{"id":2843,"date":"2022-07-25T08:00:08","date_gmt":"2022-07-25T08:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2843"},"modified":"2023-09-01T10:29:50","modified_gmt":"2023-09-01T10:29:50","slug":"ciencia-a-sombra-das-arvores-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2843","title":{"rendered":"Ci\u00eancia \u00e0 sombra das \u00e1rvores"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"amazonia-acumula-conhecimento-cientifico-fundamental-para-o-pais\"><span style=\"color: #808080;\">Amaz\u00f4nia acumula conhecimento cient\u00edfico fundamental para o pa\u00eds<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"amazonia-amazoniaquem-te-amanas-quebradas-do-silencio%e2%88%92-capoeira-mato-adentro-terras-do-sem-fim-uma-cunha-violada-cava-a-cavaenterra-o-uirapuru-baleado-por-grileirosque-com\" style=\"text-align: right;\"><em>Amaz\u00f4nia! Amaz\u00f4nia!<br \/>\n<\/em><em>Quem te ama?<br \/>\n<\/em><em>Nas quebradas do sil\u00eancio<br \/>\n<\/em><em>\u2212 capoeira, mato adentro, terras do sem fim \u2013<br \/>\n<\/em><em>uma cunha violada cava a cava,<br \/>\n<\/em><em>enterra o Uirapuru baleado por grileiros<br \/>\n<\/em><em>que com posseiros disputaram a terra,<br \/>\n<\/em><em>e ouve uma can\u00e7\u00e3o de consumo em videotape&#8230;<br \/>\n<\/em>Loureiro (1985)[1]<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 s\u00e9culos a Amaz\u00f4nia faz parte do imagin\u00e1rio de pessoas espalhadas pelo mundo inteiro e muitas delas s\u00f3 a conhecem por filmes, fotografias, novelas e s\u00e9ries televisas. Proliferam as propostas para seu desenvolvimento sustent\u00e1vel, vindas de diferentes institui\u00e7\u00f5es nacionais e estrangeiras. Cr\u00f4nicas de descobrimento, relat\u00f3rios de viagens cient\u00edficas, obras liter\u00e1rias de cronistas de viagem e de mission\u00e1rios nos s\u00e9culos XVI e XVII apresentavam a Amaz\u00f4nia como um cen\u00e1rio grandioso e misterioso.\u00a0Atualmente, a Amaz\u00f4nia abriga grandes e m\u00e9dias cidades, mais de 180 povos ind\u00edgenas, mais de mil comunidades quilombolas, seringueiros e outras comunidades tradicionais em meio \u00e0 floresta e \u00e1reas\u00a0ilegalmente desmatadas (Figura 1).<\/p>\n<p>As imagens constru\u00eddas por muitos desses primeiros viajantes ajudaram a compor estere\u00f3tipos a respeito da regi\u00e3o. Nelson Sanjad, pesquisador do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/museugoeldi\/pt-br\">Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi<\/a><\/span> (MPEG), aponta que desde o in\u00edcio da coloniza\u00e7\u00e3o os agentes da Coroa portuguesa tiveram clara percep\u00e7\u00e3o da diversidade biol\u00f3gica e cultural da Amaz\u00f4nia. Cabe destacar que, como nos primeiros s\u00e9culos ap\u00f3s o descobrimento da Am\u00e9rica, os limites n\u00e3o eram claros, parte das pesquisas eram feitas em territ\u00f3rios do bioma Amaz\u00f4nia no Brasil e em pa\u00edses lim\u00edtrofes. Por isso ocorreram expedi\u00e7\u00f5es longas e complexas para demarcar os limites amaz\u00f4nicos, a partir de 1753 at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-2847\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura1-300x221.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"369\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura1-300x221.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura1-1024x756.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura1-768x567.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura1-1536x1134.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura1-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura1-800x591.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura1-1160x856.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura1.jpg 1597w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-1-sinuca-no-porto-de-manausmanoel-marques-2008-fonte-bernd-mariana-pinturas-de-paisagem-amazonica-e-a-construcao-de-um-imaginario-da-cultura-popular-sao-paulo-2011-dissertacao\"><strong>Figura 1. Sinuca no porto de Manaus<br \/>\n<\/strong>(Manoel Marques. 