{"id":2422,"date":"2022-07-04T08:00:31","date_gmt":"2022-07-04T08:00:31","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2422"},"modified":"2023-09-01T10:55:00","modified_gmt":"2023-09-01T10:55:00","slug":"auto-historiografia-modernista-a-opiniao-dos-documentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2422","title":{"rendered":"Auto-historiografia modernista: a opini\u00e3o dos documentos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>A hist\u00f3ria, enfraquecida pelos perigos da pol\u00eamica, se coloca a si mesma em seguran\u00e7a.[1] <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de toda produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica e midi\u00e1tica (cr\u00edtica ou celebrat\u00f3ria) suscitada pela efem\u00e9ride, o alvoro\u00e7o em torno do centen\u00e1rio da Semana de Arte Moderna pouco tem contribu\u00eddo, com exce\u00e7\u00e3o de algumas provoca\u00e7\u00f5es pontuais, para o estranhamento do modernismo paulista e de sua monumentalidade. Mesmo quando elementos do c\u00e2none, do monumentalismo e do consenso incontorn\u00e1vel s\u00e3o relativizados ou criticados, n\u00e3o se veem tentativas de desmobiliza\u00e7\u00e3o e de esvaziamento da pr\u00f3pria categoria \u201cmodernismo brasileiro\/paulista\u201d, como constructo ideol\u00f3gico e cr\u00edtico-historiogr\u00e1fico, o que, na melhor das hip\u00f3teses, ou refor\u00e7a a l\u00f3gica da \u201c<em>consagra\u00e7\u00e3o pela vaia<\/em>\u201d ou apenas tenta incluir no c\u00e2none modernista aquilo que parece exclu\u00eddo dele (ou ainda reivindicar para aquilo que parece exclu\u00eddo prest\u00edgio equivalente). Assim, ao se tentar fazer justi\u00e7a hist\u00f3rica, geogr\u00e1fica, social ou identit\u00e1ria, revigora-se o marco excludente, num curioso caso de s\u00edndrome de Estocolmo na cultura.<\/p>\n<p>Seja como for, essas opera\u00e7\u00f5es, ainda que alegadamente cr\u00edticas, acabam por repor a naturalidade da categoria, como se ela n\u00e3o fosse constru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica situada e, assim, pass\u00edvel de desmobiliza\u00e7\u00e3o. Refor\u00e7a-se, dessa forma, mesmo que involuntariamente, certas proposi\u00e7\u00f5es da auto-historiografia modernista [2] mais uma vez transformada e reafirmada em hist\u00f3ria, a saber: a naturalidade e a congenialidade de um projeto de arte moderna esteticamente conservador e de pretens\u00e3o universalista a partir de um primitivismo extrativista; a teologia do nacional-moderno; a finalidade normativa de pr\u00e1ticas liter\u00e1rias e art\u00edsticas ditada por uma suposta necessidade constante da reafirma\u00e7\u00e3o da relev\u00e2ncia de artes e letras para a vida nacional; a transforma\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria da opini\u00e3o pessoal em dado hist\u00f3rico; a elei\u00e7\u00e3o de si, de amigos, de parentes e de institui\u00e7\u00f5es aparentadas como agentes excelentes e privilegiados da hist\u00f3ria e autofalantes de um \u201c<em>estado de esp\u00edrito nacional<\/em>\u201d. Que a categoria, naturalizada e operacionalizada, tenha gerado uma tradi\u00e7\u00e3o que se retroalimenta n\u00e3o impede sua desmobiliza\u00e7\u00e3o e, ao contr\u00e1rio, a convoca, mesmo que seja apenas pela necessidade de produ\u00e7\u00e3o de fric\u00e7\u00e3o intelectual e de ar respir\u00e1vel, para espantar o t\u00e9dio \u2013 e precisar\u00edamos talvez falar da asfixia do consenso, que se torna violento quando desafiado.