{"id":2159,"date":"2022-05-24T11:48:15","date_gmt":"2022-05-24T11:48:15","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2159"},"modified":"2022-05-24T14:09:35","modified_gmt":"2022-05-24T14:09:35","slug":"um-dia-para-a-fisica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2159","title":{"rendered":"Um dia para a F\u00edsica"},"content":{"rendered":"<p><em>Quase um ano se passou desde que a f\u00edsica D\u00e9bora Menezes, professora da <a href=\"https:\/\/ufsc.br\/\">Universidade Federal de Santa Catarina<\/a> (UFSC), tornou-se presidente da <a href=\"http:\/\/www.sbfisica.org.br\/\">Sociedade Brasileira de F\u00edsica<\/a> (SBF) em julho de 2021. Primeira mulher eleita para o cargo em 55 anos de exist\u00eancia da sociedade, D\u00e9bora tem enfrentado \u00e0 frente da SBF os desafios da regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o de f\u00edsica(0), depois que a atividade foi reconhecida em 2018, e esteve na C\u00e2mara dos Deputados, em 18 de maio, para discutir o projeto de Lei que institui o \u201cDia do F\u00edsico\u201d, os valores das bolsas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o no pa\u00eds e a cria\u00e7\u00e3o do Conselho Federal de F\u00edsica. Formada em F\u00edsica (bacharelado e licenciatura) pela <a href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\">Universidade de S\u00e3o Paulo<\/a> (USP), ela teve uma trajet\u00f3ria cient\u00edfica movimentada, tanto no espa\u00e7o quanto no tempo. Foi para a <a href=\"https:\/\/www.ox.ac.uk\/\">Universidade Oxford<\/a>, na Inglaterra, fazer o doutorado e teve passagens por Portugal, Austr\u00e1lia e Espanha, em est\u00e1gios de p\u00f3s-doutorado. Quando voltou ao Brasil, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 90, deparou-se com a realidade da falta de emprego na sua \u00e1rea, prestou um dos poucos concursos que apareceram, na <a href=\"https:\/\/ufsc.br\/\">Universidade Federal de Santa Catarina<\/a> (UFSC), em 1992, e, desde ent\u00e3o, \u00e9 professora dessa universidade, de onde foi pr\u00f3-reitora de pesquisa (2008 e 2012). D\u00e9bora fez parte do Comit\u00ea Gestor do <a href=\"http:\/\/inct.cnpq.br\/\">Instituto Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia<\/a> (INCT) \u2014 F\u00edsica Nuclear e Aplica\u00e7\u00f5es, da Comiss\u00e3o de F\u00edsica Nuclear da <a href=\"https:\/\/iupap.org\/\">International Union of Pure and Applied Physics<\/a> (IUPAP), participou do Comit\u00ea Assessor de F\u00edsica e Astronomia do <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mcti\/pt-br\/composicao\/rede-mcti\/conselho-nacional-de-desenvolvimento-cientifico-e-tecnologico\">Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico<\/a> (CNPq), da Comiss\u00e3o de F\u00edsica Nuclear e Aplica\u00e7\u00f5es da SBF e do Grupo de Trabalho sobre Quest\u00f5es de G\u00eanero da SBF. A inclus\u00e3o das mulheres nas ci\u00eancias, inclusive, \u00e9 um dos seus v\u00e1rios interesses acad\u00eamicos, tamb\u00e9m n\u00e3o poderia ser diferente numa \u00e1rea t\u00e3o excludente para as mulheres, como a F\u00edsica. Entre 1901 e 2021, o pr\u00eamio Nobel de F\u00edsica foi concedido a 219 pessoas, apenas quatro eram mulheres: Marie Curie (1903), Maria Goeppert-Mayer (1963), Donna Strickland (2018) e Andrea Ghez (2020). O isolamento n\u00e3o acontece apenas na esfera da pesquisa acad\u00eamica, mas tamb\u00e9m na ocupa\u00e7\u00e3o de posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a profissional. De acordo com o relat\u00f3rio publicado pela <a href=\"https:\/\/www.unesco.org\/\">Unesco<\/a> (2022) sobre a participa\u00e7\u00e3o das mulheres nas carreiras de ci\u00eancias, tecnologias, engenharias e matem\u00e1tica na Am\u00e9rica Latina e Caribe, um dos obst\u00e1culos \u00e0 lideran\u00e7a profissional de mulheres \u00e9 a predomin\u00e2ncia do imagin\u00e1rio do masculino associado \u00e0 compet\u00eancia e as pr\u00e1ticas formais e informais de g\u00eanero. Para transformar essa realidade, D\u00e9bora aposta na cria\u00e7\u00e3o de modelos, por isso, decidiu se candidatar ao cargo de presidente da