{"id":3422,"date":"2022-11-21T07:59:21","date_gmt":"2022-11-21T07:59:21","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3422"},"modified":"2023-08-30T19:17:06","modified_gmt":"2023-08-30T19:17:06","slug":"ciencia-para-a-guerra-e-para-a-paz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3422","title":{"rendered":"Ci\u00eancia para a guerra e para a paz"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"uso-militar-ajudou-a-ciencia-a-avancar-mas-o-papel-da-ciencia-na-busca-pela-paz-e-fundamental\"><span style=\"color: #808080;\">Uso militar ajudou a ci\u00eancia a avan\u00e7ar, mas o papel da ci\u00eancia na busca pela paz \u00e9 fundamental<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Guerra e ci\u00eancia t\u00eam um longo \u2013 e complicado \u2013 relacionamento. Em diversos momentos da hist\u00f3ria, a ci\u00eancia foi empregada para fins b\u00e9licos, aprimorando estrat\u00e9gias, log\u00edstica e armamentos. Por outro lado, isso fez a ci\u00eancia avan\u00e7ar, e muitas inova\u00e7\u00f5es que surgiram no contexto militar hoje s\u00e3o utilizadas na sa\u00fade, no transporte e no dia a dia.<\/p>\n<p>Nesse sentido, a comunidade cient\u00edfica desempenha um papel central na demarca\u00e7\u00e3o de fronteiras para a cria\u00e7\u00e3o e aplica\u00e7\u00e3o de instrumentos para a guerra, mas tamb\u00e9m para desenvolver padr\u00f5es e mecanismos \u00e9ticos que permitam evitar, cada vez mais, os conflitos.<\/p>\n<p>\u201cA CT&amp;I tem potencial para desenvolver v\u00e1rios tipos de armas e temos tido exemplos disso h\u00e1 anos. Mas acredito que nossa maior preocupa\u00e7\u00e3o deva ser investir em CT&amp;I para que ela possa atuar no combate ao desenvolvimento de novas armas\u201d, aponta Elisa Orth, vice-coordenadora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Qu\u00edmica e professora do Departamento de Qu\u00edmica da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ufpr.br\/\">Universidade Federal do Paran\u00e1<\/a> <\/strong><\/span>(UFPR). A pesquisadora explica que a preocupa\u00e7\u00e3o com o uso de armas mais letais \u2013 como as armas qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas \u2013 levou \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de acordos internacionais, como a Conven\u00e7\u00e3o Mundial sobre Armas Qu\u00edmicas, regulada pela <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.opcw.org\/\">Organiza\u00e7\u00e3o para Proibi\u00e7\u00e3o de Armas Qu\u00edmicas<\/a> <\/strong><\/span>(<em>Organisation for the Prohibition of Chemical Weapons<\/em> \u2013 OPCW).\u00a0 Este acordo internacional, assinado em Paris em 1993, pro\u00edbe o desenvolvimento, a produ\u00e7\u00e3o, a estocagem e o uso de armas. \u201cMas vale ressaltar o <em>boom<\/em> dos c\u00e1lculos computacionais e <em>machine learning,<\/em>\u00a0que t\u00eam grande potencial para desenvolver novas armas qu\u00edmicas\u201d, alerta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"embora-hoje-exista-muita-informacao-tecnologia-e-conhecimento-disponiveis-isso-nao-significa-que-haja-paz-e-justica-para-todos\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cEmbora hoje exista muita informa\u00e7\u00e3o, tecnologia e conhecimento dispon\u00edveis, isso n\u00e3o significa que haja paz e justi\u00e7a para todos.