{"id":3431,"date":"2022-11-21T08:00:59","date_gmt":"2022-11-21T08:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3431"},"modified":"2022-11-18T13:27:01","modified_gmt":"2022-11-18T13:27:01","slug":"tecnologias-e-trabalho-um-cenario-em-transformacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3431","title":{"rendered":"Tecnologias e trabalho: Um cen\u00e1rio em transforma\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"o-que-ha-de-novo-nas-mudancas-que-estao-acontecendo-nas-relacoes-de-trabalho-afetadas-pelas-novas-tecnologias\"><span style=\"color: #808080;\">O que h\u00e1 de novo nas mudan\u00e7as que est\u00e3o acontecendo nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho afetadas pelas novas tecnologias?<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cExiste um mito de que a tecnologia \u00e9 neutra. Mas ela n\u00e3o \u00e9\u201d. Com esta afirmativa, o soci\u00f3logo Ricardo Antunes, professor do Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas (IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), d\u00e1 in\u00edcio ao Ci\u00eancia &amp; Cultura Cast sobre a rela\u00e7\u00e3o das tecnologias com o trabalho. Antunes \u00e9 refer\u00eancia no campo da sociologia do Trabalho no Brasil e no exterior, tema sobre o qual j\u00e1 publicou diversos livros, entre eles \u201cUberiza\u00e7\u00e3o, trabalho digital e ind\u00fastria 4.0\u201d (2020, Editora Boitempo) e o mais recente \u201cCapitalismo pand\u00eamico\u201d (2022, Boitempo).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no debate, a psic\u00f3loga Marilene Zazula Beatriz, professora do Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Tecnologia da Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1 (UTFPR), falou sobre sua \u00e1rea de interesse, que \u00e9 o trabalho em organiza\u00e7\u00f5es sob os princ\u00edpios da Economia Solid\u00e1ria, al\u00e9m da tecnologia social e a psicologia social do trabalho. A professora trabalha com uma incubadora de economia solid\u00e1ria na universidade. \u201cO empreendimento autogestion\u00e1rio \u00e9 um exemplo maravilhoso de processo tecnol\u00f3gico. Mas n\u00e3o falo de alta complexidade de tecnologia.\u201d<\/p>\n<p>O cientista social Ricardo Colturato Festi, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), participou do bate-papo trazendo os dilemas da moderniza\u00e7\u00e3o no mundo do trabalho, tema de sua tese de doutorado. Ele \u00e9 autor do livro \u201cA f\u00e1brica sem patr\u00e3o\u201d (2021, Editora Lutas Anticapital) e membro do grupo de trabalho \u201cMundo do trabalho e suas metamorfoses\u201d, da Unicamp, coordenado por Ricardo Antunes.<\/p>\n<h4 id=\"o-que-vira\"><strong>O que vir\u00e1?<\/strong><\/h4>\n<p>Antunes lembra que o trabalho humano sempre dependeu da tecnologia, desde a g\u00eanese humana. \u201cA partir do s\u00e9culo 18 h\u00e1 uma mudan\u00e7a no modo de vida de muita profundidade, e a tecnologia se torna um instrumento vigoroso para instaura\u00e7\u00e3o e expans\u00e3o do modo de produ\u00e7\u00e3o nascente que era o modo de produ\u00e7\u00e3o capitalista\u201d. Segundo o pesquisador, no per\u00edodo \u201cpr\u00e9-moderno\u201d, a tecnologia passa a ter um objetivo vital inquestion\u00e1vel: gerar mais riqueza.\u00a0\u201cN\u00e3o estamos mais na era da hegemonia do capital industrial. Hoje \u00e9 o capital financeiro, e ele \u00e9 destrutivo. Ele trata o trabalho como um custo. O capitalismo do nosso tempo n\u00e3o consegue se reproduzir sem destruir.\u201d Para Antunes, \u00e9 inaceit\u00e1vel dizer que um trabalhador desempregado na informalidade virou empreendedor. \u201cAgora estamos vivendo o capitalismo pand\u00eamico.\u201d O pesquisador faz a provoca\u00e7\u00e3o: \u201cA humanidade vai ter que decidir se quer sobreviver.\u201d<\/p>\n<p>Zazula Beatriz compartilhou o processo do empreendimento autogestion\u00e1rio, como os coletivos, as cooperativas populares, os clubes de troca, os bancos comunit\u00e1rios, que geram mais que riquezas monet\u00e1rias, \u201cgeram troca de saberes, de conhecimento e de apropria\u00e7\u00e3o\u201d. Sob esta perspectiva, diz, esta \u00e9 uma tecnologia social inovadora.\u00a0\u201cObservamos este movimento na sociedade\u201d, explica a professora. S\u00e3o pessoas que se juntam para criar suas pr\u00f3prias solu\u00e7\u00f5es, devido \u00e0 falta de pol\u00edtica p\u00fablica. O trabalho \u00e9 uma das quest\u00f5es. \u201cElas se juntam para gerar trabalho e renda para comunidade e para elas mesmas.\u201d<\/p>\n<p>Para Festi, nos \u00faltimos anos a tecnologia tem cumprido um papel destrutivo. A humanidade esperava que a automa\u00e7\u00e3o diminu\u00edsse a carga de trabalho, mas isso n\u00e3o aconteceu, \u201ctem havido aumento significativo das jornadas de trabalho, ou jornadas parciais, insuficientes para sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia\u201d.\u00a0A revolu\u00e7\u00e3o digital \u00e9 o elemento novo. \u201cA transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica hoje atinge todas as esferas da economia, n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3 na ind\u00fastria como nos anos 1950. As consequ\u00eancias s\u00e3o o desemprego, a polariza\u00e7\u00e3o das qualifica\u00e7\u00f5es, o desaparecimento da qualifica\u00e7\u00e3o m\u00e9dia, e os empregos est\u00e3o deslocaliz\u00e1veis, n\u00e3o tem fronteiras, interferindo nas legisla\u00e7\u00f5es locais em qualquer pa\u00eds do mundo\u201d, aponta o pesquisador.\u00a0Festi tamb\u00e9m questiona: \u201cA sociedade precisa refletir sobre isso. A tecnologia como est\u00e1 colocada hoje n\u00e3o s\u00f3 destr\u00f3i o trabalho humano como ela tamb\u00e9m destr\u00f3i a natureza.\u201d<\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: Tecnologias e trabalho: Um cen\u00e1rio em transforma\u00e7\u00e3o\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/2XL9wiUxeEaQAENLCZ2YqX?si=rCz77zltTNKuP2bAXdDsYw&#038;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"O que h\u00e1 de novo nas mudan\u00e7as que est\u00e3o acontecendo nas rela\u00e7\u00f5es&hellip;\n","protected":false},"author":19,"featured_media":3433,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[4],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3431"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3431"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3431\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3434,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3431\/revisions\/3434"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3433"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3431"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3431"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3431"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}