SBF, onde pretende modernizar e ampliar a comunica\u00e7\u00e3o da f\u00edsica com a sociedade como forma de combate \u00e0 exclus\u00e3o, not\u00edcias falsas e negacionismo. Divulgadora de ci\u00eancias &#8211; D\u00e9bora \u00e9 \u201cYouTuber\u201d e \u201cTik Toker\u201d \u2014 tem se dedicado pessoalmente ao canal do \u201c<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=gr93yP8S-ho\">Mulheres na Ci\u00eancia<\/a>\u201d. D\u00e9bora falou para a Ci\u00eancia &amp; Cultura sobre o que a F\u00edsica tem para comemorar e o que tem a refletir e transformar, mem\u00f3rias da F\u00edsica e sobre os tempos de inf\u00e2ncia, quando andava de skate no cemit\u00e9rio da Vila Mariana, na cidade de S\u00e3o Paulo.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O dia 19 de maio \u00e9 uma data marcada para celebrar a F\u00edsica como ci\u00eancia, numa alus\u00e3o ao \u201cano miraculoso\u201d de Einstein, 1905. Qual a import\u00e2ncia de instituir um dia para as profissionais f\u00edsicas e f\u00edsicos, no pa\u00eds?<\/strong><\/p>\n<p>O Dia do F\u00edsico, ou melhor, Dia da F\u00edsica (referindo-nos \u00e0 ci\u00eancia) n\u00e3o tem apenas um prop\u00f3sito de comemora\u00e7\u00e3o, mas uma raz\u00e3o de ser na luta pela regulamenta\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o, que aconteceu em 2018. Para quem est\u00e1 na vida acad\u00eamica, pode n\u00e3o parecer t\u00e3o importante, mas para quem atua no mercado de trabalho \u00e9 fundamental. Ainda precisamos regulamentar a profiss\u00e3o, nos moldes do CREA, Conselho de Fisioterapia, de Medicina, etc. Para isso, precisam ser criados um conselho federal e os conselhos regionais de F\u00edsica, particularmente importantes para as pessoas que atuam na f\u00edsica m\u00e9dica e para aquelas que inventam coisas. Por exemplo, quando algu\u00e9m realiza um tratamento oncol\u00f3gico, a dose de radiois\u00f3topos que a paciente vai receber tem que ser determinada por uma profissional da f\u00edsica m\u00e9dica. Mas, na maioria dos hospitais, quem assina os laudos \u00e9 a m\u00e9dica ou o m\u00e9dico. Existem v\u00e1rios acidentes no pa\u00eds por causa disso. Outro aspecto \u00e9 que se uma f\u00edsica ou um f\u00edsico fizer uma descoberta, algo comum na \u00e1rea de semicondutores e dispositivos qu\u00e2nticos, quem assina como respons\u00e1vel t\u00e9cnico \u00e9 da \u00e1rea de engenharia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual o papel da SBF para a f\u00edsica no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>A SBF tem uma estrutura razoavelmente enxuta que tem permitido desenvolver um trabalho muito bom e desempenhar um papel incr\u00edvel junto \u00e0 comunidade de f\u00edsicas e f\u00edsicos, ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas. Inclusive, um papel historicamente importante. A SBF defendeu f\u00edsicas e f\u00edsicos na \u00e9poca da ditadura militar. A SBF estimula a discuss\u00e3o acad\u00eamica nas diversas \u00e1reas da pesquisa em F\u00edsica e nesse intuito organiza eventos, anual ou bianualmente, dependendo da \u00e1rea do conhecimento. Os eventos da \u00e1rea de mat\u00e9ria condensada e estat\u00edstica, por exemplo, recebem mais de oito mil pessoas. Visando a forma\u00e7\u00e3o de novas(os) cientistas, a SBF assumiu a responsabilidade de organizar o exame unificado de ingresso na maioria das p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es no pa\u00eds, al\u00e9m de motivar jovens adolescentes na F\u00edsica atrav\u00e9s das <a href=\"http:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/olimpiada\/\">Olimp\u00edada Brasileira de F\u00edsica<\/a> (OBF) e da <a href=\"http:\/\/www.sbfisica.org.br\/~obfep\/\">Olimp\u00edada Brasileira de F\u00edsica das Escolas P\u00fablicas<\/a> (OBFEP). Mais recentemente, atuamos quanto \u00e0 quest\u00e3o do projeto de lei que institui esse dia para a F\u00edsica, importante para dar visibilidade no congresso ao trabalho que as f\u00edsicas e os f\u00edsicos fazem. No futuro, essa visibilidade pode auxiliar na regulamenta\u00e7\u00e3o dos conselhos. A maioria dos f\u00edsicos e f\u00edsicas n\u00e3o conhece essa hist\u00f3ria, eu mesma comecei a me dar conta quando me envolvi no Grupo de Trabalho de G\u00eanero da SBF.