{"id":2652,"date":"2022-08-22T14:59:36","date_gmt":"2022-08-22T14:59:36","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2652"},"modified":"2022-08-23T10:20:14","modified_gmt":"2022-08-23T10:20:14","slug":"mapa-do-p-pfeil-do-cabo-do-norte-e-do-estado-do-maranhao-e-grao-para","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2652","title":{"rendered":"Mapa do P. Pfeil do Cabo do Norte e do Estado do Maranh\u00e3o e Gr\u00e3o-Par\u00e1"},"content":{"rendered":"<p>Em 1681, ao chegar ao rio Araguari, o grupo que acompanhava o padre Pfeil na miss\u00e3o cartogr\u00e1fica se deparou com franceses que vinham da Guiana realizar com\u00e9rcio com os ind\u00edgenas. O rei Luis XIV da Fran\u00e7a tinha ordenado o marqu\u00eas de Ferrolles, governador da Guiana Francesa, a expandir a ocupa\u00e7\u00e3o francesa at\u00e9 o Amazonas. Como estava em vigor a lei de 1680 que concedia liberdade aos ind\u00edgenas, os mission\u00e1rios pagaram por eles a restitui\u00e7\u00e3o da liberdade. Mas, admoestaram os franceses de que estavam fora do seu territ\u00f3rio. O sacerdote que acompanhava Pfeil, usando de sua autoridade enviou uma carta ao provincial dos jesu\u00edtas em Caiena, repudiando a presen\u00e7a dos franceses em terras consideradas portuguesas, forma talvez de mandar um recado ao marqu\u00eas de Ferrolles. Na volta, como marco de posse o grupo de Pfeil ergueu uma cruz na aldeia de Tabarapixi (junto ao rio Araguari), local de que Pfeil gostou e escolheu para ficar futuramente como mission\u00e1rio. Os franceses, por sua vez, tomaram o Forte de Macap\u00e1, mas s\u00f3 por poucas semanas porque os portugueses o reconquistaram.<\/p>\n<p><span style=\"font-family: -apple-system, BlinkMacSystemFont, 'Segoe UI', Roboto, 'Helvetica Neue', Arial, 'Noto Sans', sans-serif, 'Apple Color Emoji', 'Segoe UI Emoji', 'Segoe UI Symbol', 'Noto Color Emoji';\">Sendo \u201chomem insigne nas Matem\u00e1ticas e Fortifica\u00e7\u00f5es\u201d, Pfeil tra\u00e7ou um mapa, desde o Par\u00e1 at\u00e9 o Cabo Norte, isto \u00e9, at\u00e9 o rio Oiapoque que, para os portugueses, era o mesmo rio que Pinz\u00f3n teria descoberto em sua viagem de 1500 e denominado Vicente Pinz\u00f3n, seu pr\u00f3prio nome. Que fossem diferentes nomes do mesmo rio seria posto depois em d\u00favida pelos franceses, dando lugar a uma disputa sobre a localiza\u00e7\u00e3o da fronteira.[1] O mapa de Pfeil [2] foi levado em 1685 pelo superior da ordem no Maranh\u00e3o e oferecido a D. Pedro II em Lisboa. Pfeil ainda teria feito um outro mapa cobrindo todo o Estado do Maranh\u00e3o e Gr\u00e3o-Par\u00e1, que f\u00f4ra enviado para Roma, mas n\u00e3o se sabe do destino de ambos.[3]<\/span><\/p>\n<p>Em carta r\u00e9gia de 1686, D. Pedro II pediu ao governador do Maranh\u00e3o a constru\u00e7\u00e3o de fortalezas em benef\u00edcio da posse do territ\u00f3rio em regi\u00e3o de fronteira, da convers\u00e3o dos gentios que nele habitavam e da preven\u00e7\u00e3o contra a presen\u00e7a dos franceses. No fundo o rei queria que esses \u00edndios se tornassem seus s\u00faditos.<\/p>\n<p>Em resposta, nesse mesmo ano o governador Gomes Freire de Andrade enviou um engenheiro capit\u00e3o-mor e o P. Pfeil com mais mission\u00e1rios ao Cabo do Norte, para escolherem um local para a constru\u00e7\u00e3o de uma fortifica\u00e7\u00e3o. O lugar escolhido foi \u00e0s margens do rio Araguari, pois era por ele que os franceses entravam no Amazonas para comerciar com os gentios. O forte foi constru\u00eddo em Torrego (ou Tauregue), que em 1687 foi guarnecido com 25 soldados e tr\u00eas canh\u00f5es. Seria o mesmo local do forte ocupado por pouco tempo pelos franceses, quando se retiraram na primeira visita do padre Pfeil. Nesse local os piratas ingleses tinham constru\u00eddo o Forte Coma\u00fa. Hoje est\u00e1 o magn\u00edfico Forte de S\u00e3o Jos\u00e9 do Macap\u00e1, nessa capital.