{"id":2074,"date":"2022-05-04T19:22:02","date_gmt":"2022-05-04T19:22:02","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2074"},"modified":"2022-05-04T19:47:34","modified_gmt":"2022-05-04T19:47:34","slug":"desempenho-de-meninas-em-matematica-melhora-globalmente-aponta-relatorio-da-unesco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2074","title":{"rendered":"Desempenho de meninas em matem\u00e1tica melhora globalmente, aponta relat\u00f3rio da Unesco"},"content":{"rendered":"<p>A desigualdade de g\u00eanero ainda existe em \u00e1reas do ensino como a matem\u00e1tica, especialmente nos primeiros anos escolares, aponta estudo divulgado pela <a href=\"https:\/\/pt.unesco.org\/fieldoffice\/brasilia\">Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Cultura (Unesco)<\/a>. No entanto, o estudo tamb\u00e9m aponta que, nos anos seguintes, o desempenho das meninas se equipara ao dos meninos.<\/p>\n<p>Visando provocar o debate a respeito da desigualdade de g\u00eanero e as barreiras encontradas pelas meninas nestas \u00e1reas em que prevalece historicamente\u00a0 a presen\u00e7a masculina, o estudo \u00e9 realizado anualmente pela Unesco, com dados levantados em 120 pa\u00edses.<\/p>\n<p>A pesquisa confirma que a diferen\u00e7a de g\u00eanero favorece os meninos em matem\u00e1tica no ensino fundamental e m\u00e9dio, mas mostra tamb\u00e9m que ela tem diminu\u00eddo. Em alguns pa\u00edses, o quadro chega a se reverter na 8.\u00aa s\u00e9rie. A diferen\u00e7a \u00e9 a favor das meninas em matem\u00e1tica em 7% na Mal\u00e1sia, 3% no Camboja, 1,7% no Congo e 1,4% nas Filipinas.<\/p>\n<h3 id=\"estereotipos-e-preconceitos\"><strong>Estere\u00f3tipos e preconceitos<\/strong><\/h3>\n<p>O relat\u00f3rio evidencia tamb\u00e9m que preconceitos e estere\u00f3tipos podem afetar estes resultados. Ou seja, as circunst\u00e2ncias continuam sendo favor\u00e1veis aos meninos, aumentando, assim, suas probabilidades de estarem entre os melhores.<\/p>\n<p>Segundo o estudo, o desempenho das meninas em leitura \u00e9 superior ao dos meninos, assim como em matem\u00e1tica e ci\u00eancias. J\u00e1 nos pa\u00edses de renda m\u00e9dia e alta,\u00a0as notas das meninas em ci\u00eancias s\u00e3o mais altas no ensino secund\u00e1ria, por\u00e9m isso n\u00e3o resulta na op\u00e7\u00e3o por carreiras cient\u00edficas. O levantamento indica que os preconceitos de g\u00eanero podem ser o obst\u00e1culo principal no momento da escolha por \u00e1reas de ci\u00eancia, tecnologia, matem\u00e1tica e engenharia.<\/p>\n<p><strong>Escolhas<\/strong><\/p>\n<p>O novo relat\u00f3rio divulgado pela Unesco, em conjunto com a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.iea.nl\/\">International Association for the Evaluation of Educational Achievement (IEA)<\/a>, aponta que em muitos pa\u00edses as mulheres jovens representam apenas 25% dos estudantes de engenharia ou Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o e Comunica\u00e7\u00e3o (TIC).<\/p>\n<p>Ainda conforme a Unesco, o relat\u00f3rio conclui que em 87% dos sistemas educacionais a grande maioria dos meninos deseja seguir carreira que envolva matem\u00e1tica. Nesses mesmos sistemas os meninos tamb\u00e9m preferem carreiras cient\u00edficas.<\/p>\n<p>O documento indica que isso pode sugerir que existem fatores estruturais, culturais e sociais nas vis\u00f5es de g\u00eanero dos alunos sobre as carreiras. Essas disparidades aparecem tanto no emprego quanto na educa\u00e7\u00e3o: normas e estere\u00f3tipos de g\u00eanero podem estar moldando as \u00e1reas nas quais escolhem estudar ou trabalhar.<\/p>\n<h3 id=\"pontos-em-questao-acesso-e-permanencia\"><strong>Pontos em quest\u00e3o: acesso e perman\u00eancia<\/strong><\/h3>\n<p>Para Sandra \u00c1vila, professora do Instituto de Computa\u00e7\u00e3o (IC) da <a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/\">Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)<\/a>, a not\u00edcia da melhora do desempenho das meninas em matem\u00e1tica \u00e9 animadora, \u201cmas sabemos que temos um longo caminho pela frente. N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de ser melhor ou pior que os meninos. \u00c9 uma quest\u00e3o de oferecer acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, dado que muitas vezes elas n\u00e3o t\u00eam nem a mesma chance que os meninos\u201d.