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como esse dia da F\u00edsica movimenta as reflex\u00f5es sobre a \u00e1rea no pa\u00eds? O que a F\u00edsica tem para celebrar e quais s\u00e3o as causas a serem levantadas? <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil fazer f\u00edsica sem adorar! Esse \u00e9 um motivo para celebrar! Temos que celebrar o conhecimento das coisas, a percep\u00e7\u00e3o da f\u00edsica sobre o universo. Mesmo que essa percep\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja profunda, ela \u00e9 super legal. Para onde quer que eu olhe, eu enxergo a f\u00edsica. A f\u00edsica est\u00e1 l\u00e1 fora, no c\u00e9u que \u00e9 azul, no por do sol alaranjado, dentro de casa, no microondas\u2026 Mas, temos que lutar pelas causas comuns das ci\u00eancias, mais financiamento, reconhecimento de p\u00f3s-graduandos. Uma bolsa de mestrado \u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Isso \u00e9 uma vergonha! Temos de afastar os estere\u00f3tipos, temos que defender a import\u00e2ncia de investimento em pesquisa, brigar por uma educa\u00e7\u00e3o de maior qualidade para as crian\u00e7as. Precisamos motivar as crian\u00e7as sobre ci\u00eancias para que n\u00e3o se deixem levar por engodos como cura qu\u00e2ntica, ou movimentos antivacina. Algo recente e que me entristece \u00e9 ver m\u00e3es com 3, 4, 5 crian\u00e7as indo at\u00e9 o congresso para defenderem a educa\u00e7\u00e3o em casa. Somos n\u00f3s mulheres defendendo interesses alheios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"para-onde-quer-que-eu-olhe-eu-enxergo-a-fisica-a-fisica-esta-la-fora-no-ceu-que-e-azul-no-por-do-sol-alaranjado-dentro-de-casa-no-microondas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">&#8220;Para onde quer que eu olhe, eu enxergo a f\u00edsica. A f\u00edsica est\u00e1 l\u00e1 fora, no c\u00e9u que \u00e9 azul, no por do sol alaranjado, dentro de casa, no microondas.&#8221;<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E quanto aos estere\u00f3tipos de g\u00eanero na f\u00edsica? No Brasil, que pr\u00e1ticas acad\u00eamicas afastam as mulheres do ingresso nas carreiras acad\u00eamicas, de permanecerem nelas e de ocuparem posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a?<\/strong><\/p>\n<p>Acredito que a maior quest\u00e3o \u00e9 a falta de modelos. Essa foi uma das raz\u00f5es pelas quais eu aceitei concorrer ao cargo de presidente da SBF. Antes, eu sempre falava sobre o efeito tesoura que n\u00e3o deixa que as mulheres ocuparem posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a nas carreiras, mulheres reprimidas pelo discurso masculino. As mulheres que t\u00eam protagonismo s\u00e3o tachadas como chatas, mandonas, \u201cde g\u00eanio dif\u00edcil\u201d, \u00e9 uma longa lista de defeitos, sempre tem uma cr\u00edtica associada. As pessoas mais pr\u00f3ximas s\u00e3o as que menos d\u00e3o reconhecimento, mas \u00e9 um caminho que est\u00e1 sendo trilhado. Eu aceitei concorrer ao cargo na SBF para ocupar esse espa\u00e7o, tamb\u00e9m para dar continuidade ao trabalho que j\u00e1 vinha sendo desenvolvido. Olhando para a comunidade da f\u00edsica, encontramos uma realidade que \u00e9 pior que em muitas \u00e1reas. A maioria das pessoas na f\u00edsica, no pa\u00eds, \u00e9 homem branco do sudeste. S\u00e3o poucas as pessoas negras, as mulheres\u2026 Isso n\u00e3o tem nada a ver com a realidade do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Outra quest\u00e3o s\u00e3o os estere\u00f3tipos que carregamos desde a inf\u00e2ncia, que afastam as meninas das carreiras cient\u00edficas. Por exemplo, na \u00e9poca do Imp\u00e9rio, quando se instituiu O dia do Professor, n\u00e3o havia previs\u00e3o de que o ensino de matem\u00e1tica fosse para as mulheres. Elas n\u00e3o precisavam saber racioc\u00ednio abstrato. Isso era coisa de homem. Mas s\u00e3o degraus que n\u00f3s estamos subindo e apesar de ser uma mudan\u00e7a lenta, as coisas est\u00e3o mudando. As meninas agora se posicionam, reclamam mais, percebem quando existe ass\u00e9dio moral. Isso porque estamos divulgando mais, falando mais. Apesar do atual governo, isso vai continuar melhorando, apesar da rea\u00e7\u00e3o de homens brancos que n\u00e3o querem reconhecer privil\u00e9gios, ceder espa\u00e7os. Dif\u00edcil sair da posi\u00e7\u00e3o de conforto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais t\u00eam sido os desafios deste seu primeiro ano como presidente da SBF?