{"id":3506,"date":"2022-12-05T08:00:56","date_gmt":"2022-12-05T08:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3506"},"modified":"2023-08-30T19:12:38","modified_gmt":"2023-08-30T19:12:38","slug":"a-perpetua-germinacao-classica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/?p=3506","title":{"rendered":"A perp\u00e9tua germina\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica"},"content":{"rendered":"<h4 id=\"pensamento-grego-impactou-significativamente-meios-academicos-e-sociais-e-continua-estimulando-a-reflexao\"><span style=\"color: #808080;\">Pensamento grego impactou significativamente meios acad\u00eamicos e sociais e continua estimulando a reflex\u00e3o<\/span><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h5 id=\"a-grecia-e-para-nos-um-germen-nem-um-modelonem-um-especime-entre-outros-mas-um-germen-cornelius-castoriadis-19871\" style=\"text-align: right;\"><em>\u201cA Gr\u00e9cia \u00e9 para n\u00f3s um g\u00e9rmen: nem um modelo,<br \/>\n<\/em><em>nem um esp\u00e9cime entre outros, mas um g\u00e9rmen.\u201d<br \/>\n<\/em><em>(Cornelius Castoriadis, 1987)<sup>[1]<\/sup><\/em><\/h5>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com esta frase, o fil\u00f3sofo greco-franc\u00eas Cornelius Castoriadis (1922-1997) equacionou s\u00e9culos de relacionamento hist\u00f3rico com a Gr\u00e9cia, do mundo romano \u00e0s v\u00e1rias vagas neocl\u00e1ssicas modernas, alcan\u00e7ando tamb\u00e9m nossos meios acad\u00eamicos e sociais. Por um lado, recusa-se a idealiza\u00e7\u00e3o que predominou at\u00e9 Nietzsche, por outro, evita-se a redu\u00e7\u00e3o da cultura grega \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de similaridade formal com qualquer cultura. Ciente destes embates, a interpreta\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria cl\u00e1ssica avan\u00e7a e perpetua um di\u00e1logo que jamais se esgota, onde as fontes antigas conferem solidez \u00e0 forma\u00e7\u00e3o cultural e \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de linguagens, conceitos, teorias e m\u00e9todos e, estrategicamente, alimentam a reflex\u00e3o necess\u00e1ria e d\u00e3o pot\u00eancia \u00e0 incid\u00eancia social das ideias. Nesses processos, atuam modos din\u00e2micos de pensar o passado, ampliados por met\u00e1foras do m\u00e9todo: arqueologia, origem, causa e fundamento, para pensarmos a fonte causal portadora de mem\u00f3ria, a pot\u00eancia que rege por anterioridade, e g\u00e9rmen, gen\u00e9tica e genoma, para compreendermos que aquela mem\u00f3ria codificada pode vir-a-ser a qualquer momento, como fen\u00f4meno do mundo atual. A hist\u00f3ria grega n\u00e3o est\u00e1 soterrada, mas plantada em adubo do tempo, pronta para rebrotar, regada pelas ideias e demandas de cada era.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 id=\"homero-e-a-superacao-de-paradigmas\"><strong>Homero e a supera\u00e7\u00e3o de paradigmas<\/strong><\/h3>\n<p>Por seu compromisso com a mem\u00f3ria ancestral, com as formas do mito e com um modelo de sociedade aristocr\u00e1tica, Homero (s\u00e9culo IX a.C.) tornou-se o monumento ideal para gera\u00e7\u00f5es de vanguarda contraporem-se e formularem novos paradigmas, para gregos e para a humanidade sua herdeira. A primeira grande contesta\u00e7\u00e3o a Homero foi comportamental e est\u00e9tica, na obra de poetas como Safo (630-570 a.C.), mulher que comp\u00f4s uma nova m\u00fasica animada por sexualidade aut\u00f4noma e plena.