{"id":2637,"date":"2022-08-22T14:46:57","date_gmt":"2022-08-22T14:46:57","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2637"},"modified":"2022-10-07T11:25:58","modified_gmt":"2022-10-07T11:25:58","slug":"posse-do-rio-amazonas-1637-1639","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2637","title":{"rendered":"Posse do rio Amazonas (1637-1639)"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e1 em 1614 Pedro Teixeira tinha participado da expuls\u00e3o dos franceses do Maranh\u00e3o. Ajudou Castello Branco a construir o Forte do Pres\u00e9pio em Bel\u00e9m, em 1616. No Baixo Amazonas, atacando navios e feitorias, em 1625 expulsou os holandeses da foz do Xingu no Amazonas e em 1646 no Maicar\u00e1, atual Amap\u00e1, tomou o \u00faltimo reduto holand\u00eas no Amazonas. Ent\u00e3o os holandeses se instalaram mais ao norte, na Guiana. A Companhia das \u00cdndias Ocidentais sonhou retomar o rio Amazonas para os seus neg\u00f3cios, mas n\u00e3o teve sucesso.<\/p>\n<p>Teixeira perseguiu tamb\u00e9m os ingleses em v\u00e1rias localidades da foz do Amazonas junto ao Amap\u00e1, que durou anos. Um forte constru\u00eddo pelos ingleses foi o Coma\u00fa (1631-1632) em Torrego (ou Tauregue), na conflu\u00eancia do rio de mesmo nome com a margem esquerda do Amazonas (atual Macap\u00e1). Atacados pelos portugueses, os ingleses acabaram ficando sem contacto com os ind\u00edgenas seus aliados, para negociar. E assim acabaram deixando a regi\u00e3o. Sobre as ru\u00ednas do forte de Coma\u00fa os portugueses constru\u00edram a Fortaleza de Santo Ant\u00f4nio de Macap\u00e1 em 1697. Esta tamb\u00e9m estando arruinada por volta de 1700 deu lugar \u00e0 Fortaleza de S\u00e3o Jos\u00e9 do Macap\u00e1, at\u00e9 hoje bem conservada na \u00e1rea urbana dessa capital.<\/p>\n<p>Pedro Teixeira j\u00e1 tinha, portanto, um respeit\u00e1vel curr\u00edculo de importantes a\u00e7\u00f5es na ocupa\u00e7\u00e3o do Amazonas.<\/p>\n<p><span style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, 'Helvetica Neue', Arial, 'Noto Sans', sans-serif, 'Apple Color Emoji', 'Segoe UI Emoji', 'Segoe UI Symbol', 'Noto Color Emoji';\">Em 1637, dois frades franciscanos espanhois acompanhados por seis soldados espanhois (exceto um que era portugu\u00eas), chegaram inopinadamente numa canoa a Gurup\u00e1, um vilarejo do Par\u00e1, na foz do Amazonas a uns 180 km de Macap\u00e1. Esses forasteiros faziam parte de uma miss\u00e3o franciscana de Quito. Guiados por um capit\u00e3o volunt\u00e1rio, estavam entre os \u00edndios <em>los encabellados<\/em>, que mencionaremos adiante na incurs\u00e3o de Pedro Teixeira. Esses \u00edndios se rebelaram contra os mission\u00e1rios e o capit\u00e3o foi morto. Sem o guia, parte da miss\u00e3o preferiu nem tentar voltar para Quito e descer pelo Amazonas, pois j\u00e1 tinham ouvido do sucesso de Orellana. Foi assim que a canoa chegou a Gurup\u00e1, depois seguiu para Bel\u00e9m e S\u00e3o Lu\u00eds,[1] capital do Estado do Maranh\u00e3o e Gr\u00e3o-Par\u00e1.<\/span><\/p>\n<p>Esta visita inesperada suscitou grande preocupa\u00e7\u00e3o ao administrador colonial portugu\u00eas J\u00e1come Raimundo de Noronha que, ent\u00e3o, era o Governador do Estado. A preocupa\u00e7\u00e3o era s\u00e9ria, pois o governador estava empenhado na posse do territ\u00f3rio pela ocupa\u00e7\u00e3o. A chegada dos forasteiros significava que os espanhois poderiam realizar a ocupa\u00e7\u00e3o antes dos portugueses. Imediatamente ele tomou as provid\u00eancias para organizar e enviar uma expedi\u00e7\u00e3o pelo rio Amazonas em dire\u00e7\u00e3o a Quito. Essa expedi\u00e7\u00e3o tinha a tarefa de implantar fortifica\u00e7\u00f5es em locais estrat\u00e9gicos, ganhar a confian\u00e7a e amizade dos ind\u00edgenas e estabelecer um n\u00facleo para demarcar territ\u00f3rio sob controle portugu\u00eas.