<\/p>\n<p>Aqui, desejo apenas indicar, como sugest\u00e3o e provoca\u00e7\u00e3o, que a hist\u00f3ria do <span style=\"text-decoration: line-through;\">Modernismo<\/span> tardofuturismo bandeirante desejante de Estado [3] n\u00e3o pode ser dissociada de um programa de reescrita da hist\u00f3ria da cultura brasileira a partir da eclos\u00e3o e da estabiliza\u00e7\u00e3o do movimento, sendo, em grande parte, efeito da pr\u00f3pria pr\u00e1tica auto-historiogr\u00e1fica e autoconsagrat\u00f3ria de seus integrantes, sobretudo a de M\u00e1rio de Andrade, que conseguiu transformar-se em monumento por meio de prolifera\u00e7\u00e3o e dispers\u00e3o documental de grande magnitude. H\u00e1 dentre as 350 <em>personae<\/em> do poeta uma que \u00e9 mais importante e decisiva porque veicula e sustenta as outras 349: a do historiador de si mesmo, a que atua para reter uma certa autoimagem do autor e do movimento encabe\u00e7ado por ele, de modo a condicionar a escrita da hist\u00f3ria e o sentido de sua atua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia auto-historiogr\u00e1fica fica patente sobretudo quando se considera a colossal produ\u00e7\u00e3o epistolar de M\u00e1rio. O autor tinha mesmo uma no\u00e7\u00e3o muito clara do efeito prospectivo e perlocucional de suas cartas, que, al\u00e9m de efetuarem uma transforma\u00e7\u00e3o neutralizante da opini\u00e3o em documento hist\u00f3rico, tiveram e t\u00eam a capacidade de fomentar e dirigir a pr\u00f3pria escrita da hist\u00f3ria, que \u2013 sabia muito bem M\u00e1rio \u2013 necessita de alicerce documental para ser realizada de forma veross\u00edmil. Por exemplo, em uma carta para S\u00e9rgio Milliet de junho de 1940 [4], M\u00e1rio afirma ter uma \u201c<em>falta de jeito pras mem\u00f3rias<\/em>\u201d, o que n\u00e3o implica, por\u00e9m, nem falta de habilidade para escrever autobiografia nem, tampouco, falta de interesse em registrar de forma edificante sua trajet\u00f3ria como monumento a ser admirado pelas gera\u00e7\u00f5es futuras. Ao contr\u00e1rio, a \u201cfalta de jeito\u201d, decorre muito mais de uma avalia\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia do g\u00eanero autobiogr\u00e1fico em influenciar descri\u00e7\u00f5es e avalia\u00e7\u00f5es ulteriores, bem como em constituir e amplificar a relev\u00e2ncia de seu legado. A justificativa para a recusa da autobiografia \u00e9, na verdade, uma defesa da epistolografia. \u201cMas as cartas\u201d, avalia M\u00e1rio, \u201c<em>s\u00e3o sempre uma esp\u00e9cie de mem\u00f3rias desque [sic] tenham alguma coisa mais objetiva e nuclear que arroubos sentimentais sobre o esp\u00edrito do tempo<\/em>\u201d. E arremata, aduzindo o efeito de ilus\u00e3o documental e de verossimilhan\u00e7a historiogr\u00e1fica desse tipo de produ\u00e7\u00e3o: \u201c<em>E as mem\u00f3rias em carta t\u00eam um valor de veracidade maior que o das mem\u00f3rias guardadas em segredo para revela\u00e7\u00e3o secular futura<\/em>\u201d. E para completar, j\u00e1 tra\u00e7ando o destino de institui\u00e7\u00f5es tais como o IEB-USP, pontifica: \u201c<em>\u00c9 que o amigo que recebe as cartas pode controlar os casos e as almas contadas<\/em>\u201d (Figura 1).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"mesmo-quando-elementos-do-canone-do-monumentalismo-e-do-consenso-incontornavel-sao-relativizados-ou-criticados-nao-se-veem-tentativas-de-desmobilizacao-e-de-esvaziamento-da-propria-categori\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">\u201cMesmo quando elementos do c\u00e2none, do monumentalismo e do consenso incontorn\u00e1vel s\u00e3o relativizados ou criticados, n\u00e3o se veem tentativas de desmobiliza\u00e7\u00e3o e de esvaziamento da pr\u00f3pria categoria \u2018modernismo brasileiro\/paulista\u2019 como constructo ideol\u00f3gico e cr\u00edtico-historiogr\u00e1fico.