<sup>[2]<\/sup> O n\u00facleo do legado grego \u00e9 pag\u00e3o e er\u00f3tico, e identifica-se com personalidades divergentes, seguras de si e plenas de vitalidade. Esse <em>ethos<\/em> aparece tamb\u00e9m nos versos iconoclastas de novos guerreiros, hoplitas, donos de suas armaduras e de seus destinos, como Arqu\u00edloco de Paros (712-648 a.C.), prontos para desdenhar as estruturas de poder tradicionais.<sup>[3]<\/sup> Nossa rela\u00e7\u00e3o com a poesia l\u00edrica e com aquele mundo de cria\u00e7\u00f5es admir\u00e1veis em todas as artes \u00e9 \u00e9tica e est\u00e9tica, com o encanto de obras-primas geradas por mentes e atitudes insurgentes. (Figura 1)<\/p>\n<h6 id=\"figura-1-busto-de-homero-tipo-de-epimenides-a-epoca-de-homero-sec-ix-a-c-nao-havia-retrato-na-arte-grega-eis-uma-imaginacao-tardia-do-rapsodo-cego-cuja-obra-foi-o-paradigma-central-da-cultura\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3508\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura1-202x300.jpg\" alt=\"\" width=\"337\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura1-202x300.jpg 202w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura1-8x12.jpg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura1.jpg 287w\" sizes=\"(max-width: 337px) 100vw, 337px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 1. Busto de Homero, tipo de Epim\u00eanides. \u00c0 \u00e9poca de Homero, s\u00e9c. IX a.C., n\u00e3o havia retrato na arte grega. Eis uma imagina\u00e7\u00e3o tardia do rapsodo cego, cuja obra foi o paradigma central da cultura grega.<br \/>\n<\/strong>(C\u00f3pia romana de original grego do s\u00e9culo V a.C..\u00a0Exposto na Glyptotek de Munique. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi nessa \u00e9poca arcaica (s\u00e9culos VII-VI a.C.), entre a obra de Homero e o apogeu cl\u00e1ssico (s\u00e9culos V e IV a.C.), tempo de crise social, que se elaboraram os marcos da revolu\u00e7\u00e3o cultural grega. Al\u00e9m da nova poesia (er\u00f3tica ou l\u00edrica), desenvolveram-se as religi\u00f5es de mist\u00e9rios, movimentos religiosos em contraponto ao credo ol\u00edmpico, na era que viu surgir a p\u00f3lis, regida por leis pactuadas, e tamb\u00e9m novas tecnologias, como a escrita (750 a.C.) e a moeda (s\u00e9culo VII a.C.). Nesse cen\u00e1rio de transforma\u00e7\u00f5es, ergueu-se a fortaleza mais possante da hist\u00f3ria do conhecimento, a filosofia, em Mileto, onde Tales (dito \u201co fen\u00edcio\u201d, 625-558 a.C.) predisse com sucesso o eclipse de 28 de maio de 585 a.C.. Fazendo bom uso da fecunda heran\u00e7a oriental, de astronomia e geometria, o primeiro fil\u00f3sofo fez da an\u00e1lise emp\u00edrica um novo fundamento para o conhecimento, um mudo de evid\u00eancias, associado ao poder de teorias l\u00f3gicas. Na escola de Mileto floresceu por s\u00e9culos o racionalismo especulativo, aplicado a cosmos, cidade e corpo, e da filosofia proveio a etiologia \u2013 an\u00e1lise da <em>aitia<\/em>, causa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"a-interpretacao-da-memoria-classica-avanca-e-perpetua-um-dialogo-que-jamais-se-esgota-onde-as-fontes-antigas-conferem-solidez-a-formacao-cultural-e-a-aquisicao-de-linguagens-conceitos-teor\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cA interpreta\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria cl\u00e1ssica avan\u00e7a e perpetua um di\u00e1logo que jamais se esgota, onde as fontes antigas conferem solidez \u00e0 forma\u00e7\u00e3o cultural e \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de linguagens, conceitos, teorias e m\u00e9todos.