{"id":2047,"date":"2022-04-28T11:16:26","date_gmt":"2022-04-28T11:16:26","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2047"},"modified":"2022-04-28T11:32:55","modified_gmt":"2022-04-28T11:32:55","slug":"harvard-cria-fundo-de-u-100-milhoes-para-politicas-de-reparacao-da-escravidao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2047","title":{"rendered":"Harvard cria fundo de U$ 100 milh\u00f5es para pol\u00edticas de repara\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Reparar&#8221; a mem\u00f3ria escravagista no pa\u00eds. Este \u00e9 o objetivo do fundo de U$ 100 milh\u00f5es criado pela universidade Harvard, que vai financiar projetos de pesquisa, educa\u00e7\u00e3o e mem\u00f3ria sobre o racismo e a escravid\u00e3o dos s\u00e9culos 17 ao 19 nos Estados Unidos. O an\u00fancio foi feito nesta ter\u00e7a-feira (26) em uma carta publicada pelo\u00a0presidente da universidade, Lawrence Bacow, dirigida aos estudantes, professores e empregados da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o foi\u00a0anunciada ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o de um relat\u00f3rio do comit\u00ea da universidade que apontou que a mais antiga institui\u00e7\u00e3o de ensino superior dos Estados Unidos se beneficiou diretamente da explora\u00e7\u00e3o racial, mantendo trabalho escravo no campus, lucrando com o com\u00e9rcio escravagista e corroborando teses eugenistas.<\/p>\n<p>O documento prop\u00f4s\u00a0recomenda\u00e7\u00f5es para\u00a0&#8220;reparar&#8221; financeiramente\u00a0a explora\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00f5es de milh\u00f5es de pessoas deportadas \u00e0 for\u00e7a da \u00c1frica e da Europa para a Am\u00e9rica.\u00a0O relat\u00f3rio tamb\u00e9m recomendou o financiamento de programas de ver\u00e3o para levar \u00e0 Harvard alunos e professores de outras institui\u00e7\u00f5es de ensino que possuem baixo financiamento, al\u00e9m de interc\u00e2mbio com membros das chamadas Faculdades e Universidades Historicamente Negras (HBCU), associa\u00e7\u00e3o que atende principalmente \u00e0 comunidade negra.<\/p>\n<p>Segundo o relat\u00f3rio, a universidade, fundada em 1636 e uma das mais importantes do mundo, deve imensa parte de sua fortuna ao trabalho escravo. O presidente da universidade reconheceu que a institui\u00e7\u00e3o tem uma &#8220;responsabilidade moral&#8221; ao financiar projetos de pesquisa que v\u00e3o ajudar a amenizar os efeitos sociais e pessoais nocivos desencadeados por tais pr\u00e1ticas.<\/p>\n<h3 id=\"reparacao\"><strong>Repara\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>O documento mostra, por exemplo, que at\u00e9 o s\u00e9culo 20 os presidentes e professores da universidade ensinavam e promoviam teorias raciais como o eugenismo, pr\u00e1tica que defendeu o &#8220;aperfei\u00e7oamento&#8221; da ra\u00e7a humana por sele\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica. Em Harvard, nos s\u00e9culos 17 e 18, v\u00e1rios membros e presidentes escravizaram mais de 70 pessoas, at\u00e9 a pr\u00e1tica ser considerada ilegal em Massachusetts, em 1783. A escravid\u00e3o nos Estados Unidos foi oficialmente abolida pela 13.\u00aa emenda constitucional, em dezembro de 1865.<\/p>\n<p>A iniciativa integra um movimento de reconhecimento e repara\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o no pa\u00eds, que ganhou for\u00e7a no meio universit\u00e1rio nos \u00faltimos anos. Al\u00e9m de Harvard, outras institui\u00e7\u00f5es adotaram iniciativas similares para saldar sua d\u00edvida hist\u00f3rica relacionada \u00e0 escravid\u00e3o. No ano passado, os l\u00edderes da confer\u00eancia dos padres jesu\u00edtas defenderam a destina\u00e7\u00e3o de US$ 100 milh\u00f5es para indeniza\u00e7\u00f5es dos descendentes dos escravos que foram de propriedade da ordem religiosa.\u00a0 Em 2019, estudantes da Universidade de Georgetown aprovaram um fundo para beneficiar descendentes de escravos vendidos pela escola jesu\u00edta de elite no s\u00e9culo XIX. As universidades Brown e Columbia tamb\u00e9m reconheceram ter participado do com\u00e9rcio de escravos.<\/p>\n<p><em>* Com informa\u00e7\u00f5es da RFI e AFP<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"imagem-de-capa-universidade-harvard-divulgacao\">Imagem de Capa: Universidade Harvard (Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"&#8220;Reparar&#8221; a mem\u00f3ria escravagista no pa\u00eds. Este \u00e9 o objetivo do fundo&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":2048,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2047"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2047"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2047\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2050,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2047\/revisions\/2050"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2048"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2047"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2047"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2047"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}