<\/strong><\/p>\n<p>Tudo que fiz e ainda penso fazer na SBF \u00e9 um ajuste na estrutura fina porque a sociedade j\u00e1 tem muitas conquistas. A principal defici\u00eancia que vejo \u00e9 a comunica\u00e7\u00e3o, tanto do ponto de vista institucional como de comunica\u00e7\u00e3o com o p\u00fablico. Percebo que muitas pessoas, mesmo filiadas \u00e0 SBF, n\u00e3o sabem o que ela faz, filiam-se apenas para participar de eventos. A SBF representa muito mais do que isso, \u00e9 uma comunidade da f\u00edsica, mesmo porque sozinho ningu\u00e9m vai a lugar nenhum. Eu pretendo ampliar a comunica\u00e7\u00e3o da SBF com pessoas dessa comunidade da f\u00edsica, de pesquisa e ensino de f\u00edsica, e delas com a sociedade. Precisamos ampliar o acesso das pessoas \u00e0 informa\u00e7\u00e3o tanto para se fazer entender pelas(os) pr\u00f3prias(os) filiadas(os) da SBF como para promover comunica\u00e7\u00e3o de melhor qualidade sobre assuntos de f\u00edsica e ensino de f\u00edsica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Provavelmente, al\u00e9m de primeira presidente eleita da SBF, voc\u00ea tamb\u00e9m deve ser a primeira presidente YouTuber. Qual a import\u00e2ncia da comunica\u00e7\u00e3o da f\u00edsica com a sociedade?<\/strong><\/p>\n<p>Sou \u201cYouTuber\u201d e \u201cTik Toker\u201d, como diriam as minhas alunas. Eu tenho particularmente dedicado tempo a essa grande \u00e1rea da divulga\u00e7\u00e3o de ci\u00eancias porque, desde que meu filho cresceu, estou numa fase da vida que me permite. Coordenei um museu de ci\u00eancias aqui em Santa Catarina por dez anos e depois me envolvi com as redes sociais, trazidas at\u00e9 mim pelas minhas alunas. No entanto, nem toda (o) cientista pode fazer divulga\u00e7\u00e3o porque d\u00e3o muita aula, escrevem projetos de pesquisa, participam de reuni\u00f5es, etc. Principalmente as mulheres que t\u00eam filhos pequenos encontram mais obst\u00e1culos em termos de tempo para se dedicarem a essa atividade. Mas \u00e9 importante que as(os) cientistas apoiem e disseminem o que se faz na academia. E esse apoio vem n\u00e3o apenas na forma de atua\u00e7\u00e3o como divulgadoras(es), mas as(os) cientistas que coordenam os editais de financiamento t\u00eam que for\u00e7ar a barra para que verbas sejam destinadas para essa \u00e1rea. Infelizmente, a divulga\u00e7\u00e3o de ci\u00eancias no Brasil n\u00e3o \u00e9 valorizada. No meu canal no YouTube, por exemplo, n\u00e3o temos verbas, todas as pessoas que fazem parte da equipe atuam como volunt\u00e1rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-nossa-responsabilidade-como-cientistas-e-grande-e-e-necessario-agir-quando-os-assuntos-se-apresentam\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">&#8220;A nossa responsabilidade como cientistas \u00e9 grande e \u00e9 necess\u00e1rio agir quando os assuntos se apresentam.&#8221;<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 importante para afastar, por exemplo, ideias negacionistas e a dissemina\u00e7\u00e3o de not\u00edcias falsas, que alimentam uma crescente desconfian\u00e7a das ci\u00eancias, na sociedade. Qual a responsabilidade de cientistas das \u00e1reas da f\u00edsica quanto ao surgimento como quanto ao combate dessas ideias e pr\u00e1ticas? <\/strong><\/p>\n<p>A nossa responsabilidade como cientistas \u00e9 grande e \u00e9 necess\u00e1rio agir quando os assuntos se apresentam. As ferramentas das redes sociais, por exemplo, s\u00e3o importantes para ocupar um espa\u00e7o que est\u00e1 sendo dominado por coisas que n\u00e3o s\u00e3o verdadeiras. A