{"id":2704,"date":"2022-08-22T20:05:17","date_gmt":"2022-08-22T20:05:17","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2704"},"modified":"2022-08-23T10:14:41","modified_gmt":"2022-08-23T10:14:41","slug":"p-jose-monteiro-da-rocha-1734-1810","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2704","title":{"rendered":"P. Jos\u00e9 Monteiro da Rocha (1734-1810)"},"content":{"rendered":"<p>O matem\u00e1tico e astr\u00f4nomo portugu\u00eas Jos\u00e9 Monteiro da Rocha (1734-1819) veio ainda crian\u00e7a para o Brasil e foi educado pelos jesu\u00edtas no Col\u00e9gio da Bahia. Entrou na ordem em 1752 aos 18 anos, e obteve forma\u00e7\u00e3o inicial em Matem\u00e1tica e Astronomia no Col\u00e9gio dos Jesu\u00edtas em Salvador. Estudou Matem\u00e1tica na Faculdade de Matem\u00e1tica do Col\u00e9gio da Bahia, fundada em 1757, onde depois foi professor.<\/p>\n<p>Na expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas de Portugal e suas col\u00f4nias, encetada por Pombal em 1759, abandonou a Companhia de Jesus e se ordenou padre secular na Bah\u00eda, em 1760. Regressou a Portugal para frequentar a Universidade de Coimbra entre 1766 e 1770, onde se formou em Direito Can\u00f4nico. Em vista do seu interesse pelas ci\u00eancias, foi recomendado pelo reitor da universidade ao Marqu\u00eas de Pombal como pessoa competente para organizar a nova Faculdade de Matem\u00e1tica criada com a Reforma de 1772. Monteiro da Rocha colaborou na reda\u00e7\u00e3o dos estatutos da universidade reformada, na parte referente \u00e0s Ci\u00eancias Naturais e \u00e0 Matem\u00e1tica. Em 1772 obteve o grau de doutor em Matem\u00e1tica, juntamente com o j\u00e1 citado Miguel Antonio Ciera que j\u00e1 tinha participado da comiss\u00e3o de demarca\u00e7\u00e3o de limites entre 1752 e 1756 e, depois, foi grande colaborador de Monteiro da Rocha. Com o doutoramento, ambos foram incorporados ao corpo docente da Faculdade de Matem\u00e1tica.<\/p>\n<p>Mesmo os escritos iniciais de Monteiro da Rocha, que s\u00f3 mais recentemente passaram a ser analisados, j\u00e1 demonstram que ele estava a par dos avan\u00e7os cient\u00edficos de seu tempo.<\/p>\n<p>Um deles \u00e9 o \u201cSistema F\u00edsico-Matem\u00e1tico dos Cometas\u201d, escrito em 1760 quando Monteiro da Rocha era professor no Col\u00e9gio da Bahia. O manuscrito foi achado casualmente pelo historiador Carlos Ziller Camenietzki na Biblioteca P\u00fablica de \u00c9vora, em Portugal, quando era pesquisador do Museu de Astronomia e Ci\u00eancias Afins, do Rio de Janeiro. Trata-se de um texto did\u00e1tico, elaborado por ocasi\u00e3o da passagem do cometa Halley em 1759, acerca da natureza f\u00edsica dos cometas (assunto ainda controverso na \u00e9poca) e o c\u00e1lculo, feito de modo simplificado, das efem\u00e9rides desse cometa j\u00e1 utilizando a Teoria da Gravita\u00e7\u00e3o Universal de Newton.[1]\n<p>Num manuscrito de 1765 ou 1766, escrito talvez ainda no Brasil, ele abordou o problema da determina\u00e7\u00e3o da longitude pelo m\u00e9todo das dist\u00e2ncias lunares (<span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2706\"><strong>Determina\u00e7\u00e3o da longitude pela dist\u00e2ncia lunar<\/strong><\/a><\/span>), onde apresentou ideias originais modificando a observa\u00e7\u00e3o e os c\u00e1lculos. Infelizmente esse trabalho n\u00e3o foi publicado.