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 id=\"thauma\"><strong><em>Thauma<\/em><\/strong><\/h3>\n<p>No di\u00e1logo Teeteto, e em outras passagens, Plat\u00e3o (427-367 a.C.) faz S\u00f3crates declarar que \u201co espanto (<em>thauma<\/em>) \u00e9 \u00fanico princ\u00edpio da filosofia\u201d (155d); Arist\u00f3teles (384-322 a.C.), pensando em qual fator gera um fil\u00f3sofo, diz: \u201ctodos come\u00e7am espantando-se de que todas as coisas s\u00e3o como s\u00e3o.\u201d<sup>[4]<\/sup> H\u00e1 no pensar grego o vigor de atos inaugurais, que desvelam conceitos para edificar vis\u00f5es complexas sobre o mundo, a vida, a sociedade, o indiv\u00edduo e seus dilemas. Naquela cole\u00e7\u00e3o de espantos, lemos a g\u00eanese vigorosa de ideias fundamentais, o gloss\u00e1rio dos conceitos com que se pode examinar o que importa, em qualquer era. Com a compreens\u00e3o do princ\u00edpio de ordem &#8211; <em>logos<\/em>, avan\u00e7amos para examinar o fundamento que \u00e9 tamb\u00e9m origem com poder para ordenar (<em>arch\u00e9<\/em>) ou, como fez Anaximandro (610-547 a.C.), movemo-nos para a an\u00e1lise do <em>\u00e1peiron<\/em> (ilimitado) ou das <em>aporias<\/em> (perplexidades) que inquietaram Plat\u00e3o em seus di\u00e1logos de maturidade. Desde Tales e sua proposta f\u00edsica, <em>t\u00f3 hydor<\/em> \u2013 a \u00e1gua \u2013 para examinar o mundo por crit\u00e9rio emp\u00edrico, aqueles fil\u00f3sofos nos fizeram ver que o conhecimento depende de evid\u00eancia (<em>tekm\u00e9rion<\/em>), para com isso compreendermos o fundamento seguro que desloca o mito em favor de saberes determinados e comprovados. Com esse crit\u00e9rio formal, a evid\u00eancia, nutriu-se o direito, a medicina, a hist\u00f3ria e todas as ci\u00eancias beneficiadas pela an\u00e1lise objetiva de fen\u00f4menos, em uma sociedade em que a norma (<em>n\u00f3mos<\/em>) escrita se imp\u00f4s como patrim\u00f4nio coletivo para dar seguran\u00e7a ao conv\u00edvio e seus conflitos. Que bela li\u00e7\u00e3o para n\u00f3s, que temerariamente recuamos para as fantasias por vezes terr\u00edveis do mito, desdenhando o valor elementar das provas e sua an\u00e1lise l\u00f3gica para estribar cada diagn\u00f3stico ou senten\u00e7a \u2013 mormente as que podem alterar o destino de muitas vidas e de uma na\u00e7\u00e3o. (Figura 2)<\/p>\n<h6 id=\"figura-2-esfinge-em-bronze-um-dos-tres-pes-de-largo-recipiente-de-c-600-a-c-a-grecia-antiga-e-tambem-esfinge-enigmatica-ou-a-deciframos-ou-a-ignorancia-nos-devora-acervo-do-metropolitan\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3509\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura2-300x254.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"424\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura2-300x254.jpg 300w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura2-14x12.jpg 14w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura2.jpg 426w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 2. Esfinge em bronze, um dos tr\u00eas p\u00e9s de largo recipiente,\u00a0de c. 600 a.C. A Gr\u00e9cia antiga \u00e9 tamb\u00e9m esfinge enigm\u00e1tica: ou a deciframos, ou a ignor\u00e2ncia nos devora.