2008. Fonte: Bernd, Mariana. Pinturas de paisagem amaz\u00f4nica e a constru\u00e7\u00e3o de um imagin\u00e1rio da cultura popular. S\u00e3o Paulo, 2011. Disserta\u00e7\u00e3o \u2013 FAU\/USP. 196 pp., 181 ils. <a href=\"https:\/\/www.marianabernd.com\/pesquisa\">https:\/\/www.marianabernd.com\/pesquisa<\/a>)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 muito conhecimento cient\u00edfico sobre esta floresta \u00famida que cobre a maior parte da Bacia Amaz\u00f4nica da Am\u00e9rica do Sul, da qual 60% de seus 5,5 milh\u00f5es de km<sup>2<\/sup> se encontram no Brasil.[2] Os outros 40% se distribuem por sete pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul (Bol\u00edvia, Peru, Equador, Col\u00f4mbia, Venezuela, Guiana e Suriname) e um europeu, a Fran\u00e7a, que se faz presente por meio do departamento ultramarino Guyane (aqui denominado Guiana Francesa). No s\u00e9culo XIX, v\u00e1rios pesquisadores foram atra\u00eddos pela Amaz\u00f4nia e ocorreram v\u00e1rias expedi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas (Quadro 1). Destaque especial deve ser dado \u00e0 cientista alem\u00e3 Emilia Snethlage, primeira mulher a ocupar um cargo como pesquisadora em uma institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica brasileira, o Museu Paraense (atual <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/museugoeldi\/pt-br\">Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi<\/a><\/span>), fundado em 1866 (Figura 2). A contribui\u00e7\u00e3o de colaboradores locais (ind\u00edgenas, ribeirinhos, escravizados, imigrantes, &#8230;) foi decisiva para as expedi\u00e7\u00f5es naturalistas (e continua sendo), inclusive do ponto de vista de contribui\u00e7\u00f5es importantes para o conhecimento cient\u00edfico.[3]\n<h6 id=\"quadro-1-principais-iniciativas-cientificas-na-amazonia-que-contribuiram-para-o-conhecimento-dos-recursos-naturais-na-regiao-ate-1870\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-2857\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/quadro.jpg\" alt=\"\" width=\"667\" height=\"900\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/quadro.jpg 968w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/quadro-222x300.jpg 222w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/quadro-759x1024.jpg 759w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/quadro-768x1036.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/quadro-9x12.jpg 9w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/quadro-800x1079.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 667px) 100vw, 667px\" \/><strong>Quadro 1: Principais iniciativas cient\u00edficas na Amaz\u00f4nia que contribu\u00edram para o conhecimento dos recursos naturais na regi\u00e3o (at\u00e9 1870).<\/strong><\/h6>\n<h6 id=\"a-conforme-aponta-henrique-s-carneiro-em-historia-da-ciencia-da-tecnica-e-do-trabalho-no-brasil-nuevo-mundo-mundos-nuevos-en-linea-bibliografias-2002-puesto-en-linea-e\"><span style=\"color: #808080;\">a)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Conforme aponta Henrique S. Carneiro em Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia, da T\u00e9cnica e do Trabalho no Brasil. Nuevo Mundo Mundos Nuevos [En l\u00ednea], Bibliograf\u00edas, 2002, Puesto en l\u00ednea el 09 f\u00e9vrier 2005. URL : http:\/\/nuevomundo.revues.org\/index573.html.<\/span><br \/>\n<span style=\"color: #808080;\">b)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sobre esse tema ver Machado, M.H.P.T., 2007. A ci\u00eancia norte-americana visita a Amaz\u00f4nia:\u00a0 entre o criacionismo crist\u00e3o e o poligenismo \u201cdegeneracionista\u201d. Revista USP, S\u00e3o Paulo, n.75, p. 68-75, setembro\/novembro; e Keila Gringberg, 2009. O racismo de Louis Agassiz. Mat\u00e9ria publicada em 11\/12\/2009. Dispon\u00edvel em https:\/\/cienciahoje.org.br\/coluna\/o-racismo-de-louis-agassiz\/.