{"id":2402,"date":"2022-07-04T07:59:02","date_gmt":"2022-07-04T07:59:02","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2402"},"modified":"2023-09-01T11:00:38","modified_gmt":"2023-09-01T11:00:38","slug":"modernismo-100-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2402","title":{"rendered":"Modernismo, 100 anos depois"},"content":{"rendered":"<p>\u201cQueremos a Revolu\u00e7\u00e3o Cara\u00edba. Maior que a revolu\u00e7\u00e3o Francesa. A unifica\u00e7\u00e3o de todas as revoltas eficazes na dire\u00e7\u00e3o do homem\u201d. Em seu \u201cManifesto Antrop\u00f3fago\u201d, publicado em 1928, Oswald de Andrade prop\u00f5e uma revolu\u00e7\u00e3o cultural e social. Hoje, nas celebra\u00e7\u00f5es do Centen\u00e1rio da Semana de Arte Moderna \u2014 \u00e1pice do movimento modernista brasileiro \u2014 \u00e9 poss\u00edvel perceber que a antropofagia se mant\u00e9m atual e o modernismo, vivo.<\/p>\n<p>H\u00e1 cem anos, um grupo de artistas considerados \u201crebelde\u201d organizava a semana que foi fundamental para que um novo processo art\u00edstico se estabelecesse por aqui.\u00a0Mas a Semana de Arte Moderna n\u00e3o se limitou \u00e0 S\u00e3o Paulo \u2014 tampouco a 1922. O cen\u00e1rio art\u00edstico acompanhou as mudan\u00e7as que aconteciam no mundo e o movimento modernista persistiu \u2014 ou melhor, se adaptou, deglutindo todas as novas informa\u00e7\u00f5es e influ\u00eancias e criando um novo movimento. O Novo Modernismo, como passou a ser chamado, \u00e9 uma movimenta\u00e7\u00e3o que coloca a nega\u00e7\u00e3o das regras academicistas ainda em maior evid\u00eancia, al\u00e9m de incluir em seu escopo a cria\u00e7\u00e3o perif\u00e9rica.<\/p>\n<p>Se foi a elite paulista que realizou a Semana de 22, hoje \u00e9 o inverso. \u00c9 a periferia que est\u00e1 dando a dire\u00e7\u00e3o da cena art\u00edstica, com personalidades negras, ind\u00edgenas, LGBTQIA+, asi\u00e1ticas e mulheres promovendo o debate. \u201cAgora que estamos passando por uma revaloriza\u00e7\u00e3o das culturas amer\u00edndias e afrodiasp\u00f3ricas, e sobretudo agora que artistas ind\u00edgenas e\u00a0<em>negres<\/em>\u00a0est\u00e3o produzindo suas pr\u00f3prias narrativas sobre o que \u00e9 pertencer a uma tradi\u00e7\u00e3o nacional ou regional, \u00e9 poss\u00edvel, sim, dizer que ainda h\u00e1 f\u00f4lego para a antropofagia\u201d, afirma Pedro Meira Monteiro, professor de Espanhol e Portugu\u00eas na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.princeton.edu\/\">Princeton University<\/a><\/span>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"hoje-e-a-periferia-que-esta-dando-a-direcao-da-cena-artistica-com-personalidades-negras-indigenas-lgbtqia-asiaticas-e-mulheres-promovendo-o-debate\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">\u201cHoje \u00e9 a periferia que est\u00e1 dando a dire\u00e7\u00e3o da cena art\u00edstica, com personalidades negras, ind\u00edgenas, LGBTQIA+, asi\u00e1ticas e mulheres promovendo o debate.\u201d<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, essa aproxima\u00e7\u00e3o pode provocar um desconforto em rela\u00e7\u00e3o a todos os lugares poss\u00edveis e a todas as explica\u00e7\u00f5es identit\u00e1rias fixas. A arte teria essa fun\u00e7\u00e3o de \u201cbagun\u00e7ar\u201d o mapa em que nos reconhecemos, e que nos diz quem somos e de onde viemos, e o processo cultural se daria nessa jun\u00e7\u00e3o entre entendimento e desentendimento. \u201cN\u00e3o se produz nada de novo ou interessante quando h\u00e1 plena compreens\u00e3o. Mas a incompreens\u00e3o absoluta \u00e9 um caminho para a viol\u00eancia. E a antropofagia pode ser uma resposta para esse dilema, porque ela pressup\u00f5e uma interpreta\u00e7\u00e3o que \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de aproxima\u00e7\u00e3o-limite, em que n\u00e3o se pretende tomar o lugar do Outro. Sobretudo, a arte serve para colocar em xeque e em suspenso a possibilidade de usar esse pronome t\u00e3o enganoso quanto sedutor: \u2018n\u00f3s\u2019\u201d.