{"id":2612,"date":"2022-08-22T14:24:11","date_gmt":"2022-08-22T14:24:11","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2612"},"modified":"2022-08-23T10:23:37","modified_gmt":"2022-08-23T10:23:37","slug":"tradicao-escravista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2612","title":{"rendered":"Tradi\u00e7\u00e3o escravista"},"content":{"rendered":"<p>Na medida em que a escraviza\u00e7\u00e3o dos nativos era reprimida, a escraviza\u00e7\u00e3o dos negros da \u00c1frica se agravava. Assim, a situa\u00e7\u00e3o foi sempre pior para os negros do que para os \u00edndios. A bem da verdade, isso j\u00e1 vinha dos tempos do infante D. Henrique, no in\u00edcio das Grandes Navega\u00e7\u00f5es. Foi ele quem introduziu o tr\u00e1fico de escravos no Atl\u00e2ntico em 1441. Depois Portugal introduziu o tr\u00e1fico de escravos nas Am\u00e9ricas usando suas col\u00f4nias em ilhas africanas do Atl\u00e2ntico como Cabo Verde (1460), S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe (1490), at\u00e9 ent\u00e3o desabitadas, como pontos de ajuntamento de cativos e dep\u00f3sitos de mercadorias que chegavam ao litoral da Maurit\u00e2nia (1445), a S\u00e3o Jorge das Minas (1482), perto de Elmina na atual Gana (entre par\u00eanteses, os anos de in\u00edcio). Esses neg\u00f3cios no litoral oriental africano eram lucrativos, pois curto-circuitavam a rota terrestre transaariana controlada pelos atravessadores mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p>Mas os interesses lusitanos se voltaram para o com\u00e9rcio mais lucrativo na \u00cdndia, pois em 1453, com a Queda de Constantinopla pelos turcos, caia a fonte de especiarias, sedas e outros bens luxuosos produzidos na \u00c1sia e no Oriente M\u00e9dio. O estabelecimento do Estado Portugu\u00eas da \u00cdndia entre 1500 e 1515 marcou tamb\u00e9m l\u00e1 o in\u00edcio do tr\u00e1fico de escravos no Oceano \u00cdndico. Navios portugueses transportavam escravos de Mo\u00e7ambique para seus assentamentos na \u00cdndia como Dam\u00e3o, Diu e Goa, e, finalmente, at\u00e9 Macau na China e Nagasaki no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Portanto, quando o tr\u00e1fico come\u00e7ou no Brasil, Portugal j\u00e1 tinha <em>know-how<\/em> de pelo menos um s\u00e9culo!<\/p>\n<p>O Brasil se tornava o maior produtor de a\u00e7\u00facar do mundo. J\u00e1 estava em vigor o sistema da <em>plantation<\/em>, caracterizado por vastas \u00e1reas cultivadas de um \u00fanico dono, o senhor de engenho; produ\u00e7\u00e3o monocultural visando ao com\u00e9rcio exterior, sem preocupa\u00e7\u00e3o com a subsist\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o local e utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra escrava africana. Escravos africanos foram utilizados como m\u00e3o de obra substitutiva dos \u00edndios e, se n\u00e3o houve bula papal para defender a liberdade dos negros como era defendida a dos ind\u00edgenas, flancos foram deixados abertos permitindo que eles fossem escravizados sob a justifica\u00e7\u00e3o absurda de que o tr\u00e1fico salvava almas condenadas ao paganismo e era <u>necess\u00e1ria<\/u> para o desenvolvimento do Brasil.<\/p>\n<p>Quando mais tarde os holandeses, n\u00e3o cat\u00f3licos, mas calvinistas, sob o governo de Nassau, um humanista calvinista, permitiram a escraviza\u00e7\u00e3o de africanos e inclusive promoveram conquistas na \u00c1frica para aument\u00e1-la, o argumento foi, de novo, a necessidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Na medida em que a escraviza\u00e7\u00e3o dos nativos era reprimida, a escraviza\u00e7\u00e3o&hellip;\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[144],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2612"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2612"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2612\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2966,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2612\/revisions\/2966"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2612"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2612"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2612"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}