<\/span><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sob outra perspectiva, Marilene da Silva Freitas, professora titular da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufam.edu.br\/\">Universidade Federal do Amazonas<\/a> <\/span>(UFAM) e coordenadora do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ppgsca.ufam.edu.br\/laboratorio.html\">Laborat\u00f3rio de Estudos Interdisciplinares das Ci\u00eancias Sociais na Amaz\u00f4nia do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o Sociedade e Cultura na Amaz\u00f4nia<\/a><\/span> (PGSCA), afirma: \u201c\u00e9 um esc\u00e2ndalo que 65% das fam\u00edlias amazonenses sofram atualmente com a escassez de alimentos, conforme levantamento realizado pelo <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ibge.gov.br\/\">Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edsticas<\/a> <\/span>(IBGE)\u201d, problema que tem sido agravado pelas cheias severas registradas nos rios do Amazonas em 2022.<\/p>\n<h3 id=\"seculo-xx-ate-hoje-ciencia-para-a-amazonia-desenvolvida-na-amazonia\"><strong>S\u00e9culo XX at\u00e9 hoje \u2013 Ci\u00eancia para a Amaz\u00f4nia desenvolvida na Amaz\u00f4nia <\/strong><\/h3>\n<p>Se do s\u00e9culo XVI ao XIX a ci\u00eancia na Amaz\u00f4nia se pautou pelos estudos de recursos naturais dispon\u00edveis, na virada do s\u00e9culo XIX para o s\u00e9culo XX o foco passa a ser o desenvolvimento da regi\u00e3o. O ciclo da borracha, que se iniciara em 1880 atraindo milhares de pessoas para a regi\u00e3o, provocou um r\u00e1pido crescimento de cidades como Manaus e Bel\u00e9m, que passaram a contar com energia el\u00e9trica, linhas de bondes el\u00e9tricos, servi\u00e7os de telefonia, \u00e1gua encanada, sistema de esgoto e ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Em consequ\u00eancia do <em>boom<\/em> da economia extrativista do l\u00e1tex, a ci\u00eancia na Amaz\u00f4nia tamb\u00e9m se desenvolveu. A Escola Livre de Instru\u00e7\u00e3o Militar do Amazonas, criada em 1908, foi transformada em Escola Universit\u00e1ria Livre de Man\u00e1os, em 1909,[4] e depois em Universidade de Manaus, em 1913, para ent\u00e3o ser desativada em 1926.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"nesse-inicio-do-seculo-xxi-sustentabilidade-tornou-se-objetivo-e-meta-de-inumeros-projetos-e-produtos-mudancas-no-clima-impactos-ambientais-pandemia-da-covid-19-crescimento-de-movimentos\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">\u201cNesse in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, sustentabilidade tornou-se objetivo e meta de in\u00fameros projetos e produtos. Mudan\u00e7as no clima, impactos ambientais, pandemia da covid-19, crescimento de movimentos migrat\u00f3rio e de pol\u00edticas de xenofobia t\u00eam marcado a hist\u00f3ria mundial recente.\u201d<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como parte de uma proposta pol\u00edtica de expans\u00e3o demogr\u00e1fica e econ\u00f4mica, o Presidente Get\u00falio Vargas criou a Escola de Engenharia do Par\u00e1 (1931), num projeto de industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, e o Instituto Agron\u00f4mico do Norte (IAN &#8211; 1939),[5] com a fun\u00e7\u00e3o de impulsionar a agricultura em substitui\u00e7\u00e3o ao extrativismo da borracha. Destaca-se tamb\u00e9m nesta \u00e9poca a proposta de cria\u00e7\u00e3o do Instituto Internacional da Hil\u00e9ia Amaz\u00f4nica (IIHA), aprovada em 1946 em sess\u00e3o da Confer\u00eancia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o, a Ci\u00eancia e a Cultura (Unesco) em Paris. O IIHA deveria reunir Bol\u00edvia, Peru, Equador, Col\u00f4mbia, Venezuela, Fran\u00e7a, Gr\u00e3-Bretanha e Holanda, pa\u00edses com interesses imediatos na regi\u00e3o, e foi proposta por Paulo Estev\u00e3o de Berredo Carneiro, cientista e representante brasileiro na Unesco. Ap\u00f3s in\u00fameras idas e vindas, a Conven\u00e7\u00e3o Constitutiva do IIHA foi arquivada pela C\u00e2mara dos Deputados em 1951, sem nunca ter sido levada \u00e0 vota\u00e7\u00e3o no plen\u00e1rio.