<\/p>\n<h3 id=\"antropofagia\"><strong>Antropofagia<\/strong><\/h3>\n<p>Segundo o poeta e ensa\u00edsta Eucana\u00e3 Ferraz, professor da Faculdade de Letras da <a href=\"https:\/\/ufrj.br\/\"><span style=\"color: #800000;\">Universidade Federal do Rio de Janeiro<\/span><\/a> (UFRJ), n\u00f3s vivemos um tempo de globaliza\u00e7\u00e3o total, que fez desaparecer a necessidade de delimita\u00e7\u00e3o das culturas, ou ainda, a no\u00e7\u00e3o de \u201cdiferen\u00e7a\u201d como for\u00e7a. Apenas o pensamento ultraconservador e\/ou extremista se mant\u00e9m interessado nas velhas no\u00e7\u00f5es de nacionalidade. \u201cA antropofagia nos termos de Oswald teria muito a dizer acerca isso, sobre o rid\u00edculo e a fragilidade das perspectivas totalit\u00e1rias\u201d, diz. O pesquisador aponta ainda que \u00e9 interessante pensar na proposta oswaldiana \u2014 que exige a degluti\u00e7\u00e3o, a digest\u00e3o, a apreens\u00e3o lenta, sens\u00edvel, inteligente, e ainda, a singularidade, a diversidade e a diverg\u00eancia \u2014 em um momento em que vigora a velocidade e a absor\u00e7\u00e3o imediata.<\/p>\n<p>O projeto da antropofagia possui um largo espectro, ainda que pare\u00e7a vago e inalcan\u00e7\u00e1vel. Mais do que mera provoca\u00e7\u00e3o est\u00e9tica, \u00e9 um chamamento \u00e0 a\u00e7\u00e3o, \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o, \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos artistas e intelectuais na vida social do pa\u00eds. \u201cAo cunhar o conceito de antropofagia, Oswald tencionava posicionar-se de outra maneira em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 heran\u00e7a cultural europeia, n\u00e3o mais se servindo dela como modelo, rejeitando f\u00f3rmulas pr\u00e9-estabelecidas de composi\u00e7\u00e3o po\u00e9tica e proclamando a aboli\u00e7\u00e3o de todo eruditismo. A seu ver, o Brasil poderia oferecer algo de valor \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o ocidental desde que seus artistas come\u00e7assem a (re)ver\u00a0nosso passado com renovado interesse\u201d, explica Maria De F\u00e1tima Morethy Couto, professora do Instituto de Artes (IA) da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/\">Unicamp<\/a><\/span>.<\/p>\n<p>Quando Oswald lan\u00e7a a ideia da antropofagia, ela tem um impacto grande e se converte numa percep\u00e7\u00e3o interessante do que seria a din\u00e2mica cultural brasileira. \u201cO que era tabu vira totem, e aquilo que era tido como uma heran\u00e7a maldita da civiliza\u00e7\u00e3o tropical e escravista (a ascend\u00eancia ind\u00edgena e africana de grande parte da popula\u00e7\u00e3o) se converte em algo positivo. H\u00e1 muitas idealiza\u00e7\u00f5es e muitos silenciamentos nesse processo, mas a possibilidade de que as ideias europeias fossem contorcidas, e que da sua distor\u00e7\u00e3o pudesse nascer uma nova cultura, era nova e \u00e9 at\u00e9 hoje muito provocativa. A met\u00e1fora de engolir o Outro que vem para \u2018explicar\u2019 o mundo \u00e9 sempre produtiva\u201d, explica Monteiro.<\/p>\n<p>O conceito de antropofagia determina a possibilidade de questionar o sistema colonial e, simultaneamente, abre caminho para se pensar a identidade brasileira em sua complexidade. \u201cSua ambi\u00e7\u00e3o \u00e9 abater as perspectivas que julgavam as culturas n\u00e3o-europeias como simplesmente perif\u00e9ricas ou mesmo primitivas e b\u00e1rbaras. Mas em vez de uma defesa que mirasse um fr\u00e1gil e ilus\u00f3rio nivelamento com a cultura europeia, Oswald trouxe os mais arraigados preconceitos para o centro de suas provoca\u00e7\u00f5es, rindo deles e dando-lhes um sinal positivo: em vez de negar o atraso, ou o primitivismo, afirmou-os