\u201d<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando a hist\u00f3ria do <span style=\"text-decoration: line-through;\">Modernismo<\/span> tardofuturismo bandeirante desejante de Estado ainda estava em disputa, M\u00e1rio j\u00e1 apelava \u00e0 publica\u00e7\u00e3o futura de sua epistolografia como argumento para atacar tentativas concorrentes de historiza\u00e7\u00e3o da arte moderna no Brasil. Um exemplo \u00e9 o artigo \u201cModernismo\u201d [5], uma resenha bastante negativa de um livro que procurava, da Para\u00edba, sugerir outra vers\u00e3o da modernidade art\u00edstica nacional. Ao atacar essa tentativa, M\u00e1rio (em coment\u00e1rio parent\u00e9tico) prop\u00f5e sua epistolografia como prova irrespond\u00edvel de sua vers\u00e3o da hist\u00f3ria:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\">[&#8230;]<em> conscientemente ou n\u00e3o (em muitos conscientemente, como ficar\u00e1 irrespondivelmente provado quando se divulgarem as correspond\u00eancias de algumas figuras principais do movimento), o Modernismo foi um trabalho pragmatista, preparador e provocador de um esp\u00edrito inexistente ent\u00e3o, de car\u00e1ter revolucion\u00e1rio e libert\u00e1rio.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em outro texto nunca publicado em volume (curiosa e sintomaticamente), M\u00e1rio \u00e9 ainda mais expl\u00edcito. Trata-se do artigo de jornal chamado \u201cFazer a hist\u00f3ria\u201d, de 1944 [6]. Escrito j\u00e1 depois de a narrativa oficial do <span style=\"text-decoration: line-through;\">Modernismo<\/span> tardofuturismo bandeirante ter sido estabilizado pelo pr\u00f3prio M\u00e1rio na confer\u00eancia \u201cO Movimento Modernista\u201d, de 1942 [7], o texto reage com certa ferocidade \u00e0 elei\u00e7\u00e3o de marcos hist\u00f3ricos diferentes daqueles registrados na hist\u00f3rica escrita por ele e depois tornada can\u00f4nica (exposi\u00e7\u00e3o de Anita Malfatti, cr\u00edtica de Lobato, despertar dos autofalantes tr\u00e1gicos da hist\u00f3ria, Semana de Arte Moderna, sal\u00f5es, novo estado de esp\u00edrito nacional, etc.). Ao afirmar que se desinteressa de \u201c<em>historiar os in\u00edcios do Modernismo no Brasil<\/em>\u201d, o que afinal o pr\u00f3prio autor de \u201cO Movimento Modernista\u201d incansavelmente vinha fazendo desde a d\u00e9cada de 1920 e tamb\u00e9m ali naquele texto, M\u00e1rio explica como se faz a hist\u00f3ria. Ele afirma que, para fazer a hist\u00f3ria (e, por extens\u00e3o, para ficar na hist\u00f3ria), tais depoimentos e balan\u00e7os seriam menos importantes do que a prolifera\u00e7\u00e3o de documentos, estes \u00faltimos tomados como \u201c<em>hist\u00f3ria imparcial<\/em>\u201d:<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"padding-left: 160px;\"><em>Eu sempre me desinteressei de historiar os in\u00edcios do Modernismo no Brasil, apesar dos numerosos pedidos que editores e amigos me fizeram. [&#8230;] J\u00e1 se foi o tempo em que esses depoimentos especializados tinham import\u00e2ncia muita, porque n\u00e3o havia ou eram destru\u00eddos os documentos da hist\u00f3ria imparcial. Hoje n\u00e3o. Os jornais est\u00e3o a\u00ed, conservados nas bibliotecas; maior compreens\u00e3o da cultura faz com que toda a gente guarde em casa a correspond\u00eancia dos artistas e coisas assim. E por tudo isso n\u00e3o h\u00e1 perigo que a hist\u00f3ria inicial do movimento modernista se perca. Tudo ser\u00e1 posto a lume um dia por algu\u00e9m que se disponha a realmente fazer a Hist\u00f3ria. E, imediatamente, tanto correspond\u00eancias como jornais e demais documentos n\u00e3o \u201copinar\u00e3o\u201d como