[6]\n<p>Ao longo do s\u00e9culo XX, destacam-se tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/inpa\/pt-br\">Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia<\/a><\/span> (INPA &#8211; 1952); e da Superintend\u00eancia da Borracha (Sudhevea \u2013 1967), convertida, em fevereiro de 1989, junto com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), a Secretaria Especial do Meio Ambiente (Sema) e a Superintend\u00eancia de Pesca (Sudepe), em <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.ibama.gov.br\/index.php\">Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis<\/a><\/span> (Ibama). No in\u00edcio do s\u00e9culo XXI h\u00e1 ainda a cria\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www2.uea.edu.br\/\">Universidade do Estado do Amazonas<\/a><\/span> (UEA \u2013 2001), da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.fapeam.am.gov.br\/\">Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Amazonas<\/a><\/span> (FAPEAM \u2013 2002) e do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www2.ifam.edu.br\/\">Instituto Federal de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia do Amazonas<\/a><\/span> (IFAM \u2013 2008).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-2848\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura2-155x300.jpg\" alt=\"\" width=\"258\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura2-155x300.jpg 155w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura2-529x1024.jpg 529w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura2-768x1487.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura2-793x1536.jpg 793w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura2-6x12.jpg 6w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura2-800x1549.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura2.jpg 825w\" sizes=\"(max-width: 258px) 100vw, 258px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-2-lista-de-cargos-e-funcoes-do-museu-goeldi-no-ano-de-1908-no-qual-a-dra-emilia-snethlage-e-identificada-como-emilio-snethlagecolecao-almanak-hemeroteca-digital-1908-extraido-de-albert\"><strong>Figura 2. Lista de cargos e fun\u00e7\u00f5es do Museu Goeldi no ano de 1908, no qual a Dra. Emilia Snethlage \u00e9 identificada como Emilio Snethlage<br \/>\n<\/strong>(Cole\u00e7\u00e3o Almanak. Hemeroteca Digital [1908]. Extra\u00eddo de Alberto, D.; Sanjad, N. Em\u00edlia Snethlage (1868-1929) e as raz\u00f5es para comemorar seus 150 anos de nascimento. Bol. Mus. Para. Em\u00edlio Goeldi. Cienc. Hum., Bel\u00e9m, v. 14, n. 3, p. 1047-1070, set.-dez. 2019)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cabe destacar a cria\u00e7\u00e3o em 2009, do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/museudaamazonia.org.br\/pt\/\">Museu da Amaz\u00f4nia<\/a> <\/span>(Musa), que ocupa 100 hectares da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ppbio.inpa.gov.br\/sitios\/ducke\">Reserva Florestal Adolpho Ducke<\/a><\/span>, do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/inpa\/pt-br\">INPA<\/a><\/span>, em Manaus. Bel\u00e9m j\u00e1 possu\u00eda o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/museugoeldi\/pt-br\">MPEG<\/a><\/span> desde do s\u00e9culo XIX e, como apontam Velthem e Candotti (2019) na <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.museu-goeldi.br\/assuntos\/publicacao\/museu-goeldi-150-anos-de-ciencia-na-amazonia.pdf\/view\">publica\u00e7\u00e3o<\/a><\/span> comemorando seus 150 anos, atualmente os museus e suas cole\u00e7\u00f5es devem permitir um necess\u00e1rio ir e vir entre pesquisadores, colecionadores, t\u00e9cnicos e interlocutores. No caso da Amaz\u00f4nia, povos ind\u00edgenas devem poder acessar o que foi dito, escrito, coletado sobre eles e entre eles iniciativas que visam o desenvolvimento e devem ser parceiros na estrutura\u00e7\u00e3o e na documenta\u00e7\u00e3o dos itens de patrim\u00f4nio que foram musealizados. E essa \u00e9 a proposta do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/museudaamazonia.org.br\/pt\/\">Musa<\/a><\/span>, um museu a c\u00e9u aberto, de cultura e mem\u00f3ria popular. Ennio Candotti, diretor do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/museudaamazonia.org.br\/pt\/\">Musa<\/a><\/span>, destaca que museus a c\u00e9u aberto existem desde o final do s\u00e9culo XIX em grandes centros ou distantes deles, principalmente em comunidades ind\u00edgenas, quilombolas, ribeirinhas, de quebradeiras de coco, de pescadores e de pequenos agricultores tradicionais, entre outros. O Brasil abriga v\u00e1rios deles, incluindo o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.googleadservices.com\/pagead\/aclk?sa=L&amp;ai=DChcSEwj3-sjhvIL5AhVGT0gAHZe-A9IYABAAGgJjZQ&amp;ae=2&amp;ohost=www.google.com&amp;cid=CAESauD2n_kyPQUUlaxavNHfWASk4d-9N-xWATbiXsswGW3O1twO3BdlxJR7pw6AR9gBwufbqmaGY_-LyEL7hXO3p_WLt_MI8g9kd8lM-jXIg_P6RbS5N3CpVLQw9clxWtgsmdMOazMfC3olmQM&amp;sig=AOD64_2lnq0bnExT9ns-Qrjl9BE_QV0IKg&amp;q&amp;adurl&amp;ved=2ahUKEwjlvsHhvIL5AhVUt5UCHQbpBbYQ0Qx6BAgDEAE\">Inhotim<\/a><\/span>, maior museu a c\u00e9u aberto do mundo.