{"id":2711,"date":"2022-08-22T20:10:04","date_gmt":"2022-08-22T20:10:04","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2711"},"modified":"2022-08-23T10:13:49","modified_gmt":"2022-08-23T10:13:49","slug":"os-astronomos-sanches-dorta-e-oliveira-barbosa-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2711","title":{"rendered":"Os astr\u00f4nomos Sanches Dorta e Oliveira Barbosa no Brasil"},"content":{"rendered":"<p>O astr\u00f4nomo portugu\u00eas Bento Sanches Dorta (1739-1794) estudou Matem\u00e1tica na Universidade de Coimbra e foi s\u00f3cio correspondente da rec\u00e9m-criada Academia Real das Ci\u00eancias de Lisboa. Ele e Francisco de Oliveira Barbosa (1749-c.1806), nascido no Rio de Janeiro, tamb\u00e9m formado em Matem\u00e1tica pela Universidade de Coimbra, foram enviados em 1781 para o Brasil, sob a supervis\u00e3o do nosso conhecido Miguel Ciera, lente da Faculdade de Matem\u00e1tica da rec\u00e9m reformada Universidade de Coimbra, para empreenderem uma miss\u00e3o para a demarca\u00e7\u00e3o dos limites na regi\u00e3o sul do Brasil [1]\u00a0nos termos do Tratado de Santo Ildefonso. Ciera j\u00e1 tinha iniciado esse projeto entre 1752 e 1756, mas seguindo os termos do Tratado de Madri.<\/p>\n<p>Ao partirem de Lisboa, Dorta e Barbosa receberam uma cole\u00e7\u00e3o de instrumentos que a rainha adquiriu e mandou entregar. Eis a lista [2]: um quadrante, uma p\u00eandula de meio segundo, dois \u00f3culos acrom\u00e1ticos com o pedestal e mais pe\u00e7as para observa\u00e7\u00e3o dos sat\u00e9lites de J\u00fapiter, uma agulha (magn\u00e9tica) grande azimutal com o seu pedestal mais pe\u00e7as anexas; duas agulhas pequenas, um instrumento circular de reflex\u00e3o para observa\u00e7\u00e3o de dist\u00e2ncias, um rel\u00f3gio de algibeira para indicar segundos; um estojo matem\u00e1tico completo e um sextante n\u00e1utico para observar as alturas e dist\u00e2ncias angulares dos astros. Al\u00e9m disso, apetrechos para desenhos e reparo dos instrumentos.<\/p>\n<p>Era para logo seguirem para o sul, no entanto permaneceram sete anos no Rio de Janeiro, onde instalaram os instrumentos que trouxeram nas ru\u00ednas da igreja do Col\u00e9gio dos Jesu\u00edtas, no Morro do Castelo. A\u00ed, como vimos, Capassi e Soares j\u00e1 tinham improvisado um observat\u00f3rio astron\u00f4mico em 1730. Nesse observat\u00f3rio Dorta e Barbosa realizaram observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas, meteorol\u00f3gicas e magn\u00e9ticas com exemplar assiduidade. Tamb\u00e9m determinaram a latitude e a longitude utilizando o m\u00e9todo de observa\u00e7\u00e3o dos sat\u00e9lites de J\u00fapiter. Os sat\u00e9lites eram observados com um \u00f3culo (luneta) acrom\u00e1tico de Dollon de 17 polegadas de foco. Para o controle da hora local era utilizada uma p\u00eandula que era regulada diariamente por observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas. Nesse mesmo local se instalaria o Imperial Observat\u00f3rio do Rio de Janeiro entre 1846 e 1850, onde permaneceria at\u00e9 a mudan\u00e7a em 1922 para o Morro de S\u00e3o Janu\u00e1rio, no bairro de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o.<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es magn\u00e9ticas foram feitas assiduamente durante 7 anos e os dados foram recentemente analisados,[3]\u00a0pois constituem uma rara s\u00e9rie temporal que, embora de curta dura\u00e7\u00e3o, representa um conjunto de medi\u00e7\u00f5es obtidas em observat\u00f3rio estacion\u00e1rio. A maioria dos dados obtidos desde o s\u00e9culo 16 foi obtida em embarca\u00e7\u00f5es cruzando oceanos. Tamb\u00e9m eram poucas as esta\u00e7\u00f5es magn\u00e9ticas na Europa naquela \u00e9poca.<\/p>\n<p>Essas observa\u00e7\u00f5es sistem\u00e1ticas feitas com instrumentos de boa qualidade, constitu\u00edram o ponto alto da vinda desses astr\u00f4nomos ao Brasil.