{"id":3213,"date":"2022-09-19T07:59:28","date_gmt":"2022-09-19T07:59:28","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3213"},"modified":"2023-09-01T10:34:36","modified_gmt":"2023-09-01T10:34:36","slug":"uma-historia-em-livros-caminhos-para-conhecer-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3213","title":{"rendered":"Uma hist\u00f3ria em livros, caminhos para conhecer o Brasil"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"e-se-tivessemos-que-fazer-uma-lista-de-livros-mais-marcantes-da-ciencia-brasileira-quais-seriam-as-obras-mais-relevantes\"><span style=\"color: #808080;\">E se tiv\u00e9ssemos que fazer uma lista de livros mais marcantes da ci\u00eancia brasileira? Quais seriam as obras mais relevantes?<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando nos perguntamos se os livros mais importantes da Literatura brasileira, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil elencar ao menos 10 t\u00edtulos que estabeleceram divisores de \u00e1guas: \u201c<em>Grande sert\u00e3o Veredas\u201d<\/em>, de Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa; \u201c<em>Mem\u00f3rias p\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas\u201d<\/em> e \u201c<em>Dom Casmurro\u201d<\/em>, de Machado de Assis; \u201c<em>Vidas secas\u201d<\/em>, de Graciliano Ramos, \u201c<em>Macuna\u00edma\u201d<\/em>, de M\u00e1rio de Andrade, \u201c<em>A hora da estrela\u201d<\/em>, de Clarice Lispector, entre outros. Mas, e se tiv\u00e9ssemos que fazer uma lista de livros mais marcantes da ci\u00eancia brasileira? Quais seriam as obras mais relevantes? Esta \u00e9 uma pergunta que certamente enseja as mais diversas respostas, listas diversas, conforme os crit\u00e9rios e predile\u00e7\u00f5es de quem responde. O texto a seguir \u00e9 uma, entre tantas possibilidades.<\/p>\n<p>No Brasil, a circula\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o de livros de ci\u00eancia de autores brasileiros ocorreram mais tardiamente quando comparado \u00e0s col\u00f4nias espanholas da Am\u00e9rica, que mais rapidamente estabeleceram universidades. Conforme explica Richard Miskolci, professor\u00a0de Sociologia do Departamento de Medicina Preventiva da <strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unifesp.br\/\">Universidade Federal de S\u00e3o Paulo<\/a><\/span><\/strong> (Unifesp),\u00a0antes da d\u00e9cada de 1930 n\u00e3o t\u00ednhamos isso de forma consolidada e predominava uma produ\u00e7\u00e3o independente e\/ou vinculada \u00e0s faculdades de medicina e direito, j\u00e1 que elas concentravam a institucionaliza\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 obras relevantes feitas nessa \u00e9poca e sua cientificidade tem que ser reconhecida, mas a partir da cria\u00e7\u00e3o de universidades, departamentos e programas especializados que ela adquire o grau de profissionalismo necess\u00e1rio para igualar-nos ao que se produzia nos Estados Unidos ou Europa\u201d, pontua.<\/p>\n<p>Assim, seria poss\u00edvel falar em obras de refer\u00eancia no passado, algumas criadas na fase em que n\u00e3o t\u00ednhamos um sistema universit\u00e1rio de produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e, finalmente, a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica institucionalizada ap\u00f3s a partir da d\u00e9cada de 1930. \u201cSem d\u00favida, a produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica se intensifica e ganha maior relev\u00e2ncia internacional a partir da cria\u00e7\u00e3o do sistema nacional de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, come\u00e7ando na d\u00e9cada de 1960. \u00c9 fundamental ter em mente que ci\u00eancia \u00e9 algo dependente de institui\u00e7\u00f5es, pol\u00edticas e as respectivas condi\u00e7\u00f5es para ser produzida e disseminada\u201d, afirma o soci\u00f3logo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3215\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura-1-190x300.jpg\" alt=\"\" width=\"317\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura-1-190x300.jpg 190w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura-1-649x1024.jpg 649w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura-1-768x1213.