<\/p>\n<p>Candotti, que foi presidente da <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/portal.sbpcnet.org.br\/\">Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia<\/a><\/span> (SBPC) por quatro mandatos, aponta que a diferen\u00e7a do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/museudaamazonia.org.br\/pt\/\">Musa<\/a><\/span> para outros museus a c\u00e9u aberto \u00e9 que \u201cas \u00e1rvores da floresta do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/museudaamazonia.org.br\/pt\/\">Musa<\/a><\/span> s\u00e3o originais, est\u00e3o no ecossistema onde se encontram h\u00e1 mil\u00eanios, contam uma hist\u00f3ria evolutiva de milhares ou milh\u00f5es de anos\u201d. Ganhador do Pr\u00eamio Kalinga de Populariza\u00e7\u00e3o da Ci\u00eancia, concedido pela Unesco, e um dos fundadores da <em>International Union of Scientific Communicators<\/em>, associa\u00e7\u00e3o com sede em Mumbai, Candotti aponta que um desafio do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/museudaamazonia.org.br\/pt\/\">Musa<\/a><\/span>, e de outros museus <em>in situ<\/em>, \u00e9 contar esta hist\u00f3ria evolutiva (da filogenia) com exemplos ao vivo em seu ecossistema original. Os museus ao ar livre ou jardins bot\u00e2nicos <em>ex situ<\/em> em geral apresentam c\u00f3pias, que &#8220;imitam&#8221; os originais e est\u00e3o localizados em ecossistemas artificialmente adaptados para que cres\u00e7am: \u201cmas os polinizadores, insetos fungos microrganismos n\u00e3o s\u00e3o originais\u201d, salienta.<\/p>\n<h3 id=\"a-ciencia-na-amazonia-estrategias-antigas-olhares-modernos\"><strong>A Ci\u00eancia na Amaz\u00f4nia: estrat\u00e9gias antigas, olhares modernos<\/strong><\/h3>\n<p>Nesse in\u00edcio do s\u00e9culo XXI, sustentabilidade tornou-se objetivo e meta de in\u00fameros projetos e produtos. Mudan\u00e7as no clima, impactos ambientais, pandemia da covid-19, crescimento de movimentos migrat\u00f3rio e de pol\u00edticas de xenofobia t\u00eam marcado a hist\u00f3ria mundial recente. Alternativas s\u00e3o apontadas e o termo bioeconomia tornou-se obrigat\u00f3rio nas discuss\u00f5es sobre desenvolvimento sustent\u00e1vel. A Amaz\u00f4nia, considerada a \u00e1rea de maior diversidade no planeta, tornou-se a menina dos olhos de segmentos que incluem o vice-presidente da Rep\u00fablica General Mour\u00e3o, a Frente Parlamentar da Bioeconomia (que n\u00e3o conta em sua Comiss\u00e3o Executiva com nenhum representante da Amaz\u00f4nia) e diversos representantes do Agro brasileiro. Nurit Bensusan, ec\u00f3loga e coordenadora do tema Biodiversidade do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.googleadservices.com\/pagead\/aclk?sa=L&amp;ai=DChcSEwiQ7oKTvYL5AhUabpEKHXWNByAYABAAGgJjZQ&amp;ae=2&amp;ohost=www.google.com&amp;cid=CAESauD2QdfW5H5JRZZ3QQZs1veMNp1EX6w5Y6ZwwxhgqEP6cwdxRHp90RhbkSeILhQXAQ0SlYW5CkaZiXFuMZA8GIe0FQx89R1GHdTBGq7vzF0pSzULxJmllGjAk4s2bWJvgtQpvIizWDp6mFM&amp;sig=AOD64_1GZwVDKPdPYZo7VNu3ykdB-VcTlA&amp;q&amp;adurl&amp;ved=2ahUKEwid-PuSvYL5AhUDqJUCHbhzDAcQ0Qx6BAgDEAE\">Instituto Socioambiental<\/a><\/span> (ISA), em entrevista recente ao <em>\u201cO Joio e o Trigo\u201d<\/em> aponta acertadamente que o termo bioeconomia n\u00e3o \u00e9 uma novidade, mas do jeito que as discuss\u00f5es est\u00e3o sendo feitas est\u00e3o sendo ignorados \u201co trabalho que as popula\u00e7\u00f5es tradicionais j\u00e1 faziam, buscando valoriza\u00e7\u00e3o dos recursos, e conhecimentos dos territ\u00f3rios onde est\u00e3o\u201d (Figura 3).