{"id":1446,"date":"2022-03-01T12:06:47","date_gmt":"2022-03-01T12:06:47","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=1446"},"modified":"2023-09-07T18:46:26","modified_gmt":"2023-09-07T18:46:26","slug":"os-protagonistas-da-independencia-do-brasil-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=1446","title":{"rendered":"Os protagonistas da independ\u00eancia do Brasil"},"content":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, ministro e conselheiro, preparou o documento que iniciou oficialmente o processo de separa\u00e7\u00e3o com Portugal em 6 de agosto de 1822. Maria Leopoldina, na condi\u00e7\u00e3o de princesa regente do Brasil, presidiu uma decisiva sess\u00e3o do Conselho de Estado no dia 2 de setembro de 1822, solidificando o caminho para a separa\u00e7\u00e3o entre o Brasil e Portugal. E D. Pedro, pr\u00edncipe regente, declarou o territ\u00f3rio brasileiro definitivamente separado da metr\u00f3pole portuguesa, no dia 7 de setembro de 1822.<\/p>\n<p>D. Pedro, Maria Leopoldina e Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio s\u00e3o algumas das mais ilustres personalidades da Independ\u00eancia do Brasil, relembradas e celebradas na Hist\u00f3ria. Mas n\u00e3o foram as \u00fanicas figuras importantes nesse processo. A luta pela separa\u00e7\u00e3o de Portugal foi travada por in\u00fameros personagens: populares, escravizados e ind\u00edgenas, que desempenharam papeis essenciais para tornar o Brasil independente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-luta-pela-separacao-de-portugal-foi-travada-por-inumeros-personagens-populares-escravizados-e-indigenas-que-desempenharam-papeis-essenciais-para-tornar-o-brasil-independente-8221\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">&#8220;A luta pela separa\u00e7\u00e3o de Portugal foi travada por in\u00fameros personagens \u2014 populares, escravizados e ind\u00edgenas que desempenharam papeis essenciais para tornar o Brasil independente.&#8221;<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cOs personagens importantes foram incont\u00e1veis, e seria bastante ilus\u00f3rio elencar meia d\u00fazia de homens brancos que viviam ao redor de D. Pedro\u201d, aponta Jo\u00e3o Paulo Peixoto Costa, professor de Hist\u00f3ria do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ifpi.edu.br\/\">Instituto Federal do Piau\u00ed<\/a> <\/span>(IFP). \u201cN\u00e3o se trata de ignorar a atua\u00e7\u00e3o dessas pessoas, que estiveram inclusive em Lisboa, se indispuseram com as medidas das Cortes portuguesas que queriam rever os privil\u00e9gios do Brasil e articularam o projeto de separa\u00e7\u00e3o. Mas a pr\u00f3pria ideia de independ\u00eancia n\u00e3o teria tido a m\u00ednima reverbera\u00e7\u00e3o sem a atua\u00e7\u00e3o desses populares\u201d.<\/p>\n<h3 id=\"um-cenario-em-ebulicao\"><strong>Um cen\u00e1rio em ebuli\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p><strong>\u00a0<\/strong>A chegada da fam\u00edlia real portuguesa ao Brasil, em 1808 \u2014 fugindo das tropas francesas que invadiram Portugal \u2014 fez com que as rela\u00e7\u00f5es entre as duas partes do imp\u00e9rio luso-brasileiro mudasse significativamente. O estabelecimento da fam\u00edlia real no Brasil ocasionou uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as, como a abertura dos portos e outras medidas adotadas por D. Jo\u00e3o, que contribu\u00edram para o desenvolvimento comercial e\u00a0econ\u00f4mico\u00a0na col\u00f4nia. No Brasil, o estabelecimento da fam\u00edlia real implicou no aumento dos impostos e na interfer\u00eancia direta na administra\u00e7\u00e3o da capitania. Enquanto em Portugal a invas\u00e3o francesa deixou como legado uma forte crise, tanto pol\u00edtica quanto econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Pressionado pelas Cortes portuguesas, D. Jo\u00e3o retorna a Portugal em 1821, mas deixa seu filho, D. Pedro, como pr\u00edncipe regente do Brasil. Com isso, ocorre a reivindica\u00e7\u00e3o da transfer\u00eancia das principais institui\u00e7\u00f5es criadas durante o Per\u00edodo Joanino para Portugal, o envio de mais tropas para o Rio de Janeiro, e outras medidas tomadas pelos portugueses serviram para aumentar o descontentamento.