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura-1-973x1536.jpg 973w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura-1-8x12.jpg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura-1-800x1263.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura-1.jpg 1000w\" sizes=\"(max-width: 317px) 100vw, 317px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-1-litografia-por-von-martius-parte-do-livro-flora-brasiliensisreproducao\"><strong>Figura 1. Litografia por von Martius, parte do livro <em>\u201cFlora Brasiliensis\u201d<br \/>\n<\/em><\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As primeiras institui\u00e7\u00f5es de pesquisa surgem no Brasil no s\u00e9culo XIX, ligadas \u00e0 \u00e1rea de sa\u00fade, como o <strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.bio.fiocruz.br\/index.php\/br\/home\/quem-somos\">Instituto Manguinhos<\/a><\/span><\/strong>, no Rio de Janeiro, ou o <strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.ial.sp.gov.br\/\">Instituto Adolfo Lutz<\/a><\/span><\/strong>, em S\u00e3o Paulo, j\u00e1 na virada para o s\u00e9culo XX. O desenvolvimento da economia do caf\u00e9 tamb\u00e9m impulsiona a cria\u00e7\u00e3o de centros de pesquisa como o <strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/www.biologico.sp.gov.br\/\">Instituto Biol\u00f3gico<\/a><\/span><\/strong> e o Instituto <strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.iac.sp.gov.br\/\">Agron\u00f4mico de Campinas<\/a><\/span><\/strong> (IAC), ambos no Estado de S\u00e3o Paulo. \u201cTodas elas t\u00eam em comum o objetivo de resolver quest\u00f5es muito pr\u00e1ticas, seja de sa\u00fade p\u00fablica, seja o combate de pragas ou o desenvolvimento de novas esp\u00e9cies para a agricultura\u201d, disse o cientista social Simon Schwartzman, autor de obra cl\u00e1ssica sobre a hist\u00f3ria da ci\u00eancia brasileira, \u201c<em>Forma\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica no Brasil\u201d <\/em>(1979), em epis\u00f3dio do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2936\">Ci\u00eancia&amp;Cultura Cast<\/a><\/strong><\/span>. S\u00e3o dele as sugest\u00f5es de livros marcantes da ci\u00eancia brasileira, das \u00e1reas de Ci\u00eancias Sociais e Economia, que comp\u00f5em a segunda parte deste texto, filhos dessa produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica tardia.<\/p>\n<p>Mesmo sem universidades ou institui\u00e7\u00f5es de pesquisa, desde 1500 aconteceram atividades cient\u00edficas no Brasil. Viagens explorat\u00f3rias que resultaram em numerosos registros de fauna e flora locais, estudos sobre a cultura e a l\u00edngua ind\u00edgenas e a realiza\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas s\u00e3o alguns dos exemplos. Maria Am\u00e9lia Mascarenhas Dantes,\u00a0professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da <strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\">Universidade de S\u00e3o Paulo<\/a><\/span><\/strong> (USP), lembra da import\u00e2ncia de evitar o anacronismo, ou seja, buscar no passado vest\u00edgios do que s\u00e3o hoje as atividades cient\u00edficas. \u201cOs cientistas de outros tempos trabalhavam de uma forma muito diferente do que entendemos hoje por ci\u00eancia e se dividiam em m\u00faltiplas atividades\u201d, escreveu ela em artigo publicado j\u00e1 h\u00e1 alguns anos na revista <strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252005000100014\"><em>Ci\u00eancia&amp;Cultura<\/em><\/a><\/span><\/strong><em>. <\/em><\/p>\n<h3 id=\"conhecer-o-brasil\"><strong>Conhecer o Brasil<\/strong><\/h3>\n<p>Como produ\u00e7\u00e3o cultural, a ci\u00eancia \u00e9 fruto do seu tempo, assim como os livros que dela derivam. \u00c9 inescap\u00e1vel mencionar o conjunto de registros feitos pelos naturalistas brasileiros e estrangeiros que cruzaram o Brasil nos s\u00e9culos XVIII e XIX. Em artigo publicado na <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/seer.ufs.br\/index.php\/tempopresente\/article\/view\/4241\/3481\">Revista Brasileira de Hist\u00f3ria<\/a><\/strong><\/span>, Karen Macknow Lisboa, professora da \u00a0Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas da USP, explica