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tecnologias avan\u00e7adas s\u00e3o vistas como elementos essenciais para um ex\u00e9rcito bem-sucedido. A Primeira Guerra Mundial ficou conhecida como \u201ca guerra dos qu\u00edmicos\u201d \u2013 isso porque, ao longo do conflito, cientistas de ambos os lados desenvolveram produtos qu\u00edmicos cada vez mais potentes (os mais usados foram o g\u00e1s de cloro, o g\u00e1s de mostarda e o g\u00e1s de fosg\u00eanio) e tamb\u00e9m elaboraram medidas contra os novos gases inimigos. Os f\u00edsicos tamb\u00e9m tiveram uma importante participa\u00e7\u00e3o, desenvolvendo tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o sem fio e m\u00e9todos baseados em som para detectar submarinos<em>. <\/em>Mas foi a Segunda Guerra Mundial que marcou o crescimento do uso militar da ci\u00eancia, especialmente da f\u00edsica. O conflito pode ser chamado de \u201ca guerra dos f\u00edsicos\u201d: al\u00e9m da bomba at\u00f4mica (talvez a mais not\u00f3ria colabora\u00e7\u00e3o cient\u00edfica para a guerra), o desenvolvimento do radar foi fundamental, permitindo a detec\u00e7\u00e3o de navios e aeronaves inimigas, assim como da criptografia matem\u00e1tica e da ci\u00eancia de foguetes, com seus avan\u00e7os tendo um efeito significativo em cada disciplina.<\/p>\n<p>Segundo Geraldo Lesbat Cavagnari Filho, fundador e coordenador do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.unicamp.br\/anuario\/2008\/centronucleo\/NEE.html\">N\u00facleo de Estudos Estrat\u00e9gicos<\/a> <\/strong><\/span>da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e professor convidado do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/nupri.prp.usp.br\/\">N\u00facleo de Pesquisa em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais<\/a><\/strong><\/span> da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www5.usp.br\/\">Universidade de S\u00e3o Paulo<\/a><\/strong><\/span> (USP), a partir da Primeira Guerra Mundial, a comunidade cient\u00edfica iniciou sua colabora\u00e7\u00e3o com o esfor\u00e7o de guerra das grandes pot\u00eancias. No intervalo entre as duas guerras mundiais, as pot\u00eancias estavam convencidas da import\u00e2ncia da pesquisa cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica para as guerras futuras. \u201cMas foi a partir da Segunda Guerra Mundial que os militares tomaram consci\u00eancia do car\u00e1ter estrat\u00e9gico da ci\u00eancia e tecnologia na guerra moderna\u201d, afirma em <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.comciencia.br\/dossies-1-72\/reportagens\/guerra\/guerra15.htm\">artigo<\/a><\/strong><\/span> para a revista <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.comciencia.br\/\">ComCi\u00eancia<\/a><\/strong><\/span>.<\/p>\n<p>O advento da Guerra Fria solidificou os v\u00ednculos entre as institui\u00e7\u00f5es militares e a ci\u00eancia acad\u00eamica, particularmente nos Estados Unidos e na Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica. Assim, o financiamento militar continuou a se expandir e se espalhou para as ci\u00eancias sociais, naturais, e para campos totalmente novos, como a computa\u00e7\u00e3o. \u201cInterven\u00e7\u00f5es b\u00e9licas s\u00e3o, em sua maioria, causadas por escassez ou busca pelo controle de\u00a0recursos como alimentos, \u00e1gua, minerais e, principalmente, fontes energ\u00e9ticas, e tamb\u00e9m dom\u00ednio\u00a0das rotas de escoamento e distribui\u00e7\u00e3o desses recursos. O conhecimento cient\u00edfico permite melhorias em todos esses processos\u201d, explica Frederico Genezini, pesquisador do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ipen.br\/\">Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares<\/a> <\/strong><\/span>(IPEN).