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"e-preciso-conceber-construir-pensar-coletivamente-criando-espacos-onde-os-saberes-dessas-populacoes-dialoguem-em-condicoes-de-igualdade-com-o-conhecimento-cientifico-sem-que-seja-consider\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">\u201c\u00c9 preciso conceber, construir, pensar coletivamente, criando espa\u00e7os onde os saberes dessas popula\u00e7\u00f5es dialoguem em condi\u00e7\u00f5es de igualdade com o conhecimento cient\u00edfico, sem que seja considerado subsidi\u00e1rio ou subalterno\u201d.<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Freitas assinala que \u201ca abordagem interdisciplinar de problemas como pobreza, meio ambiente, desenvolvimento, entre outros, permite que a pesquisa na Amaz\u00f4nia tenha outro foco, e que a Amaz\u00f4nia n\u00e3o seja apenas um lugar de realiza\u00e7\u00e3o das pesquisas de pessoas muito bem intencionadas, claro, mas que n\u00e3o t\u00eam nenhuma inser\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o e nem pretendem ter\u201d.<\/p>\n<p>Num esfor\u00e7o de conciliar conhecimento cient\u00edfico com valoriza\u00e7\u00e3o do conhecimento local, in\u00fameros projetos de desenvolvimento j\u00e1 foram \u2013 e continuam sendo \u2013 propostos. Muitos defendem o uso de tecnologias de ponta para promover o desenvolvimento na regi\u00e3o, alguns envolvem institui\u00e7\u00f5es da Amaz\u00f4nia como o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/imazon.org.br\/\">Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia<\/a><\/span> (Imazon) e o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.gov.br\/inpa\/pt-br\">INPA<\/a><\/span>. Destaca-se aqui o Programa Terceira via Amaz\u00f4nica \u2013 <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/arapyau.org.br\/amazonia-4-0\/\">Amaz\u00f4nia 4.0<\/a><\/span>, liderado pelo meteorologista Carlos Nobre, com dire\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do bi\u00f3logo Ismael Nobre, al\u00e9m de outros membros do Grupo de Pesquisa Amaz\u00f4nia em Transforma\u00e7\u00e3o, do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.iea.usp.br\/\">Instituto de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade de S\u00e3o Paulo<\/a><\/span> (IEA\/USP). O <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/arapyau.org.br\/amazonia-4-0\/\">Amaz\u00f4nia 4.0<\/a><\/span> \u00e9 resultado de uma parceria do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.iea.usp.br\/\">IEA-USP<\/a><\/span> com o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/imazon.org.br\/\">Imazon<\/a><\/span>, com financiamento do<span style=\"color: #800000;\"> <a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/arapyau.org.br\/\">Instituto Arapya\u00fa<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-2851\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura3-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"375\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura3-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura3-1024x768.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura3-768x576.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura3-1536x1152.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura3-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura3-800x600.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura3-1160x870.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/07\/CC-3-edicao-reportagem-Cie\u0302ncia-a\u0300-sombra-das-a\u0301rvores-figura3.jpg 1575w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-3-curso-de-gestao-territorial-realizado-em-julho-de-2022-pelo-instituto-socioambiental-isa-na-reserva-extrativista-resex-do-iriri-na-terra-do-meio-para-em-parceria-com-as-associacoes-do\"><span style=\"color: #000000;\"><strong>Figura 3. Curso de gest\u00e3o territorial<\/strong><strong> realizado em julho de 2022 pelo Instituto Socioambiental (ISA), na Reserva Extrativista (Resex) do Iriri, na Terra do Meio, Par\u00e1 em parceria com as Associa\u00e7\u00f5es dos Moradores das Resex e com a Universidade Federal do Oeste do Par\u00e1 (UFOPA).<br \/>\n<\/strong>(ISA. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/span><\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Carlos Nobre, pesquisador colaborador do <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.iea.usp.br\/\">IEA-USP<\/a><\/span>, o <span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/arapyau.org.br\/amazonia-4-0\/\">Amaz\u00f4nia 4.0<\/a><\/span> visa \u201ctrazer inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas da ind\u00fastria 4.0 para agregar valor aos produtos da biodiversidade da Amaz\u00f4nia, mas que tem pouqu\u00edssima penetra\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e continua at\u00e9 hoje nos mercados de produtos alimentares, para as ind\u00fastrias para f\u00e1rmacos, e combinar com conhecimentos ancestrais dos povos ind\u00edgenas e comunidades locais que h\u00e1 mil\u00eanios vivem com a floresta em p\u00e9, tiram da floresta em p\u00e9 todo seu bem-estar social, ambiental, econ\u00f4mico e de sa\u00fade\u201d. Nobre destaca o papel dos Laborat\u00f3rios Criativos da Amaz\u00f4nia cujo objetivo \u00e9 \u201cdemonstrar na pr\u00e1tica, n\u00e3o s\u00f3 na teoria, que \u00e9 poss\u00edvel levar para a Amaz\u00f4nia modernas tecnologias da ind\u00fastria 4.0 para agrega\u00e7\u00e3o de valor aos produtos de v\u00e1rias cadeias de produtos da floresta\u201d.<\/p>\n<p>O primeiro Laborat\u00f3rio ser\u00e1 levado para quatro comunidades da Amaz\u00f4nia que ser\u00e3o capacitadas para o desenvolvimento de ecossistemas de inova\u00e7\u00e3o, sustentabilidade e neg\u00f3cios sustent\u00e1veis, sendo tr\u00eas para a cadeia do cacau e um para a cadeia do cupua\u00e7u. S\u00e3o iniciativas importantes cujo sucesso depende tamb\u00e9m do di\u00e1logo e da compreens\u00e3o dos anseios das popula\u00e7\u00f5es locais. Como aponta Bensusan, \u201c\u00e9 preciso conceber, construir, pensar coletivamente, criando espa\u00e7os onde os saberes dessas popula\u00e7\u00f5es dialoguem em condi\u00e7\u00f5es de igualdade com o conhecimento cient\u00edfico, sem que seja considerado subsidi\u00e1rio ou subalterno\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"nao-faz-sentido-dizer-que-vamos-repensar-a-economia-da-amazonia-se-ela-nao-for-uma-nova-economia-de-fato-com-o-protagonismo-dos-povos-da-floresta-e-nao-usando-esses-povos-e-seus-conheciment\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">\u201cN\u00e3o faz sentido dizer que vamos repensar a economia da Amaz\u00f4nia, se ela n\u00e3o for uma nova economia de fato, com o protagonismo dos povos da floresta e n\u00e3o usando esses povos e seus conhecimentos como subs\u00eddio para economia que preda a s\u00f3cio-biodiversidade.\u201d<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bensusan, que no momento da elabora\u00e7\u00e3o desta mat\u00e9ria se encontrava na Reserva Extrativista do Iriri, Altamira (PA), aponta que n\u00e3o faz sentido dizer que vamos repensar a economia da Amaz\u00f4nia, se ela n\u00e3o for uma nova economia de fato, com o protagonismo dos povos da floresta e n\u00e3o usando esses povos e seus conhecimentos como subs\u00eddio para economia que preda a s\u00f3cio-biodiversidade, subalterniza essas comunidades e serve apenas aos mesmos de sempre. E acrescenta, \u201cesses povos possuem conhecimento valioso ecol\u00f3gico, que eles usam para manejar as esp\u00e9cies com que trabalham e cuja produ\u00e7\u00e3o pode ser valorizada, incluindo em seu pre\u00e7o a manuten\u00e7\u00e3o da integridade da floresta e de seus servi\u00e7os ambientais. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um gigantesco cabedal de conhecimentos que em parcerias equitativas entre comunidades, pesquisadores e empresas, com incentivo e fomento \u00e0 pesquisa, poderia gerar inova\u00e7\u00e3o a partir da biodiversidade amaz\u00f4nica\u201d. Afinal, pensar cientificamente exige uma rela\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca com a realidade.<\/p>\n<hr \/>\n<h5 id=\"notas\"><span style=\"color: #808080;\"><strong>Notas<\/strong><\/span><\/h5>\n<h5 id=\"1-loureiro-j-de-j-p-cantares-amazonicos-1-ed-sao-paulo-sp-roswitha-kempf-editores-1985\"><span style=\"color: #808080;\">[1] Loureiro, J. de J. P. Cantares amaz\u00f4nicos. 1. ed. S\u00e3o Paulo, SP: Roswitha Kempf Editores, 1985.