria do medicamento n\u00e3o se resume ao acaso de uma placa contaminada, mas envolve observa\u00e7\u00e3o, experimenta\u00e7\u00e3o, desenvolvimento tecnol\u00f3gico, ensaios cl\u00ednicos e capacidade de produzir e distribuir um tratamento em escala. A penicilina tornou-se um dos emblemas da medicina moderna.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-era-de-ouro-dos-antibioticos\">A era de ouro dos antibi\u00f3ticos<\/h4>\n<p>A penicilina foi apenas o come\u00e7o. A partir dos anos 1940, a pesquisa de subst\u00e2ncias produzidas por microrganismos do solo ampliou rapidamente as possibilidades de tratamento. Em 1943, o microbiologista Selman Waksman e seus colaboradores identificaram a estreptomicina, um antibi\u00f3tico produzido por bact\u00e9rias do g\u00eanero <em>Streptomyces<\/em>. Sua import\u00e2ncia foi especialmente grande no combate \u00e0 tuberculose, doen\u00e7a que por muito tempo teve op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas bastante limitadas.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas seguintes, pesquisadores descobriram ou desenvolveram diferentes classes de antibi\u00f3ticos, incluindo tetraciclinas, cefalosporinas e outros compostos que atuam sobre estruturas e processos essenciais das bact\u00e9rias. O per\u00edodo entre os anos 1940 e 1960 \u00e9 frequentemente descrito como uma era de ouro da descoberta desses medicamentos. A diversidade de subst\u00e2ncias encontradas permitiu tratar uma variedade crescente de infec\u00e7\u00f5es e tornou poss\u00edveis avan\u00e7os em \u00e1reas como cirurgia, transplantes e tratamentos oncol\u00f3gicos, que dependem tamb\u00e9m da preven\u00e7\u00e3o e do controle de infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"o-futuro-desses-tratamentos-depende-tanto-da-capacidade-de-inovar-quanto-das-escolhas-feitas-hoje\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\"><em>\u201cO futuro desses tratamentos depende tanto da capacidade de inovar quanto das escolhas feitas hoje <\/em><\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os antibi\u00f3ticos, entretanto, n\u00e3o s\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o universal para todas as doen\u00e7as infecciosas. Eles atuam contra bact\u00e9rias, interferindo, por exemplo, na forma\u00e7\u00e3o da parede celular ou na produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas necess\u00e1rias \u00e0 sobreviv\u00eancia desses microrganismos. N\u00e3o combatem v\u00edrus, como os que causam gripe e resfriado. A distin\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental: usar um antibi\u00f3tico quando a doen\u00e7a \u00e9 viral n\u00e3o traz benef\u00edcio contra o v\u00edrus e ainda pode contribuir para selecionar bact\u00e9rias resistentes.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"quando-os-medicamentos-deixam-de-funcionar\">Quando os medicamentos deixam de funcionar<\/h4>\n<p>A capacidade das bact\u00e9rias de sobreviver \u00e0 a\u00e7\u00e3o de medicamentos \u00e9 um fen\u00f4meno biol\u00f3gico que acompanha a pr\u00f3pria hist\u00f3ria dos antibi\u00f3ticos. Em popula\u00e7\u00f5es bacterianas, algumas variantes podem apresentar caracter\u00edsticas que lhes permitem resistir a determinado tratamento. Quando um antibi\u00f3tico \u00e9 usado, as bact\u00e9rias sens\u00edveis tendem a ser eliminadas, enquanto as resistentes podem sobreviver e se multiplicar. O uso inadequado ou excessivo desses medicamentos favorece esse processo, embora a resist\u00eancia tamb\u00e9m possa surgir e se disseminar por mecanismos naturais de evolu\u00e7\u00e3o e troca de material gen\u00e9tico.<\/p>\n<p>A resist\u00eancia antimicrobiana tornou-se um dos grandes desafios contempor\u00e2neos da sa\u00fade p\u00fablica. Segundo a <a href=\"https:\/\/www.who.int\/pt\/about\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS)<\/span>,<\/strong><\/a> em 2023 aproximadamente uma em cada seis infec\u00e7\u00f5es bacterianas confirmadas em laborat\u00f3rio no mundo era resistente aos tratamentos com antibi\u00f3ticos. Entre 2018 e 2023, a resist\u00eancia aumentou em mais de 40% das combina\u00e7\u00f5es de microrganismos e medicamentos monitoradas pela organiza\u00e7\u00e3o. Esses dados mostram que infec\u00e7\u00f5es comuns podem se tornar mais dif\u00edceis de tratar e que as op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas dispon\u00edveis n\u00e3o devem ser consideradas garantidas.<\/p>\n<p>O problema n\u00e3o se resolve apenas com a descoberta de novas mol\u00e9culas. \u00c9 necess\u00e1rio investir em pesquisa e desenvolvimento, ampliar o acesso a diagn\u00f3sticos e tratamentos adequados, prevenir infec\u00e7\u00f5es e fortalecer a vigil\u00e2ncia da resist\u00eancia. Tamb\u00e9m \u00e9 essencial usar antibi\u00f3ticos somente quando indicados por profissionais de sa\u00fade, respeitar a prescri\u00e7\u00e3o e evitar compartilhar medicamentos ou guardar sobras para outra ocasi\u00e3o. A responsabilidade \u00e9 coletiva: envolve servi\u00e7os de sa\u00fade, governos, ind\u00fastria, produ\u00e7\u00e3o animal, ambiente e sociedade.