<\/p>\n<p>Segundo a docente, t\u00e3o importante quanto o acesso \u00e9 incentivar as meninas a permanecer na escola. \u201cMostrar para as meninas que temos matem\u00e1ticas e cientistas com diversas contribui\u00e7\u00f5es fant\u00e1sticas que usamos no nosso dia a dia \u00e9 uma excelente maneira.\u201d<\/p>\n<p>A professora se dedica a um projeto de inser\u00e7\u00e3o das mulheres\u00a0nas \u00e1reas de tecnologia e computa\u00e7\u00e3o, com incentivos para meninas no campo da ci\u00eancia: \u201c<a href=\"https:\/\/www.ime.unicamp.br\/meninassupercientistas\">Meninas SuperCientistas<\/a>\u201d. Organizado desde 2019 por alunas, professoras e funcion\u00e1rias da Unicamp, o programa realiza atividades para alunas do Ensino Fundamental II de escolas p\u00fablicas (45 vagas) e privadas (20 vagas). Guiadas por cientistas mulheres, as meninas conhecem exemplos de atua\u00e7\u00e3o de mulheres na ci\u00eancia. O projeto criou tamb\u00e9m \u00a0um canal no YouTube (<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UClOvLrMsbb_f5SN_H4x77KA\">Meninas SuperCientistas<\/a>).<\/p>\n<p>O projeto foi inspirado em outra iniciativa criada em 2016 na <a href=\"https:\/\/ufrj.br\/\">Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)<\/a>, pelo Departamento de Geologia e Paleontologia do Museu Nacional: \u201c<a href=\"https:\/\/www.museunacional.ufrj.br\/destaques\/live_meninas_com_ciencia.html\">Meninas com Ci\u00eancia<\/a>\u201d. No ano seguinte, a iniciativa se reproduziu na <a href=\"https:\/\/www.sorocaba.ufscar.br\/\">Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar-Sorocaba)<\/a>, \u201c<a href=\"https:\/\/pt-br.facebook.com\/pequenascientistas\/\">Pequenas Cientistas<\/a>\u201d; e em 2018 na <a href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\">Universidade de S\u00e3o Paulo (USP)<\/a>, \u201c<a href=\"https:\/\/www.mergulhonaciencia.com\/\">Mergulho na Ci\u00eancia<\/a>\u201d.<\/p>\n<p>Em janeiro de 2020, dentro da programa\u00e7\u00e3o anual do Instituto de Computa\u00e7\u00e3o da Unicamp, que desde 2012 realiza a Escola de Ver\u00e3o da Maratona de Programa\u00e7\u00e3o com o objetivo preparar estudantes para competi\u00e7\u00f5es internacionais, houve um projeto especial para estimular a participa\u00e7\u00e3o feminina na competi\u00e7\u00e3o mundial da \u00e1rea de programa\u00e7\u00e3o\u00a0<em><a href=\"https:\/\/icpc.global\/\">International Collegiate Programming Contest\u00a0(ICPC)<\/a><\/em>.<\/p>\n<h3 id=\"conclusoes-do-relatorio\"><strong>Conclus\u00f5es do relat\u00f3rio<\/strong><\/h3>\n<p>O estudo aponta que a autoconfian\u00e7a \u00e9 fundamental na escolha por estudos cient\u00edficos. Confian\u00e7a que pode ser afetada de v\u00e1rias maneiras: por colegas, pais, professores, conselheiros e materiais escolares que possam perpetuar ou promover estere\u00f3tipos de g\u00eanero, contribuindo, por exemplo, para manter as meninas fora das \u00e1reas de engenharia ou TIC.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio confirma a necessidade de se criar oportunidades para meninas e mulheres jovens adquirirem mais autoconfian\u00e7a e capacit\u00e1-las por meio da educa\u00e7\u00e3o para poderem ocupar lugares em todas as \u00e1reas da ci\u00eancia, superando barreiras sociais e psicol\u00f3gicas. Como o levantamento foi realizado antes da pandemia da covid-19, a Unesco aponta que dever\u00e1 levar algum tempo para que um novo relat\u00f3rio com uma imagem global mostre o impacto da pandemia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"imagem-freepik-com\">Imagem: <a href=\"https:\/\/www.freepik.com\/free-photo\/girl-making-some-exercises-blackboard_13132570.htm#query=mathematics%20girls&amp;position=0&amp;from_view=search\">Freepik.com<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A desigualdade de g\u00eanero ainda existe em \u00e1reas do ensino como a&hellip;\n","protected":false},"author":22,"featured_media":2075,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2074"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2074"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2074\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2076,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2074\/revisions\/2076"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2075"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2074"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2074"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2074"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}