{"id":2639,"date":"2022-08-22T14:49:13","date_gmt":"2022-08-22T14:49:13","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2639"},"modified":"2022-08-23T10:21:06","modified_gmt":"2022-08-23T10:21:06","slug":"cartografia-tarefa-para-militares-1647","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2639","title":{"rendered":"Cartografia, tarefa para militares (1647)"},"content":{"rendered":"<p>O militar portugu\u00eas Lu\u00eds Serr\u00e3o Pimentel [1]\u00a0(1613-1679) foi aluno do col\u00e9gio jesu\u00edta de Santo Ant\u00e3o onde recebeu introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Matem\u00e1tica, aprendeu Cosmografia (um misto de disciplinas da atual Matem\u00e1tica, F\u00edsica e Geografia) orientada para a Arte da Navega\u00e7\u00e3o. Frequentou tamb\u00e9m a Aula da Esfera quando aprendeu a Matem\u00e1tica da \u00e9poca. J\u00e1 como Tenente-general da Artilharia, desde 1641 lecionou interinamente como Cosm\u00f3grafo-mor, ganhando finalmente esse t\u00edtulo em 1671.<\/p>\n<p>No contexto de reestrutura\u00e7\u00e3o na esfera militar almejada por D. Jo\u00e3o IV, coube a Pimentel reformular o ensino militar, com a cria\u00e7\u00e3o da Aula de Fortifica\u00e7\u00e3o e Arquitectura Militar em 1647, a primeira escola de forma\u00e7\u00e3o de futuros engenheiros em Portugal. Consistiu numa reorienta\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados para objetivos militares e a transfer\u00eancia desse ensino para os militares que passaram a superintender esse ensino. Ao estudo da Matem\u00e1tica em Santo Ant\u00e3o, Pimentel juntou o estudo dos princ\u00edpios da fortifica\u00e7\u00e3o (Arquitetura Militar), pois a crescente militariza\u00e7\u00e3o de Portugal demandava pessoas formadas em arquitetura militar, na vertente de fortifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Como mestre de Fortifica\u00e7\u00e3o e Arquitetura Militar, cabia a ele aplicar exames aos pilotos, cart\u00f3grafos e construtores de instrumentos ligados \u00e0 navega\u00e7\u00e3o mar\u00edtima, rever normas e compilar relat\u00f3rios de viagens. A escola ficou sediada na Ribeira das Naus, em Lisboa, onde os futuros engenheiros militares do reino aprenderiam a arte da fortifica\u00e7\u00e3o. At\u00e9 ent\u00e3o, a arquitetura era ensinada na Aula da Esfera, com base no estudo da Matem\u00e1tica pura, tendo por refer\u00eancia uma obra de 1634 do jesu\u00edta In\u00e1cio Stafford, professor de Santo Ant\u00e3o.<\/p>\n<p>Deixava-se para tr\u00e1s um car\u00e1ter especulativo dessas li\u00e7\u00f5es oferecidas a nobres, a fim de atender \u00e0s necessidades militares conjunturais do pa\u00eds e dar ao engenheiro militar um conhecimento mais pr\u00e1tico e funcional.<\/p>\n<p>Com esta reforma, ocorreu uma mudan\u00e7a importante na produ\u00e7\u00e3o cartogr\u00e1fica portuguesa. A cartografia, antes executada, de um modo geral, por mission\u00e1rios que tinham passado pelo Col\u00e9gio de Santo Ant\u00e3o, tornou-se tarefa dos engenheiros militares, com a justificativa de que estes eram mais afeitos a armas de fogo (artilharia), \u00e0 guerra e \u00e0 cartografia, do que os cosm\u00f3grafos, mais afeitos \u00e0 n\u00e1utica.<\/p>\n<p>Essa medida teve repercuss\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o cartogr\u00e1fica do Brasil, pois D. Pedro II, filho de D. Jo\u00e3o IV, introdutor da reforma, fez fundar em Salvador, em 1696 e, no Rio de Janeiro, em 1698, uma escola de Aula de Fortifica\u00e7\u00e3o, nos moldes daquela de Ribeira das Naus, para a forma\u00e7\u00e3o de engenheiros capazes de produzir mapas precisos que servissem para a discuss\u00e3o de fronteiras. Essas escolas formaram engenheiros que depois se tornaram governadores que, de fato, produziram ou ajudaram a produzir mapas.<\/p>\n<p>Existe na Biblioteca Nacional o \u201cMapa das Minas de Ouro de S\u00e3o Paulo e costa do mar que lhe pertence\u201d (1714), considerado de baixa precis\u00e3o, atribu\u00eddo ao oficial F\u00e9lix de Azevedo Carneiro e Cunha, \u201ctenente-marechal de campo general das Minas\u201d, que representa n\u00e3o s\u00f3 o territ\u00f3rio da capitania de S\u00e3o Paulo e Minas de Ouro, mas todo litoral e interior do Brasil entre o sul da Bahia e Santa Catarina. Essa capitania existiu entre 1709 e 1720, quando foi dividida dando origem \u00e0 capitania de S\u00e3o Paulo e \u00e0 capitania das Minas de Ouro, mais tarde conhecida como Minas Gerais.[2]\u00a0Esse mapa foi elaborado na corrida do ouro, com levantamentos cartogr\u00e1ficos realizados j\u00e1 por engenheiros militares.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\">Notas<\/h5>\n<h6 id=\"1-ferreira-nuno-alexandre-martins-luis-serrao-pimentel-1613-1679-cosmografo-mor-e-engenheiro-mor-de-portugal-dissertacao-de-mestrado-faculdade-de-letras-universidade-de-lisboa-2009\">[1] Ferreira, Nuno Alexandre Martins, Lu\u00eds Serr\u00e3o Pimentel (1613-1679): Cosm\u00f3grafo Mor e Engenheiro Mor de Portugal, Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado, Faculdade de Letras, Universidade de Lisboa, 2009.<\/h6>\n<h6 id=\"2-machado-maria-marcia-magela-e-renger-friedrich-ewald-os-primordios-da-ocupacao-de-minas-gerais-em-mapas-revista-brasileira-de-cartografia-67-4-759-771-2015\">[2] Machado, Maria M\u00e1rcia Magela e Renger, Friedrich Ewald, Os prim\u00f3rdios da ocupa\u00e7\u00e3o de Minas Gerais em mapas, <em>Revista Brasileira de Cartografia<\/em>, 67, 4, 759-771, 2015.<\/h6>\n<h6 id=\"https-seer-ufu-br-index-php-revistabrasileiracartografia-article-view-49119\"><a href=\"https:\/\/seer.ufu.br\/index.php\/revistabrasileiracartografia\/article\/view\/49119\">https:\/\/seer.ufu.br\/index.php\/revistabrasileiracartografia\/article\/view\/49119<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O militar portugu\u00eas Lu\u00eds Serr\u00e3o Pimentel [1]\u00a0(1613-1679) foi aluno do col\u00e9gio jesu\u00edta&hellip;\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[144],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2639"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2639"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2639\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2640,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2639\/revisions\/2640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2639"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2639"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2639"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}