<br \/>\n<\/strong>(Acervo do Metropolitan Museum of Art \u2013 MET. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<h3 id=\"\"><\/h3>\n<h3 id=\"nomos-e-isonomia\"><strong><em>N\u00f3mos <\/em><\/strong><strong>e isonomia<\/strong><\/h3>\n<p>O exame do <em>n\u00f3mos<\/em> \u2013 norma, conven\u00e7\u00e3o ou lei (tamb\u00e9m modo musical) \u2013 leva-nos ao quadro hist\u00f3rico mais importante do mundo grego, a elabora\u00e7\u00e3o de ju\u00edzos sobre a natureza da lei e suas transforma\u00e7\u00f5es na vida em sociedade. Partimos, ent\u00e3o, da cr\u00edtica social aguda, apresentada pelo \u00faltimo \u00e9pico, Hes\u00edodo (s\u00e9culo VII a.C.), em \u201c<em>Os trabalhos e os Dias\u201d<\/em>.<sup>[5]<\/sup> Escrito em era de luta civil e pen\u00faria, o texto mostra a indigna\u00e7\u00e3o do autor com seu irm\u00e3o, Perses, e com reis-ju\u00edzes \u201ccomedores de presentes\u201d (<em>dor\u00f3phagoi<\/em>), cuja iniquidade produz mal para todos \u2013 inclusive para quem julga beneficiar-se de injusti\u00e7as. Ent\u00e3o o poeta antep\u00f5e o prefixo <em>dys<\/em> (torto, deformado) e forma a palavra que expressa a lei deturpada, de ju\u00edzes corruptos e homens indevidamente ambiciosos, a <em>disnomia<\/em>, grande mal moral e social. Algumas d\u00e9cadas ap\u00f3s Hes\u00edodo, S\u00f3lon de Atenas (638-558 a.C.), legislador (<em>nomotheta<\/em>) que encaminhou Atenas para sua moderniza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, retomou a palavra <em>n\u00f3mos<\/em> para pensar a boa norma que poderia conter a arrog\u00e2ncia (<em>hybris<\/em>) dos poderosos e levar ao equil\u00edbrio na polis, a <em>eunomia<\/em>, boa norma (prefixo <em>eu<\/em>), nome de um de seus poemas, em que se cantava e dan\u00e7ava regra amig\u00e1vel para a p\u00f3lis.<sup>[6]<\/sup> (Figura 3)<\/p>\n<h6 id=\"figura-3-planta-de-priene-cidade-grega-na-asia-menor-atualmente-turquia-no-vale-do-rio-meandro-na-encosta-do-monte-mykale-no-seculo-iv-a-c-implantou-se-a-cidade-ideal-expressao-do-racio\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-3510\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura3-200x300.jpg\" alt=\"\" width=\"333\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura3-200x300.jpg 200w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura3-8x12.jpg 8w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura3.jpg 284w\" sizes=\"(max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 3. Planta de Priene,\u00a0cidade grega na \u00c1sia menor (atualmente Turquia), no vale do rio Meandro. Na encosta do monte Mykale, no s\u00e9culo IV a.C., implantou-se a cidade ideal, express\u00e3o do racionalismo de Mileto, consagrado na obra do urbanista Hip\u00f3damos de Mileto (498-408 a.C.), refer\u00eancias ainda vivas em nossa cultura e em nossas cidades.<br \/>\n<\/strong>(Imagem de Griechische Stadeanlagen, Wellcome. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Duas gera\u00e7\u00f5es ap\u00f3s as reformas de S\u00f3lon (594 a.C.), quando Atenas superou a tirania e avan\u00e7ou para sua revolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, na reforma de Cl\u00edstenes (510-508 a.C.), agregou-se a <em>nomos<\/em> o prefixo <em>iso<\/em> para designar o regime em que se trataria da equaliza\u00e7\u00e3o da sociedade por via jur\u00eddica \u2013 a isonomia, termo com que os gregos designaram o que n\u00f3s chamamos democracia, e tomamos por modelo sem lhe observar corretamente fundamentos e pot\u00eancias. A palavra democracia, utilizada pela primeira vez somente em 424 a.C., quando o regime j\u00e1 vivia crises severas, designava soberania popular, motor da isonomia. Esta palavra, contudo, al\u00e9m da matriz jur\u00eddica, implicava tamb\u00e9m a dimens\u00e3o pol\u00edtica da assimetria econ\u00f4mica, os conflitos entre ricos e pobres, e o imperativo de achar-se solu\u00e7\u00e3o harm\u00f4nica, para o bem de todos, na p\u00f3lis. \u00c9 preciso pensar a natureza e o poder de boas leis (<em>eunomiai<\/em>) para reformas sociais que solucionem conflitos, e n\u00e3o para regras deformadas que ampliem iniquidades (<em>disnomia<\/em>), como ocorre nas manipula\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas em se agravam a viol\u00eancia e a mis\u00e9ria.<\/p>\n<p>Da isonomia (democracia) cl\u00e1ssica, resta-nos aprender o modo ousado com que mobilizavam o conjunto de cidad\u00e3os, por meio de sorteios e muitas atribui\u00e7\u00f5es c\u00edvicas para todos, algo que tangenciamos, no Brasil, na experi\u00eancia do Or\u00e7amento participativo, a partir de 1989 em Porto Alegre, ali\u00e1s insuflado pelo mesmo Castoriadis (aqui citado em ep\u00edgrafe).<sup>[7]<\/sup> Carecemos igualmente de vers\u00f5es atualizadas do principal foro judici\u00e1rio ateniense cl\u00e1ssico, a <em>heliaia<\/em>, tribunal popular. \u00c0 falta deste ou de formas de controle popular da pr\u00e1tica judicial, expomo-nos a situa\u00e7\u00f5es penosas, como os casos de <em>lawfare<\/em> recentemente evidenciados, ou vemos o risco da aliena\u00e7\u00e3o de classe, cevando-se oligarquia no seio da democracia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"da-isonomia-democracia-classica-resta-nos-aprender-o-modo-ousado-com-que-mobilizavam-o-conjunto-de-cidadaos-por-meio-de-sorteios-e-muitas-atribuicoes-civicas-para-todos-algo-que-tangenci\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cDa isonomia (democracia) cl\u00e1ssica, resta-nos aprender o modo ousado com que mobilizavam o conjunto de cidad\u00e3os, por meio de sorteios e muitas atribui\u00e7\u00f5es c\u00edvicas para todos, algo que tangenciamos, no Brasil, na experi\u00eancia do Or\u00e7amento participativo.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Respondamos, ainda, \u00e0s cr\u00edticas vulgares \u00e0 democracia cl\u00e1ssica: seus males, escravismo, ginecofobia e xenofobia, s\u00e3o conhecidos e hoje facilmente combatidos; n\u00e3o h\u00e1 porque descartar o exame das rela\u00e7\u00f5es entre aquela experi\u00eancia e nossas condi\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas, como o fez, admiravelmente, o historiador ingl\u00eas Moses Finley, nas obras \u201c<em>Democracia antiga e moderna\u201d<\/em> <sup>[8]<\/sup> e \u201c<em>Escravid\u00e3o antiga e ideologia moderna\u201d, <\/em><sup>[9]<\/sup> avatares no trato da recep\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de mem\u00f3ria e hist\u00f3ria cl\u00e1ssicas. Mais que herdar palavra, precisamos compreender o fen\u00f4meno hist\u00f3rico, e dar \u00e0 sua mem\u00f3ria gen\u00e9tica as muta\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias em nossa era.