{"id":2620,"date":"2022-08-22T14:30:34","date_gmt":"2022-08-22T14:30:34","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2620"},"modified":"2022-08-23T10:22:54","modified_gmt":"2022-08-23T10:22:54","slug":"as-atividades-astronomicas-de-jorge-marcgrave-1610-1644-no-brasil-holandes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2620","title":{"rendered":"As atividades astron\u00f4micas de Jorge Marcgrave (1610-1644) no Brasil holand\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>Jorge Marcgrave nasceu na pequena Liebstadt, ao sul de Dresden, quase na fronteira com a atual Rep\u00fablica Tcheca. V\u00edtima da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), saiu da casa paterna com 17 anos tendo aprendido latim, grego, m\u00fasica e desenho, para ganhar o mundo. Peregrinando pela atual Alemanha e alguns pa\u00edses vizinhos do sul, aprendeu Medicina, Bot\u00e2nica e, na \u00e1rea de Astronomia, Cartografia Celeste, c\u00e1lculo de efem\u00e9rides, constru\u00e7\u00e3o de instrumentos e pr\u00e1tica observacional frequentando v\u00e1rias universidades sendo a \u00faltima, a Universidade de Leiden na Holanda, vindo depois ao Brasil.<\/p>\n<p>O fato a ser destacado aqui \u00e9 que Marcgrave, tendo permanecido apenas cinco anos no Brasil (1638-1643), realizou atividades astron\u00f4micas relevantes, tais como, a constru\u00e7\u00e3o do primeiro observat\u00f3rio moderno, abrigando instrumentos com padr\u00e3o de qualidade e precis\u00e3o recentemente inovados pelo astr\u00f4nomo dinamarqu\u00eas Tycho Brahe (1546-1601), com os quais fez observa\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas de estrelas fixas (o c\u00e9u austral ainda era mal conhecido), planetas (especialmente Merc\u00fario, cuja \u00f3rbita era mal determinada, por\u00e9m, o c\u00e9u tropical do Recife favorecia a sua observa\u00e7\u00e3o), um eclipse total do Sol e todos os eclipse lunares totais que fossem vis\u00edveis de onde ele estivesse. Suas observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas foram registradas e seus manuscritos puderam ser recentemente analisados em detalhe para, por exemplo, se estimar a precis\u00e3o das observa\u00e7\u00f5es, reconstituir digitalmente os instrumentos e a edifica\u00e7\u00e3o do observat\u00f3rio, pois foram deixados desenhos e medidas. Os resultados dessa pesquisa hist\u00f3rica foram apresentados em [1] e tamb\u00e9m est\u00e1 dispon\u00edvel como livro eletr\u00f4nico.[2]\u00a0Para a \u00e9poca, o observat\u00f3rio e as observa\u00e7\u00f5es eram de ponta, de modo que o Brasil det\u00e9m essa primazia no Novo Mundo. Infelizmente, naquele est\u00e1gio de coloniza\u00e7\u00e3o esse evento n\u00e3o teve o m\u00ednimo enraizamento no Brasil. N\u00e3o houve sequer um assistente noturno de observa\u00e7\u00e3o que auxiliasse Marcgrave e, assim, se iniciasse na Astronomia. O Brasil operou como mera plataforma de observa\u00e7\u00e3o do c\u00e9u austral, assim como foi para a observa\u00e7\u00e3o da flora, fauna, nativos e geografia na qual Marcgrave tamb\u00e9m se ocupou. As atividades astron\u00f4micas de Marcgrave ficaram assim, isoladas num par\u00eantese hist\u00f3rico sem consequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Impressiona tamb\u00e9m o fato de que a produ\u00e7\u00e3o astron\u00f4mica de Marcgrave no Brasil foi a parte menor de sua produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, proporcional ao tempo que p\u00f4de dedicar, embora ele tivesse se empenhado junto \u00e0 CIO para vir ao Brasil pelo seu ardente desejo de contemplar o c\u00e9u austral. Estando a servi\u00e7o de Nassau, este definia as prioridades das atividades de Marcgrave. Sua produ\u00e7\u00e3o bibliogr\u00e1fica maior foi em Hist\u00f3ria Natural e cartografia. Em Hist\u00f3ria Natural n\u00e3o s\u00f3 foi maior e fartamente ilustrada, como tamb\u00e9m relevante, pois ficou como obra \u00fanica no g\u00eanero at\u00e9 a vinda dos primeiros naturalistas que visitaram o Brasil no s\u00e9culo 19. O pai da taxonomia moderna, Carlos Lineu (1707-1778) se valeu das descri\u00e7\u00f5es de Marcgrave, e as elogiou entusiasticamente, para classificar as plantas e animais do Brasil.<\/p>\n<p>Certamente Marcgrave pretendia elaborar uma obra astron\u00f4mica baseada nas observa\u00e7\u00f5es que ele fez no Brasil. Os manuscritos insinuam que seria a contrapartida austral de &#8220;<em>Astronomiae instauratae progymnasmata&#8221;<\/em> (Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Nova Astronomia) de 1603 de Tycho Brahe, pois se intitularia &#8220;<em>Progymnastica Mathematica Americana&#8221;<\/em>. Em sua viagem de volta para a Holanda, que faria com Nassau em 1644, ele portava dentre outras coisas, as suas anota\u00e7\u00f5es. Uma c\u00f3pia delas foi felizmente preservada na biblioteca do Observat\u00f3rio de Paris, que possibilitou a an\u00e1lise detalhada das atividades astron\u00f4micas aqui relatadas. Por\u00e9m, na \u00faltima hora do embarque para voltar \u00e0 Holanda, foi solicitado a Marcgrave que realizasse um trabalho cartogr\u00e1fico em Luanda (Angola), ent\u00e3o em poder dos holandeses. L\u00e1 ele contraiu febre, da qual acabou morrendo precocemente, sem completar o seu projeto astron\u00f4mico.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\">Notas<\/h5>\n<h6 id=\"1-matsuura-oscar-t-o-observatorio-no-telhado-editora-cepe-recife-2011\">[1] Matsuura, Oscar T. <em>O Observat\u00f3rio no Telhado<\/em>, Editora Cepe, Recife, 2011.<\/h6>\n<h6 id=\"2-matsuura-oscar-t-um-observatorio-de-ponta-no-novo-mundo-in-cap-5-brasil-holandes-parte-1-historia-da-astronomia-no-brasil-2013-org-oscar-t-matsuura-volume-i-152-196-editora-cepe\">[2] Matsuura, Oscar T., Um observat\u00f3rio de ponta no Novo Mundo, <em>in<\/em> Cap. 5, Brasil Holand\u00eas, Parte 1, <em>Hist\u00f3ria da Astronomia no Brasil<\/em> <em>(2013)<\/em>, Org.: Oscar T. Matsuura, Volume I, 152-196, Editora Cepe, Recife, 2014. Dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/site.mast.br\/pdf_volume_1\/um_observatorio_ponta_novo_mundo.pdf\">http:\/\/site.mast.br\/pdf_volume_1\/um_observatorio_ponta_novo_mundo.pdf<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Jorge Marcgrave nasceu na pequena Liebstadt, ao sul de Dresden, quase na&hellip;\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[144],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2620"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2620"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2620\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2621,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2620\/revisions\/2621"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2620"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2620"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2620"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}