postura das pessoas da f\u00edsica \u00e9 duvidar. Duvidar \u00e9 algo muito bom para nos protegermos das pseudoci\u00eancias porque elas est\u00e3o correlacionadas \u00e0s not\u00edcias falsas. A comunica\u00e7\u00e3o com a sociedade \u00e9 algo que faltava um pouco na SBF, mas estou trabalhando para mudar o nosso site, de onde saem todas as not\u00edcias que v\u00e3o para as redes sociais, etc. A SBF est\u00e1 melhorando a sua comunica\u00e7\u00e3o para ocupar esses espa\u00e7os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Essa \u00e9 a proposta do Veri F\u00edsica da SBF, verificar as not\u00edcias falsas?<\/strong><\/p>\n<p>A proposta do Veri F\u00edsica \u00e9 falar coisas corretas com linguagem apropriada para chegar em estudantes e no p\u00fablico leigo de uma forma geral. Come\u00e7amos na gest\u00e3o anterior \u00e0 minha com uma comiss\u00e3o formada por pessoas atuantes na divulga\u00e7\u00e3o de ci\u00eancias, como o Marcelo Knobel, ex-reitor da <a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/\">Universidade Estadual de Campinas<\/a> (Unicamp). As abordagens eram sempre no sentido de desfazer as not\u00edcias sobre cura qu\u00e2ntica, coach qu\u00e2ntico e outras engana\u00e7\u00f5es qu\u00e2nticas, em geral. Mas apesar disso, o modelo do Veri F\u00edsica n\u00e3o funcionou muito bem. Conversei com o conselho e o Ricardo Galv\u00e3o, da USP, ex-diretor do <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/inpe\/pt-br\">Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais<\/a> (INPE), resolveu assumir num formato diferente. No nosso primeiro Veri F\u00edsica, falamos sobre dinossauros e mat\u00e9ria escura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nesse sentido, qual a import\u00e2ncia da hist\u00f3ria para a forma\u00e7\u00e3o de cientistas, pesquisadoras e pesquisadores das \u00e1reas da f\u00edsica e ensino de f\u00edsica e professoras e professores de f\u00edsica?<\/strong><\/p>\n<p>Conhecer hist\u00f3ria \u00e9 sempre importante porque \u00e9 uma forma de cometermos menos erros, ao menos, de n\u00e3o reproduzir erros passados. Podemos interpretar ou ler a interpreta\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m. Isso \u00e9 importante para a hist\u00f3ria da f\u00edsica, no Brasil. Na hist\u00f3ria das ci\u00eancias no pa\u00eds, a f\u00edsica foi precursora de muitas coisas, o pr\u00f3prio modo como os departamentos foram criados, nas d\u00e9cadas de 40 e 50. A vinda de pesquisadores para o Brasil, como o Gleb Wataghin, Giuseppe Occhialini, a exist\u00eancia do pr\u00f3prio C\u00e9sar Lattes. Essas personagens fundaram o <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/cbpf\/pt-br\">Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas<\/a> (CBPF), foram atuantes na forma\u00e7\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.gov.br\/mcti\/pt-br\/composicao\/rede-mcti\/conselho-nacional-de-desenvolvimento-cientifico-e-tecnologico\">Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico<\/a> (CNPQ) \u2014 O CNPQ financia pesquisa para todas as \u00e1reas, o que, infelizmente, n\u00e3o \u00e9 um assunto discutido em n\u00edvel acad\u00eamico. Eu acho important\u00edssimas no curso de f\u00edsica (bacharelado e licenciatura) a epistemologia e a metodologia cient\u00edfica, que acabam sendo assuntos considerados menos importantes. Dever\u00edamos ter mais cursos, micro cursos, ao longo da gradua\u00e7\u00e3o de bacharelandos e licenciandos. Estamos no laborat\u00f3rio pesquisando, mas n\u00e3o refletimos sobre a nossa pr\u00f3pria atividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"estamos-doando-cerebros-nao-conseguimos-segurar-pos-doutorandasos-no-pais\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">&#8220;Estamos doando c\u00e9rebros. N\u00e3o conseguimos segurar p\u00f3s-doutorandas(os) no pa\u00eds.