que a abertura dos portos brasileiros ap\u00f3s a vinda de D. Jo\u00e3o VI, possibilitou a entrada de muitos estrangeiros no pa\u00eds. Segundo ela, eles foram respons\u00e1veis por um &#8220;novo descobrimento do Brasil&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"viagens-exploratorias-que-resultaram-em-numerosos-registros-de-fauna-e-flora-locais-estudos-sobre-a-cultura-e-a-lingua-indigenas-e-a-realizacao-de-observacoes-astronomicas-sao-alguns-dos-exe\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">\u201cViagens explorat\u00f3rias que resultaram em numerosos registros de fauna e flora locais, estudos sobre a cultura e a l\u00edngua ind\u00edgenas e a realiza\u00e7\u00e3o de observa\u00e7\u00f5es astron\u00f4micas s\u00e3o alguns dos exemplos.\u201d<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muitos desses cientistas exploradores publicaram na Europa suas anota\u00e7\u00f5es de viagem.\u00a0De volta \u00e0 Alemanha, em dezembro de 1820, o zo\u00f3logo Johann Baptist Spix e o bot\u00e2nico Carl Friedrich Philipp Martius dedicam-se ao relato da viagem feita no Brasil entre 1817 e 1820. Em 1823 \u00e9 editado o primeiro volume de &#8220;Viagem pelo Brasil&#8221;. O terceiro tomo \u00e9 publicado em 1831, acompanhado de um atlas com litografias retratando paisagens urbanas e campestres, objetos colhidos, plantas, animais, tipos humanos e cenas da vida cotidiana, acrescido de can\u00e7\u00f5es populares e melodias ind\u00edgenas. No Brasil, a tradu\u00e7\u00e3o completa da obra foi promovida pelo <strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ihgb.org.br\/\">Instituto Hist\u00f3rico e Geogr\u00e1fico Brasileiro<\/a><\/span><\/strong> (IHGB), tendo sua primeiro edi\u00e7\u00e3o em 1938. Tamb\u00e9m \u00e9 de Martius uma obra considerada refer\u00eancia nos estudos da bot\u00e2nica brasileira, usada at\u00e9 hoje, a &#8220;<em>Flora Brasiliensis<\/em>&#8220;. Monumental, a obra descreve um total de 22.767 esp\u00e9cies.\u00a0(Figura 1)<\/p>\n<p>\u00c9 tamb\u00e9m de um alem\u00e3o, naturalizado brasileiro, outra obra de fundamental import\u00e2ncia nas ci\u00eancias biol\u00f3gicas e na hist\u00f3ria da ci\u00eancia brasileira, o livro \u201c<em>Para Darwin\u201d<\/em>, <strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2952\">do naturalista Fritz Muller<\/a><\/span><\/strong>. Nascido em 1822, ele chegou ao Brasil em 1852, aos 30 anos, e viveu aqui at\u00e9 sua morte, em 1897, aos 75 anos de idade. Seu livro \u00e9 uma obra decisiva na consolida\u00e7\u00e3o da teoria evolucionista de Charles Darwin. Foi pioneira na apresenta\u00e7\u00e3o e discuss\u00e3o minuciosa de provas factuais, obtidas do estudo de crust\u00e1ceos em Desterro (atual Florian\u00f3polis), Santa Catarina. Segundo explica M\u00e1rio Steindel,\u00a0professor do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Parasitologia\u00a0da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufsc.br\/\">Universidade Federal de Santa Catarina<\/a><\/strong><\/span> (UFSC),\u00a0 em v\u00eddeo publicado <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=2952\">no blog da Ci\u00eancia&amp;Cultura<\/a><\/strong><\/span>, Muller fez experimentos e observa\u00e7\u00f5es de campo, considerados a primeira prova factual da Teoria da Evolu\u00e7\u00e3o das Esp\u00e9cies.<em>\u00a0&#8220;Para Darwin&#8221;<\/em>, publicado na Alemanha em 1864, \u00e9 um marco na ci\u00eancia brasileira. No e-book &#8220;<span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/fritzmuller200anos.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/EBOOK-FRITZ-MULLER-2a-EDICAO_2022-1.pdf\"><em>Fritz M\u00fcller 200 anos: legado que ultrapassa fronteiras<\/em><\/a><\/strong><\/span>&#8221; (2022), o m\u00e9dico, bi\u00f3logo e tradutor de obra de Muller, Luiz Roberto Fontes, conta que &#8220;<em>Para Darwin&#8221;<\/em> \u00e9 fruto de uma decis\u00e3o de colocar a teoria de Darwin \u00e0 prova no campo pr\u00e1tico, realizando observa\u00e7\u00f5es e experimenta\u00e7\u00f5es com um grupo de animais, no caso a classe dos crust\u00e1ceos, o que lhe permitiria realizar um estudo comparativo. \u201cO livro apresenta estudos de