<sup>[10] <\/sup>(Figura 4)<\/p>\n<h6 id=\"figura-4-a-kouros-estatua-de-jovem-atico-c-590-a-c-b-as-proporcoes-do-canon-460-a-c-de-policleto-480-420-a-c-em-seu-doriforo-a-passagem-da-idade-arcaica-com-sua-heranca-oriental\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-3511\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura4A.jpg\" alt=\"\" width=\"254\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura4A.jpg 180w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura4A-8x12.jpg 8w\" sizes=\"(max-width: 254px) 100vw, 254px\" \/> <img loading=\"lazy\" class=\"alignnone wp-image-3512\" src=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura4B.jpg\" alt=\"\" width=\"274\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura4B.jpg 195w, https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/CC-4-edicao-opinia\u0303o-A-perpe\u0301tua-germinac\u0327a\u0303o-cla\u0301ssica-figura4B-8x12.jpg 8w\" sizes=\"(max-width: 274px) 100vw, 274px\" \/><br \/>\n<strong>Figura 4. A) <\/strong><strong>Kouros (est\u00e1tua de jovem) \u00e1tico, c. 590 a.C. B) As propor\u00e7\u00f5es do Canon\u00a0(460 a.C.) de Policleto (480-420 a.C.), em seu Dor\u00edforo. A passagem da idade arcaica, com sua heran\u00e7a oriental, para a modernidade cl\u00e1ssica foi realizada com conquistas do m\u00e9todo e o estabelecimento de padr\u00f5es de propor\u00e7\u00e3o e veracidade, expressos no Canon de Policleto. Esta \u00e9 a imagem de maior influ\u00eancia em toda a hist\u00f3ria da arte.<br \/>\n<\/strong>(Figura 4A &#8211; Acervo do Metropolitan Museum of Art \u2013 MET. Figura 4B &#8211; Imagem editada por Gustavo Rodrigues da Silva, no banco de imagens do StudioClio Instituto de Arte &amp; Humanismo &#8211; Porto Alegre. Reprodu\u00e7\u00e3o).<\/h6>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3 id=\"emancipacao\"><strong>Emancipa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Grau maior de nossa vida no pensamento grego realiza-se quando passamos a especular com palavras hel\u00eanicas e com elas criar conceitos atuais, modernos e enraizados no fecundo territ\u00f3rio cl\u00e1ssico. \u00c9 o que fez Immanuel Kant (1724-1804) em sua \u201c<em>Fundamenta\u00e7\u00e3o da metaf\u00edsica dos costumes\u201d<\/em>, <sup>[4]<\/sup> quando partiu do conceito antigo de autonomia, antes usado para designar a cidade que vive pelas pr\u00f3prias leis, <sup>[11, 12] <\/sup>para passar a referir a independ\u00eancia moral do indiv\u00edduo. Foi neste contexto que Kant cunhou o neologismo complementar e oposto, heteronomia, que funde <em>heteros<\/em> (o outro) e <em>nomos<\/em> (regra), para designar os casos em que a norma \u00e9 imposta de fora para dentro, pelo Estado ou pela religi\u00e3o, \u00e0 custa da aquisi\u00e7\u00e3o \u00e9tica dos princ\u00edpios por op\u00e7\u00e3o ou determina\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo. Desta matriz evoluiu um dos mais percucientes conceitos de \u00e9tica e filosofia pol\u00edtica, tratado especialmente por Marcel Gauchet <sup>[13]<\/sup> para pensar religi\u00e3o, sociedade, poder, Estado e liberdade, do mundo antigo ao atual. Esta discuss\u00e3o se atualiza no momento em que cresce o poder da tutela religiosa e de outras fontes de informa\u00e7\u00e3o manipuladoras na sociedade contempor\u00e2nea, \u00e0 custa da liberdade individual e da democracia, exposta a um contrabando de princ\u00edpios que pode feri-la letalmente. Resta-nos recuperar e renovar, a cada gera\u00e7\u00e3o, o