&#8221;<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Qual o momento mais marcante na hist\u00f3ria da f\u00edsica brasileira? <\/strong><\/p>\n<p>Ah! Eu fui aluna do M\u00e1rio Schenberg, conheci o C\u00e9sar Lattes, ent\u00e3o, esses momentos marcantes para mim n\u00e3o s\u00e3o propriamente marcantes na hist\u00f3ria da f\u00edsica brasileira, mas tem um encontro afetivo com as minhas pr\u00f3prias mem\u00f3rias. Por exemplo, eu j\u00e1 fiz de tudo para me inscrever numa disciplina com o Schenberg e tem hist\u00f3rias muito legais. Diziam que ele tinha fotofobia, e ele, de fato, dormia durante as aulas. Dormia no meio de uma frase. Ficava um sil\u00eancio. Todo mundo observando. Ele acordava e prosseguia a aula exatamente de onde tinha parado. A prova oral era na casa dele. Eu j\u00e1 cheguei a encontr\u00e1-lo de pijama, em casa. Ele estava todo desgrenhado. Pedia licen\u00e7a para ir se arrumar, subia as escadas e voltava penteado, mas ainda de pijamas. Quanto ao C\u00e9sar Lattes, eu tamb\u00e9m presenciei um momento peculiar de quando ele passou de sala em sala na faculdade convocando as pessoas para assistir uma palestra dele, convocou a imprensa, disse que iria demonstrar que o Einstein estava errado. Todo mundo saiu para assistir. Na primeira cadeira, tinha um professor famoso de Oxford, que eu encontrei anos depois. De repente, no meio da palestra e o Lattes: \u201cEsqueci as minhas notas. Vou buscar e j\u00e1 volto!\u201d. E nunca voltou. As pessoas consideradas geniais faziam o que elas queriam.<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Qual o papel da SBF para fortalecer a profiss\u00e3o de professora e professor de f\u00edsica, estimulando, inclusive, a forma\u00e7\u00e3o de novas (os) cientistas?<\/strong><\/p>\n<p>Se n\u00e3o fortalecermos a parte de ensino, n\u00e3o teremos cientistas no futuro. Muita gente vai fazer f\u00edsica porque teve excelentes professores no col\u00e9gio, temos que focar na forma\u00e7\u00e3o das pessoas que v\u00e3o dar aulas no fundamental e m\u00e9dio. Ainda h\u00e1 muito preconceito com rela\u00e7\u00e3o a professores e professoras e \u00e9 um dos desafios da SBF. Eu tenho tentando fortalecer as comiss\u00f5es para discutir o ensino de f\u00edsica, <a href=\"http:\/\/www.sbfisica.org.br\/v1\/arquivos_diversos\/comissoes\/pef\/Ata_Reuniao_CAPEF_no_XV_EPEF_29-10-2014.pdf\">Comiss\u00e3o da \u00c1rea de Pesquisa em Ensino de F\u00edsica<\/a> (CAPEF) e conselheiros que formam uma assessoria informal da SBF. S\u00e3o pessoas muito antenadas ligadas com diferentes aspectos do modo como a f\u00edsica est\u00e1 sendo ensinada na nova Base Nacional Curricular Comum, que prev\u00ea uma forma\u00e7\u00e3o mais integral, mas menos focada em f\u00edsica. A SBF tem prestado aten\u00e7\u00e3o na BNCC, atraindo mais professores da rede p\u00fablica para se associarem, o que ajuda a fortalecer a sociedade e a nossa \u00e1rea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Segundo o censo da Educa\u00e7\u00e3o Superior no pa\u00eds, mais de 1,5 milh\u00e3o de estudantes frequentaram cursos de licenciatura no Brasil em 2017, o que representava ent\u00e3o 19,3% do total de graduandas(os) na educa\u00e7\u00e3o superior. O curso de licenciatura em f\u00edsica ocupava a 11 posi\u00e7\u00e3o, com pouco mais de 28 mil ingressantes, 1,9% do total de matr\u00edculas. Como \u00e9 avaliado o n\u00famero de ingressos em cursos de licenciatura, especialmente, considerando os altos \u00edndices de evas\u00e3o? <\/strong><\/p>\n<p>Infelizmente, a evas\u00e3o tem v\u00e1rias causas. Dif\u00edcil conseguir dados nesse caso, mas eu enxergo a falta de perspectiva de uma carreira melhor como um problema. A situa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho \u00e9 diferente para as pessoas que fazem licenciatura e bacharelado. A oferta \u00e9 melhor para quem faz licenciatura, mas as condi\u00e7\u00f5es de trabalho s\u00e3o prec\u00e1rias e a profiss\u00e3o se torna n\u00e3o atrativa. Uma pessoa que se forma em medicina, por exemplo, al\u00e9m de ter oferta de emprego, tem boas condi\u00e7\u00f5es de trabalho, em geral, \u00e9 valorizada. Eu estudei a evas\u00e3o escolar da UFSC, quando estava atr\u00e1s dos dados de g\u00eanero, mas me deparei com outra coisa que me surpreendeu ao tentar identificar as causas da evas\u00e3o: o curso de