como poder transformador e libert\u00e1rio\u201d, diz Ferraz. Segundo o pesquisador, as m\u00e1ximas oswaldianas ressaltaram pontos sens\u00edveis da realidade brasileira e foram um motor poderoso num momento em que parte expressiva dos artistas, intelectuais, pol\u00edticos e mesmo da elite econ\u00f4mica, empresarial e agr\u00e1ria buscava definir os rumos de um Brasil que se modernizava alheio ao que permanecia fora do quadro, ou seja, \u00e0quilo que o progresso sacrificava. \u201cEste era o lado traum\u00e1tico do atraso, que trazia no bojo fendas sociais e econ\u00f4micas grav\u00edssimas, em larga medida decorrentes da escravatura e de um capitalismo de coron\u00e9is mal disfar\u00e7ados em liberais. E as ilumina\u00e7\u00f5es de Oswald foram enormes\u201d, aponta.<\/p>\n<h3 id=\"tropicalia\"><strong>Tropic\u00e1lia<\/strong><\/h3>\n<p>A antropofagia se difundiu e acabou repercutindo e reverberando. O conceito adquire um sentido mais radical com a chamada gera\u00e7\u00e3o tropicalista, no final dos anos 1960. Herdeiros do Concretismo e do Neoconcretismo, esses artistas consolidaram a transforma\u00e7\u00e3o no modo de ver e sentir a arte propondo novas estruturas que possibilitassem uma \u201cposi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica realmente universal, profundamente revolucion\u00e1ria, ao campo das artes, do conhecimento, do comportamento\u201d, como apontou H\u00e9lio Oiticica em artigo escrito para o <em>Correio da Manh\u00e3 <\/em>em setembro de 1968.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-2405\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura1.jpg\" alt=\"\" width=\"390\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura1.jpg 1029w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura1-234x300.jpg 234w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura1-799x1024.jpg 799w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura1-768x984.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura1-9x12.jpg 9w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura1-800x1025.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-1-a-tropicalia-era-um-movimento-de-inovacoes-esteticas-que-propunha-reinventar-a-musica-brasileira-atraves-da-mistura-de-expressoescapa-do-album-tropicalia-ou-panis-et-circencis\"><strong>Figura 1. A Tropic\u00e1lia era um movimento de inova\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas que propunha reinventar a m\u00fasica brasileira atrav\u00e9s da mistura de express\u00f5es<br \/>\n<\/strong>(Capa do \u00e1lbum \u201cTropic\u00e1lia ou Panis et Circencis\u201d. Divulga\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cSe a antropofagia de Oswald n\u00e3o se tornou vitoriosa sobre as outras propostas modernistas de interpreta\u00e7\u00e3o da especificidade cultural brasileira no momento de sua elabora\u00e7\u00e3o ou nos anos imediatamente seguintes, ela foi talvez a proposta que mais impactou afirmativamente as gera\u00e7\u00f5es futuras e o debate art\u00edstico nacional, em especial a partir dos anos 1960\u201d, aponta Couto. \u201cOs poetas concretos, por exemplo, fizeram amplo uso da no\u00e7\u00e3o de antropofagia cultural, criada por Oswald de Andrade, e acabaram servindo de ponte entre o trabalho deste e os tropicalistas, como Caetano Veloso e Gilberto Gil.