vigor das fontes do pensamento grego, para muitas e nobres finalidades, na necess\u00e1ria miss\u00e3o de ampliarmos os caminhos para a emancipa\u00e7\u00e3o e a felicidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4 id=\"esta-discussao-se-atualiza-no-momento-em-que-cresce-o-poder-da-tutela-religiosa-e-de-outras-fontes-de-informacao-manipuladoras-na-sociedade-contemporanea-a-custa-da-liberdade-individual-e-da\" style=\"text-align: center;\"><em><span style=\"color: #800000;\">\u201cEsta discuss\u00e3o se atualiza no momento em que cresce o poder da tutela religiosa e de outras fontes de informa\u00e7\u00e3o manipuladoras na sociedade contempor\u00e2nea, \u00e0 custa da liberdade individual e da democracia, exposta a um contrabando de princ\u00edpios que pode feri-la letalmente.\u201d<\/span><\/em><\/h4>\n<hr \/>\n<h5 id=\"referencias\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h5>\n<h6 id=\"1-castoriadis-cornelius-a-polis-grega-e-a-criacao-da-democracia-in-as-encruzilhadas-do-labirinto-2-os-dominios-do-homem-rio-de-janeiro-paz-e-terra-1987-pp-268-275\">[1] CASTORIADIS, Cornelius. A p\u00f3lis grega e a cria\u00e7\u00e3o da democracia. In: As encruzilhadas do labirinto 2 &#8211; os dom\u00ednios do homem. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987, pp. 268-275.<\/h6>\n<h6 id=\"2-safo-poemas-e-fragmentos-traduzido-por-joaquim-brasil-fontes-sao-paulo-editora-iluminuras-2003\">[2] SAFO. Poemas e fragmentos. Traduzido por Joaquim Brasil Fontes. S\u00e3o Paulo: Editora Iluminuras, 2003.<\/h6>\n<h6 id=\"3-correa-paula-da-cunha-armas-e-varoes-a-guerra-na-lirica-de-arquiloco-sao-paulo-editora-da-unesp-1998\">[3] CORREA, Paula da Cunha. Armas e Var\u00f5es: a guerra na l\u00edrica de Arqu\u00edloco. S\u00e3o Paulo: Editora da Unesp, 1998.<\/h6>\n<h6 id=\"4-kant-immanuel-fundacao-da-metafisica-dos-costumes-coimbra-edicoes-70-2009\">[4] KANT, Immanuel. Funda\u00e7\u00e3o da Metaf\u00edsica dos Costumes. Coimbra: Edi\u00e7\u00f5es 70, 2009.<\/h6>\n<h6 id=\"5-hesiodo-os-trabalhos-e-os-dias-trad-introducao-e-comentarios-de-mary-camargo-neves-lafer-sao-paulo-iluminuras-1990\">[5] HES\u00cdODO. Os Trabalhos e os Dias. Trad., introdu\u00e7\u00e3o e coment\u00e1rios de Mary Camargo Neves Lafer. S\u00e3o Paulo: Iluminuras, 1990.<\/h6>\n<h6 id=\"6-barros-gilda-naecia-maciel-de-solon-de-atenas-a-cidadania-antiga-sao-paulo-humanitas-fflch-usp-1999\">[6] BARROS, Gilda Na\u00e9cia Maciel de. S\u00f3lon de Atenas. A cidadania antiga. S\u00e3o Paulo: Humanitas FFLCH\/USP, 1999.<\/h6>\n<h6 id=\"7-castoriadis-cornelius-o-futuro-da-democracia-conferencia-proferida-em-porto-alegre-em-setembro-de-1991-disponivel-no-youtube-url-https-www-youtube-com-watchvzdey-q6hdhofeatur\">[7] CASTORIADIS, Cornelius. O Futuro da Democracia. confer\u00eancia proferida em Porto Alegre em setembro de 1991. Dispon\u00edvel no YouTube, URL &lt;&lt;https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Zdey-q6hDHo&amp;feature=share&amp;si=ELPmzJkDCLju2KnD5oyZMQ&gt;&gt; e em &lt;&lt;http:\/\/caosmose.net\/castoriadis\/&gt;&gt;, em 03\/11\/2022<\/h6>\n<h6 id=\"8-finley-moses-i-democracia-antiga-e-moderna-rio-de-janeiro-graal-1988\">[8] FINLEY, Moses I.. Democracia antiga e moderna. Rio de Janeiro: Graal, 1988.<\/h6>\n<h6 id=\"9-finley-moses-i-escravidao-antiga-e-ideologia-moderna-rio-de-janeiro-graal-1991\">[9] FINLEY, Moses I.. Escravid\u00e3o antiga e ideologia moderna. Rio de Janeiro: Graal, 1991.