embriologia, ontogenia, ecologia, fisiologia e morfologia, em 12 cap\u00edtulos. A segunda edi\u00e7\u00e3o [de 1868] apresenta tr\u00eas inova\u00e7\u00f5es de composi\u00e7\u00e3o: foi acrescentado um sum\u00e1rio com a pagina\u00e7\u00e3o dos cap\u00edtulos no in\u00edcio da obra, os cap\u00edtulos receberam t\u00edtulos (antes eram numerados com algarismos romanos), e ao final h\u00e1 um \u00edndice remissivo dos nomes cient\u00edficos dos t\u00e1xons estudados. Essas pequenas altera\u00e7\u00f5es facilitam a leitura da segunda edi\u00e7\u00e3o, pois na primeira n\u00e3o h\u00e1 como saber previamente qual \u00e9 o tema tratado em cada cap\u00edtulo\u201d, detalha Fontes.<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-vila-rica-ouro-preto-em-1821-ilustracao-do-livro-do-barao-de-eschwegereproducao\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3217\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura2-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura2-300x169.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura2-1024x578.jpg 1024w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura2-768x433.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura2-1536x867.jpg 1536w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura2-18x10.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura2-800x451.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura2-1160x654.jpg 1160w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura2.jpg 1691w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><strong>Figura 2. &#8220;Vila Rica (Ouro Preto) em 1821&#8221;, ilustra\u00e7\u00e3o do livro do Bar\u00e3o de Eschwege<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro livro de Qu\u00edmica moderna em l\u00edngua portuguesa foi escrito por um brasileiro, o mineiro Vicente Coelho de Seabra Silva Teles (1764-1804). \u201cQuando dizemos Qu\u00edmica moderna nos referimos \u00e0 Qu\u00edmica dentro do paradigma proposto por Lavoisier no final do s\u00e9culo XVIII\u201d, explica Carlos Filgueiras,\u00a0professor do Departamento de Qu\u00edmica da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ufmg.br\/\">Universidade Federal de Minas Gerais<\/a><\/strong><\/span> (UFMG).\u00a0 Segundo ele, Seabra \u00e9 pouco conhecido diante da import\u00e2ncia de sua contribui\u00e7\u00e3o. \u201cSeu livro mais importante, \u201c<em>Elementos da Chimica\u201d, <\/em>foi publicado pela Universidade de Coimbra em duas partes, a primeira, em 1788, e a segunda, em 1790. Note que a primeira parte do livro saiu um ano antes do livro fundamental de Lavoisier, o \u201c<em>Tratado elementar da Qu\u00edmica\u201d<\/em>, publicado em Paris em 1789\u201d, contou.<\/p>\n<p>Aluno e depois professor da Universidade de Coimbra, Seabra foi colega de turma de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva. Dele, outro livro que merece destaque \u00e9 a \u201c<em>Nomenclatura Chimica Portugueza, Franceza e Latina\u201d, <\/em>de 1801. \u201cA obra traz a base da atual nomenclatura que usamos hoje na l\u00edngua portuguesa\u201d, lembrou Filgueiras.<\/p>\n<p>O potencial de explorar os min\u00e9rios brasileiros motivou a vinda de cientistas para o Brasil, alguns contratados diretamente pela Coroa portuguesa. Um deles foi o alem\u00e3o Wilhelm Ludwig von Eschwege, ou Bar\u00e3o de Eschwege. O cientista chegou ao Rio de Janeiro em 1810, onde assumiu o Real Gabinete de Mineralogia, encarregado de ensinar t\u00e9cnicas de extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios para os oficiais do ex\u00e9rcito. Ele \u00e9 o respons\u00e1vel pela introdu\u00e7\u00e3o de pil\u00f5es hidr\u00e1ulicos para minera\u00e7\u00e3o do ouro em minas em Congonhas do Campo (MG). De suas in\u00fameras viagens de explora\u00e7\u00e3o pelo territ\u00f3rio brasileiro resultou uma vasta obra em que registrou pesquisas na \u00e1rea de Geologia e Mineralogia. Considerado o pai da Geologia no Brasil, \u00e9 dele a primeira obra cient\u00edfica sobre a geologia brasileira, \u201c<em>Pluto Brasiliensis\u201d<\/em>, publicada em Berlim, em 1833.