{"id":1634,"date":"2022-03-14T13:01:52","date_gmt":"2022-03-14T13:01:52","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=1634"},"modified":"2022-03-21T15:04:38","modified_gmt":"2022-03-21T15:04:38","slug":"conectar-saberes-e-essencial-para-preservacao-da-natureza-e-das-comunidades-tradicionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=1634","title":{"rendered":"Conectar saberes \u00e9 essencial para preserva\u00e7\u00e3o da natureza e das comunidades tradicionais"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds com a maior biodiversidade do planeta. No territ\u00f3rio\u00a0brasileiro\u00a0\u00e9 poss\u00edvel encontrar de 45 a 55 mil\u00a0esp\u00e9cies vegetais, segundo o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente (MMA) \u2014 e muitas ainda n\u00e3o foram catalogadas e estudadas. E essas esp\u00e9cies guardam um verdadeiro tesouro quando se trata de fonte natural de princ\u00edpios ativos e campo de pesquisas para descobrir novos medicamentos a partir das plantas nativas. E essa biodiversidade se torna ainda mais preciosa quando associada aos conhecimentos tradicionais.<\/p>\n<p>Este foi o tema discutido durante a mesa-redonda \u201cConhecimento dos Povos e das Comunidades Tradicionais\u201d, realizada na ter\u00e7a-feira (8) pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC). O evento virtual fez parte da Jornada do Dia Internacional das Mulheres, que objetivou discutir as v\u00e1rias dimens\u00f5es da mulher no contexto atual, dar maior visibilidade e, ao mesmo tempo, incentivar a fazer parte da carreira acad\u00eamica. Com modera\u00e7\u00e3o de Laila Salmen Espindola, professora do Departamento de Farm\u00e1cia da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) e diretora da SBPC, a mesa-redonda contou com a participa\u00e7\u00e3o de Lucely Pio, raizeira e coordenadora do Quilombo do Cedro em Mineiros em Goi\u00e1s, e Claudia Sala de Pinho, coordenadora da Rede de Comunidades Tradicionais Pantaneira e conselheira da Comiss\u00e3o Nacional de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel dos Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT) no Conselho de Gest\u00e3o do Patrim\u00f4nio Gen\u00e9tico (CGen).<\/p>\n<p>A tradi\u00e7\u00e3o dos raizeiros \u00e9 fundamental para o desenvolvimento das pesquisas sobre os medicamentos naturais. Para Pio, cuja av\u00f3 materna ensinou a conhecer a natureza, trabalhar com plantas medicinais \u00e9 uma oportunidade n\u00e3o apenas de manter contato com sua tradi\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de cuidar do outro. \u201cAs plantas medicinais trazem isso: a oportunidade do cuidado do outro, de pegar uma simples planta e transformar em v\u00e1rios rem\u00e9dios\u201d, disse. Ela enfatizou ainda os v\u00e1rios usos que essas plantas podem ter. \u201cQuando a gente fala das plantas, n\u00e3o fala s\u00f3 para tomar. A gente fala para fazer uma cama de folhas, para poder tirar as ansiedades e os estresses. A gente usa os \u00f3leos essenciais, que atrav\u00e9s do cheiro curam nosso sistema emocional. A gente usa em forma de banhos, para descansar o corpo e tirar as dores. E tamb\u00e9m usa tinturas, xaropes, florais e comprimidos\u201d. Espindola registrou que quando Lucely Pio vem participar de aulas de campo na UnB, ensina aos estudantes que cada um de n\u00f3s temos uma \u00e1rvore \u2013 para cada um encontrar sua \u00e1rvore, sentar-se junto dela, refletir, e se acalmar at\u00e9 que as dificuldades sejam vencidas.<\/p>\n<p><strong>Povos tradicionais<\/strong><\/p>\n<p>Valorizar esse conhecimento \u00e9 importante n\u00e3o apenas para preservar a biodiversidade brasileira, mas tamb\u00e9m para dar visibilidade aos seus povos tradicionais. Essa \u00e9 uma das bandeiras levantadas por Pinho, que vem lutando pelo reconhecimento das comunidades do Pantanal. Segundo ela, existem muitas comunidades vivendo no Pantanal \u2014 cada uma com suas caracter\u00edsticas pr\u00f3prias \u2014 e \u00e9 importante reconhec\u00ea-las e respeit\u00e1-las.<\/p>\n<p>Pinho nos contou como foi sua \u201cdescoberta\/encontro\u201d de pertencimento a uma comunidade chamada de tradicional, e se tornar uma lideran\u00e7a levando a bandeira da organiza\u00e7\u00e3o dos Povos e Comunidades Tradicionais. \u201cContar a hist\u00f3ria do nosso Povo \u00e9 preciso, sobretudo, considerando que o mundo dos legisladores \u00e9 em uma casa que \u00e9 muito longe da casa da gente.\u201d<\/p>\n<p>Para Claudia Pinho, o papel das Universidades e centros de pesquisa \u00e9 essencial. \u201cA caneta \u00e9 um instrumento de resist\u00eancia muito importante\u201d, diz. \u201cA academia tem que ser colorida de diversidade, de pensamentos diferentes, de conhecimentos diferentes. O que a gente tem que fazer nesses espa\u00e7os \u00e9 conectar esses conhecimentos, \u00e9 fazer com que esses conhecimentos se tornem conversat\u00f3rios. O que eu conhe\u00e7o do pantanal tem que conversar com o conhecimento da academia, dos laborat\u00f3rios de an\u00e1lises qu\u00edmicas, f\u00edsicas e biol\u00f3gicas, para que fa\u00e7a sentido para as pessoas. Acho que esse di\u00e1logo a gente tem oportunidade de fazer hoje\u201d.<\/p>\n<p>Segundo Espindola, mais do que nunca \u00e9 necess\u00e1ria essa uni\u00e3o de saberes. \u201c\u00c9 preciso haver uma conex\u00e3o entre os conhecimentos e entre as pessoas. Conhecimentos s\u00e3o adquiridos, mas precisam ser transformados em di\u00e1logo. A evolu\u00e7\u00e3o humana se d\u00e1 pelo contato entre as pessoas e suas diversidades. N\u00f3s temos que honrar nossa hist\u00f3ria, e a hist\u00f3ria de nosso pa\u00eds\u201d, finalizou.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=bMm9trj2fss&amp;t=6507s\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Assista aqui o evento na \u00edntegra<\/a>.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.jornaldaciencia.org.br\/\"><em>Jornal da Ci\u00eancia<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O Brasil \u00e9 o pa\u00eds com a maior biodiversidade do planeta. 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