<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, cresce a press\u00e3o dos portugueses para que o pr\u00edncipe retorne a Portugal, ao mesmo tempo em que, no Brasil, um grupo se organiza pela perman\u00eancia do regente. Esse grupo, intitulado \u201cClube\u00a0da\u00a0Resist\u00eancia\u201d, em janeiro de 1822, elabora um documento apontando as raz\u00f5es para a perman\u00eancia do pr\u00edncipe no Brasil, al\u00e9m de coletar oito mil assinaturas em um abaixo-assinado defendendo sua continua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. Motivado pelo apoio recebido, D. Pedro declara que permaneceria no pa\u00eds, no que ficou popularmente conhecido como o \u201cDia do Fico\u201d. Refor\u00e7ando sua posi\u00e7\u00e3o, o regente decreta o \u201cCumpra-se\u201d \u2014 uma ordem estabelecendo que\u00a0nenhuma lei ou determina\u00e7\u00e3o vinda de Portugal seria v\u00e1lida no Brasil sem sua autoriza\u00e7\u00e3o. A rea\u00e7\u00e3o portuguesa foi inexor\u00e1vel: Portugal considerou a Assembleia Constituinte brasileira ileg\u00edtima,\u00a0anulou os poderes pol\u00edticos do pr\u00edncipe e declarou seu mandato ilegal, e ainda amea\u00e7ou invadir o Brasil se D. Pedro se recusasse a retornar.<\/p>\n<p>Maria Leopoldina e Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio tiveram papel fundamental nos acontecimentos de ent\u00e3o. Quando as Cortes portuguesas passaram a exigir o retorno de D. Pedro a Portugal, Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio defendeu a autonomia brasileira e convenceu os deputados brasileiros a apoiar\u00a0a perman\u00eancia do pr\u00edncipe no Brasil. Ele contou com o apoio de Maria Leopoldina que, na aus\u00eancia de D. Pedro, permaneceu como princesa\u00a0regente. Foi ela quem recebeu as not\u00edcias de que Portugal estava preparando uma a\u00e7\u00e3o contra o Brasil. A D. Pedro coube declarar a separa\u00e7\u00e3o definitiva, no dia 7 de setembro.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-1282 size-full\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/protagonistas-1.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"363\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/protagonistas-1.jpg 500w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/protagonistas-1-300x218.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/protagonistas-1-18x12.jpg 18w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-1-jose-bonifacio-de-andrada-e-silva-considerado-um-dos-pais-fundadores-da-independencia-do-brasil\"><span id=\"figura-1-jose-bonifacio-de-andrada-e-silva-considerado-um-dos-pais-fundadores-da-independencia-do-brasiljose-bonifacio-de-andrada-e-silva-de-benedito-calixto-reproducao\"><strong>Figura 1.<\/strong>\u00a0<strong>Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva, considerado um dos pais fundadores da Independ\u00eancia do Brasil<br \/>\n<\/strong>(\u201cJos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva\u201d, de Benedito Calixto. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/h6>\n<p>Nesse processo, tamb\u00e9m s\u00e3o figuras essenciais o pol\u00edtico e jornalista Joaquim Gon\u00e7alves Ledo e o religioso Janu\u00e1rio da Cunha Barbosa. Considerado um dos articuladores da Independ\u00eancia do Brasil, Joaquim Gon\u00e7alves foi um dos respons\u00e1veis pelo Dia do Fico e pela convoca\u00e7\u00e3o da Assembleia Constituinte de 1822. Fundador do Rev\u00e9rbero Constitucional Fluminense, peri\u00f3dico com intuito de defender a causa da independ\u00eancia brasileira, Janu\u00e1rio Barbosa organizou o documento com mais de oito mil assinaturas que pedia a perman\u00eancia de D. Pedro no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cO projeto da independ\u00eancia do Brasil foi um projeto das elites\u201d, explica Lucia Maria Bastos Pereira das Neves, professora do Departamento de Hist\u00f3ria do Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas da<span style=\"color: #800000;\"> <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.uerj.br\/\">Universidade do Estado do Rio de Janeiro<\/a> <\/span>(UERJ). \u201cForam as elites pol\u00edticas e intelectuais os condutores do movimento. Mas isso n\u00e3o significa que se pode esquecer que tamb\u00e9m houve uma grande participa\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas e escravizados, especialmente nas guerras de independ\u00eancia, mesmo porque lutar pela independ\u00eancia do Brasil poderia significar lutar por sua pr\u00f3pria liberdade\u201d, diz.