\u00a0No pref\u00e1cio da edi\u00e7\u00e3o, publicada em 2011 pela <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www2.senado.leg.br\/bdsf\/bitstream\/handle\/id\/573547\/000970489_Pluto_brasiliensis.pdf\">Biblioteca do Senado<\/a><\/strong><\/span>, Djalma Guimar\u00e3es destaca que, mais do que um tratado sobre Geologia, a livro de Eschwege traz uma vis\u00e3o ampliada do Brasil, versando desde \u201co problema do trabalho escravo at\u00e9 a interpreta\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos geol\u00f3gicos da mais alta relev\u00e2ncia para a ci\u00eancia\u201d. (Figura 2)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"os-livros-de-ciencia-sao-caminhos-para-conhecer-melhor-o-brasil-sua-natureza-geografia-sua-historia-e-seu-povo\" style=\"text-align: center;\"><span style=\"color: #800000;\">\u201cOs livros de ci\u00eancia s\u00e3o caminhos para conhecer melhor o Brasil, sua natureza, geografia, sua hist\u00f3ria e seu povo.\u201d<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>\u201cPluto Brasiliensis\u201d<\/em> resulta do esfor\u00e7o do autor de fazer uma grande sinopse da geologia econ\u00f4mica brasileira, com foco no ouro e diamante, suas descobertas e formas de minera\u00e7\u00e3o e legisla\u00e7\u00e3o. Em uma leitura atual da obra do s\u00e9culo XIX, chamam a aten\u00e7\u00e3o as cr\u00edticas \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o ambiental em Ouro Preto, fruto da explora\u00e7\u00e3o dos min\u00e9rios. No entanto, essas cr\u00edticas devem ser associadas a uma vis\u00e3o utilitarista da natureza. Conforme explica o Valdir Guedes Junior, professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.uniplaclages.edu.br\/\">Universidade do Planalto Catarinense<\/a><\/strong><\/span> (Uniplac), a degrada\u00e7\u00e3o ambiental \u00e9 vista por Eschwege, n\u00e3o pela \u00f3tica da conserva\u00e7\u00e3o dos recursos naturais, e sim, pelo uso de t\u00e9cnicas pouco eficientes de ouro. Na vis\u00e3o dele, &#8220;a degrada\u00e7\u00e3o ambiental era intensa e dificultava a continuidade da extra\u00e7\u00e3o mineral, com muitas \u00e1reas desflorestadas, utiliza\u00e7\u00e3o de queimadas e assoreamento dos rios, consequ\u00eancias da extra\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria do ouro, com baixa tecnologia\u201d, explica Guedes em <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.abfhib.org\/FHB\/FHB-05-1\/FHB-05-1-06-Valdir-Lamim-Guedes.pdf\">artigo <\/a><\/strong><\/span>publicado em 2010.<\/p>\n<p><strong>Decifrar o Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Nas Ci\u00eancias Sociais, dois livros de autores brasileiros que tiveram grande repercuss\u00e3o internacional s\u00e3o fundamentais, ao menos na opini\u00e3o de Simon Schwartzman: \u201c<em>Casa Grande e Senzala\u201d<\/em>, de Gilberto Freyre, de 1933; e \u201c<em>Pedagogia do oprimido&#8221;,\u00a0<\/em>do educador e fil\u00f3sofo Paulo Freire, publicado pela primeira vez em 1968. \u201cEmbora j\u00e1 n\u00e3o correspondem aos entendimentos atuais sobre os temas que trataram, essas obras foram importantes em sua \u00e9poca\u201d, afirmou o cientista social. (Figura 3)<\/p>\n<p>O t\u00edtulo completo da obra de Gilberto Freyre \u00e9: \u201c<em>Casa-grande &amp; senzala: forma\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia brasileira sob o regime da economia patriarcal\u201d<\/em>. No longo pref\u00e1cio da primeira edi\u00e7\u00e3o, Freyre afirma o desejo de criar um \u201censaio de sociologia gen\u00e9tica e de hist\u00f3ria social e de fixar e \u00e0s vezes interpretar alguns dos aspectos mais significativos da forma\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia brasileira\u201d. Para ele, esta fam\u00edlia \u00e9 resultado de uma sociedade escravocrata, que divide a sociedade em senhores e escravos, \u201ccom uma rala e insignificante lambujem de gente livre sanduichada entre os extremos antag\u00f4nicos\u201d. No entanto, esta divis\u00e3o \u00e9 amenizada pelos efeitos sociais da miscigena\u00e7\u00e3o. \u201cA \u00edndia e a negra-mina a princ\u00edpio, depois a mulata, a cabrocha, a quadrarona, a oitavona, tornando-se caseiras, concubinas e at\u00e9 esposas leg\u00edtimas dos senhores brancos, agiram poderosamente no sentido de democratiza\u00e7\u00e3o social no Brasil\u201d, escreveu.