<\/p>\n<p>No mesmo ano da chegada da canoa (1637), uma frota partiu de Camet\u00e1, no lado oriental do Maraj\u00f3. Eram 47 canoas grandes, 70 soldados, 1.200 nativos, alguns religiosos e um dos frades que viera seguiu como guia. O chefe da expedi\u00e7\u00e3o foi Pedro Teixeira. Em janeiro de 1638 a expedi\u00e7\u00e3o ingressou no rio Negro (altura de Manaus) e seguindo depois por v\u00e1rios afluentes menores, chegou a Quito em setembro desse mesmo ano.<\/p>\n<p>Na viagem de volta, em uma das margens do rio Napo, na conflu\u00eancia com um rio que atualmente estabelece fronteira entre o Peru e o Equador, ap\u00f3s combater e derrotar os \u00edndios <em>los encabel<\/em><em>lados<\/em> que tinham destru\u00eddo boa parte de suas canoas, Teixeira fundou o povoado\u00a0de\u00a0Franciscana, que deveria balizar a fronteira entre os dom\u00ednios das duas coroas, espanhola e portuguesa. O nome Franciscana foi em homenagem a dois frades franciscanos mortos nessa batalha. Pedro Teixeira declarou que a leste de Franciscana, atual Equador, tudo era portugu\u00eas. Os espanhois desistiriam da Amaz\u00f4nia e esses limites fixados por Teixeira ficaram mantidos.<\/p>\n<p><span style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, 'Helvetica Neue', Arial, 'Noto Sans', sans-serif, 'Apple Color Emoji', 'Segoe UI Emoji', 'Segoe UI Symbol', 'Noto Color Emoji';\">Em 1639 Pedro Teixeira estava de volta em Bel\u00e9m. Estava aberto um acesso do Atl\u00e2ntico ao Peru. Foram percorridos os vales do Amazonas e seus afluentes. Nessa \u00e9pica viagem, em nome dos reis da Espanha e de Portugal, Teixeira tomou posse dessa regi\u00e3o para Portugal. Chamado depois o Conquistador do Amazonas, Pedro Teixeira se tornou o primeiro europeu a viajar toda a extens\u00e3o do rio Amazonas, at\u00e9 o Peru, nos dois sentidos.<\/span><\/p>\n<p>A viagem teve v\u00e1rios relatos. Um deles,[2] com abundantes detalhes, foi do jesu\u00edta espanhol Crist\u00f3bal de Acu\u00f1a (1597-1670), designado para acompanhar Pedro Teixeira na viagem de volta, de Quito a Bel\u00e9m.[3] Por ordem de Felipe IV da Espanha esta obra foi recolhida e destru\u00edda para manter em segredo a riqueza das minas peruanas, mas foi usada por Portugal na reivindica\u00e7\u00e3o da posse da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s essa viagem, nomeado pelo governador do Estado do Maranh\u00e3o, Pedro Teixeira[4]\u00a0tomou posse do governo da capitania do Gr\u00e3o-Par\u00e1 que governou at\u00e9 1641, quando morreu.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\">Notas<\/h5>\n<h6 id=\"1-southey-robert-history-of-brazil-part-1-581-london-longman-hurst-rees-and-orme-1810\">[1] Southey, Robert, History of Brazil, Part 1, 581, London, Longman, Hurst, Rees, and Orme, 1810.<\/h6>\n<h6 id=\"https-books-google-com-br-booksidtnmtaaaayaajpgpa581lpgpa581dqwherefranciscanfriarsdetoledoanddelabriebamissionsourceblotshpejqlebnfsigacfu3u1koigiulm\"><a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=tNMTAAAAYAAJ&amp;pg=PA581&amp;lpg=PA581&amp;dq=where+Franciscan+friars+de+Toledo+and+de+La+Brieba+mission?&amp;source=bl&amp;ots=hpeJqlebnf&amp;sig=ACfU3U1kOiGIULmr_CK-JTsAJ98D3E-O9g&amp;hl=en&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwigpoeS9LH3AhXQuJUCHUedBRcQ6AF6BAg9EAM#v=onepage&amp;q=where%20Franciscan%20friars%20de%20Toledo%20and%20de%20La%20Brieba%20mission%3F&amp;f=false\">https:\/\/books.google.com.br\/books?id=tNMTAAAAYAAJ&amp;pg=PA581&amp;lpg=PA581&amp;dq=where+Franciscan+friars+de+Toledo+and+de+La+Brieba+mission?