{"id":2665,"date":"2022-08-22T19:38:14","date_gmt":"2022-08-22T19:38:14","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2665"},"modified":"2022-10-07T11:28:16","modified_gmt":"2022-10-07T11:28:16","slug":"rotas-oficiais-de-transporte-do-ouro-e-ilegalidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2665","title":{"rendered":"Rotas oficiais de transporte do ouro e ilegalidades"},"content":{"rendered":"<p>A pol\u00edtica do pacto colonial que vigorou na Am\u00e9rica espanhola colonial (assim como na Am\u00e9rica portuguesa), definiu rotas espec\u00edficas do transporte do ouro americano para Sevilha, \u00fanico porto autorizado para a recep\u00e7\u00e3o dessa mercadoria na Europa. Quase na totalidade, as poss\u00edveis rotas mar\u00edtimas eram pelo Atl\u00e2ntico. Os portos autorizados ao envio na Am\u00e9rica eram Veracruz, no Golfo do M\u00e9xico; Porto Belo no istmo do Panam\u00e1, j\u00e1 no lado do Caribe e Cartagena, na Col\u00f4mbia. O escoamento do ouro pelo Pac\u00edfico era poss\u00edvel, mas tinha o inconveniente da dist\u00e2ncia maior. O caminho fluvial ou terrestre pelo rio da Prata ou pelo Peaberu eram, portanto, ilegais e seu uso era clandestino.<\/p>\n<p>Apesar da ilegalidade (e certamente por causa dela), j\u00e1 desde o in\u00edcio da Uni\u00e3o Ib\u00e9rica a rota da prata de Potos\u00ed pelo rio da Prata era atraente para os brasileiros e luso-brasileiros, assim como para os comerciantes espanhois de Buenos Aires. Criavam-se la\u00e7os de interesses comerciais e de cumplicidade entre s\u00faditos de diferentes coroas. Da parte da coroa, a tarefa de coibir o contrabando constitu\u00eda um esfor\u00e7o \u00e1rduo e quase in\u00fatil, sobretudo entre os espanhois que comerciavam metais preciosos.[1]\n<p>O Caminho do Peaberu era uma rede transoce\u00e2nica de trilhas pr\u00e9-coloniais, ligando o Atl\u00e2ntico ao Pac\u00edfico: do lado do Pac\u00edfico, Potos\u00ed na Bol\u00edvia ou Cusco no Peru e, do lado do Atl\u00e2ntico, a ilha de Santa Catarina ou S\u00e3o Vicente (SP). Essa eficiente rota terrestre teria sido usada pelos colonizadores espanhois nos s\u00e9culos 16 e 17 para o transporte intensivo da prata pela <em>Carrera de Indias<\/em>, de Potosi at\u00e9 Sevilha.[2] Tomando precau\u00e7\u00f5es contra a pirataria e o corso na caminhada terrestre, essa via oferecia vantagens sobre outras rotas alternativas pelo rio da Prata, ou atravessando o istmo do Panam\u00e1 ou o Estreito de Magalh\u00e3es, ou navegando de Arica pelo Pac\u00edfico. Ao final do s\u00e9culo 17 as minas j\u00e1 estavam esgotadas, sobretudo pela am\u00e1lgama r\u00e1pida da prata com o merc\u00fario, tamb\u00e9m encontrado nas proximidades. Mas, durante a Uni\u00e3o Ib\u00e9rica, uma rota terrestre entrela\u00e7ada com a liga\u00e7\u00e3o fluvial pelos rios Tiet\u00ea e Paran\u00e1 formou o <em>camino proibido de San Pablo<\/em> que, n\u00e3o obstante, foi usado pelos <em>peruleros<\/em> (peruanos que praticavam contrabando) para estabelecer uma intensa conex\u00e3o comercial luso-castelhana entre a Capitania de S\u00e3o Vicente e a Prov\u00edncia do Paraguai.[3]\u00a0Dizem que em 1637 <em>peruleros<\/em> peruanos e bolivianos teriam trazido ao Rio de Janeiro o culto a Nossa Senhora de Copacabana, que d\u00e1 nome \u00e0 famosa praia carioca.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\">Notas<\/h5>\n<h6 id=\"1-stella-roseli-santaella-o-dominio-espanhol-no-brasil-durante-a-monarquia-dos-felipes-1580-1640-editora-unibero-sao-paulo-2000\">[1] Stella, Roseli Santaella, <em>O Dom\u00ednio Espanhol no Brasil durante a Monarquia dos Felipes<\/em>, 1580-1640, Editora Unibero, S\u00e3o Paulo, 2000.<\/h6>\n<h6 id=\"2-deveza-felipe-o-caminho-da-prata-de-potosi-ate-sevilha-seculos-xvi-e-xvii-navigator-4-79-87-2006\">[2] Deveza, Felipe, O caminho da prata de Potosi at\u00e9 Sevilha (s\u00e9culos XVI e XVII), <em>Navigator<\/em>, 4, 79-87, 2006.<\/h6>\n<h6 id=\"3-vilardaga-jose-carlos-na-bagagem-dos-peruleros-mercadoria-de-contrabando-e-o-caminho-proibido-de-sao-paulo-ao-paraguai-na-primeira-metade-do-seculo-xvii-anais-do-museu-paulista-25-1-127-147\">[3] Vilardaga, Jos\u00e9 Carlos, Na bagagem dos peruleros: mercadoria de contrabando e o caminho proibido de S\u00e3o Paulo ao Paraguai na primeira metade do s\u00e9culo XVII, <em>Anais do Museu Paulista<\/em>, 25, 1, 127-147, 2017. https:\/\/www.scielo.br\/j\/anaismp\/a\/ymksfr69JxCYNdbLvHjFJnN\/?format=pdf&amp;lang=pt<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"A pol\u00edtica do pacto colonial que vigorou na Am\u00e9rica espanhola colonial (assim&hellip;\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[144],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2665"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2665"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2665\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3274,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2665\/revisions\/3274"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}