<\/p>\n<h3 id=\"participacao-popular\"><strong>Participa\u00e7\u00e3o popular<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo Costa, embora o projeto da separa\u00e7\u00e3o de Portugal tenha sido articulado especialmente pela elite, \u00e9 equivocado pensar que a popula\u00e7\u00e3o estava alheia aos acontecimentos. \u201cO povo esteve atento a tudo que se passava, desde quando estourou a Revolu\u00e7\u00e3o Liberal do Porto no final de 1820 e tiveram in\u00edcio em 1821 as Cortes de Lisboa \u2014 uma institui\u00e7\u00e3o que passou comandar o imp\u00e9rio e pretendia elaborar uma Constitui\u00e7\u00e3o sob a qual o rei estaria submetido. O povo n\u00e3o era indiferente a tudo isso\u201d. O pesquisador explica que a ades\u00e3o ao projeto da independ\u00eancia brasileira n\u00e3o nascia de um \u201cnacionalismo\u201d, mas sim de uma oposi\u00e7\u00e3o a Portugal. \u201cGrande parte dos grupos populares viam no rei uma entidade protetora contra os abusos das elites pol\u00edticas e econ\u00f4micas, que eram violentos e gananciosos no usufruto de sua m\u00e3o de obra e de suas terras. Portanto, o retorno do monarca e a proposta de uma Constitui\u00e7\u00e3o eram bastante amea\u00e7adoras para muitos, que passaram a ver nas Cortes \u2014 e, gradativamente, em Portugal \u2014 um inimigo\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"embora-o-projeto-da-independencia-tenha-sido-articulado-especialmente-pela-elite-e-equivocado-pensar-que-a-populacao-estava-alheia-aos-acontecimentos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">&#8220;Embora o projeto da independ\u00eancia tenha sido articulado especialmente pela elite, \u00e9 equivocado pensar que a popula\u00e7\u00e3o estava alheia aos acontecimentos.&#8221;<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de frequentemente relembradas, essas grandes personalidades n\u00e3o foram as \u00fanicas a desempenharem papeis importantes no processo na independ\u00eancia. \u201cA Hist\u00f3ria ensinada em sala de aula muitas vezes foca nos grandes nomes, nas grandes figuras. Mas ensinar Hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 apenas ensinar nomes e datas, \u00e9 ensinar a refletir, a pensar criticamente\u201d, enfatiza Neves. \u201cA independ\u00eancia da \u00e9poca era a n\u00e3o sujei\u00e7\u00e3o de um povo a um processo, a uma lei \u2014 no caso, Portugal. E desse rompimento com Portugal participaram v\u00e1rios personagens desconhecidos: uma gama populares sem rosto e sem nome que tamb\u00e9m foram protagonistas da Independ\u00eancia\u201d.<a href=\"#_edn1\" name=\"_ednref1\"><\/a><\/p>\n<h3 id=\"negros-e-indigenas\"><strong>Negros e ind\u00edgenas<\/strong><\/h3>\n<p>O processo de independ\u00eancia n\u00e3o foi um processo homog\u00eaneo ou pac\u00edfico. Muitas prov\u00edncias se declararam contra a separa\u00e7\u00e3o de Portugal e v\u00e1rios conflitos eclodiram pelo pa\u00eds. Na Bahia, um violento combate se desenrolou entre 7 de setembro de 1822 e 2 de julho de 1823. Na regi\u00e3o do Gr\u00e3o-Par\u00e1, a resist\u00eancia contra o dom\u00ednio imperial acabou deixando cerca de 1300 mortos, parte deles por asfixia no por\u00e3o de navios capturados pelas for\u00e7as de D. Pedro. Os conflitos se estenderam at\u00e9 meados de 1825.