n\u00f3s, mas provar\u00e3o a verdade. <\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, se entendem as vantagens da dispers\u00e3o no arquivo e da prolifera\u00e7\u00e3o documental, j\u00e1 que, segundo M\u00e1rio, os \u201cdocumentos\u201d, dentre eles, sua epistolografia, \u201c<em>n\u00e3o \u2018opinar\u00e3o\u2019 como n\u00f3s, mas provar\u00e3o a verdade<\/em>\u201d. Mas M\u00e1rio nada diz da autoria dos documentos (artigos de jornal e cartas), escritos por ele; a \u201cnossa opini\u00e3o\u201d e a \u201cverdade\u201d impressa nos documentos, nesse caso, equivalem-se. E a \u201cverdade\u201d \u00e9 exatamente a vers\u00e3o da hist\u00f3ria avan\u00e7ada por M\u00e1rio em sua pr\u00e1tica auto-historiogr\u00e1fica, que inclui, apesar do que ele afirma, tanto \u201c<em>documentos da hist\u00f3ria imparcial<\/em>\u201d quanto \u201c<em>depoimentos especializados<\/em>\u201d \u2013 e ambos se complementam, j\u00e1 que a narrativa articulada nestes \u00e9 comprovada pelo valor de veracidade daqueles.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-2423\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/CC-2-edicao-opiniao-Auto-historiografia-modernista-figura1.jpg\" alt=\"\" width=\"344\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/CC-2-edicao-opiniao-Auto-historiografia-modernista-figura1.jpg 819w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/CC-2-edicao-opiniao-Auto-historiografia-modernista-figura1-206x300.jpg 206w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/CC-2-edicao-opiniao-Auto-historiografia-modernista-figura1-705x1024.jpg 705w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/CC-2-edicao-opiniao-Auto-historiografia-modernista-figura1-768x1116.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/CC-2-edicao-opiniao-Auto-historiografia-modernista-figura1-8x12.jpg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/CC-2-edicao-opiniao-Auto-historiografia-modernista-figura1-800x1162.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 344px) 100vw, 344px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-1-e-muito-interessante-notar-como-o-alvoroco-atual-em-torno-do-centenario-de-1922-sobretudo-quando-e-motivado-por-propositos-criticos-segue-o-roteiro-estabelecido-pelo-paradigma-da-celebraca\"><strong>Figura <\/strong><strong>1<\/strong><strong>: \u00c9 muito interessante notar como o alvoro\u00e7o atual em torno do centen\u00e1rio de 1922, sobretudo quando \u00e9 motivado por prop\u00f3sitos cr\u00edticos, segue o roteiro estabelecido pelo paradigma da celebra\u00e7\u00e3o<br \/>\n<\/strong>(\u201cSou trezentos e cinCUenta\u201d. Fonte: elabora\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Assim, se entendem as vantagens da dispers\u00e3o no arquivo e da prolifera\u00e7\u00e3o documental, j\u00e1 que, segundo M\u00e1rio, os \u201cdocumentos\u201d, dentre eles, sua epistolografia, \u201c<em>n\u00e3o \u2018opinar\u00e3o\u2019 como n\u00f3s, mas provar\u00e3o a verdade<\/em>\u201d. Mas M\u00e1rio nada diz da autoria dos documentos (artigos de jornal e cartas), escritos por ele; a \u201cnossa opini\u00e3o\u201d e a \u201cverdade\u201d impressa nos documentos, nesse caso, equivalem-se. E a \u201cverdade\u201d \u00e9 exatamente a vers\u00e3o da hist\u00f3ria avan\u00e7ada por M\u00e1rio em sua pr\u00e1tica auto-historiogr\u00e1fica, que inclui, apesar do que ele afirma, tanto \u201c<em>documentos da hist\u00f3ria imparcial<\/em>\u201d quanto \u201c<em>depoimentos especializados<\/em>\u201d \u2013 e ambos se complementam, j\u00e1 que a narrativa articulada nestes \u00e9 comprovada pelo valor de veracidade daqueles.