<\/p>\n<p>O capit\u00e3o e o padre procuraram estabelecer contato com os grupos ind\u00edgenas, tentando seduzir e cooptar os l\u00edderes. Aconselhados pelos pr\u00f3prios \u00edndios que conheciam a regi\u00e3o, escolheram o local para a miss\u00e3o, onde a ca\u00e7a e a pesca eram abundantes. A\u00ed foram deixados dois mission\u00e1rios jesu\u00edtas. O capit\u00e3o-mor e Pfeil retornaram ao Par\u00e1 sem deixar soldados, pois os inacianos preferiram que os militares n\u00e3o ficassem para n\u00e3o atrapalhar a catequese. No retorno a Bel\u00e9m, passaram pela aldeia de Tabarapixi, aquele lugar que Pfeil j\u00e1 tinha escolhido para sua futura resid\u00eancia. Logo, com ajuda dos soldados, se edificou ali uma casa.<\/p>\n<p>Os padres que ficaram na miss\u00e3o foram inicialmente aceitos pelos amer\u00edndios. Eles pregavam contra a embriaguez e a poligamia e tentavam por todas as formas mudar pr\u00e1ticas culturais, entendendo que catequizar e civilizar andavam juntos. Para sustentar a atividade mission\u00e1ria, esses padres iniciaram a constru\u00e7\u00e3o da igreja, espa\u00e7o para a catequese. Mas algo mudou subitamente os planos da Companhia de Jesus para o Cabo Norte.<\/p>\n<p>Em novembro de 1687, o capit\u00e3o-mor, soldados e o padre Pfeil retornaram \u00e0 miss\u00e3o para que o \u00faltimo ficasse na aldeia de Tabarapixi, onde exerceria sua atividade. Mas l\u00e1 foram informados por ind\u00edgenas da morte dos dois padres, que havia ocorrido em setembro por grupos ind\u00edgenas que viviam nas proximidades. O capit\u00e3o-mor imediatamente mandou capturar os amer\u00edndios envolvidos. Eles foram encontrados quando tentavam fugir para a Guiana Francesa. Os ind\u00edgenas j\u00e1 sabiam das disputas entre os portugueses e os franceses e que, ao passarem ao territ\u00f3rio franc\u00eas, os portugueses n\u00e3o poderiam captur\u00e1-los. Como os portugueses faziam uma pol\u00edtica de terror na conquista e no estabelecimento de fortes, foi comum durante a primeira metade do s\u00e9culo 18 grupos amer\u00edndios preferirem viver em miss\u00f5es de jesu\u00edtas franceses na regi\u00e3o do Oiapoque, safando-se das debandadas provocadas pelos portugueses. Ap\u00f3s investiga\u00e7\u00f5es, a justi\u00e7a condenou \u00e0 morte dois envolvidos e outros receberam a pena de degredo no Maranh\u00e3o. Mas, dois anos depois deu-se anistia geral aos \u00edndios que ainda andavam fugidos por esse e outros crimes, provavelmente para evitar que os amer\u00edndios realizassem contatos com os franceses, pois as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas eram fundamentais para a consolida\u00e7\u00e3o do dom\u00ednio. Assim a miss\u00e3o jesu\u00edtica no Cabo Norte fracassou e foi abandonada pelo padre Pfeil em 1697. Em meio a um tratado provis\u00f3rio entre Fran\u00e7a e Portugal, que teria anulado todos os direitos de Portugal sobre essa regi\u00e3o, em 1701 Pfeil foi chamado para voltar urgentemente para Lisboa trazendo todos os mapas e documentos. Infelizmente o navio naufragou perto dos A\u00e7ores. Pfeil morreu e todos os documentos foram perdidos.