{"id":2635,"date":"2022-08-22T14:44:45","date_gmt":"2022-08-22T14:44:45","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2635"},"modified":"2022-08-23T10:21:28","modified_gmt":"2022-08-23T10:21:28","slug":"o-amazonas-antes-da-posse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2635","title":{"rendered":"O Amazonas antes da posse"},"content":{"rendered":"<p>Talvez Vesp\u00facio tenha sido o verdadeiro descobridor do rio Amazonas em 1499, mas trabalhava ent\u00e3o para a Espanha. Para alguns autores,[1] em fevereiro de 1500 Pinz\u00f3n teria descoberto a foz do rio Amazonas e sido o seu primeiro explorador, denominando <em>Santa Maria de la Mar Dulce<\/em> o rio, pensando tratar-se do rio Ganges. De fato, Pinz\u00f3n partindo de C\u00e1dis em 1499, em nome dos reis de Castela, navegou at\u00e9 Cabo Verde, tendo sido arrastado por mau tempo para a costa do Brasil em 26 de janeiro de 1500, antes de Cabral. Percorrendo junto \u00e0 costa setentrional do Brasil, p\u00f4de ter descoberto os rios Amazonas e Orinoco.<\/p>\n<p>Em 1501 o mundo amaz\u00f4nico teria sido concedido para explora\u00e7\u00e3o a Pinz\u00f3n, quando foi condecorado por Fernando II de Arag\u00e3o por este ter achado que Pinz\u00f3n tinha descoberto o Brasil. Mas Pinz\u00f3n, que n\u00e3o sentiu atra\u00e7\u00e3o por essas terras, nem tomou posse. Era mais f\u00e1cil obter riquezas de metais preciosos do Peru ou da Nova Granada (Col\u00f4mbia e Equador).<\/p>\n<p>At\u00e9 meados do s\u00e9culo 16 a ocupa\u00e7\u00e3o no vale do Amazonas pelos espanhois n\u00e3o se afastou muito de Quito e das proximidades dos rios Napo (tribut\u00e1rio do Amazonas que nasce no Equador e atravessa o Peru) e Javari (fronteira atual do estado do Amazonas com o Peru). Os pr\u00f3prios contrafortes andinos constitu\u00edam um obst\u00e1culo para a penetra\u00e7\u00e3o dos espanhois na bacia do Amazonas. Al\u00e9m disso, como foi dito, os espanhois j\u00e1 estavam felizes e ocupados em explorar os metais preciosos nas altitudes andinas, n\u00e3o lhes interessando abrir caminhos para facilitar a vida dos invasores estrangeiros.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante, a primeira explora\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia foi encetada entre 1541 e 1542 pelo explorador colonial espanhol Francisco de Orellana (1511-1546), a partir das cabeceiras do Amazonas, n\u00e3o a partir da foz. Ele teria realizado a primeira navega\u00e7\u00e3o completa desse rio, de 6 mil km, da nascente \u00e0 foz. Essa viagem foi relatada pelo frei dominicano espanhol Gastar de Carbajal (1504-1584) que fez parte da expedi\u00e7\u00e3o. Disse ele que o grande inimigo da expedi\u00e7\u00e3o foi a fome, obrigando-os a comer at\u00e9 os sapatos. Ele descreveu as \u00edndias guerreiras e chamou-as <em>amazonas<\/em>. O rio que se chamava <em>Mara\u00f1on<\/em> passou a ser conhecido como Amazonas. Com esse feito, Orellana obteve do rei espanhol em 1544 o t\u00edtulo de governador e capit\u00e3o geral das terras que descobrisse. Em 1546 tentou conquistar a Amaz\u00f4nia entrando pelo delta do rio, mas perdeu-se e morreu nas m\u00e3os dos ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a tentativa malograda de Orellana, e tamb\u00e9m de Pizarro, n\u00e3o o sanguin\u00e1rio Francisco, mas seu meio-irm\u00e3o Gon\u00e7alo, v\u00e1rias outras concess\u00f5es da Amaz\u00f4nia foram feitas na segunda metade do s\u00e9culo 16 por Carlos V e pelos tr\u00eas reis filipinos, mas, ningu\u00e9m quis.<\/p>\n<p>A penetra\u00e7\u00e3o dos portugueses ao interior da Amaz\u00f4nia come\u00e7ou obviamente pela foz do rio. Em seguida eles ocuparam as duas margens do rio.<\/p>\n<p>Apesar de os espanh\u00f3is reivindicarem a primazia da viagem de Orellana ao longo do Amazonas, coube a Pedro Teixeira realizar a primeira viagem oficial, subindo o rio do estu\u00e1rio at\u00e9 quase \u00e0s nascentes e, depois, descendo, reconhecendo os deltas de todos os seus grandes afluentes, levantando assim dados para a primeira carta mais correta do curso do grande rio.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\">Notas<\/h5>\n<h6 id=\"1-souza-cruz-tte-cel-joao-jose-de-a-definicao-das-fronteiras-terrestres-do-brasil-com-paises-vizinhos-durante-o-seculo-xviii-1a-parte-revista-militar-no-2590-novembro-de-2017\">[1] Souza-Cruz, Tte.-Cel. Jo\u00e3o Jos\u00e9 de, A defini\u00e7\u00e3o das fronteiras terrestres do Brasil com pa\u00edses vizinhos, durante o s\u00e9culo XVIII &#8211; 1\u00aa Parte, <em>Revista Militar<\/em>, N\u00ba 2590, Novembro de 2017.<\/h6>\n<h6 id=\"https-www-revistamilitar-pt-artigo-1280\"><a href=\"https:\/\/www.revistamilitar.pt\/artigo\/1280\">https:\/\/www.revistamilitar.pt\/artigo\/1280<\/a><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Talvez Vesp\u00facio tenha sido o verdadeiro descobridor do rio Amazonas em 1499,&hellip;\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[144],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2635"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2635"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2635\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3057,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2635\/revisions\/3057"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}