{"id":1621,"date":"2022-03-09T10:34:08","date_gmt":"2022-03-09T10:34:08","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=1621"},"modified":"2022-03-21T15:05:29","modified_gmt":"2022-03-21T15:05:29","slug":"mais-do-que-celebrar-devemos-refletir-dizem-pesquisadores-sobre-bicentenario-da-independencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=1621","title":{"rendered":"\u2018Mais do que celebrar, devemos refletir\u2019, dizem pesquisadores sobre Bicenten\u00e1rio da Independ\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Mais do que celebrar, devemos refletir sobre o que significam 200 anos de independ\u00eancia. Essa foi a principal mensagem dos participantes do evento\u00a0<em>\u201c<\/em>Bicenten\u00e1rio da Independ\u00eancia do Brasil \u2014 Povos e Lutas<em>\u201d\u00a0<\/em>realizado ontem (07\/03) pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC). A live marcou o relan\u00e7amento da revista Ci\u00eancia &amp; Cultura, um dos mais ve\u00edculos de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica mais antigos e emblem\u00e1ticos do Brasil.<\/p>\n<p>O evento contou com abertura de Renato Janine Ribeiro, professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da USP e presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira, professor do Instituto de F\u00edsica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente de honra da SBPC, e Fernanda Sobral, professora em\u00e9rita do Departamento de Sociologia da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e vice-presidente da SBPC. O debate teve a participa\u00e7\u00e3o de George F\u00e9lix Cabral de Souza, professor do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Lilia Moritz Schwarcz, professora da FFLCH da USP, e Valdei Lopes de Ara\u00fajo, professor do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), e media\u00e7\u00e3o de Luciano Raposo de Almeida Figueiredo, professor do Departamento de Hist\u00f3ria da Universidade Federal Fluminense (UFF) e editor cient\u00edfico desta edi\u00e7\u00e3o da revista.<\/p>\n<p>Para Janine Ribeiro, o Bicenten\u00e1rio da Independ\u00eancia deveria ser a grande data comemorativa do ano no Brasil. \u201c\u00c9 significativo que o governo brasileiro n\u00e3o tenha dado import\u00e2ncia para este fato, no sentido que n\u00e3o estamos tendo uma pol\u00edtica de inaugura\u00e7\u00e3o de obras p\u00fablicas, n\u00e3o estamos tendo grandes exposi\u00e7\u00f5es, nem grandes iniciativas de pesquisa com apoio governamental. Ent\u00e3o coube a n\u00f3s como sociedades assumir esse papel\u201d. O presidente da SBPC destacou as v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es que a entidade vem realizando para celebrar o bicenten\u00e1rio, como o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=I03StSaaU4Q\">Dia do Fico<\/a>\u00a0\u2014 evento virtual em alus\u00e3o ao fato hist\u00f3rico quando D. Pedro I decidiu ficar no Pa\u00eds ap\u00f3s pedido da popula\u00e7\u00e3o em 9 de janeiro de 1822, que discutiu os dilemas enfrentados pelos jovens cientistas no Brasil de hoje. \u201cVamos continuar relembrando essas datas e fazendo essas discuss\u00f5es para que tenham como meta n\u00e3o simplesmente a evoca\u00e7\u00e3o do passado, mas a constru\u00e7\u00e3o do futuro\u201d, disse.<\/p>\n<p><strong>Uma discuss\u00e3o atual<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO passado n\u00e3o passou. Uma parte fundamental dele continua definindo nossa sociedade, seja em seus aspectos positivos, seja em seus desafios\u201d, afirmou Ara\u00fajo. Para o pesquisador, temos um legado positivo que devemos celebrar e perpetuar, mas tamb\u00e9m existem pontos cegos que est\u00e3o ficando cada vez mais evidentes neste momento de crise, e que devem ser avaliados. Para ele, \u00e9 cada vez mais necess\u00e1rio dar voz e visibilidade aos subalternizados e oprimidos que durante muito tempo foram silenciados, como os ind\u00edgenas, os negros, as mulheres, e mais atualmente o movimento LGBTqia+. \u201cPrecisamos atualizar esse legado atrav\u00e9s de um novo esfor\u00e7o de comunica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, da cria\u00e7\u00e3o de novas plataformas\u201d.<\/p>\n<p>Para Cabral de Souza, al\u00e9m de ser atual, a discuss\u00e3o sobre a independ\u00eancia \u00e9 essencial. \u201cEssa \u00e9 uma oportunidade de trazermos ao debate uma discuss\u00e3o que tem tudo a ver com nosso presente. N\u00e3o estamos tratando de um evento engessado, paralisado, ocorrido h\u00e1 200 anos, mas sim de algo que fala diretamente \u00e0 nossa atualidade\u201d. O pesquisador explica que a import\u00e2ncia da hist\u00f3ria de Pernambuco em rela\u00e7\u00e3o ao pa\u00eds foi silenciada em detrimento da centraliza\u00e7\u00e3o no eixo Sudeste do poder pol\u00edtico e da vida econ\u00f4mica do Brasil. Deste ponto de vista, o bicenten\u00e1rio \u00e9 fundamental para estimular a reflex\u00e3o sobre nossa pr\u00f3pria hist\u00f3ria. O bicenten\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 importante para refletir sobre alguns dos processos que serviram para garantir e ampliar as desigualdades sociais, que se mant\u00e9m at\u00e9 hoje. \u201cEstamos diante de uma verdadeira encruzilhada hist\u00f3rica entra a constru\u00e7\u00e3o de uma sociedade democr\u00e1tica pautada pelo direito e o risco das tenta\u00e7\u00f5es autorit\u00e1rias\u201d, alerta.