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-ciencia-da-guerra\"><strong>A ci\u00eancia da guerra<\/strong><\/h4>\n<p>De todos os avan\u00e7os cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos feitos durante a Segunda Guerra Mundial, poucos recebem tanta aten\u00e7\u00e3o quanto a bomba at\u00f4mica. Desenvolvidas durante o conflito em meio a uma corrida armamentista entre as pot\u00eancias do Eixo (Alemanha, It\u00e1lia e Jap\u00e3o) e dos Aliados (Reino Unido, Fran\u00e7a, Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e Estados Unidos), as bombas lan\u00e7adas sobre Hiroshima e Nagasaki moldaram o s\u00e9culo XX e a posi\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos no cen\u00e1rio global. Essa corrida armamentista inaugurou uma nova era da ci\u00eancia que mudou a diplomacia, o poder das for\u00e7as militares e o desenvolvimento tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-mulheres-operam-o-computador-eniac-imagem-por-arl-technical-library-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3427\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-reportagem-ciencia-para-a-guerra-e-para-a-paz-figura1-300x198.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-reportagem-ciencia-para-a-guerra-e-para-a-paz-figura1-300x198.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-reportagem-ciencia-para-a-guerra-e-para-a-paz-figura1-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-reportagem-ciencia-para-a-guerra-e-para-a-paz-figura1.jpg 426w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Mulheres operam o computador ENIAC.<br \/>\n<\/strong>(Imagem por ARL Technical Library. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a\u00a0bomba at\u00f4mica n\u00e3o foi o \u00fanico avan\u00e7o tecnol\u00f3gico advindo do conflito. O primeiro sistema de radar pr\u00e1tico foi produzido em 1935 pelo f\u00edsico brit\u00e2nico Robert Watson-Watt, e em 1939 a Inglaterra construiu uma rede de esta\u00e7\u00f5es de radar ao longo de suas costas sul e leste. O uso do radar foi determinante para a guerra, pois ajudou as for\u00e7as aliadas a detectar navios e avi\u00f5es inimigos.<\/p>\n<p>A guerra tamb\u00e9m avan\u00e7ou as pesquisas sobre o motor a jato. A avia\u00e7\u00e3o e os motores aeron\u00e1uticos eram uma preocupa\u00e7\u00e3o militar mesmo antes da Segunda Guerra Mundial. Os motores a jato surgiram nos meses finais do conflito como forma de dar aos ca\u00e7as uma vantagem sobre seus advers\u00e1rios. Em 1930, Frank Whittle, engenheiro ingl\u00eas da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.raf.mod.uk\/\"><em>Royal Air Force<\/em><\/a><\/strong><\/span>, do Reino Unido, registrou a primeira patente da tecnologia. Com o in\u00edcio da guerra, o governo brit\u00e2nico desenvolveu avi\u00f5es baseados nos projetos de Whittle. O primeiro avi\u00e3o aliado a usar propuls\u00e3o a jato decolou em 15 de maio de 1941.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m durante a Segunda Guerra que os Estados Unidos come\u00e7aram a desenvolver novas m\u00e1quinas para calcular trajet\u00f3rias bal\u00edsticas. Apesar de j\u00e1 estarem em desenvolvimento bem antes do in\u00edcio do conflito, a guerra exigiu uma r\u00e1pida progress\u00e3o dessa tecnologia, resultando na produ\u00e7\u00e3o de novos e mais potentes computadores. Um exemplo foi o <em>Electronic Numerical Integrator and Computer<\/em> (ENIAC). Com cerca de dois metros de altura, pesando 30 toneladas e ocupando 180 metros quadrados, o ENIAC conseguia realizar milhares de c\u00e1lculos em um segundo. Originalmente projetado para fins militares, o computador n\u00e3o foi conclu\u00eddo at\u00e9 1945, sendo lan\u00e7ado ao p\u00fablico apenas em 1946. Por\u00e9m, antes do ENIAC, na Gr\u00e3-Bretanha, o matem\u00e1tico e cientista da computa\u00e7\u00e3o brit\u00e2nico Alan Turing inventou uma m\u00e1quina eletromec\u00e2nica chamada <em>Bombe<\/em> que ajudou a decifrar os c\u00f3digos alem\u00e3es. Embora a m\u00e1quina de Turing n\u00e3o fosse tecnicamente um computador \u2013 