{"id":2624,"date":"2022-08-22T14:34:43","date_gmt":"2022-08-22T14:34:43","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2624"},"modified":"2022-08-23T10:22:30","modified_gmt":"2022-08-23T10:22:30","slug":"principais-mapas-do-brasil-dos-seculos-16-e-17","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2624","title":{"rendered":"Principais mapas do Brasil dos s\u00e9culos 16 e 17"},"content":{"rendered":"<p>Em primeiro lugar \u00e9 citado o mapa ainda bastante impreciso do navegador e cart\u00f3grafo castelhano Juan de la Cosa (1460-1510), elaborado entre 1500 e 1508. Ele acompanhou Colombo em suas duas primeiras expedi\u00e7\u00f5es e o navegador espanhol Alejandro Ojeda (1466-1516) na terceira, da qual Vesp\u00facio tamb\u00e9m participou. Temos depois a \u201cCarta N\u00e1utica do Oceano Atl\u00e2ntico e do Mar Mediterr\u00e2neo\u201d (1534) do cart\u00f3grafo portugu\u00eas Gaspar Luis Viegas; o mapa mundi do cart\u00f3grafo portugu\u00eas Bartolomeu Velho (1561) preparado a pedido de D. Sebasti\u00e3o, do Museu Naval de La Spezia na Lig\u00faria (entre G\u00eanova e Pisa); o mapa de 1586, bem conhecido, do outro cart\u00f3grafo portugu\u00eas, Lu\u00eds Teixeira que j\u00e1 inclu\u00eda as capitanias, o Estreito de Magalh\u00e3es e o meridiano de Tordesilhas tentando separar terras da Espanha e Portugal. Esse mapa foi utilizado para um estudo cartogr\u00e1fico das capitanias, subsidiado com dados quantitativos citados nas cartas de doa\u00e7\u00e3o. Na an\u00e1lise [1] apontou-se que os erros de latitude, medida com o astrol\u00e1bio solar ao meio dia, variava de 0,3\u00ba a 0,5\u00ba e os de longitude, estimada por dist\u00e2ncia percorrida, variava entre 3\u00ba e 6\u00ba comparando-se com medi\u00e7\u00f5es atuais.<\/p>\n<p>J\u00e1 do s\u00e9culo 17 temos o \u201cAtlas do Brasil\u201d de 1640 de Jo\u00e3o Teixeira Albernaz I ou o Velho (filho do citado Lu\u00eds Teixeira). Quarenta anos depois, seu neto hom\u00f4nimo Jo\u00e3o Teixeira Albernaz II, o Mo\u00e7o, produziu o \u201cAtlas do Brasil\u201d (1666), no qual compilou e acrescentou dados aos mapas originais do av\u00f4. Nesta lista cabe o mapa mural de Marcgrave cuja precis\u00e3o, para a regi\u00e3o geogr\u00e1fica coberta (litoral nordestino desde o atual Rio Grande do Norte at\u00e9 o atual Sergipe) n\u00e3o foi superada at\u00e9 o primeiro quarto do s\u00e9culo 18.[2] O m\u00e9todo usado por Marcgrave para determinar longitudes foi o dos eclipses lunares (ver <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2626\"><strong>Determina\u00e7\u00e3o da longitude pela observa\u00e7\u00e3o de eclipse lunar<\/strong><\/a><\/span>), de dif\u00edcil aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica para ele, principalmente pela falta de rel\u00f3gios confi\u00e1veis de hora local. Marcgrave utilizou dados do eclipse total da Lua da noite de 20 a 21 de dezembro de 1638, que ele observou com um quadrante port\u00e1til de 1 p\u00e9, da Resid\u00eancia do Conde, na ilha de Antonio Vaz (atual esquina entre as ruas 1\u00ba de mar\u00e7o e do Imperador Pedro II, no bairro de Santo Ant\u00f4nio, no Recife). O outro ponto de refer\u00eancia para a observa\u00e7\u00e3o foi o Observat\u00f3rio de Uraniborg, constru\u00eddo por Tycho Brahe na ilha de Hven, na Dinamarca que, na \u00e9poca era usado como meridiano de origem para a contagem de longitude, como hoje \u00e9 Greenwich nas cercanias de Londres. N\u00e3o havia ningu\u00e9m em <em>Uraniborg<\/em> observando o eclipse. Mas j\u00e1 era poss\u00edvel publicar previs\u00f5es, calculando-se os chamados instantes cr\u00edticos de um eclipse lunar, isto \u00e9, os instantes dos quatro contatos entre o bordo da Lua Cheia e o bordo da sombra da Terra. Da an\u00e1lise das observa\u00e7\u00f5es de Marcgrave obteve-se um desvio padr\u00e3o m\u00e9dio de 0,14\u00ba para as latitudes e uma diferen\u00e7a de 8\u00ba 41\u2019 entre as longitudes de Uraniborg e Recife medidas por Marcgrave e medidas hoje. Um mapa sobre as capitanias do Brasil usando dados de Marcgrave foi publicado por Johannes Blaeu em 1662 em sua famosa gr\u00e1fica em Amsterd\u00e3.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\">Notas<\/h5>\n<h6 id=\"1-cintra-jorge-pimentel-reconstruindo-o-mapa-das-capitanias-hereditarias-anais-do-museu-paulista-21-2-11-45-2013\">[1] Cintra, Jorge Pimentel, Reconstruindo o Mapa das Capitanias Heredit\u00e1rias, <em>Anais do Museu Paulista<\/em>, 21, 2, 11-45, 2013.<\/h6>\n<h6 id=\"https-www-revistas-usp-br-anaismp-article-view-80840-84476\"><a href=\"https:\/\/www.revistas.usp.br\/anaismp\/article\/view\/80840\/84476\">https:\/\/www.revistas.usp.br\/anaismp\/article\/view\/80840\/84476<\/a><\/h6>\n<h6 id=\"2-cintra-jorge-pimentel-e-pereira-levy-a-astronomia-e-o-mapa-brasilia-qua-parte-paret-belgis-de-jorge-marcgrave-in-historia-da-astronomia-no-brasil-2013-volume-1-capitulo-5-parte-2-197-228\">[2] Cintra, Jorge Pimentel e Pereira, Levy, A astronomia e o mapa <em>Brasilia qua parte paret Belgis, de Jorge Marcgrave in<\/em> <em>Hist\u00f3ria da Astronomia no Brasil (2013)<\/em>, Volume 1, Cap\u00edtulo 5, Parte 2, 197-228, Org.: Oscar T. Matsuura, Companhia Editora de Pernambuco, Recife, 2014.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em primeiro lugar \u00e9 citado o mapa ainda bastante impreciso do navegador&hellip;\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[144],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2624"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2624"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2624\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2969,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2624\/revisions\/2969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2624"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2624"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2624"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}