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"2-no-brasil-o-termo-amazonia-se-refere-ora-a-formacao-florestal-ora-a-regiao-geografica-ora-ao-bioma-e-ora-ao-conceito-instituido-pelo-governo-brasileiro-a-amazonia-legal-que-ab\"><span style=\"color: #808080;\">[2] No Brasil, o termo Amaz\u00f4nia se refere ora \u00e0 forma\u00e7\u00e3o florestal, ora \u00e0 regi\u00e3o geogr\u00e1fica, ora ao bioma e ora ao conceito institu\u00eddo pelo governo brasileiro \u2013 a Amaz\u00f4nia Legal &#8211; que abrange aproximadamente 5 milh\u00f5es de km\u00b2 de florestas e biomas, incluindo a Floresta Amaz\u00f4nica brasileira, parte do Pantanal e parte do Cerrado, ocupando 61% do territ\u00f3rio nacional, e se estendendo pelos estados do Acre, Amazonas, Rond\u00f4nia, Par\u00e1, Mato Grosso, Amap\u00e1, Tocantins e Maranh\u00e3o.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"3-moreira-ildeu-de-castro-o-escravo-do-naturalista-ciencia-hoje-v-31-n-184-p-40-48\"><span style=\"color: #808080;\">[3] Moreira, Ildeu de Castro. O Escravo do Naturalista, Ci\u00eancia Hoje v. 31, n. 184, p. 40-48.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"4-cabe-destacar-que-embora-a-universidade-federal-do-amazonas-ufam-tenha-sido-criada-em-junho-de-1962-o-conselho-diretor-da-fundacao-ufam-decidiu-que-a-data-de-comemoracao-da-instalacao-da-univer\"><span style=\"color: #808080;\">[4] Cabe destacar que embora a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) tenha sido criada em junho de 1962, o Conselho Diretor da Funda\u00e7\u00e3o UFAM decidiu que a data de comemora\u00e7\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o da universidade seria a mesma data cria\u00e7\u00e3o da primeira universidade brasileira, a Escola Universit\u00e1ria Livre de Man\u00e1os. Com isso, a UFAM tem sido considerada a universidade mais antiga do Brasil, antecedendo a Universidade Federal do Paran\u00e1, criada em mar\u00e7o de 1913.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"5-o-ian-realizava-experimentos-no-para-amazonas-maranhao-piaui-e-nos-entao-territorios-do-amapa-rio-branco-acre-e-rondonia\"><span style=\"color: #808080;\">[5] O IAN realizava experimentos no Par\u00e1, Amazonas, Maranh\u00e3o, Piau\u00ed e nos ent\u00e3o territ\u00f3rios do Amap\u00e1, Rio Branco, Acre e Rond\u00f4nia.<\/span><\/h5>\n<h5 id=\"6-detalhes-sobre-a-proposta-de-criacao-do-iiha-podem-ser-encontrados-em-magalhaes-r-c-s-maio-m-c-desenvolvimento-ciencia-e-politica-o-debate-sobre-a-criacao-do-instituto-internacional-da-hile\"><span style=\"color: #808080;\">[6] Detalhes sobre a proposta de cria\u00e7\u00e3o do IIHA podem ser encontrados em Magalh\u00e3es, R.C.S.; Maio, M.C. Desenvolvimento, ci\u00eancia e pol\u00edtica: o debate sobre a cria\u00e7\u00e3o do Instituto Internacional da Hil\u00e9ia Amaz\u00f4nica. Hist\u00f3ria, Ci\u00eancias, Sa\u00fade \u2013 Manguinhos, Rio de Janeiro, v.14, suplemento, p.169-189, dez. 2007.<\/span><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"imagem-de-capa-conhecimento-cientifico-e-saberes-dos-povos-originarios-sao-essenciais-para-avanco-da-ciencia-na-regiao-e-em-todo-o-brasiljunior-reis-unsplash-com-reproducao\"><strong>Imagem de capa:\u00a0 Conhecimento cient\u00edfico e saberes dos povos origin\u00e1rios s\u00e3o essenciais para avan\u00e7o da ci\u00eancia na regi\u00e3o e em todo o Brasil<br \/>\n<\/strong>(Junior Reis\/ Unsplash.com. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"assad-leonor-ciencia-a-sombra-das-arvores-amazonia-acumula-conhecimento-cientifico-fundamental-para-o-pais-cienc-cult-online-2022-vol-74-n-3-citado-2023-09-01-pp-1-7\"><span style=\"color: #808080;\"><em>ASSAD, Leonor.<span class=\"article-title\">\u00a0Ci\u00eancia \u00e0 sombra das \u00e1rvores: Amaz\u00f4nia acumula conhecimento cient\u00edfico fundamental para o pa\u00eds.<\/span>\u00a0Cienc. Cult.\u00a0[online]. 2022, vol.74, n.3 [citado\u00a0 2023-09-01], pp.1-7. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252022000300012&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20220049.<\/em><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Amaz\u00f4nia acumula conhecimento cient\u00edfico fundamental para o pa\u00eds &nbsp; Amaz\u00f4nia! Amaz\u00f4nia! 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