\u00a0Foi tamb\u00e9m retomada por H\u00e9lio Oiticica em seu texto &#8216;Esquema Geral da Nova Objetividade\u2019 (1967). No teatro, a apresenta\u00e7\u00e3o do\u00a0\u2018Rei da vela\u2019\u00a0no Teatro Oficina, por Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa, tamb\u00e9m foi um marco na retomada das ideias de Oswald\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Assim como o modernismo buscou romper com o \u201cpassadismo\u201d, a Tropic\u00e1lia pretendia romper com o \u201cufanismo\u201d que dominava a produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica no auge da ditadura militar. O movimento propunha uma\u00a0ruptura\u00a0com o que era feito at\u00e9 o momento, especialmente na m\u00fasica, e um novo processo para a constru\u00e7\u00e3o das can\u00e7\u00f5es, repleto de singularidades e complexidade. A Tropic\u00e1lia era um movimento de inova\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas que propunha reinventar a m\u00fasica brasileira atrav\u00e9s da mistura de express\u00f5es \u2014 ou seja, criar algo novo a partir de algo j\u00e1 existente, como prop\u00f5e a antropofagia. \u201cA for\u00e7a e a originalidade de sua antropofagia \u2014 o Manifesto e o que se produziu mais imediatamente em torno dela \u2014 produziram algo muito raro: uma irradia\u00e7\u00e3o de pensamentos, imagens, intui\u00e7\u00f5es, sugest\u00f5es, temas. A Tropic\u00e1lia \u00e9 o exemplo mais flagrante e mais conhecido de \u2018degluti\u00e7\u00e3o\u2019 do muito que se irradiou da palavra de Oswald de Andrade\u201d, aponta Ferraz.<\/p>\n<h3 id=\"periferia\"><strong>Periferia<\/strong><\/h3>\n<p>Por muito tempo o enfoque do modernismo se manteve na Semana de 22 e em S\u00e3o Paulo. Por\u00e9m, pesquisas recentes v\u00eam mudando esse quadro e mostrando a import\u00e2ncia de tudo o que o grande evento paulistano acabou deixando de fora. Estudiosos, como M\u00f4nica Pimenta Velloso, historiadora e pesquisadora na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/casaruibarbosa\/pt-br\">Funda\u00e7\u00e3o Casa de Rui Barbosa<\/a><\/span>, no Rio de Janeiro, apontam quem as rela\u00e7\u00f5es entre centro e periferia eram mais complexas do que se pensava e que autores considerados de menor import\u00e2ncia tamb\u00e9m tiveram participa\u00e7\u00e3o significativa no desenvolvimento do modernismo no Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-2406\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura2.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"333\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura2.jpg 1691w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura2-300x200.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura2-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura2-768x512.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura2-800x533.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-2-edicao-reportagem-Modernismo-hoje-figura2-1160x773.jpg 1160w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-2-semana-de-arte-moderna-da-periferia-buscou-rever-discursos-e-atualizar-o-debate-trazendo-a-periferia-para-o-centro-cartazes-da-semana-da-arte-moderna-de-1922-e-da-semana\"><strong>Figura 2. <\/strong><strong>\u201cSemana de Arte Moderna da Periferia\u201d buscou rever discursos e atualizar o debate, trazendo a periferia para o centro.<br \/>\n<\/strong>(Cartazes da Semana da Arte Moderna de 1922 e da Semana de Arte Moderna da Periferia de 2007. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como prova disso, em novembro de 2007, diversas iniciativas perif\u00e9ricas paulistanas se reuniram em uma mostra cultural coletiva intitulada \u201cSemana de Arte Moderna da Periferia\u201d.\u00a0Segundo seus organizadores, o evento contou com a participa\u00e7\u00e3o de cerca de 300 artistas e coletivos das \u00e1reas de literatura, teatro, dan\u00e7a, m\u00fasica e cinema, e contou at\u00e9 com a publica\u00e7\u00e3o de um \u201c<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/brooklynrail.org\/2021\/02\/criticspage\/Manifesto-da-Antropofagia-Periferica\">Manifesto da Antropofagia Perif\u00e9rica<\/a><\/span>\u201d. Mais do que uma refer\u00eancia \u00e0 Semana de 1922, o evento buscou rever discursos e atualizar o debate, trazendo a periferia para o centro.