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s estes estudos no Rio de Janeiro, os dois seguiram para S\u00e3o Paulo em 1788, onde fizeram observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas e meteorol\u00f3gicas cujos resultados foram publicados nas Mem\u00f3rias da Academia Real das Ci\u00eancias de Lisboa.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, Dorta tamb\u00e9m aplicou os conhecimentos qu\u00edmicos que aprendera em Coimbra, com o seu mestre Domingos Vandelli (1735-1816) e, durante nove anos analisou as virtudes das \u00e1guas de riachos e fontes da cidade, sob ordens do Governador e Capit\u00e3o de S\u00e3o Paulo, Bernardo Jos\u00e9 Maria Lorena e Silveira (1756-1818), o conde de Sarzedas. Esse conde fez construir a Cal\u00e7ada do Lorena na estrada velha de Santos. Outro trabalho em que Dorta se envolveu foi a elabora\u00e7\u00e3o de um relat\u00f3rio de observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas para facilitar a entrada de navios na ba\u00eda de Santos. Dorta faleceu em S\u00e3o Paulo em 1794.<\/p>\n<p>Barbosa determinou as coordenadas de Santos e de outras cidades litor\u00e2neas em 1790, fazendo tamb\u00e9m medi\u00e7\u00f5es magn\u00e9ticas; fez previs\u00e3o de eclipses lunares para 1790, 1793 e 1794 vis\u00edveis de S\u00e3o Paulo, fez previs\u00f5es para o <em>tr\u00e2nsito<\/em> de Mercurio (passagem desse planeta na frente do disco solar) de 5\/11\/1789.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\">Notas<\/h5>\n<h6 id=\"1-sem-autor-matematicos-e-astronomos-da-reforma-pombalina-historia-da-ciencia-na-uc-universidade-de-coimbra\">[1] Sem autor, Matem\u00e1ticos e Astr\u00f3nomos da Reforma Pombalina, Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia na UC, Universidade de Coimbra.<\/h6>\n<h6 id=\"https-www-uc-pt-org-historia_ciencia_na_uc-textos-brasileiros-matematicos\"><a href=\"https:\/\/www.uc.pt\/org\/historia_ciencia_na_uc\/Textos\/brasileiros\/matematicos\">https:\/\/www.uc.pt\/org\/historia_ciencia_na_uc\/Textos\/brasileiros\/matematicos<\/a><\/h6>\n<h6 id=\"2-gesteira-heloisa-meireles-observacoes-astronomicas-e-fisicas-no-rio-de-janeiro-setecentista-1781-1787-boletim-sbhc-5-2015\">[2] Gesteira, Heloisa Meireles, Observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas e f\u00edsicas no Rio de Janeiro setecentista (1781-1787), <em>Boletim SBHC<\/em>, 5, 2015.<\/h6>\n<h6 id=\"https-www-sbhc-org-br-conteudo-viewid_conteudo838\"><a href=\"https:\/\/www.sbhc.org.br\/conteudo\/view?ID_CONTEUDO=838\">https:\/\/www.sbhc.org.br\/conteudo\/view?ID_CONTEUDO=838<\/a><\/h6>\n<h6 id=\"3-vaquero-j-m-and-trigo-r-m-results-of-the-rio-de-janeiro-magnetic-observations-1781-1788-annales-geophysicae-23-1881-1887-2005\">[3] Vaquero, J. M. and Trigo, R. M., Results of the Rio de Janeiro magnetic observations 1781\u20131788, <em>Annales Geophysicae<\/em>, 23, 1881\u20131887, 2005.<\/h6>\n<h6 id=\"chrome-extension-efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj-https-angeo-copernicus-org-articles-23-1881-2005-angeo-23-1881-2005-pdf\">chrome-extension:\/\/efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj\/https:\/\/angeo.copernicus.org\/articles\/23\/1881\/2005\/angeo-23-1881-2005.pdf<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O astr\u00f4nomo portugu\u00eas Bento Sanches Dorta (1739-1794) estudou Matem\u00e1tica na Universidade de&hellip;\n","protected":false},"author":44,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[144],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2711"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/44"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2711"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2711\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2989,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2711\/revisions\/2989"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2711"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2711"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2711"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}