especialmente considerando-se as m\u00e1quinas dos dias de hoje \u2013 o <em>Bombe<\/em> foi um precursor do\u00a0<em>Colossus<\/em>, uma s\u00e9rie de computadores eletr\u00f4nicos brit\u00e2nicos. A inven\u00e7\u00e3o de Turing aparece no filme <em>Enigma<\/em>, de 2001. Enigma \u00e9 uma m\u00e1quina eletromec\u00e2nica de criptografia utilizada pelos nazistas para transmitir mensagens aos seus submarinos atrav\u00e9s de c\u00f3digos ultra seguros. O filme de Michael Apted, embora seja uma obra ficcional, trata do embate real entre a intelig\u00eancia alem\u00e3 e inglesa e aborda parte da vida de Turing e o uso de sua m\u00e1quina para quebrar o c\u00f3digo nazista. (Figura 1)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"os-surpreendentes-avancos-alcancados-pela-ciencia-nessas-ultimas-decadas-tem-mudado-nossas-condicoes-de-vida-e-as-inovacoes-produzidas-sao-uma-oportunidade-para-desenvolver-as-sociedades-e-a\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cOs surpreendentes avan\u00e7os alcan\u00e7ados pela ci\u00eancia nessas \u00faltimas d\u00e9cadas t\u00eam mudado nossas condi\u00e7\u00f5es de vida, e as inova\u00e7\u00f5es produzidas s\u00e3o uma oportunidade para desenvolver as sociedades e alcan\u00e7ar a paz.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De certa forma, a pr\u00f3pria internet come\u00e7ou como um projeto militar. A Rede da Ag\u00eancia de Pesquisas em Projetos Avan\u00e7ados (<em>Advanced Research Projects Agency Network<\/em> &#8211; ARPANET) come\u00e7ou durante a Guerra Fria como uma forma de os militares dos Estados Unidos desenvolverem um sistema de compartilhamento de informa\u00e7\u00f5es sem a necessidade de um centro de comando. Ao criar uma rede robusta e flex\u00edvel, os Estados Unidos poderiam garantir que, em caso de cat\u00e1strofe, o acesso aos supercomputadores do pa\u00eds permanecesse intacto. A tecnologia possibilitava que v\u00e1rios computadores se conectassem diretamente uns aos outros, permitindo que as pessoas compartilhassem informa\u00e7\u00f5es em velocidades sem precedentes. A ARPANET deu as bases para a internet como a conhecemos hoje.<\/p>\n<p>\u201cNos \u00faltimos anos, muita \u00eanfase tem sido dada ao desenvolvimento de armas e ve\u00edculos\u00a0aut\u00f4nomos ou operados remotamente, que permitem reduzir drasticamente a perda de\u00a0vidas em esfor\u00e7os b\u00e9licos\u201d, explica Guilherme Soares Zahn, pesquisador do <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/www.ipen.br\/portal_por\/portal\/produtos.php?secao_id=675\">Centro do Reator de Pesquisas<\/a><\/strong><\/span> (IPEN-CNEN). O pesquisador aponta que as armas \u201cinteligentes\u201d (que usam intelig\u00eancia artificial) possibilitam a tomada de decis\u00f5es instantaneamente, o que permite a cria\u00e7\u00e3o\u00a0de novos campos de batalha. Um exemplo s\u00e3o os domos virtuais de seguran\u00e7a que, por\u00a0meio de c\u00e1lculos de bal\u00edstica de m\u00edsseis, permitem sua intercepta\u00e7\u00e3o. Os\u00a0pr\u00f3prios m\u00edsseis tamb\u00e9m podem tomar decis\u00f5es na mesma velocidade. \u201cEssas duas\u00a0mudan\u00e7as, junto com diversas outras que v\u00eam sendo introduzidas a partir de avan\u00e7os\u00a0cient\u00edfico-tecnol\u00f3gicos, v\u00eam mudando drasticamente a l\u00f3gica de conflitos b\u00e9licos, bem\u00a0como trazendo diversos novos problemas \u00e9ticos \u00e0 mesa de discuss\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"avanco-tecnologico\"><strong>Avan\u00e7o tecnol\u00f3gico<\/strong><\/h4>\n<p>Apesar de inicialmente terem sido desenvolvidas com fins b\u00e9licos, essas tecnologias continuaram avan\u00e7ando e alcan\u00e7aram outras finalidades, desta vez pac\u00edficas. O radar, por exemplo, tornou-se essencial para os meteorologistas avan\u00e7arem no conhecimento dos padr\u00f5es clim\u00e1ticos e aumentou a capacidade de realizar previs\u00f5es meteorol\u00f3gicas. Os motores a jato agora s\u00e3o usados pelas companhias a\u00e9reas para transportar passageiros por todo o mundo. O desenvolvimento cont\u00ednuo tornou os computadores progressivamente menores, mais poderosos e mais acess\u00edveis. E n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel imaginar o mundo hoje sem a internet.