{"id":2030,"date":"2022-04-26T14:09:36","date_gmt":"2022-04-26T14:09:36","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2030"},"modified":"2022-04-26T14:10:13","modified_gmt":"2022-04-26T14:10:13","slug":"o-dinossauro-brasileiro-e-a-descolonizacao-da-ciencia-fossil-descoberta-de-especie-desencadeou-movimento-latino-americano-para-extinguir-paleontologia-colonial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2030","title":{"rendered":"O dinossauro brasileiro e a descoloniza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia f\u00f3ssil"},"content":{"rendered":"<p><em>Ubirajara jubatus<\/em>. Este \u00e9 o nome do primeiro dinossauro encontrado no Hemisf\u00e9rio Sul que exibia o que eram provavelmente os precursores das penas modernas. Mas isso \u00e9 apenas um dos motivos que o tornaram um f\u00f3ssil famoso. O outro \u2014 bem mais pol\u00eamico \u2014 \u00e9 o fato de que, apesar de o f\u00f3ssil de 110 milh\u00f5es de anos ter sido coletado no Brasil d\u00e9cadas antes, nenhum paleont\u00f3logo brasileiro tinha ouvido falar dele.<\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/doi.org\/https%3A%2F%2Fdoi.org%2F10.1016%2Fj.cretres.2020.104686\">artigo<\/a> sobre o f\u00f3ssil brasileiro na edi\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o de 2020 da revista <em><a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/journal\/cretaceous-research\">Cretaceous Research<\/a> <\/em>\u00e9 apenas o mais recente caso do que alguns pesquisadores chamam de \u201ccolonialismo paleontol\u00f3gico\u201d, que \u00e9 quando cientistas de na\u00e7\u00f5es ricas obt\u00eam esp\u00e9cimes de pa\u00edses de baixa e m\u00e9dia renda sem envolver pesquisadores locais e depois armazenam os f\u00f3sseis no exterior.<\/p>\n<p>A pr\u00e1tica do colonialismo paleontol\u00f3gico \u00e9 considerada ilegal por muitas na\u00e7\u00f5es. Segundo a lei brasileira, os f\u00f3sseis do pa\u00eds pertencem ao Estado. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3: a pr\u00e1tica tamb\u00e9m pode privar as na\u00e7\u00f5es de conhecimento e patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p><strong>Impacto<\/strong><\/p>\n<p>A publica\u00e7\u00e3o do artigo sobre o <em>Ubirajara jubatus <\/em>na revista acabou provocando uma revolu\u00e7\u00e3o. Ao tomarem conhecimento sobre o f\u00f3ssil, pesquisadores brasileiros protestaram contra o artigo e pediram a devolu\u00e7\u00e3o do f\u00f3ssil atrav\u00e9s da campanha no Twitter #UbirajaraBelongstoBR (Ubirajara pertence ao Brasil). O artigo acabou sendo retratado e atualmente o Museu Estadual de Hist\u00f3ria Natural Karlsruhe, na Alemanha, est\u00e1 negociando a devolu\u00e7\u00e3o do esp\u00e9cime ao Brasil.<\/p>\n<p>O incidente tamb\u00e9m levou paleont\u00f3logos e associa\u00e7\u00f5es de paleontologia em toda a Am\u00e9rica Latina a unir for\u00e7as para acabar com a pr\u00e1tica. O movimento crescente est\u00e1 at\u00e9 atraindo o interesse de cientistas da Mong\u00f3lia e de outros pa\u00edses al\u00e9m da Am\u00e9rica Latina afetados pela paleontologia colonial.<\/p>\n<p>O resultado tem sido a publica\u00e7\u00e3o de artigos investigando a extens\u00e3o do colonialismo paleontol\u00f3gico. Um <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/d41586-022-01093-4#ref-CR2\">relat\u00f3rio<\/a> publicado em mar\u00e7o deste ano na <a href=\"https:\/\/royalsocietypublishing.org\/journal\/rsos\">Royal Society Open Science<\/a> revisou d\u00e9cadas de artigos descrevendo f\u00f3sseis do M\u00e9xico e do Brasil. Os autores analisaram quase 200 estudos publicados entre 1990 e 2021 e descobriram que mais da metade n\u00e3o inclu\u00eda pesquisadores locais. Dos f\u00f3sseis brasileiros descritos, 88% foram armazenados fora do Brasil. O artigo tamb\u00e9m descobriu que nenhum dos estudos revisados tinha permiss\u00e3o para levar os f\u00f3sseis para o exterior.<\/p>\n<p>Pesquisadores latino-americanos tamb\u00e9m aumentaram a conscientiza\u00e7\u00e3o global sobre a paleontologia colonial em confer\u00eancias internacionais.\u00a0\u00a0Em dezembro passado, o terceiro <a href=\"https:\/\/www.palass.org\/meetings-events\/future-meetings\/3rd-paleontological-virtual-congress\">Congresso Virtual Paleontol\u00f3gico anual<\/a> apresentou uma pesquisa analisando o impacto da campanha #UbirajaraBelongstoBR. Em julho, um painel discutir\u00e1 o colonialismo cient\u00edfico no <a href=\"https:\/\/www.even3.com.br\/viiclpv\/\">Congresso Latino-Americano virtual de Paleontologia de Vertebrados<\/a>.\u00a0O esfor\u00e7o coletivo espera trazer avan\u00e7os para a pesquisa local.<\/p>\n<p>* Com informa\u00e7\u00f5es da <a href=\"https:\/\/www.nature.com\/\">revista Nature<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"imagem-de-capa-ilustracao-do-dinossauro-ubirajara-jubatus-por-bob-nicholls-reproducao\">Imagem de Capa: Ilustra\u00e7\u00e3o do dinossauro <em>Ubirajara jubatus <\/em>por Bob Nicholls, Reprodu\u00e7\u00e3o<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Ubirajara jubatus. 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