<\/p>\n<p>Segundo Schwarcz, ao longo desses 200 anos, nossa independ\u00eancia foi sendo \u201csequestrada\u201d. Inicialmente esse \u201csequestro\u201d foi feito por S\u00e3o Paulo, que atrav\u00e9s da pintura de Pedro Am\u00e9rico (\u201cO Grito do Ipiranga\u201d), foi tomando para si um lugar central nas festividades de 7 de setembro. Depois, durante a ditadura, os militares associaram a imagem de D. Pedro e todo o processo de independ\u00eancia a uma \u201crevolu\u00e7\u00e3o marcial\u201d, numa tentativa de legitimar seu poder. E agora, o governo atual novamente se utiliza dessa constru\u00e7\u00e3o imag\u00e9tica. \u201cAo organizar duas manifesta\u00e7\u00f5es antidemocr\u00e1ticas, uma em Bras\u00edlia e outra em S\u00e3o Paulo, Jair Bolsonaro se utilizou a todo momento da tela de Pedro Am\u00e9rico e da met\u00e1fora da independ\u00eancia para falar de mais um golpe da legalidade que teria que ser dado em 2022. Assim, sequestrou n\u00e3o s\u00f3 a independ\u00eancia, como conceitos muito caros \u00e0 democracia\u201d, alerta.<\/p>\n<p><strong>Fortalecendo o debate<\/strong><\/p>\n<p>Para Figueiredo, a revista Ci\u00eancia &amp; Cultura est\u00e1 sendo relan\u00e7ada em um momento crucial para a divulga\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia, e o tema do primeiro n\u00famero vem ao encontro dos debates atuais.\u00a0 \u201cEste \u00e9 um momento que temos que entrar pesadamente nessa batalha que estamos vivendo no universo cultural e pol\u00edtico\u201d, diz. O pesquisador afirma que \u00e9 necess\u00e1rio envolver o grande p\u00fablico nessa discuss\u00e3o, fornecendo informa\u00e7\u00e3o de qualidade e oportunidade de participar do debate. \u201cEsse evento foi capaz de sublinhar as linhas de for\u00e7a\u00a0 da atividade de divulga\u00e7\u00e3o, que \u00e9 a reflex\u00e3o cr\u00edtica, a clareza, a seriedade da pesquisa e do uso dos dados para an\u00e1lise das situa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e da avalia\u00e7\u00e3o do presente\u201d.<\/p>\n<p>Moreira refor\u00e7a a import\u00e2ncia da participa\u00e7\u00e3o de diferentes atores para fortalecer o debate e a comunica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia: \u201ca possibilidade da revista Ci\u00eancia &amp; Cultura se firmar e de fato colaborar para melhorar a situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e aproximar a ci\u00eancia e a cultura est\u00e1 na intera\u00e7\u00e3o grande entre as pessoas que v\u00e3o ler, que v\u00e3o participar, que v\u00e3o assistir. A revista vai ter sucesso se ela for participativa e se ela envolver cada vez mais pesquisadores, estudantes, jovens, artistas, professores, ou seja, brasileiros e brasileiras de todas as nuances\u201d.<\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>Criada em 1949, um ano ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o da SBPC, a\u00a0<strong>Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/strong>\u00a0foi idealizada por Jos\u00e9 Reis (1907-2002), que a dirigiu de 1949 a 1954 e de 1972 a 1985. A partir dos anos 2000, a publica\u00e7\u00e3o passa a ter suporte t\u00e9cnico do Labjor, da Unicamp, e a ser dirigida por Carlos Vogt, ent\u00e3o vice-presidente da SBPC na gest\u00e3o de Glaci Zancan, que ficou \u00e0 sua frente de 2000 a 2007 e de 2018 a 2021. Assim, ela \u00e9 um dos mais antigos \u2014 e importantes \u2014 ve\u00edculos de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do pa\u00eds. Com edi\u00e7\u00f5es tem\u00e1ticas, a revista une textos cient\u00edficos, de opini\u00e3o e de divulga\u00e7\u00e3o, e fala tanto para um p\u00fablico especializado quanto para o p\u00fablico em geral. Desta forma ela consegue mostrar perspectivas diferentes sobre diversos assuntos.<\/p>\n<p>\u201cA revista j\u00e1 passou por v\u00e1rios formatos e v\u00e1rias concep\u00e7\u00f5es e agora estamos dando um salto, porque a revista passa a ser inteiramente digital. Isso n\u00e3o quer dizer apenas que o conte\u00fado estar\u00e1 dispon\u00edvel online, isso quer dizer que ela ter\u00e1 conte\u00fados espec\u00edficos para o formato digital, como podcasts, v\u00eddeos e links, al\u00e9m de debates e entrevistas, etc.\u201d, explica Janine Ribeiro.<\/p>\n<p>De publica\u00e7\u00e3o trimestral, a cada edi\u00e7\u00e3o a revista escolhe um tema para abord\u00e1-lo do ponto de vista da ci\u00eancia, cultura, arte e filosofia. Todos os meses, um novo cap\u00edtulo \u00e9 publicado, trazendo novos artigos, ensaios, reportagens jornal\u00edsticas, textos de opini\u00e3o, v\u00eddeos, podcasts e muito mais.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Confira aqui o primeiro n\u00famero da Revista Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=tLkGnrNGEAo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Assista aqui a live da lan\u00e7amento da Revista Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=rR1lsgQLE8w\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Veja o v\u00eddeo produzido para o lan\u00e7amento da vers\u00e3o digital da revista Ci\u00eancia &amp; Cultura<\/a>.<em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jornaldaciencia.org.br\/\"><em>Jornal da Ci\u00eancia<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Mais do que celebrar, devemos refletir sobre o que significam 200 anos&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":1622,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1621"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1621"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1621\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1623,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1621\/revisions\/1623"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/1622"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1621"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1621"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1621"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}