<\/p>\n<p>E aqui cabe lembrar o conselho dado por Candido a Oswald de Andrade (\u201c<em>Antonio Candido diz que uma literatura s\u00f3 adquire maioridade com mem\u00f3rias, cartas e documentos pessoais e me fez jurar que tentarei escrever j\u00e1 este di\u00e1rio confessional<\/em>\u201d), conforme registra a nota introdut\u00f3ria de \u201cUm homem sem profiss\u00e3o\u201d [8]. Tal conselho, evidentemente, seria irrelevante para o outro Andrade \u2013 ali\u00e1s, \u00e9 a atua\u00e7\u00e3o de M\u00e1rio que Candido, seu parente por casamento, leva em conta quando orientava o que Oswald deveria fazer para ficar para a hist\u00f3ria. Segundo o modelo te\u00f3rico do \u201csistema liter\u00e1rio\u201d, a inclus\u00e3o na hist\u00f3ria s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com a contribui\u00e7\u00e3o para a maioridade de uma literatura nacional normalizada: ficar para hist\u00f3ria \u00e9 o mesmo que edificar uma literatura, nessa perspectiva [9].<\/p>\n<p>\u00c9 importante dizer que \u00e9 comum que escritores, artistas, intelectuais e movimentos art\u00edsticos busquem reter uma vers\u00e3o da hist\u00f3ria que ressalte sua atua\u00e7\u00e3o de acordo com vaidades, programas est\u00e9ticos, pol\u00edticos e ideol\u00f3gicos, etc.; e que n\u00e3o h\u00e1 nada intrinsecamente virtuoso ou vicioso nisso. Por outro lado, \u00e9 preciso considerar a magnitude incomum da auto-historiografia <span style=\"text-decoration: line-through;\">modernista<\/span> tardofuturista bandeirante. Ela n\u00e3o s\u00f3 se imp\u00f4s como metalinguagem e explica\u00e7\u00e3o do movimento e das obras mais importantes relacionadas \u2013 como se ela n\u00e3o fosse tamb\u00e9m obra <span style=\"text-decoration: line-through;\">modernista<\/span> tardofuturista bandeirante e talvez a mais grandiosa e importante de todas, \u00e9 preciso dizer sem cinismo; mas foi tamb\u00e9m al\u00e7ada \u00e0 hist\u00f3ria do Brasil moderno e assim tomada como auto-evidente, como entidade fundamental de uma teologia do nacional \u2013 como se n\u00e3o fosse ideologema da moderniza\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria e intracolonial do XX brasileiro [10,11].<\/p>\n<p>Reconhecer esse grande feito <span style=\"text-decoration: line-through;\">modernista<\/span> tardofuturista bandeirante \u2013 o de obrar eficazmente uma auto-historiografia que, de fato, a partir das instru\u00e7\u00f5es e do lastro documental legados, foi tomada como metavocabul\u00e1rio e como entidade e sin\u00e9doque do Brasil moderno; reconhecer esse feito \u00e9 tamb\u00e9m resgatar uma grande obra <span style=\"text-decoration: line-through;\">modernista<\/span> tardofuturista bandeirante esquecida e pouco celebrada justamente por causa de seu sucesso; ao mesmo tempo \u00e9 uma forma de estranhar o movimento agora celebrado ou criticado com grande alvoro\u00e7o. Mas esse resgate s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel se a pr\u00f3pria hist\u00f3ria do <span style=\"text-decoration: line-through;\">Modernismo<\/span> tardofuturismo bandeirante for considerada obra <span style=\"text-decoration: line-through;\">modernista<\/span> tardofuturista bandeirante.<\/p>\n<p>Se isso for levado a s\u00e9rio e a cabo, um segundo movimento precisa ser feito, esse mais paradoxal: um questionamento da pr\u00f3pria possibilidade de sentido cr\u00edtico das reavalia\u00e7\u00f5es cr\u00edticas peri\u00f3dicas do <span style=\"text-decoration: line-through;\">Modernismo<\/span> tardofuturismo bandeirante desejante de Estado que s\u00e3o realizadas a cada d\u00e9cada (sendo paradigm\u00e1ticas a de 1932, um grande sil\u00eancio \u2013 altamente eloquente, por sinal; a de 1942, quando M\u00e1rio profere e organiza a hist\u00f3ria a ser canonizada; e a de 1972, a pompa do reconhecimento oficial por parte do Estado ditatorial brasileiro).