<\/p>\n<p><em>\u201cCasa grande e senzala\u201d<\/em> se tornou um marco ao elaborar a ideia de que miscigena\u00e7\u00e3o tornaria a popula\u00e7\u00e3o mais forte, teoria contr\u00e1ria \u00e0 de intelectuais etnoc\u00eantricos, higienistas e eug\u00eanicos dos s\u00e9culos XIX e XX. Com isso, ele colabora para consolidar o mito da democracia racial. Em entrevista para o portal de jornalismo <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/ponte.org\/da-abolicao-ao-mito-da-democracia-racial-classico-de-clovis-moura-retrata-a-relacao-da-luta-antirracista-com-a-luta-de-classes\/\">Ponte<\/a><\/strong><\/span>, o doutorando em hist\u00f3ria econ\u00f4mica na USP, Gabriel Rocha, afirma que, embora Freyre tenha esse m\u00e9rito de n\u00e3o ver a miscigena\u00e7\u00e3o como algo ruim para o Brasil, esse deslocamento leva tamb\u00e9m a um olhar id\u00edlico da escravid\u00e3o, olhando-a como um sistema onde havia rela\u00e7\u00f5es harmoniosas entre os senhores e os escravizados. \u201cAt\u00e9 a quest\u00e3o da sexualidade, em Casa-Grande &amp; Senzala, ele vai atribuir \u00e0 negra e suas descendentes uma suposta lascividade, quase que natural, que a levaria ent\u00e3o as rela\u00e7\u00f5es sexuais com o senhor e como rela\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas, n\u00e3o como estupro, por exemplo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNingu\u00e9m educa ningu\u00e9m, ningu\u00e9m educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo\u201d, escreveu o educador e fil\u00f3sofo Paulo Freire em \u201c<em>Pedagogia do oprimido\u201d, <\/em>uma refer\u00eancia mundial e uma das publica\u00e7\u00f5es mais citadas em trabalhos da \u00e1rea de humanas. Publicado no fim dos anos 1960, no mesmo ano em que o general Costa e Silva decreta o AI-5, restringindo a liberdade no Brasil, o livro \u00e9 escrito no Chile, onde Freire estava exilado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3218\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura3-237x300.jpg\" alt=\"\" width=\"396\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura3-237x300.jpg 237w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura3-810x1024.jpg 810w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura3-768x971.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura3-9x12.jpg 9w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura3-800x1011.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura3.jpg 868w\" sizes=\"(max-width: 396px) 100vw, 396px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-3-o-educador-e-filosofo-brasileiro-paulo-freire-autor-de-pedagogia-do-oprimidoreproducao\"><strong>Figura 3. O educador e fil\u00f3sofo brasileiro Paulo Freire, autor de <em>\u201cPedagogia do Oprimido\u201d<br \/>\n<\/em><\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em entrevista para o<a href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/unicamp\/noticias\/2021\/09\/17\/100-anos-de-paulo-freire-segundo-ex-aluna-debora-mazza\"><em><span style=\"color: #800000;\"><strong> Jornal da Unicamp<\/strong><\/span>,<\/em><\/a> D\u00e9bora Mazza, professora do\u00a0Departamento de Ci\u00eancias Sociais na Educa\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/\">Universidade Estadual de Campinas<\/a><\/strong><\/span> (Unicamp), explicou que Paulo Freire iniciou seus primeiros ensaios de alfabetiza\u00e7\u00e3o de adultos no cen\u00e1rio da Guerra Fria, entre as d\u00e9cadas de 1950 e 1960. \u201c\u00c9 nesse cen\u00e1rio, em que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 percebida como uma esfera relevante, que Paulo Freire e seu trabalho ganham destaque, primeiro regionalmente, depois nacionalmente, quando foi convidado para elaborar o Plano Nacional de Alfabetiza\u00e7\u00e3o de Adultos no governo Jo\u00e3o Goulart, e depois internacionalmente, no ex\u00edlio\u201d, disse. Ainda segundo ela, outras experi\u00eancias importantes ocorreram de modo concomitante, como a Revolu\u00e7\u00e3o Cubana, os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional das ex-col\u00f4nias, as revoltas estudantis de 1968. \u201c\u00c9 em tal contexto que surge sua obra, laureada