{"id":2605,"date":"2022-08-22T14:16:36","date_gmt":"2022-08-22T14:16:36","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2605"},"modified":"2022-08-23T10:24:09","modified_gmt":"2022-08-23T10:24:09","slug":"determinacao-da-latitude-medindo-a-altura-meridiana-do-sol","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2605","title":{"rendered":"Determina\u00e7\u00e3o da latitude medindo a altura meridiana do Sol"},"content":{"rendered":"<p>Depois da tomada em 1415 de Ceuta (hoje, uma pequena ponta pertencente \u00e0 Espanha no norte de Marrocos, junto ao Gibraltar), num bem sucedido ataque contra os mu\u00e7ulmanos, o infante D. Henrique se entusiasmou com a ideia de expandir o mundo crist\u00e3o e explorar as riquezas encontradas na \u00c1frica em benef\u00edcio de Portugal. Novos conhecimentos n\u00e1uticos foram se acumulando, \u00e0 medida que as viagens junto \u00e0 costa ocidental da \u00c1frica se aventuravam cada vez mais ao sul.<\/p>\n<p>Mas, as incurs\u00f5es ao sul traziam um problema: persistentes ventos contr\u00e1rios na viagem de volta. Todavia isso ensinaria aos portugueses o m\u00e9todo astron\u00f4mico de determinar a latitude em alto mar.[1]\n<p>Perceberam os navegadores portugueses que, afastando-se da costa em mar aberto, ajustando-se a angula\u00e7\u00e3o das velas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do vento (<em>bolinagem<\/em> no jarg\u00e3o n\u00e1utico), era poss\u00edvel navegar em ziguezague avan\u00e7ando contra o vento. O problema ent\u00e3o era saber quando se aproximar da costa, para chegar ao porto de partida. Para isso era preciso determinar a latitude em alto mar.<\/p>\n<p>Isso passou a ser feito com um instrumento chamado <em>astrol\u00e1bio solar<\/em>, um disco met\u00e1lico com um c\u00edrculo graduado gravado na periferia. Havia tamb\u00e9m uma haste met\u00e1lica que atravessava o disco de bordo a bordo, e podia girar em torno do centro do disco. Numa extremidade, a haste tinha uma dobra a 90\u00ba, com um furo circular por onde passavam os raios solares. Na outra, a haste tinha uma outra dobra, mas esta era para atuar como anteparo, no qual se formava a imagem iluminada do furo circular da outra extremidade.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de uma argola na parte superior, o disco podia ser suspenso por uma corrente. Assim se assegurava que o plano do disco ficasse na vertical. O observador deveria, ent\u00e3o, ajustar a posi\u00e7\u00e3o do disco girando-o em torno da vertical (corrente) e girando a haste em torno do centro do disco, de modo a alinhar a haste aos raios solares. O alinhamento ficava confirmado quando a imagem brilhante do furo circular se formava no anteparo. A observa\u00e7\u00e3o devia ser feita ao meio-dia local, isto \u00e9, com o Sol cruzando o <em>meridiano local<\/em> (plano vertical do observador orientado na dire\u00e7\u00e3o norte-sul). Media-se ent\u00e3o no c\u00edrculo graduado a <em>altura meridiana<\/em> do Sol acima do horizonte. Um c\u00e1lculo simples era necess\u00e1rio envolvendo a altura meridiana do Sol e a <em>declina\u00e7\u00e3o<\/em> do Sol para aquele dia. Essa declina\u00e7\u00e3o \u00e9 a dist\u00e2ncia angular entre o Sol e o equador celeste. Ela varia com periodicidade anual, determinando as esta\u00e7\u00f5es do ano. J\u00e1 havia na \u00e9poca tabelas com a declina\u00e7\u00e3o do Sol que os navegadores portavam. O resultado do c\u00e1lculo era a latitude procurada.<\/p>\n<p>Com o astrol\u00e1bio solar, o observador tinha a vantagem de, em momento algum olhar diretamente para o Sol, algo que nunca deve ser feito, pois causa s\u00e9rios danos \u00e0 vis\u00e3o, inclusive cegueira. O gestual observacional se assemelhava ao de um peixeiro pesando o produto. Por isso os portugueses chamavam chistosamente esse procedimento de \u201cpesar o Sol\u201d. Por\u00e9m, o c\u00e9u do meio-dia precisava estar aberto para que o Sol pudesse ser \u201cpesado\u201d.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\">Notas<\/h5>\n<h6 id=\"1-mourao-ronaldo-rogerio-de-freitas-o-ceu-dos-navegantes-astronomia-na-epoca-das-descobertas-editora-pergaminho-cascais-portugal-2000\">[1] Mour\u00e3o, Ronaldo Rog\u00e9rio de Freitas, <em>O C\u00e9u dos Navegantes. Astronomia na \u00c9poca das Descobertas<\/em>, Editora Pergaminho, Cascais, Portugal, 2000.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Depois da tomada em 1415 de Ceuta (hoje, uma pequena ponta pertencente&hellip;\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[144],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2605"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2605"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2605\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2964,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2605\/revisions\/2964"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2605"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2605"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2605"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}