<\/p>\n<p>Como j\u00e1 foi dito, a produ\u00e7\u00e3o auto-historiogr\u00e1fica <span style=\"text-decoration: line-through;\">modernista<\/span> tardofuturista bandeirante n\u00e3o inclui apenas cartas e outros documentos esparsos, h\u00e1 tamb\u00e9m textos de balan\u00e7o (aqueles chamados por M\u00e1rio de \u201cdepoimentos especializados\u201d) que, amparados na base documental que os lastreia, d\u00e3o sentido aos documentos, organizando-os. O mais importante desses textos, como j\u00e1 dissemos, \u00e9, sem sombra de d\u00favida, a confer\u00eancia de 1942. M\u00e1rio mobilizou toda a sua rede de interlocutores para divulgar o texto e o evento da leitura, bem como modulou duas antologias importantes de balan\u00e7os sem sequer publicar o texto nelas [12]. Ainda fez publicar o texto praticamente em sua totalidade em jornal dias antes de proferi-lo, al\u00e9m de ter tentado repetir em S\u00e3o Paulo a confer\u00eancia inicial que ocorreu no Rio, no Sal\u00e3o do Itamaraty. Muito habilmente, o texto responde a todos os pontos, na \u00e9poca n\u00e3o pac\u00edficos e ainda em debate, sobre a hist\u00f3ria do movimento de 1922 (de fato constitu\u00eddo retrospectivamente ali), seu contexto e seus agentes espec\u00edficos, seu sentido e sua relev\u00e2ncia. Ainda ensaia uma refac\u00e7\u00e3o geral da hist\u00f3ria da cultura letrada e art\u00edstica brasileira na qual o <span style=\"text-decoration: line-through;\">Modernismo<\/span> tardofuturismo bandeirante desejante de Estado n\u00e3o apenas tem destaque fundamental, mas \u00e9 a pr\u00f3pria realiza\u00e7\u00e3o de um des\u00edgnio de pa\u00eds. Para tanto, articula uma pauta de atua\u00e7\u00e3o de car\u00e1ter normativo para as letras e artes nacionais que assim ganharam sentido e fun\u00e7\u00e3o aut\u00eanticos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"por-outro-lado-e-preciso-considerar-a-magnitude-incomum-da-auto-historiografia-modernista-tardofuturista-bandeirante-que-se-impos-como-historia-nao-so-do-movimento-e-de-seus-artifices-mas\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">\u201cPor outro lado, \u00e9 preciso considerar a magnitude incomum da auto-historiografia <span style=\"text-decoration: line-through;\">Modernista<\/span> tardofuturista bandeirante, que se imp\u00f4s como hist\u00f3ria n\u00e3o s\u00f3 do movimento e de seus art\u00edfices, mas tamb\u00e9m da hist\u00f3ria da cultura nacional, reescrita para abrig\u00e1-la.\u201d<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O modo de articula\u00e7\u00e3o de cada um desses pontos poderia ser demonstrado detalhadamente, mas o que mais interessa aqui \u00e9 que tudo isso \u00e9 feito num texto que se apresenta como autocr\u00edtico [13]. A estrat\u00e9gia brilhantemente utilizada por M\u00e1rio \u00e9 dar a palavra final sobre o <span style=\"text-decoration: line-through;\">Modernismo<\/span> tardofuturismo bandeirante ao mesmo tempo em aparentemente realiza uma cr\u00edtica contundente do movimento e de si. E assim, ao faz\u00ea-lo, autoriza-se retoricamente como o mais isento historiador de si mesmo (porque severamente autocr\u00edtico).