{"id":2658,"date":"2022-08-22T15:05:10","date_gmt":"2022-08-22T15:05:10","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2658"},"modified":"2022-08-23T10:19:37","modified_gmt":"2022-08-23T10:19:37","slug":"charles-marie-de-la-condamine-1701-1774","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2658","title":{"rendered":"Charles-Marie de La Condamine (1701-1774)"},"content":{"rendered":"<p>La Condamine\u00a0foi um cientista e explorador\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fran%C3%A7a\">franc\u00eas<\/a>. Participando de trabalhos da Academia de Ci\u00eancias de Paris como assistente de laborat\u00f3rio de Qu\u00edmica, tornou-se membro da mesma em <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1730\">1730<\/a>.<\/p>\n<p>Depois de ter estudado\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Astronomia\">Astronomia<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Geodesia\">Geod\u00e9sia<\/a>, em <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1735\">1735<\/a>\u00a0foi encarregado pela\u00a0Academia de participar de uma expedi\u00e7\u00e3o ao Equador,\u00a0tendo como objectivo central a determina\u00e7\u00e3o precisa do tamanho\u00a0do\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Meridiano_(geodesia)\">arco meridiano<\/a>\u00a0de 1\u00ba nas proximidades do <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Equador_(Geografia)\">equador<\/a>. Com esse objetivo se confirmaria a hip\u00f3tese de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Newton\">Newton<\/a>, do achatamento da\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Terra\">Terra<\/a>\u00a0nos polos. Ao mesmo tempo foi enviada uma outra expedi\u00e7\u00e3o para a\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Lap%C3%B3nia\">Lap\u00f4nia<\/a>, no norte da Escandin\u00e1via,\u00a0para fazer as mesmas medi\u00e7\u00f5es perto do polo Norte. La Condamine objetivava fazer tamb\u00e9m pesquisas em Hist\u00f3ria Natural e conhecer o rio Amazonas. Esta \u00faltima tarefa ele realizaria ap\u00f3s o t\u00e9rmino da medi\u00e7\u00e3o do arco meridiano no Equador.<\/p>\n<p>A expedi\u00e7\u00e3o era franco-espanhola. A equipe francesa partiu em 1735 e chegou em Guaiaquil, no Equador, em 1736. A medi\u00e7\u00e3o do arco meridiano foi numa regi\u00e3o montanhosa e hostil, e apenas terminou em agosto de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1739\">1739<\/a>. A conviv\u00eancia na equipe foi se degradando at\u00e9 que os membros decidiram se separar e prosseguir os trabalhos independentemente. Felizmente os trabalhos da medi\u00e7\u00e3o do arco foram dados por conclu\u00eddos em\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1743\">1743<\/a>, sete anos ap\u00f3s a chegada da equipe ao\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Equador\">Equador<\/a>.<\/p>\n<p>O resultado cient\u00edfico dessa expedi\u00e7\u00e3o, em confronto com os dados obtidos na Lap\u00f4nia, veio provar sem sombra de d\u00favida a tese de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Newton\">Newton<\/a>,\u00a0de que a\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Terra\">Terra<\/a>\u00a0\u00e9 achatada nos polos. Esse j\u00e1 era o resultado esperado, de acordo com os resultados de Richer obtidos mais de 70 anos antes. Mas devemos admitir que o m\u00e9todo utilizado era diferente.<\/p>\n<p>Terminado o trabalho geod\u00e9sico, La Condamine deixou Quito em maio de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1743\">1743<\/a>\u00a0e dirigiu-se \u00e0s cabeceiras do\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rio_Amazonas\">rio Amazonas<\/a>. No percurso at\u00e9 a foz, fez um levantamento do rio, fazendo observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas dos sat\u00e9lites de J\u00fapiter, quando podia, para determinar a longitude. Tamb\u00e9m estudou a vegeta\u00e7\u00e3o e a antropologia dos povos que encontrava, interessando-se em especial pela\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Seringueira\">seringueira<\/a>\u00a0e pelo uso do\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Curare\">curare<\/a>.<\/p>\n<p>Em\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/19_de_Setembro\">setembro<\/a>\u00a0de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1743\">1743<\/a>\u00a0chegou a\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bel%C3%A9m_do_Par%C3%A1\">Bel\u00e9m do Par\u00e1<\/a>, onde permaneceu algum tempo fazendo observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas e informando-se sobre o uso da\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Borracha\">borracha<\/a>. Uma das coisas que chamou sua aten\u00e7\u00e3o foi uma\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bola\">bola<\/a>\u00a0feita com <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/L%C3%A1tex\">l\u00e1tex<\/a> que quicava, algo que na \u00e9poca era surpreendente, parecendo contrariar a lei da gravidade.