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"o-futuro-pode-estar-onde-menos-esperamos\">O futuro pode estar onde menos esperamos<\/h4>\n<p>Apesar dos obst\u00e1culos, a busca por novos compostos continua \u2014 e parte dela explora rela\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas que existem h\u00e1 milh\u00f5es de anos. Um exemplo vem das formigas-cortadeiras, que cultivam fungos em seus ninhos como fonte de alimento. Para proteger essas culturas de organismos capazes de destru\u00ed-las, as formigas mant\u00eam associa\u00e7\u00f5es com bact\u00e9rias que produzem subst\u00e2ncias antimicrobianas. Pesquisadores investigam se esses compostos naturais podem inspirar tratamentos para infec\u00e7\u00f5es humanas.<\/p>\n<p>Em um <a href=\"www.nature.com\/articles\/s41467-019-08438-0.\"><strong><span style=\"color: #800000;\">estudo<\/span><\/strong><\/a> conduzido por pesquisadores da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\"><strong>Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/strong><\/a><\/span>, liderados por M\u00f4nica Tallarico Pupo, em colabora\u00e7\u00e3o com Jon Clardy, da Universidade Harvard, foi identificada a cifomicina, uma mol\u00e9cula produzida por bact\u00e9rias associadas a formigas. Em testes laboratoriais e pr\u00e9-cl\u00ednicos, o composto demonstrou atividade contra fungos patog\u00eanicos, inclusive alguns resistentes a medicamentos dispon\u00edveis. O resultado n\u00e3o significa que a cifomicina j\u00e1 seja um tratamento aprovado: ainda s\u00e3o necess\u00e1rias etapas de pesquisa para avaliar sua seguran\u00e7a, efic\u00e1cia e poss\u00edvel aplica\u00e7\u00e3o cl\u00ednica. A descoberta, por\u00e9m, refor\u00e7a o potencial da biodiversidade como fonte de mol\u00e9culas para o desenvolvimento de f\u00e1rmacos.<\/p>\n<p>A hist\u00f3ria dos antibi\u00f3ticos mostra que uma observa\u00e7\u00e3o fortuita pode abrir caminhos extraordin\u00e1rios, mas que transformar uma descoberta em benef\u00edcio para a sociedade exige ci\u00eancia continuada, colabora\u00e7\u00e3o e investimento. A penicilina revolucionou o tratamento de infec\u00e7\u00f5es, e as gera\u00e7\u00f5es seguintes de medicamentos ampliaram as possibilidades da medicina. Agora, diante da resist\u00eancia crescente, o desafio \u00e9 preservar a efic\u00e1cia do que j\u00e1 existe e encontrar novas alternativas. O futuro desses tratamentos depende tanto da capacidade de inovar quanto das escolhas feitas hoje para usar os antibi\u00f3ticos com responsabilidade.<\/p>\n<h6 id=\"capa-magnific-reproducao\">Capa. Magnific. Reprodu\u00e7\u00e3o.<\/h6>\n<h6 id=\"ciencia-cultura-2022-by-sbpc-is-licensed-under-cc-by-sa-4-0\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #808080;\"><a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\">Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>\u00a0\u00a9 2022 by\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/\">SBPC<\/a>\u00a0is licensed under\u00a0<a style=\"color: #808080;\" href=\"https:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-sa\/4.0\/\">CC BY-SA 4.0 \u00a0 <\/a><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/cc.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/by.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/mirrors.creativecommons.org\/presskit\/icons\/sa.svg\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" \/><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Durante boa parte da hist\u00f3ria, uma infec\u00e7\u00e3o podia transformar um pequeno ferimento&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":11106,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[1,2],"tags":[],"coauthors":[77],"class_list":["post-11104","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-blog","category-blog-2"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11104","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11104"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11104\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11160,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11104\/revisions\/11160"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/11106"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11104"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11104"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11104"},{"taxonomy":"author","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcoauthors&post=11104"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}