<\/p>\n<p>Por\u00e9m, como pode ser observado no texto, a suposta cr\u00edtica n\u00e3o alcan\u00e7a a hist\u00f3ria apresentada de modo triunfalista ali \u2013 e, ao contr\u00e1rio, a refor\u00e7a, reposicionando-a como li\u00e7\u00e3o exemplar para as gera\u00e7\u00f5es novas e futuras, amea\u00e7ados tamb\u00e9m de serem \u201c<em>moluscoides<\/em>\u201d, \u201c<em>femininas<\/em>\u201d e \u201c<em>coloniais<\/em>\u201d se n\u00e3o cumprirem o des\u00edgnio normativo das letras e artes nacionais: captar e produzir \u201c<em>um estado de esp\u00edrito nacional<\/em>\u201d e interferir assim nos rumos da na\u00e7\u00e3o, sem se perderem em \u201c<em>esteticismos<\/em>\u201d e experimenta\u00e7\u00f5es. O que teria faltado ao <span style=\"text-decoration: line-through;\">Modernismo<\/span> tardofuturismo e a M\u00e1rio \u00e9 uma integra\u00e7\u00e3o total a esse esp\u00edrito (e os outros textos de forte cunho stalinista de M\u00e1rio do per\u00edodo insinuam como deveria ser essa integra\u00e7\u00e3o). O que \u00e9 importante, seja como for, \u00e9 que o texto inaugura, no vig\u00e9simo anivers\u00e1rio da Semana de Arte Moderna, a pr\u00e1tica da reavalia\u00e7\u00e3o cr\u00edtica peri\u00f3dica do <span style=\"text-decoration: line-through;\">Modernismo<\/span> tardofuturismo bandeirante desejante de Estado como forma privilegiada para refor\u00e7ar sua hist\u00f3ria triunfalista e monumentalizante, e isso se d\u00e1 por meio de um apelo \u201c<em>democratizante<\/em>\u201d (n\u00e3o no sentido de propor ou defender ideias democr\u00e1ticas, que naquela altura M\u00e1rio n\u00e3o tinha em grande conta, mas no sentido de limitar a liberdade criadora e o horizonte da inova\u00e7\u00e3o art\u00edstica, tendo em vista um imperativo de interferir e ecoar as massas).<\/p>\n<p>\u00c9 muito interessante notar como o alvoro\u00e7o atual em torno do centen\u00e1rio de 1922, sobretudo quando \u00e9 motivado por prop\u00f3sitos cr\u00edticos, segue o roteiro estabelecido pelo paradigma da celebra\u00e7\u00e3o. Para incluir agora identidades, locais e <em>socii<\/em> na grande narrativa da moderniza\u00e7\u00e3o autorit\u00e1ria do Brasil que os exclu\u00edra, refor\u00e7a-se o marco, hiperinflacionando-o com supostas corre\u00e7\u00f5es democratizantes. \u00c9 preciso pensar em que medida o alvoro\u00e7o revisionista e reivindicat\u00f3rio pode efetivamente ter sentido cr\u00edtico quando realizado assim da mesma forma pela qual se edifica o monumento. E \u00e9 o risco que tamb\u00e9m se corre <em>aqui<\/em>. E por isso as rasuras [14].<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-auto-historiografia-modernista-foi-normalizada-como-historia-do-modernismo-foto-dos-organizadores-da-semana-de-arte-moderna-de-1922-reproducao\"><strong>Capa. Auto-historiografia modernista foi normalizada como hist\u00f3ria do Modernismo.<br \/>\n<\/strong>(Foto dos organizadores da Semana de Arte Moderna de 1922. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"referencias\">Refer\u00eancias<\/h5>\n<ol>\n<li><span style=\"color: #808080;\">CARVALHO, F. A \u00fanica arte que presta \u00e9 a arte anormal. <em>Di\u00e1rio de S. Paulo<\/em>, 24\/9\/1936<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #808080;\">MORESCHI, M. <em>A fa\u00e7anha auto-historiogr\u00e1fica do Modernismo Brasileiro<\/em>. Tese de Doutorado. Santa Barbara: University of California, 2010<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #808080;\">MORESCHI, M. Diagramas do obst\u00e1culo: Fl\u00e1vio de Carvalho e o constructo \u2018Modernismo Brasileiro\u2019\u201d. <em>Luso-Brazilian Review<\/em>, 2018, v. 55, n. 2, p. 59-88.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #808080;\">CASTRO, M. W. <em>M\u00e1rio de Andrade: ex\u00edlio no Rio<\/em>. Rio de Janeiro: Rocco, 1989, p. 207 e DUARTE, P. <em>M\u00e1rio de Andrade por ele mesmo<\/em>. S\u00e3o Paulo: Edart, 1971, p. 332-333<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #808080;\">ANDRADE, M. <em>O empalhador de passarinho<\/em>. Belo Horizonte: Itatiaia, 2002. p. 192.