{"id":2654,"date":"2022-08-22T15:01:54","date_gmt":"2022-08-22T15:01:54","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2654"},"modified":"2022-08-23T10:20:00","modified_gmt":"2022-08-23T10:20:00","slug":"p-samuel-fritz-1654-1725","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2654","title":{"rendered":"P. Samuel Fritz (1654-1725)"},"content":{"rendered":"<p>Em 1689 o padre Fritz come\u00e7ou a descer o Amazonas e, mesmo entrando em \u00e1rea ocupada por portugueses ao longo do rio Solim\u00f5es, foi implantando miss\u00f5es. Parece que, tendo chegado a Quito em 1685, n\u00e3o teve tempo para se informar da ocupa\u00e7\u00e3o portuguesa em territ\u00f3rio espanhol, ap\u00f3s a Uni\u00e3o Ib\u00e9rica. No meio da viagem o padre Fritz adoeceu e pediu para ser levado para Bel\u00e9m para receber melhores cuidados. Estranhamente ele preferiu seguir doente para Bel\u00e9m, que era mais longe e estava em territ\u00f3rio inimigo, do que regressar para Quito e se tratar com seus irm\u00e3os espanhois. Em Bel\u00e9m, com ajuda do j\u00e1 citado Pfeil, companheiro de Ordem, mas a servi\u00e7o da coroa portuguesa, Fritz preparou o primeiro mapa detalhado do Solim\u00f5es (1691) e Amazonas (1707), <em>El gran rio Mara\u00f1on,<\/em>[1]\u00a0que teria sido repassado a La Condamine (ver adiante).<\/p>\n<p>Interrogado sobre sua vinda a Bel\u00e9m, o padre Fritz alegou que era para mapear toda a regi\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rio_Solim%C3%B5es\">rio Solim\u00f5es<\/a>\u00a0e do\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rio_Amazonas\">rio Amazonas<\/a> e passar essas informa\u00e7\u00f5es e mapas para a coroa espanhola. Dando essa resposta, ele foi aprisionado no\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Col%C3%A9gio_dos_Jesu%C3%ADtas\">Col\u00e9gio dos Jesu\u00edtas<\/a>. Mas em abril de 1691 chegou a autoriza\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Pedro_II_de_Portugal\">D. Pedro II<\/a>\u00a0liberando-o para retornar \u00e0s suas miss\u00f5es. Ao chegar a Quito e entregar seus mapas, Fritz denunciou ao Vice-Rei do Peru a presen\u00e7a de sertanistas lusos que subiam o rio Solim\u00f5es e o rio Mara\u00f1on. Mas a conquista do rio Solim\u00f5es pelos portugueses logo se consumaria, entre 1709 e 1710.<\/p>\n<p>Fato \u00e9 que os jesu\u00edtas pertenciam todos a uma mesma Ordem, em que uns estavam a servi\u00e7o da coroa portuguesa, outros, da coroa espanhola. Os interesses ora divergentes entre as coroas, al\u00e9m da interfer\u00eancia das quest\u00f5es temporais nas fun\u00e7\u00f5es espirituais de mission\u00e1rios, criavam dilemas complicados.[2]\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 fato que a resist\u00eancia \u00e0 invas\u00e3o lusitana foi s\u00f3 dos jesu\u00edtas que trabalhavam para o governo espanhol e pelos \u00edndios por eles convertidos em algumas miss\u00f5es como a Mayn\u00e1s no Alto Amazonas (1638), Guaranis (1626) e Sete Povos (1680) no sul, Moxos e Chiquitos na Bol\u00edvia (1690); entre par\u00eanteses o ano da funda\u00e7\u00e3o das miss\u00f5es. Por fim, o pr\u00f3prio rei Carlos III da Espanha (rei de 1759 a 1788) expulsaria a Companhia de Jesus em 1767 da Espanha e suas col\u00f4nias, selando assim o total abandono da regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Portugal, por sua vez, foi favorecido por contar na regi\u00e3o amaz\u00f4nica conquistada, com uma rede fluvial que dava acesso, atrav\u00e9s das bacias amaz\u00f4nica e platina ao Oceano Atl\u00e2ntico e facilitaria a expans\u00e3o para todas as dire\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Fritz n\u00e3o chegou a ter forma\u00e7\u00e3o cartogr\u00e1fica como os jesu\u00edtas portugueses, mas trabalhou nisso com base na experi\u00eancia de navegar o Amazonas e medindo latitudes ao longo do rio observando o Sol com um quadrante. No mapa citava aldeias, miss\u00f5es e povos ind\u00edgenas em todo o seu trajeto. Al\u00e9m de trabalhar como cart\u00f3grafo, tamb\u00e9m desempenhou papel relevante na catequiza\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios povos ind\u00edgenas das v\u00e1rzeas do alto Solim\u00f5es. Em maio de 1693, ele regressou \u00e0s suas miss\u00f5es, dando continuidade \u00e0 catequiza\u00e7\u00e3o e ao enriquecimento de seu mapa, explorando v\u00e1rios afluentes do\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rio_Solim%C3%B5es\">rio Solim\u00f5es<\/a>. Durante todo os seus anos de vida, Fritz se empenhou na prote\u00e7\u00e3o dos \u00edndios e na luta contra as investidas portuguesas, buscando amigos jesu\u00edtas nas prov\u00edncias portuguesas do Par\u00e1 e do Maranh\u00e3o.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\">Notas<\/h5>\n<h6 id=\"1-cortesao-jaime-a-cartografia-amazonica-durante-o-seculo-xvii-terra-brasilis-nova-serie-14-1-17-2020-https-doi-org-10-4000-terrabrasilis-6994-figura-11-mapa-geographica-del-rio-maranon\">[1] Cortes\u00e3o, Jaime, A cartografia amaz\u00f4nica durante o s\u00e9culo XVII, <em>Terra Brasilis <\/em>(Nova S\u00e9rie), 14, 1-17, 2020, <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.4000\/terrabrasilis.6994.%20\">https:\/\/doi.org\/10.4000\/terrabrasilis.6994<\/a>. Figura 11. <em>Mapa geographica del rio Mara\u00f1on<\/em> e Figura 12. Mapa do rio Amazonas, ambos do padre Fritz.<\/h6>\n<h6 id=\"2-herzog-tamar-frontiers-of-possession-spain-and-portugal-in-europe-and-the-americas-cambridge-massachusetts-harvard-university-press-2015\">[2] Herzog, Tamar, <em>Frontiers of Possession. Spain and Portugal in Europe and the Americas<\/em>, Cambridge, Massachusetts, Harvard University Press, 2015.<\/h6>\n<h6 id=\"https-books-google-com-br-booksidduqabqaaqbajlpgpa78otsmasy7afh8mdqaloisio%20pfeilpgpa75vonepageqffalse\"><a href=\"https:\/\/books.google.com.br\/books?id=duqaBQAAQBAJ&amp;lpg=PA78&amp;ots=MASY7afh8M&amp;dq=aloisio%20pfeil&amp;pg=PA75#v=onepage&amp;q&amp;f=false\">https:\/\/books.google.com.br\/books?id=duqaBQAAQBAJ&amp;lpg=PA78&amp;ots=MASY7afh8M&amp;dq=aloisio%20pfeil&amp;pg=PA75#v=onepage&amp;q&amp;f=false<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Em 1689 o padre Fritz come\u00e7ou a descer o Amazonas e, mesmo&hellip;\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[144],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2654"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2654"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2654\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2655,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2654\/revisions\/2655"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2654"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2654"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2654"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}