[2]\n<p>Al\u00e9m de participar da reforma do sistema de ensino no per\u00edodo pombalino, Monteiro da Rocha tamb\u00e9m foi o fundador e primeiro diretor do Observat\u00f3rio Astron\u00f4mico da Faculdade de Matem\u00e1tica da Universidade de Coimbra (demolido na d\u00e9cada de 1940), vice-reitor da Universidade e conselheiro do pr\u00edncipe regente D. Jo\u00e3o, futuro D. Jo\u00e3o VI. O Observat\u00f3rio foi inaugurado em 1799, muito tarde em compara\u00e7\u00e3o com outros observat\u00f3rios nacionais. O primeiro do pa\u00eds ligado a universidade, mas com caracter\u00edsticas de um observat\u00f3rio nacional, visava aos problemas de Navega\u00e7\u00e3o, Geod\u00e9sia e Cartografia, observa\u00e7\u00f5es <em>astrom\u00e9tricas<\/em> (Astrometria \u00e9 o ramo da Astronomia voltado \u00e0 medi\u00e7\u00e3o precisa da posi\u00e7\u00e3o e movimentos dos astros), c\u00e1lculo e publica\u00e7\u00e3o de efem\u00e9rides. A Academia Real das Ci\u00eancias de Lisboa foi fundada em 1779, tamb\u00e9m muito tardiamente.<\/p>\n<p>Por ter recebido toda a forma\u00e7\u00e3o em Matem\u00e1tica na Faculdade de Matem\u00e1tica do Col\u00e9gio da Bahia, a carreira acad\u00eamica de Monteiro da Rocha bem atesta a excel\u00eancia do ensino brasileiro que pleiteava a cria\u00e7\u00e3o de uma universidade, pedido que era sistematicamente negado.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\">Notas<\/h5>\n<h6 id=\"1-rocha-jose-monteiro-da-sistema-fisico-matematico-dos-cometas-edicao-atualizada-introducao-e-apendice-por-carlos-ziller-camenietzki-e-fabio-mendonca-pedrosa-rio-de-janeiro-mast-2000\">[1] Rocha, Jos\u00e9 Monteiro da, <em>Sistema F\u00edsico-Matem\u00e1tico dos Cometas<\/em>, Edi\u00e7\u00e3o atualizada, introdu\u00e7\u00e3o e ap\u00eandice por Carlos Ziller Camenietzki e F\u00e1bio Mendon\u00e7a Pedrosa, Rio de Janeiro, MAST, 2000.<\/h6>\n<h6 id=\"2-figueiredo-fernando-b-e-duarte-antonio-leal-jose-monteiro-da-rocha-1734-1819-um-matematico-ao-servico-do-estado-comemoracao-do-bicentenario-da-sua-morte-2019-gazeta-de-matematica-192\">[2] Figueiredo, Fernando B. e Duarte, Ant\u00f3nio Leal, Jos\u00e9 Monteiro da Rocha (1734-1819). Um Matem\u00e1tico ao servi\u00e7o do Estado. Comemora\u00e7\u00e3o do Bicenten\u00e1rio da sua morte (2019), <em>Gazeta de Matem\u00e1tica<\/em>, 192, 8-16, 2020.<\/h6>\n<h6 id=\"https-gazeta-spm-pt-getartigogid1561\"><a href=\"https:\/\/gazeta.spm.pt\/getArtigo?gid=1561\">https:\/\/gazeta.spm.pt\/getArtigo?gid=1561<\/a><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O matem\u00e1tico e astr\u00f4nomo portugu\u00eas Jos\u00e9 Monteiro da Rocha (1734-1819) veio ainda&hellip;\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[144],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2704"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2704"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2704\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2708,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2704\/revisions\/2708"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2704"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2704"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2704"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}