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #808080;\">ANDRADE, M. \u201cFazer a hist\u00f3ria\u201d. <em>Folha da manh\u00e3,<\/em> 24 de agosto de 1944.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #808080;\">ANDRADE, M. <em>O Movimento Modernista<\/em>. Rio de Janeiro: Casa do Estudante do Brasil, 1942. Tamb\u00e9m transcrito em: ANDRADE, M. <em>Aspectos da literatura brasileira<\/em>. Belo Horizonte: Itatiaia, 2002.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #808080;\">ANDRADE, O. <em>Um homem sem profiss\u00e3o: sob as ordens de mam\u00e3e<\/em>. S\u00e3o Paulo: Globo, 1990.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #808080;\">BAPTISTA, A. B. O c\u00e2none como forma\u00e7\u00e3o: a teoria da literatura brasileira de Antonio Candido. <em>O livro agreste: ensaio de curso de literatura brasileira<\/em>. Campinas: Editora da Unicamp, 2005.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #808080;\">FARIA, D. <em>O mito modernista<\/em>. Uberl\u00e2ndia: Editora da UFU, 2006.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #808080;\">SANDRONI, C. <em>M\u00e1rio contra Macuna\u00edma: cultura e pol\u00edtica em M\u00e1rio de Andrade<\/em>. S\u00e3o Paulo: V\u00e9rtice, 1988.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #808080;\">CAVALHEIRO, E. (org.). <em>Testamento de uma gera\u00e7\u00e3o<\/em>. Porto Alegre: Globo, 1944. NEME, M. (org.). <em>Plataforma da nova gera\u00e7\u00e3o<\/em>. Porto Alegre: Globo, 1945.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #808080;\">MORESCHI, M. 22 por 42: O Paradigma da Celebra\u00e7\u00e3o. <em>Remate de Males,<\/em> 2013, v. 33, n. 1-2, p. 255-271.<\/span><\/li>\n<li><span style=\"color: #808080;\">Grupo de Estudos da Deriva. <em>O Movimento Modernista, telefone sem fio\/estragado<\/em>. <em>Performance<\/em>. Coimbra: Instituto de Estudos Brasileiros da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 2022. Dispon\u00edvel em: <a style=\"color: #808080;\" href=\"http:\/\/www.ieb.uc.pt\/?p=2128\">http:\/\/www.ieb.uc.pt\/?p=2128<\/a>. Acesso em: 22 de janeiro de 2022.<\/span><\/li>\n<\/ol>\n<hr \/>\n<h6 id=\"moreschi-marcelo-auto-historiografia-modernista-a-opiniao-dos-documentos-o-alvoroco-em-torno-do-centenario-da-semana-de-arte-moderna-pouco-tem-contribuido-para-o-estranhamento-do-modernismo-p\"><span style=\"color: #808080;\"><em>MORESCHI, Marcelo.<span class=\"article-title\">\u00a0Auto-historiografia modernista: a opini\u00e3o dos documentos. O alvoro\u00e7o em torno do centen\u00e1rio da Semana de Arte Moderna pouco tem contribu\u00eddo para o estranhamento do modernismo paulista e de sua hist\u00f3ria triunfalista e monumental.<\/span>\u00a0Cienc. Cult.\u00a0[online]. 2022, vol.74, n.2 [citado\u00a0 2023-09-01], pp.1-6. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252022000200015&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20220028.<\/em><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A hist\u00f3ria, enfraquecida pelos perigos da pol\u00eamica, se coloca a si mesma&hellip;\n","protected":false},"author":39,"featured_media":2722,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2422"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/39"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2422"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2422\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4666,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2422\/revisions\/4666"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2722"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}