<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-a-tecnologia-do-forno-micro-ondas-foi-descoberta-por-acidente-durante-a-segunda-guerra-mundial-numa-tentativa-de-aprimorar-os-radares-de-entao-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3428\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-reportagem-ciencia-para-a-guerra-e-para-a-paz-figura2-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"332\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-reportagem-ciencia-para-a-guerra-e-para-a-paz-figura2-300x199.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-reportagem-ciencia-para-a-guerra-e-para-a-paz-figura2-18x12.jpg 18w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-reportagem-ciencia-para-a-guerra-e-para-a-paz-figura2.jpg 426w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. A tecnologia do forno micro-ondas foi descoberta por acidente durante a Segunda Guerra Mundial, numa tentativa de aprimorar os radares de ent\u00e3o.<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. V\u00e1rias outras inova\u00e7\u00f5es \u2013 hoje comuns em nosso dia a dia \u2013 originaram-se atrav\u00e9s de pesquisas militares. Esse \u00e9 o caso da borracha sint\u00e9tica. O suprimento global de borracha natural foi suficiente at\u00e9 a Segunda Guerra Mundial, quando as pot\u00eancias do Eixo cortaram quase todo o suprimento de borracha da \u00c1sia (o maior fornecedor do produto). Como a borracha era essencial para as opera\u00e7\u00f5es militares \u2013 utilizada desde esteiras de ve\u00edculos e m\u00e1quinas, a cal\u00e7ados, roupas e equipamentos de soldados \u2013 os Aliados foram for\u00e7ados a encontrar materiais alternativos e assim desenvolveram a borracha sint\u00e9tica. O mesmo aconteceu com a supercola e a fita adesiva, criadas para suprir as necessidades dos ex\u00e9rcitos e hoje amplamente comercializadas. E tamb\u00e9m como o forno micro-ondas. Originalmente utilizada no desenvolvimento de radares (a capacidade de produzir comprimentos de onda mais curtos atrav\u00e9s do uso de um magnetron de cavidade resultou em maior precis\u00e3o em dist\u00e2ncias maiores), a capacidade de micro-ondas para cozinhar alimentos foi descoberta por acidente. Enquanto pesquisava o uso das micro-ondas em radares, o engenheiro norte-americano Percy Spencer notou que uma barra de chocolate em seu bolso havia derretido. Isso levou \u00e0 percep\u00e7\u00e3o de que o equipamento poderia ser reaproveitado para aquecer e cozinhar alimentos. (Figura 2)<\/p>\n<p>Uma das inova\u00e7\u00f5es mais importantes foi o GPS. Desenvolvido na d\u00e9cada de 1960, a ideia era usar sat\u00e9lites para determinar a posi\u00e7\u00e3o de um usu\u00e1rio na Terra medindo sua dist\u00e2ncia de tr\u00eas sat\u00e9lites perif\u00e9ricos em um processo conhecido como trilatera\u00e7\u00e3o. Embora o sistema tenha se tornado totalmente operacional em mar\u00e7o de 1994, ele capturou o interesse do p\u00fablico muito antes disso. Hoje, a tecnologia \u00e9 usada em produtos como carros e telefones, e tamb\u00e9m \u00e9 aplicada na pesquisa de terremotos e <em>geocaching<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-ciencia-foi-se-afastando-das-causas-da-guerra-e-assumindo-as-causas-da-paz-da-democracia-e-da-etica\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cA ci\u00eancia foi se afastando das causas da guerra e assumindo as causas da paz, da democracia e da \u00e9tica.