<\/p>\n<p>Nessas batalhas, a participa\u00e7\u00e3o de negros e ind\u00edgenas foi fundamental. \u201cEscravos baianos fugiam para voluntariar-se nas tropas, num misto de civismo e de busca pela liberdade pessoal\u201d, explica Adriano Comissoli, professor do Departamento de Hist\u00f3ria e do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Hist\u00f3ria da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufsm.br\/\">Universidade Federal de Santa Maria<\/a> <\/span>(UFSM). \u201cNo caso de ind\u00edgenas, temos registro de participa\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m de negativa em lutar e de manifesta\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis a D. Jo\u00e3o. Algumas dessas manifesta\u00e7\u00f5es estiveram atravessadas por conflitos locais, como a defesa das terras ind\u00edgenas frente \u00e0 tentativa de invas\u00e3o por grandes propriet\u00e1rios. Ou seja, a independ\u00eancia mesclava tamb\u00e9m antigas animosidades. No extremo sul do Brasil, os charruas apoiaram o projeto de Jos\u00e9 Gerv\u00e1sio Artigas (l\u00edder pol\u00edtico, general militar e estadista da regi\u00e3o do R\u00edo de la Plata, que lutou nas guerras de independ\u00eancia da Am\u00e9rica Latina contra os Imp\u00e9rios Espanhol Portugu\u00eas) de criar uma Confedera\u00e7\u00e3o dos Povos Livres e, por isso, se opuseram \u00e0s for\u00e7as portuguesas at\u00e9 1820, quando foram vencidos\u201d, continua.<\/p>\n<p>Entre os ind\u00edgenas, destaca-se a figura do guarani Andr\u00e9s Guacurary e Artigas, mais conhecido como Andresito. Filho adotivo Jos\u00e9 Gerv\u00e1sio Artigas, Andresito nasceu em S\u00e3o Borja (atualmente Estado do Rio Grande do Sul, Brasil) e cresceu na vizinha S\u00e3o Tom\u00e9 (hoje Prov\u00edncia de Corrientes, Argentina). Foi Comandante General das Miss\u00f5es, e destacou-se na tentativa de criar uma Confedera\u00e7\u00e3o dos Povos Livres na regi\u00e3o do extremo sul, que inclu\u00eda n\u00e3o apenas ind\u00edgenas, mas tamb\u00e9m escravos libertos (muitos libertados por ele) e popula\u00e7\u00e3o empobrecida. Combateu as tropas portuguesas em v\u00e1rias ocasi\u00f5es, at\u00e9 ser finalmente capturado em 1819.<\/p>\n<h3 id=\"revolucao-feminina\"><strong>Revolu\u00e7\u00e3o feminina<\/strong><\/h3>\n<p>&#8220;Pela maior parte da hist\u00f3ria, o an\u00f4nimo foi uma mulher\u201d, escreveu a escritora inglesa Virginia Woolf. Na independ\u00eancia do Brasil n\u00e3o foi diferente. Muitas mulheres participaram ativamente, tomando parte at\u00e9 mesmo das batalhas. Contudo, a maioria permanece desconhecida at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>Uma das poucas mulheres que conseguiu al\u00e7ar seu nome aos livros de Hist\u00f3ria foi Maria Quit\u00e9ria de Jesus, ou simplesmente Maria Quit\u00e9ria. Primeira mulher a fazer parte do Ex\u00e9rcito Brasileiro, a baiana teve que fingir ser homem e usar o nome do cunhado para conseguir entrar em uma batalh\u00e3o. Denunciada pelo pr\u00f3prio pai, Maria Quit\u00e9ria foi impedida de deixar as tropas pelo major Silva e Castro, que a considerava importante na luta contra os portugueses por sua facilidade com o manejo de armas e sua disciplina em batalha. Assim, a jovem passou a usar seu nome verdadeiro, trocou o uniforme masculino por saias e adere\u00e7os, e juntou-se oficialmente \u00e0s tropas que lutavam contra os portugueses em 1822. Sua coragem em ingressar em um meio exclusivamente masculino inspirou outras mulheres, que se uniram \u00e0s tropas e formaram um grupo comandado por Quit\u00e9ria. Nesse batalh\u00e3o, ela se destacou em v\u00e1rios combates, recebendo de D. Pedro a medalha de \u201cCavaleiro da Ordem Imperial do Cruzeiro\u201d.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-1284 size-full\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/protagonistas-3.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"468\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/protagonistas-3.jpg 500w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/protagonistas-3-300x281.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/01\/protagonistas-3-13x12.jpg 13w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-2-maria-quiteria-foi-uma-das-muitas-mulheres-na-frente-da-batalha-durante-a-luta-pela-independenciamaria-quiteria-de-domenico-failutti-reproducao\"><strong>Figura 2.