[4]\n<p>O Tratado de Utrecht (1713) reconheceria a soberania de Portugal sobre as terras entre os rios Amazonas e Oiapoque (atual Amap\u00e1). Mas nem isso encerraria a quest\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\">Notas<\/h5>\n<h6 id=\"1-leite-s-i-serafim-os-jesuitas-no-cabo-do-norte-revista-brasileira-abl-ano-ii-4-15-30-1942\">[1] Leite S.I., Serafim, Os jesu\u00edtas no Cabo do Norte, <em>Revista Brasileira<\/em> (ABL), Ano II, 4, 15-30, 1942.<\/h6>\n<h6 id=\"chrome-extension-efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj-http-memoria-bn-br-pdf-139955-per139955_1941_00004-pdf\">chrome-extension:\/\/efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj\/http:\/\/memoria.bn.br\/pdf\/139955\/per139955_1941_00004.pdf<\/h6>\n<h6 id=\"2-cortesao-jaime-a-cartografia-amazonica-durante-o-seculo-xvii-terra-brasilis-nova-serie-14-1-17-2020-https-doi-org-10-4000-terrabrasilis-6994-o-item-ix-mapa-do-grande-rio-das\">[2] Cortes\u00e3o, Jaime, A cartografia amaz\u00f4nica durante o s\u00e9culo XVII, <em>Terra Brasilis <\/em>(Nova S\u00e9rie), 14, 1-17, 2020, <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.4000\/terrabrasilis.6994.%20\">https:\/\/doi.org\/10.4000\/terrabrasilis.6994<\/a>. O item IX, mapa do \u201cGrande rio das Amazonas\u201d delineado e feito pelo P. Pfeil \u00e9 mencionado, mas n\u00e3o \u00e9 mostrado.<\/h6>\n<h6 id=\"3-leite-s-i-serafim-os-jesuitas-no-cabo-do-norte-revista-brasileira-abl-ano-ii-4-15-30-1942\">[3] Leite S.I., Serafim, Os jesu\u00edtas no Cabo do Norte, <em>Revista Brasileira<\/em> (ABL), Ano II, 4, 15-30, 1942.<\/h6>\n<h6 id=\"http-memoria-bn-br-pdf-139955-per139955_1941_00004-pdf\">http:\/\/memoria.bn.br\/pdf\/139955\/per139955_1941_00004.pdf<\/h6>\n<h6 id=\"4-altic-mirela-encounters-in-the-new-world-jesuit-cartography-of-the-americas-chicago-university-of-chicago-press-2022\">[4] Altic, Mirela, Encounters in the New World: Jesuit Cartography of the Americas, Chicago, University of Chicago Press, 2022.<\/h6>\n<h6 id=\"https-books-google-com-br-booksid5epmeaaaqbajpgpa266lpgpa266dqjesuitfatherpfeilsourceblotsp9oqrfjbgwsigacfu3u2_r2jbckhnxuaiavocqd8jmbd8iqhlensaxa\"><a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=5EpmEAAAQBAJ&amp;pg=PA266&amp;lpg=PA266&amp;dq=jesuit+father+pfeil&amp;source=bl&amp;ots=p9OqRfjbGw&amp;sig=ACfU3U2_r2jBcKhnXUaIavOCqD8JmBD8IQ&amp;hl=en&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwi43ZHf4-73AhVTuJUCHYOWB3gQ6AF6BAgUEAM#v=onepage&amp;q=jesuit%20father%20pfeil&amp;f=false\">https:\/\/books.google.com.br\/books?id=5EpmEAAAQBAJ&amp;pg=PA266&amp;lpg=PA266&amp;dq=jesuit+father+pfeil&amp;source=bl&amp;ots=p9OqRfjbGw&amp;sig=ACfU3U2_r2jBcKhnXUaIavOCqD8JmBD8IQ&amp;hl=en&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwi43ZHf4-73AhVTuJUCHYOWB3gQ6AF6BAgUEAM#v=onepage&amp;q=jesuit%20father%20pfeil&amp;f=false<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 1681, ao chegar ao rio Araguari, o grupo que acompanhava o&hellip;\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[144],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2652"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2652"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2652\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2978,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2652\/revisions\/2978"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2652"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2652"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2652"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}