F\u00edsica \u00e9 um trampolim social. Muitas pessoas gostariam de entrar na engenharia, mas n\u00e3o se sentem capacitadas. Elas ingressam no ensino superior no curso de F\u00edsica, cursam os primeiros semestres e pulam para a engenharia. Desse modo, perdemos pessoas que poderiam atuar como f\u00edsicas, mas v\u00e3o contribuir com outras \u00e1reas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Dentre as \u00e1reas de pesquisa em f\u00edsica, no pa\u00eds, quais s\u00e3o as que t\u00eam maior e menor reconhecimento e inser\u00e7\u00e3o internacional. Se existem disparidades por qual motivo elas acontecem? <\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil avaliar porque todas as \u00e1reas da F\u00edsica Brasileira t\u00eam inser\u00e7\u00e3o internacional. Tem aquelas que s\u00e3o muito grandes, em n\u00famero de pessoas, como a f\u00edsica do estado s\u00f3lido, ent\u00e3o, tem mais indicadores apontando para a produtividade dessa \u00e1rea. Mais pessoas representam maior inser\u00e7\u00e3o internacional. Temos que olhar o conjunto de pessoas envolvidas no indicador. Na \u00e1rea de F\u00edsica Nuclear, por exemplo, temos 150 pessoas. Tem tamb\u00e9m o fato de que as \u00e1reas te\u00f3ricas acabam sendo mais atrativas, pois requerem menos recursos. As \u00e1reas de mat\u00e9ria condensada, dentre as experimentais, tamb\u00e9m re\u00fanem um contingente maior de pesquisadoras e pesquisadores, enquanto para aquelas que trabalham com colis\u00e3o de part\u00edculas, temos o envolvimento internacional, altos custos de pesquisa e investimento. No Brasil, temos compet\u00eancias instaladas em muitas \u00e1reas e formamos pessoas capacitadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Estamos vivendo um novo momento de fuga de c\u00e9rebros?<\/strong><\/p>\n<p>Estamos doando c\u00e9rebros. N\u00e3o conseguimos segurar p\u00f3s-doutorandas(os) no pa\u00eds. A bolsa \u00e9 rid\u00edcula. Al\u00e9m disso, n\u00e3o tem bolsas suficientes, o mercado de trabalho \u00e9 fraco, n\u00e3o tem emprego. Essa realidade se repete. Quando voltei para o Brasil vindo do doutorado em Oxford, na Inglaterra, nos anos 90, dei uma entrevista na \u00e9poca, e lembro que me perguntaram: \u201cO que voc\u00ea vai fazer agora?\u201d E eu disse: \u201cVou abrir uma loja de chocolates\u201d. N\u00e3o tinha emprego, eu tive muita dificuldade. Eram poucos os concursos, eu n\u00e3o tinha experi\u00eancia para dar aulas e eu quase desisti. Cheguei a fazer concurso para dar aulas de matem\u00e1tica financeira, mas quando apareceu um concurso na UFSC, prestei e passei. Poderia ter sido mais uma f\u00edsica no mercado financeiro. O que \u00e9 bom, sorte do mercado financeiro! Mas a F\u00edsica n\u00e3o pode abrir m\u00e3o de formar doutores. Al\u00e9m disso, as pessoas t\u00eam que ter condi\u00e7\u00f5es para permanecerem no pa\u00eds. O investimento na forma\u00e7\u00e3o dessas pessoas \u00e9 todo brasileiro e a pessoa vai gerar frutos para a Alemanha, etc.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quanto \u00e0s quest\u00f5es emergentes sobre a ocupa\u00e7\u00e3o humana no planeta, existe conex\u00e3o entre a pesquisa, os m\u00e9todos da f\u00edsica e a preserva\u00e7\u00e3o da vida no nosso planeta?<\/strong><\/p>\n<p>A f\u00edsica \u00e9 important\u00edssima nessa discuss\u00e3o. Os modelos ambientais de eventos extremos e mudan\u00e7as clim\u00e1ticas envolvem equa\u00e7\u00f5es diferenciais, etc. Ou seja, a linguagem da f\u00edsica entra na modelagem. Mas nessa quest\u00e3o n\u00e3o podemos esperar a linguagem evoluir, temos que agir. As \u00e1reas da f\u00edsica brasileira est\u00e3o super conectadas com a quest\u00e3o ambiental. Na SBF, acabamos de criar uma comiss\u00e3o de meio-ambiente, que tem o professor Ricardo Galv\u00e3o e o professor Paulo Artaxo, da USP, e da Universidade Federal do Mato Grosso, temos o professor S\u00e9rgio Vagner da Silveira. O Paulo Artaxo \u00e9 um nome importante, ele faz parte do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) e, grupo de pessoas que discutem as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas por meio dos modelos de F\u00edsica, al\u00e9m de ser vice-presidente da <a href=\"http:\/\/portal.sbpcnet.org.br\/\">Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia<\/a> (SBPC).