por alguns, perseguida por outros, e apropriada por v\u00e1rias \u00e1reas do conhecimento e da interven\u00e7\u00e3o social. Ela \u00e9 utilizada por economistas, soci\u00f3logos, antrop\u00f3logos, jornalistas, fil\u00f3sofos, te\u00f3logos, pelo servi\u00e7o social, por movimentos sociais e partidos pol\u00edticos, pelos sindicatos, e pelo direito de rua, al\u00e9m das \u00e1reas da educa\u00e7\u00e3o escolar n\u00e3o escolar\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Para Danilo Streck, professor do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Educa\u00e7\u00e3o da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unisinos.br\/\">Universidade Vale do Rio dos Sinos<\/a><\/strong><\/span> (Unisinos), \u201c<em>A pedagogia do oprimido\u201d<\/em> teve o m\u00e9rito de refazer a geografia das pr\u00e1ticas educativas, colocando a escola como um dos espa\u00e7os poss\u00edveis da educa\u00e7\u00e3o. \u201cSe na sociedade medieval n\u00e3o havia possibilidade de salva\u00e7\u00e3o fora da Igreja, na modernidade essa possibilidade come\u00e7a a ser concentrada na escola (Illich, 1972). O dentro e o fora da escola passaram a ser vistos como o dentro e o fora da pr\u00f3pria sociedade. Com a pedagogia do oprimido h\u00e1 um novo olhar para as pr\u00e1ticas pedag\u00f3gicas presentes nos processos sociais e para os pr\u00f3prios processos sociais como media\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas na constru\u00e7\u00e3o de novos saberes e novas pr\u00e1ticas\u201d, escreveu ele em <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/es\/a\/WYVSkbkxVBNDd8M7HsjKZSy\/?lang=pt\">artigo <\/a><\/strong><\/span>publicado na revista <em>Educa\u00e7\u00e3o &amp; S\u00edntese <\/em>(2009).<\/p>\n<h3 id=\"por-que-o-brasil-e-assim\"><strong>Por que o Brasil \u00e9 assim<\/strong><\/h3>\n<p>Considerado um dos mais importantes livros de hist\u00f3ria econ\u00f4mica j\u00e1 escritos, \u201c<em>Forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Brasil\u201d<\/em>, de Celso Furtado (1920-2004), causou estranheza quando do seu lan\u00e7amento em 1959. A despeito das cr\u00edticas que recebeu de intelectuais de peso como Fernando Novais e Nelson Werneck Sodr\u00e9, que apontaram ora excesso de economicismo, ora falta de dom\u00ednio das fontes hist\u00f3ricas, j\u00e1 em 1963 (quatro anos ap\u00f3s sua publica\u00e7\u00e3o), o livro passa a compor a <em>Biblioteca B\u00e1sica Brasileira<\/em>, projeto editorial da <strong><span style=\"color: #800000;\"><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unb.br\/\">Universidade de Bras\u00edlia<\/a><\/span><\/strong> (UnB), ao lado de autores como Capistrano de Abreu, Joaquim Nabuco, Fernando de Azevedo, Sergio Buarque de Holanda e Gilberto Freyre, explica Roberto Pereira da Silva, professor do\u00a0Instituto de Ci\u00eancias Sociais Aplicadas da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unifal-mg.edu.br\/portal\/index\/\">Universidade Federal de Alfenas<\/a><\/strong><\/span> (Unifal),\u00a0em artigo publicado na revista <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ecos\/a\/W7CBVZh9RTy63z7k6WTLp4P\/?lang=pt\"><em>Economia e Sociedade<\/em><\/a><\/strong><\/span> (2011). (Figura 4)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3219\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura4-256x300.jpg\" alt=\"\" width=\"427\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura4-256x300.jpg 256w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura4-768x899.jpg 768w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura4-10x12.jpg 10w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura4-800x936.jpg 800w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/09\/CC-3-edicao-reportagem-Uma-histo\u0301ria-em-livros-figura4.jpg 850w\" sizes=\"(max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><\/p>\n<h6 id=\"figura-4-o-economista-brasileiro-celso-furtado-autor-de-formacao-economica-do-brasilreproducao\"><strong>Figura 4. O economista brasileiro Celso Furtado, autor de \u201c<em>Forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do Brasil\u201d<br \/>\n<\/em><\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda segundo ele, fora do Brasil, a repercuss\u00e3o positiva foi imediata: \u201c\u2019<em>Forma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica\u2019<\/em> foi logo reconhecido como um exemplo \u00edmpar no campo da teoria do desenvolvimento econ\u00f4mico\u201d. As resenhas publicadas sobre o livro no exterior destacam: \u201ca perspectiva hist\u00f3rica e comparativa foi assinalada, destacando-se a compara\u00e7\u00e3o entre as diferen\u00e7as de desenvolvimento do Brasil e dos Estados Unidos no s\u00e9culo XIX. Assim, se no Brasil, a obra teve um car\u00e1ter de acerto de contas com a heran\u00e7a do passado, exigia ou justificava a interven\u00e7\u00e3o estatal e se inseria no esfor\u00e7o de consolida\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia econ\u00f4mica no pa\u00eds, j\u00e1 no exterior foi um aporte fundamental para se equacionar o alcance das teorias econ\u00f4micas\u201d, pontuou o historiador.<\/p>\n<p>Um dos aspectos inovadores do livro \u00e9 ir al\u00e9m do diagn\u00f3stico e propor alternativas. Furtado denuncia o subdesenvolvimento como uma condi\u00e7\u00e3o estrutural da sociedade (e n\u00e3o como uma etapa do desenvolvimento). Para romper essa condi\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio investir em mudan\u00e7as tamb\u00e9m estruturais que inclu\u00edam mudar a base da oferta de mercadorias por meio do fortalecimento da ind\u00fastria, em um processo coordenado pelo Estado. Nesse sentido, o livro \u00e9 um cl\u00e1ssico porque \u00e9 sobre o passado, mas tamb\u00e9m sobre o presente e o futuro. Furtado tentou colocar parte de suas ideias como gestor p\u00fablico, ocupando cargos pol\u00edticos e t\u00e9cnicos. A Superintend\u00eancia do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o dele no governo de Juscelino Kubistchek. Ao lado de Gilberto Freyre e de outros intelectuais como S\u00e9rgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr., Celso Furtado \u00e9 um dos grandes int\u00e9rpretes do Brasil.<\/p>\n<p>Ele e os demais autores que citamos neste texto s\u00e3o caminhos para conhecer melhor o Brasil, sua natureza, geografia, sua hist\u00f3ria e seu povo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-livros-sobre-ciencia-sao-fundamentais-para-conhecer-melhor-o-brasil-sua-natureza-geografia-sua-historia-e-seu-povo-foto-por-pierre-bamin-unsplash-com\"><strong>Capa: Livros sobre ci\u00eancia s\u00e3o fundamentais<\/strong> <strong>para conhecer melhor o Brasil, sua natureza, geografia, sua hist\u00f3ria e seu povo.<br \/>\n<\/strong>(Foto por Pierre Bamin | Unsplash.com)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"mariuzzo-patricia-uma-historia-em-livros-caminhos-para-conhecer-o-brasil-e-se-tivessemos-que-fazer-uma-lista-de-livros-mais-marcantes-da-ciencia-brasileira-quais-seriam-as-obras-mais-relevan\"><span style=\"color: #808080;\"><em>MARIUZZO, Patricia.<span class=\"article-title\">\u00a0Uma hist\u00f3ria em livros, caminhos para conhecer o Brasil: e se tiv\u00e9ssemos que fazer uma lista de livros mais marcantes da ci\u00eancia brasileira? Quais seriam as obras mais relevantes?.<\/span>\u00a0Cienc. Cult.\u00a0[online]. 2022, vol.74, n.3 [citado\u00a0 2023-09-01], pp.1-7. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252022000300017&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20220054.<\/em><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"E se tiv\u00e9ssemos que fazer uma lista de livros mais marcantes da&hellip;\n","protected":false},"author":18,"featured_media":3220,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3213"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/18"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3213"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3213\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4659,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3213\/revisions\/4659"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3220"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3213"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3213"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3213"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}