&amp;source=bl&amp;ots=hpeJqlebnf&amp;sig=ACfU3U1kOiGIULmr_CK-JTsAJ98D3E-O9g&amp;hl=en&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwigpoeS9LH3AhXQuJUCHUedBRcQ6AF6BAg9EAM#v=onepage&amp;q=where%20Franciscan%20friars%20de%20Toledo%20and%20de%20La%20Brieba%20mission%3F&amp;f=false<\/a><\/h6>\n<h6 id=\"2-nuevo-descubrimento-del-gran-rio-de-las-amazonas-madri-imprenta-del-reyno-1641\">[2] <em>Nuevo descubrimento del Gran R\u00edo de las Amazonas<\/em>, Madri, Imprenta del Reyno, 1641.<\/h6>\n<h6 id=\"https-archive-org-details-nuevodescubrimie00acua-page-n21-mode-2uprefolviewtheater\"><a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/nuevodescubrimie00acua\/page\/n21\/mode\/2up?ref=ol&amp;view=theater\">https:\/\/archive.org\/details\/nuevodescubrimie00acua\/page\/n21\/mode\/2up?ref=ol&amp;view=theater<\/a><\/h6>\n<h6 id=\"ha-uma-traducao-para-o-portugues-em-pedro-teixeira-a-amazonia-e-o-tratado-de-madri-sergio-eduardo-moreira-lima-e-maria-do-carmo-strozzi-coutinho-orgs-2a-edicao-ampliada-175-270-brasilia-funag\">H\u00e1 uma tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas em <em>Pedro Teixeira, a Amaz\u00f4nia e o Tratado de Madri<\/em>, S\u00e9rgio Eduardo Moreira Lima e Maria do Carmo Strozzi Coutinho (Orgs.), 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o ampliada, 175-270, Bras\u00edlia, FUNAG, 2016.<\/h6>\n<h6 id=\"http-www-biblioteca-itamaraty-gov-br-novos-livros-2010-lingua-portuguesa-pedro-teixeira-a-amazonia-e-o-tratado-de-madri-image_view_fullscreen\"><a href=\"http:\/\/www.biblioteca.itamaraty.gov.br\/novos-livros\/2010-lingua-portuguesa\/pedro-teixeira-a-amazonia-e-o-tratado-de-madri\/image_view_fullscreen\">http:\/\/www.biblioteca.itamaraty.gov.br\/novos-livros\/2010-lingua-portuguesa\/pedro-teixeira-a-amazonia-e-o-tratado-de-madri\/image_view_fullscreen<\/a><\/h6>\n<h6 id=\"3-cortesao-jaime-a-cartografia-amazonica-durante-o-seculo-xvii-terra-brasilis-nova-serie-14-1-17-2020-https-doi-org-10-4000-terrabrasilis-6994-a-figura-14-disponivel-na-biblioteca-digit\">[3] Cortes\u00e3o, Jaime, A cartografia amaz\u00f4nica durante o s\u00e9culo XVII, <em>Terra Brasilis <\/em>(Nova S\u00e9rie), 14, 1-17, 2020, <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.4000\/terrabrasilis.6994%20\">https:\/\/doi.org\/10.4000\/terrabrasilis.6994<\/a>. A Figura 14, dispon\u00edvel na Biblioteca Digital da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro \u00e9 um mapa do rio Amazonas baseado no relato de Acu\u00f1a.<\/h6>\n<h6 id=\"4-cortesao-jaime-a-cartografia-amazonica-durante-o-seculo-xvii-terra-brasilis-nova-serie-14-1-17-2020-https-doi-org-10-4000-terrabrasilis-6994-a-figura-7-disponivel-na-biblioteca-digita\">[4] Cortes\u00e3o, Jaime, A cartografia amaz\u00f4nica durante o s\u00e9culo XVII, <em>Terra Brasilis <\/em>(Nova S\u00e9rie), 14, 1-17, 2020, <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.4000\/terrabrasilis.6994.%20\">https:\/\/doi.org\/10.4000\/terrabrasilis.6994<\/a>. A Figura 7, dispon\u00edvel na Biblioteca Digital da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro \u00e9 um mapa da regi\u00e3o amaz\u00f4nica de autoria de Bento da Costa e Pedro Teixeira.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"J\u00e1 em 1614 Pedro Teixeira tinha participado da expuls\u00e3o dos franceses do&hellip;\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[144],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2637"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2637"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2637\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3272,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2637\/revisions\/3272"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2637"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2637"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2637"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}