<\/p>\n<p>Partindo por via mar\u00edtima para\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Cayenne\">Caiena<\/a>, l\u00e1 chegou em\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/25_de_Fevereiro\">fevereiro<\/a>\u00a0de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1744\">1744<\/a>, tendo de a\u00ed permanecer por cinco meses por falta de uma embarca\u00e7\u00e3o que o conduzisse \u00e0 Europa. No per\u00edodo em que permaneceu em Caiena, continuou suas observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas e estudou o movimento do p\u00eandulo nas regi\u00f5es equatoriais. Tamb\u00e9m se interessou pela vegeta\u00e7\u00e3o e etnografia local. Partiu para Amsterd\u00e3 em agosto de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1744\">1744<\/a>, chegando \u00e0quela cidade em\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/30_de_Novembro\">novembro<\/a>\u00a0daquele ano.<\/p>\n<p>Nessa longa viagem coletou informa\u00e7\u00f5es relevantes sobre o Equador\u00a0e a\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Amaz%C3%B3nia\">Amaz\u00f4nia<\/a>, dentre elas as que lhe permitiram fazer uma primeira descri\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Cinchona\">quina<\/a>, \u00e1rvore de onde se extrai o\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Quinino\">quinino<\/a>, da\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Seringueira\">seringueira<\/a>\u00a0e do\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Curare\">curare<\/a>, o famoso veneno utilizado pelos\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Amer%C3%ADndio\">amer\u00edndios<\/a>\u00a0nas suas flechas.<\/p>\n<p>Em\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/26_de_Fevereiro\">fevereiro<\/a>\u00a0de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1745\">1745<\/a>\u00a0chegou a Paris trazendo uma colec\u00e7\u00e3o de mais de 200 \u00edtens de hist\u00f3ria natural e antropologia da\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bacia_amaz%C3%B3nica\">bacia amaz\u00f4nica<\/a>, incluindo a primeira amostra de curare trazida para a Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Publicou um relato [1] da sua viagem, acompanhado das medi\u00e7\u00f5es feitas e de um mapa [2]\u00a0do curso do\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Rio_Amazonas\">rio Amazonas<\/a>, <em>Carte du cours du Maragnon. <\/em><\/p>\n<p>Um di\u00e1rio circunstanciado das suas observa\u00e7\u00f5es durante a viagem \u00e0\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Am%C3%A9rica_do_Sul\">Am\u00e9rica do Sul<\/a>\u00a0foi publicado em Paris no ano de\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1751\">1751<\/a>. Tamb\u00e9m publicou (1745) em espanhol, um relato circunstanciado da sua passagem pela Am\u00e9rica do Sul. Devido a essa publica\u00e7\u00e3o, La Condamine que sobreviveu aos colegas da expedi\u00e7\u00e3o, beneficiando-se da sua capacidade de escrever, do poliglotismo e sociabilidade, acabou recebendo do p\u00fablico o cr\u00e9dito quase total pelo \u00eaxito da expedi\u00e7\u00e3o, apesar de ser bem menos versado em Astronomia e Matem\u00e1tica do que os seus colegas.<\/p>\n<p>Acerca do conhecimento adquirido por Condamine sobre a natureza amaz\u00f4nica, inclusive por observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas, uma interessante an\u00e1lise [3]\u00a0foi feita sobre a adapta\u00e7\u00e3o est\u00e9tica do mesmo aos padr\u00f5es textuais e cartogr\u00e1ficos europeus, assim como sobre a sua apropria\u00e7\u00e3o e incorpora\u00e7\u00e3o arrogantemente seletiva no saber europeu, obliterando as origens, principalmente de culturas nativas.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\">Notas<\/h5>\n<h6 id=\"1-la-condamine-charles-marie-de-relation-abregee-dun-voyage-fait-dans-linterieur-de-lamerique-meridionale-depuis-la-cote-de-la-mer-du-sud-jusques-aux-cotes-du-bresil-a\">[1] La Condamine, Charles-Marie de, Relation abr\u00e9g\u00e9e d\u2019un voyage fait dans l\u2019int\u00e9rieur de l\u2019Am\u00e9rique m\u00e9ridionale depuis la c\u00f4te de la mer du Sud, jusques aux c\u00f4tes du Br\u00e9sil &amp; de la Guiane, en descendant la rivi\u00e8re des Amazones, <em>M\u00e9moires de l&#8217;Acad\u00e9mie Royale des Sciences<\/em>, 391-492, Paris, Veuve Pissot, <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/1745\">1745<\/a>.<\/h6>\n<h6 id=\"2-cortesao-jaime-a-cartografia-amazonica-durante-o-seculo-xvii-terra-brasilis-nova-serie-14-1-17-2020-https-doi-org-10-4000-terrabrasilis-6994-a-figura-13-carte-du-cours-du-maragnon-ou\">[2] Cortes\u00e3o, Jaime, A cartografia amaz\u00f4nica durante o s\u00e9culo XVII, <em>Terra Brasilis <\/em>(Nova S\u00e9rie), 14, 1-17, 2020, <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.4000\/terrabrasilis.6994.%20\">https:\/\/doi.org\/10.4000\/terrabrasilis.6994<\/a>. A Figura 13, <em>Carte du cours du Maragnon ou de la grande rivi\u00e8re des Amazones<\/em> \u00e9 de La Condamine.<\/h6>\n<h6 id=\"3-safier-neil-measuring-the-new-world-enlightenment-science-and-south-america-chicago-university-of-chicago-press-2008\">[3] Safier, Neil, Measuring the new world: enlightenment science and South America, Chicago, University of Chicago Press, 2008.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"La Condamine\u00a0foi um cientista e explorador\u00a0franc\u00eas. 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