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cUm bom monitoramento, aliado a um trabalho eficiente de processamento da informa\u00e7\u00e3o, permite a r\u00e1pida identifica\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es suspeitos que podem indicar\u00a0potenciais ataques, tanto b\u00e9licos como criminosos\u201d, aponta Genezini. Para o pesquisador, o\u00a0monitoramento eficiente possibilita a identifica\u00e7\u00e3o e a preven\u00e7\u00e3o de crimes, bem como a\u00a0solu\u00e7\u00e3o dos crimes j\u00e1 cometidos. No mesmo sentido, a comunica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida, segura e\u00a0eficiente entre os atores do sistema de preven\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial para a\u00e7\u00f5es\u00a0integradas e cir\u00fargicas, aumentando muito sua efici\u00eancia e reduzindo os danos colaterais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"uma-questao-de-saude\"><strong>Uma quest\u00e3o de sa\u00fade<\/strong><\/h4>\n<p>Junto com os avan\u00e7os da tecnologia de micro-ondas e computadores, a Segunda Guerra Mundial trouxe mudan\u00e7as importantes no campo da medicina. A necessidade de tratar milh\u00f5es de soldados exigiu o desenvolvimento e uso de novas t\u00e9cnicas que levaram a melhorias nas transfus\u00f5es de sangue, enxertos de pele e cirurgia, assim como o desenvolvimento de novos medicamentos.<\/p>\n<p>Durante a Primeira Guerra Mundial, a pandemia de influenza (tamb\u00e9m conhecida como Gripe Espanhola) entre 1918 e 1919 impactou significativamente os ex\u00e9rcitos e motivou os militares norte-americanos a desenvolver a primeira vacina contra a gripe. Os cientistas come\u00e7aram a isolar os v\u00edrus na d\u00e9cada de 1930 e o Ex\u00e9rcito dos Estados Unidos ajudou a patrocinar o desenvolvimento de uma vacina contra eles nos anos 1940. A primeira vacina contra a gripe foi aprovada para uso militar em 1945 e para uso civil em 1946.<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-o-cientista-escoces-alexander-fleming-descobriu-a-penicilina-em-1928-mas-foi-so-durante-a-segunda-guerra-que-ela-comecou-a-ser-produzida-em-massa-para-o-tratamento-medico-reproducao\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3429\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-reportagem-ciencia-para-a-guerra-e-para-a-paz-figura3-300x225.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"376\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-reportagem-ciencia-para-a-guerra-e-para-a-paz-figura3-300x225.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-reportagem-ciencia-para-a-guerra-e-para-a-paz-figura3-16x12.jpg 16w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-reportagem-ciencia-para-a-guerra-e-para-a-paz-figura3.jpg 426w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. O cientista escoc\u00eas Alexander Fleming descobriu a penicilina em 1928, mas foi s\u00f3 durante a Segunda Guerra que ela come\u00e7ou a ser produzida em massa para o tratamento m\u00e9dico.