<\/strong> <strong>Maria Quit\u00e9ria foi uma das muitas mulheres na frente da batalha durante a luta pela independ\u00eancia<br \/>\n<\/strong>(\u201cMaria Quit\u00e9ria\u201d, de Domenico Failutti. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>Mas Quit\u00e9ria n\u00e3o foi a \u00fanica mulher na frente de batalha. A pescadora negra Maria Felipa de Oliveira liderou o povo liberto da regi\u00e3o da Bahia para atacar e neutralizar as tropas portuguesas que teimavam em n\u00e3o deixar o Brasil ap\u00f3s a independ\u00eancia. Maria Felipa se engajou na luta pela separa\u00e7\u00e3o de Portugal e, com suas companheiras, utilizava de seus conhecimentos de pesca para patrulhar e sabotar os barcos portugueses que se aproximavam das praias. Sua principal arma era a ast\u00facia. Muitas vezes, ela e as mulheres de seus grupos seduziam os soldados portugueses, apenas para conduzi-los at\u00e9 a praia, embebeda-los, despi-los, e ent\u00e3o aplicar-lhes bofetadas de cansan\u00e7\u00e3o (planta que provoca sensa\u00e7\u00e3o de queimadura na pele). Felipa exerceu uma forte lideran\u00e7a sobre a popula\u00e7\u00e3o pobre da Ilha de Itaparica, incluindo \u00edndios tupinamb\u00e1s e tapuias em seu grupo.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 central perceber que a emancipa\u00e7\u00e3o brasileira foi um contexto de oportunidades de lutar por liberdade e autonomia, seja para ampli\u00e1-la, garanti-la ou conquista-la\u201d, aponta Costa. \u201cPensar na hist\u00f3ria da independ\u00eancia a partir das a\u00e7\u00f5es coletivas tamb\u00e9m \u00e9 oportuno para a atualidade, quando vemos direitos constitucionais sendo fragilizados. A cidadania foi reivindicada pela popula\u00e7\u00e3o que coletivamente se manifestou e protagonizou a independ\u00eancia, pensada em torno dos pr\u00f3prios conceitos e expectativas de liberdade, e que foi exclu\u00edda por elites fundamentalmente escravistas\u201d, finaliza.<a href=\"#_ednref1\" name=\"_edn1\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"imagem-de-capa-d-pedro-e-maria-leopoldina-sao-duas-grandes-personalidades-na-independencia-do-brasil-mas-para-alem-da-elite-processo-de-separacao-de-portugal-tambem-contou-com-participacao-popula\"><strong>Imagem de capa. D. Pedro e Maria Leopoldina s\u00e3o duas grandes personalidades na Independ\u00eancia do Brasil. Mas, para al\u00e9m da elite, processo de separa\u00e7\u00e3o de Portugal tamb\u00e9m contou com participa\u00e7\u00e3o popular.<br \/>\n<\/strong>(\u201cD. Pedro e Dona Leopoldina\u201d, de Armand Palli\u00e8re. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"bueno-chris-os-protagonistas-da-independencia-do-brasil-para-alem-das-grandes-personagens-conhecidas-pela-historiografia-participacao-de-populares-escravizados-e-indigenas-foi-fundamental-pa\"><span style=\"color: #808080;\">BUENO, Chris.<span class=\"article-title\">\u00a0Os protagonistas da independ\u00eancia do Brasil. Para al\u00e9m das grandes personagens conhecidas pela historiografia, participa\u00e7\u00e3o de populares, escravizados e ind\u00edgenas foi fundamental para tornar o pa\u00eds independente.<\/span><i>\u00a0Cienc. Cult.<\/i>\u00a0[online]. 2022, vol.74, n.1 [citado\u00a0 2023-09-07], pp.1-5. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252022000100010&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20220010.<\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, ministro e conselheiro, preparou o documento que iniciou oficialmente o&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":1447,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1446"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1446"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1446\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4693,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1446\/revisions\/4693"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1447"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1446"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1446"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1446"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}