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s da arte, esses artistas criticam o conflito dos espa\u00e7os urbanos socialmente exclu\u00eddos e oprimidos, que, portanto, os mant\u00e9m afastados dos centros art\u00edsticos. Desta forma, colocam em evid\u00eancia todos os que est\u00e3o \u201c\u00e0 margem\u201d, que s\u00e3o ouvidos por outros que tamb\u00e9m est\u00e3o marginalizados e anunciam sua arte independentemente de classe social, ra\u00e7a ou op\u00e7\u00e3o sexual. Assim, constroem seus pr\u00f3prios espa\u00e7os, e concretizam o que os primeiros modernistas apenas idealizaram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"esses-artistas-criticam-o-conflito-dos-espacos-urbanos-socialmente-excluidos-e-oprimidos-que-portanto-os-mantem-afastados-dos-centros-artisticos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">\u201cEsses artistas criticam o conflito dos espa\u00e7os urbanos socialmente exclu\u00eddos e oprimidos, que, portanto, os mant\u00e9m afastados dos centros art\u00edsticos.\u201d<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E hoje? Cem anos depois da Semana de Arte Moderna, novos nomes nas artes tamb\u00e9m t\u00eam buscado romper paradigmas. Eles s\u00e3o de diversas regi\u00f5es do pa\u00eds, de diversos g\u00eaneros e ra\u00e7as, e marcam sua presen\u00e7a com uma arte ousada. Este \u00e9 o caso do rapper ind\u00edgena Kunumi MC, do cineasta, roteirista e compositor Marco Dutra, da artista visual e bailarina ga\u00facha \u00c9lle de Bernardini, do artista ind\u00edgena Denilson Baniwa, e da escritora paulista Aline Bei, cujo estilo chama aten\u00e7\u00e3o pela jun\u00e7\u00e3o de prosa e poesia. Eles se contrap\u00f5em aos pintores Di Cavalcanti e Anita Malfatti, ao maestro Heitor Villa-Lobos e aos escritores Menotti Del Picchia, M\u00e1rio de Andrade e Oswald de Andrade, que fundaram a Semana de 22, ao mesmo tempo que levam adiante seu legado de fazer arte legitimamente brasileira, rompendo com os padr\u00f5es e as tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A antropofagia, enquanto &#8220;revolu\u00e7\u00e3o cara\u00edba&#8221;, inverte o vetor colonial, valorizando o que temos de mais brasileiro e original. Rumo ao centen\u00e1rio da Semana de 22, ela ainda nos une na busca por essa nacionalidade e constru\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o \u2014 mais diversa, mais justa. Como escreve Oswald de Andrade no primeiro aforismo do\u00a0\u201cManifesto Antrop\u00f3fago\u201d: \u201cS\u00f3 a antropofagia nos une. Socialmente. Economicamente. Filosoficamente\u201d. E o \u201cManifesto da Antropofagia Perif\u00e9rica\u201d ecoa: \u201cA Periferia nos une pelo amor, pela dor e pela cor.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-cem-anos-apos-a-semana-de-arte-moderna-novos-nomes-nas-artes-continuam-buscando-romper-paradigmas-cunhatain-antropofagia-musical-de-denilson-baniwa-2018-acrilica-sobre-t\"><strong>Capa. Cem anos ap\u00f3s a Semana de Arte Moderna, novos nomes nas artes continuam buscando romper paradigmas.<br \/>\n<\/strong>(\u201cCunhatain\u201d, antropofagia musical, de Denilson Baniwa. 2018. Acr\u00edlica sobre tecido. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"bueno-chris-modernismo-100-anos-depois-antropofagia-marginal-continua-ecoando-nas-periferias-cienc-cult-online-2022-vol-74-n-2-citado-2023-09-01-pp-1-5-disponivel\"><span style=\"color: #808080;\"><em>BUENO, Chris.<span class=\"article-title\">\u00a0Modernismo, 100 anos depois. Antropofagia marginal continua ecoando nas periferias.<\/span>\u00a0Cienc. Cult.\u00a0[online]. 2022, vol.74, n.2 [citado\u00a0 2023-09-01], pp.1-5. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252022000200021&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20220033.<\/em><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"\u201cQueremos a Revolu\u00e7\u00e3o Cara\u00edba. Maior que a revolu\u00e7\u00e3o Francesa. 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