<br \/>\n<\/strong>(Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Previamente ao uso generalizado de antibi\u00f3ticos nos Estados Unidos, mesmo pequenos cortes e arranh\u00f5es podiam levar a infec\u00e7\u00f5es fatais. O cientista escoc\u00eas Alexander Fleming descobriu a penicilina em 1928, mas foi s\u00f3 durante a Segunda Guerra que os Estados Unidos come\u00e7aram a produzi-la em massa para o tratamento m\u00e9dico. Antes da tomada da Normandia, que iniciou a invas\u00e3o da Europa Ocidental ocupada pelos alem\u00e3es em 1944, os cientistas prepararam 2,3 milh\u00f5es de doses do medicamento. Da Segunda Guerra Mundial at\u00e9 hoje, a penicilina continua sendo uma forma fundamental de tratamento usada para evitar infec\u00e7\u00f5es bacterianas. (Figura 3)<\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h4 id=\"a-ciencia-da-paz\"><strong>A ci\u00eancia da paz<\/strong><\/h4>\n<p>Se por um lado as armas ficaram mais sofisticadas, a ci\u00eancia aplicada \u00e0 sa\u00fade, o desenvolvimento das ci\u00eancias sociais em termos de constru\u00e7\u00e3o de meios preventivos de resolu\u00e7\u00e3o de conflitos, a diplomacia e o direito internacional s\u00e3o o outro lado dessa moeda.<\/p>\n<p>\u201cO papel da ci\u00eancia em todos os aspectos sempre \u00e9 central. Ela que norteia como os avan\u00e7os do conhecimento devem ser aplicados e como nos precaver. Ela que alerta sobre perigos e traz solu\u00e7\u00f5es para problemas. Ela \u00e9 o alicerce para o desenvolvimento de uma sociedade consciente e que busca a paz\u201d, enfatiza Orth.<\/p>\n<p>Desta forma, a ci\u00eancia \u00e9 a chave para um futuro pr\u00f3spero e pac\u00edfico. Desde sua proclama\u00e7\u00e3o pela Confer\u00eancia Geral da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"http:\/\/portal.mec.gov.br\/encceja-2\/480-gabinete-do-ministro-1578890832\/assessoria-internacional-1377578466\/20747-unesco\">Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Educa\u00e7\u00e3o e Cultura<\/a><\/strong><\/span> (Unesco) em 2001, o Dia Mundial da Ci\u00eancia para a Paz e o Desenvolvimento \u00e9 comemorado em todo o mundo para demonstrar por que a ci\u00eancia \u00e9 relevante para a vida cotidiana das pessoas e envolv\u00ea-las em debates sobre essas quest\u00f5es. Ao vincular a ci\u00eancia mais estreitamente \u00e0 sociedade, a data visa garantir que os cidad\u00e3os sejam mantidos informados sobre os desenvolvimentos da ci\u00eancia e ressalta o papel que os cientistas desempenham na amplia\u00e7\u00e3o de nossa compreens\u00e3o do planeta.<\/p>\n<p>Embora hoje exista muita informa\u00e7\u00e3o, tecnologia e conhecimento dispon\u00edveis, isso n\u00e3o significa que haja paz e justi\u00e7a para todos. De acordo com <a href=\"https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2022\/03\/1784652#:~:text=Guterres%20lembrou%20que%20o%20mundo,em%20%C3%A1reas%20afetadas%20por%20conflitos.\"><span style=\"color: #800000;\"><strong>dados<\/strong><\/span><\/a> da <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/brasil.un.org\/\">Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas<\/a><\/strong><\/span> (ONU), atualmente o mundo enfrenta o maior n\u00famero de conflitos violentos desde o fim da Segunda Guerra Mundial: no total, 25% dos habitantes do mundo est\u00e3o em \u00e1reas afetadas por conflitos.\u00a0Para Audrey Azoulay, diretora-geral da Unesco, os surpreendentes avan\u00e7os alcan\u00e7ados pela ci\u00eancia nessas \u00faltimas d\u00e9cadas t\u00eam mudado nossas condi\u00e7\u00f5es de vida, e as inova\u00e7\u00f5es produzidas s\u00e3o uma oportunidade para desenvolver as sociedades e alcan\u00e7ar a paz. \u201cAs ci\u00eancias melhoram nosso bem-estar, facilitam a vida cotidiana e derrubam as fronteiras que pareciam imut\u00e1veis nas \u00e1reas de medicina, transporte, comunica\u00e7\u00e3o e partilha de conhecimentos. Al\u00e9m disso, s\u00e3o um motor de crescimento e riqueza\u201d, afirmou Azoulay em declara\u00e7\u00e3o no Dia Mundial da Ci\u00eancia para a Paz.