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O que na sua trajet\u00f3ria profissional te conduziu at\u00e9 aqui? <\/strong><\/p>\n<p>Eu aprendi em metodologia cient\u00edfica que a nossa perspectiva n\u00e3o pode ser vista como a verdade absoluta, acho que isso foi e \u00e9 algo marcante. Desde pequena eu era muito curiosa, inquieta. J\u00e1 chegaram a me impedir de ficar perto das minhas amigas insepar\u00e1veis, no col\u00e9gio, porque eu estaria atrapalhando o desenvolvimento delas. Eu fazia tudo muito r\u00e1pido, v\u00e1rias coisas ao mesmo tempo. Estudava ingl\u00eas, dan\u00e7ava bal\u00e9 e andava de skate no cemit\u00e9rio, na Vila Mariana, em S\u00e3o Paulo. Quando comecei a andar de skate, ca\u00eda, machucava. O ch\u00e3o era irregular, mas l\u00e1 no cemit\u00e9rio era lisinho o ch\u00e3o. Eu chamava todo mundo para ir andar de skate no cemit\u00e9rio. Estudei num bom col\u00e9gio e entrei na F\u00edsica da USP sabendo integrar e derivar, o que me deixava livre para aproveitar a vida universit\u00e1ria de v\u00e1rias formas. Ia para piscina, para as \u00e1reas de lazer. Penso que\u00a0ter entrado na UFSC foi muito importante na minha trajet\u00f3ria profissional, devo muita coisa para UFSC. Eu fui pr\u00f3-reitora na UFSC ainda jovem. Se tivesse ficado em S\u00e3o Paulo isso n\u00e3o teria acontecido. A quantidade de alunos que orientei na UFSC, talvez, n\u00e3o teria orientado se tivesse ficado em S\u00e3o Paulo. Foram por volta de cinquenta pessoas de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica, quase quarenta de mestrado e doutorado. Eu agrade\u00e7o \u00e0 institui\u00e7\u00e3o pela carreira que eu tive.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E que dificuldades voc\u00ea enfrentou na sua trajet\u00f3ria?<\/strong><\/p>\n<p>O meu primeiro choque com a realidade que se apresenta de forma mais ostensiva para outras pessoas na f\u00edsica foi quando eu cheguei em Oxford e meu orientador me perguntou se eu era casada. Ele disse que F\u00edsica em Oxford era muito dif\u00edcil: \u201cVai fazer as disciplinas e volta para falar comigo daqui h\u00e1 um ano\u201d. Eu n\u00e3o perdi tempo, falei com outras pessoas, outros orientadores, que tamb\u00e9m me faziam essa mesma pergunta: \u201cVoc\u00ea \u00e9 casada?\u201d, \u201cQuantos filhos voc\u00ea quer ter?\u201d. Eu respondia: \u201cN\u00e3o sei. Eu n\u00e3o vim ter filho, eu vim fazer doutorado.\u201d Essas perguntas n\u00e3o s\u00e3o muito comuns na vida dos homens, na academia, independente de serem casados.<\/p>\n<p>Mas, enfim, durante aquele ano, eu publiquei um artigo e l\u00e1 foi o meu orientador falar comigo para come\u00e7armos o trabalho. N\u00e3o hesitei, disse para ele que estava muito ocupada: \u201cVolte daqui h\u00e1 um ano!\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"imagem-de-capa-debora-menezes-na-boca-da-verdade-em-roma-arquivo-pessoal\">Imagem de capa: D\u00e9bora Menezes na Boca da Verdade, em Roma (Arquivo pessoal)<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Quase um ano se passou desde que a f\u00edsica D\u00e9bora Menezes, professora&hellip;\n","protected":false},"author":23,"featured_media":2161,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1,2],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2159"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/23"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2159"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2159\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2165,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2159\/revisions\/2165"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2161"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2159"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2159"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2159"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}