<\/h6>\n<h6 id=\"10-finley-moses-i-uso-y-abuso-de-la-historia-barcelona-ed-critica-1984\">[10] FINLEY, Moses I.. Uso y abuso de la historia. Barcelona: Ed. Cr\u00edtica, 1984.<\/h6>\n<h6 id=\"11-schneewind-j-b-the-invention-of-autonomy-a-history-of-modern-moral-philosophy-new-york-cambridge-university-press-1998\">[11] SCHNEEWIND, J.B., The invention of Autonomy: A History of Modern Moral Philosophy. New York: Cambridge University Press, 1998.<\/h6>\n<h6 id=\"12-swaine-lucas-the-origins-of-autonomy-in-history-of-political-thought-vol-37-no-2-summer-2016-pp-216-237\">[12] SWAINE, Lucas. The Origins of Autonomy. In: History of Political Thought, Vol. 37, No. 2 (Summer 2016), pp. 216-237.<\/h6>\n<h6 id=\"13-gauchet-marcel-a-divida-do-sentido-e-as-raizes-do-estado-in-clastres-p-et-ali-guerra-religiao-e-poder-coimbra-edicoes-70-1980\">[13] GAUCHET, Marcel. A d\u00edvida do sentido e as ra\u00edzes do Estado. In: CLASTRES, P. et ali. Guerra, religi\u00e3o e poder. Coimbra: Edi\u00e7\u00f5es 70, 1980.<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"capa-relacionamento-historico-com-a-grecia-atingiu-e-influenciou-nossos-meios-academicos-e-sociais-marmore-de-elgin-british-museum-reproducao\"><strong>Capa. Relacionamento hist\u00f3rico com a Gr\u00e9cia atingiu e influenciou nossos meios acad\u00eamicos e sociais.<br \/>\n<\/strong>(M\u00e1rmore de Elgin. British Museum. Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/h6>\n<hr \/>\n<h6 id=\"marshall-francisco-a-perpetua-germinacao-classica-pensamento-grego-impactou-significativamente-meios-academicos-e-sociais-e-continua-estimulando-a-reflexao-cienc-cult-online-20\"><span style=\"color: #808080;\"><em>MARSHALL, Francisco.<span class=\"article-title\">\u00a0A perp\u00e9tua germina\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica: pensamento grego impactou significativamente meios acad\u00eamicos e sociais e continua estimulando a reflex\u00e3o.<\/span>\u00a0Cienc. Cult.\u00a0[online]. 2022, vol.74, n.4 [citado\u00a0 2023-08-30], pp.01-06. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/cienciaecultura.bvs.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252022000400015&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&gt;. ISSN 0009-6725.\u00a0 http:\/\/dx.doi.org\/10.5935\/2317-6660.20220069.<\/em><\/span><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"Pensamento grego impactou significativamente meios acad\u00eamicos e sociais e continua estimulando a&hellip;\n","protected":false},"author":68,"featured_media":3507,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21],"tags":[],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3506"}],"collection":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/68"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3506"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3506\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4647,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3506\/revisions\/4647"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/3507"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3506"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3506"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/revistacienciaecultura.org.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3506"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}