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia dessa intera\u00e7\u00e3o entre ci\u00eancia e sociedade \u00e9 que a CT&amp;I impacta a sociedade, determinando assim a extens\u00e3o de seu desenvolvimento, enquanto a sociedade pode influenciar o desenvolvimento da CT&amp;I em dire\u00e7\u00e3o a comunidades pac\u00edficas. \u201cO desenvolvimento da ci\u00eancia, que \u00e9 um ramo que pressup\u00f5e colabora\u00e7\u00e3o entre\u00a0pa\u00edses, para al\u00e9m dos equipamentos e armamentos de dissuas\u00e3o, pode e deve influenciar\u00a0na qualidade de vida, reduzindo a causa prim\u00e1ria de conflitos\u201d, afirma Zahn.<\/p>\n<p>Em seu texto \u201cCi\u00eancia sem o Pent\u00e1gono\u201d, publicado no jornal Folha de S. Paulo em 1985, Renato Janine Ribeiro, presidente da SBPC, afirma a import\u00e2ncia de usar a ci\u00eancia para fins pac\u00edficos. Mais recentemente, em <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/renato-janine-ribeiro-nao-ha-desenvolvimento-sem-ciencia\/\">entrevista<\/a><\/strong><\/span> \u00e0 <span style=\"color: #800000;\"><strong><a style=\"color: #800000;\" href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\">Revista Pesquisa Fapesp<\/a><\/strong><\/span> no ano passado, Janine Ribeiro voltou a afirmar o papel fundamental da ci\u00eancia na defesa da democracia. \u201cHouve um per\u00edodo em que o desenvolvimento cient\u00edfico esteve muito associado \u00e0 pesquisa militar. Um grande exemplo foi o desenvolvimento da bomba at\u00f4mica, por volta de 1945. Mas ocorreu uma mudan\u00e7a interessante. A ci\u00eancia foi se afastando das causas da guerra e assumindo as causas da paz, da democracia e da \u00e9tica. Foi se voltando mais para a quest\u00e3o da sa\u00fade, do meio ambiente, da sustentabilidade\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6 id=\"capa-varias-outras-inovacoes-hoje-comuns-em-nosso-dia-a-dia-originaram-se-atraves-de-pesquisas-militares-imagem-por-jakob-owens-unsplash-com-reproducao\"><strong>Capa. V\u00e1rias outras inova\u00e7\u00f5es \u2013 hoje comuns em nosso dia a dia \u2013 originaram-se atrav\u00e9s de pesquisas militares.<br \/>\n<\/strong>(Imagem por Jakob Owens. Unsplash.com. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"bueno-chris-ciencia-para-a-guerra-e-para-a-paz-uso-militar-ajudou-a-ciencia-a-avancar-mas-o-papel-da-ciencia-na-busca-pela-paz-e-fundamental-cienc-cult-online-2022-vol-74-n\"><span style=\"color: #808080;\"><em>BUENO, Chris.<span class=\"article-title\">\u00a0Ci\u00eancia para a guerra e para a paz: uso militar ajudou a ci\u00eancia a avan\u00e7ar, mas o papel da ci\u00eancia na busca pela paz \u00e9 fundamental.<\/span>\u00a0Cienc. Cult.\u00a0[online]. 2022, vol.74, n.4 [citado\u00a0 2023-08-30], pp.01-06. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252022000400020&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20220074<\/em><\/span>.<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Uso militar ajudou a ci\u00eancia a avan\u00e7ar, mas o papel da ci\u00eancia&hellip;\n","protected":false},"author":11,"featured_media":3425,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[51],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3422"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/11"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3422"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3422\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4652,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3422\/revisions\/4652"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3425"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3422"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3422"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3422"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}